Akai

2 Capítulo 1: Amor parte II


Notas iniciais
Hn, o site está zuando com a minha formatação e estou sem betagem - como eu leio varias vezes o texto, acabo deixando de ver os erros -nnn #algo que to com preguiça de explicar. Logo, perdão pelas falhas aqui e ali! auhauahuah.

As folhas avermelhadas forravam as ruas de Londres formando uma paisagem diferente daquela que Mello estava acostumado no Japão, o frio intenso e o céu cinza dia após dia o fazia perder um pouco do animo. Colocou ao máximo o sobretudo em seu corpo enquanto escondia parte do nariz no cachecol vermelho emprestado por Matt, andar nas ruas estava impossível com toda aquela ventania.

- Odeio frio _sibilou assim que sentiu uma rajada mais forte bagunçar seus cabelos metodicamente penteados _e odeio meu trabalho também.

Respirou aliviado ao entrar no hotel The Rembrandt e sentir o clima ameno do lugar, já estava sendo esperado no hall de entrada pela sua cliente.

- Bom dia _disse num inglês arrastado, a mulher de meia idade estava sentada numa luxuosa poltrona de couro branco, era inegável sua posição social diante tantos diamantes pendurados e anéis com as mais diferentes pedras _trouxe o que eu encomendei, suponho.

- Então supôs certo _disse irritado e entregou o pequeno pacote que estava em um dos bolsos.

- Hn, muito bem _não o abriu de imediato, apenas conferiu por alguns instantes o papel carmesim que era usado como embalagem e logo o guardou em sua bolsa _aqui está garotinho _estendeu um envelope que foi aceito de prontidão.

- Boa tarde _Mello se esforçou para não ser mal educado e saiu do local, ajeitando novamente seu cachecol agora quase na altura dos olhos.

Fazer entregas não era exatamente o trabalho do loiro, mas como seu chefe era seu CHEFE às vezes era obrigado a fazer esses pequenos “favores”, como Jôjo costumava a falar. No geral, eram pequenas entregas de joias roubadas entre outros itens ilegais para as madames de Londres, nada perigoso e tudo extremamente chato; seu negócio mesmo era o tráfico de armas.

Armas de fogo era sua paixão desde muito antes de se envolver com a máfia, já tinha um interesse peculiar nesse tipo de bandidagem e era disso que vivia, fazia todo o tipo de negócio com todo o tipo de gente, sempre a mando de Jôjo – seu atual chefe. É claro que, para a segunda mente mais inteligente do mundo, ficar como subordinado não era seu objetivo final, sua meta era pegar o posto mais alto e comandar tudo a sua vontade, mas isso ainda iria ter que esperar um pouco mais, a tal da “falta de recursos e infraestrutura” estavam sendo um empecilho no momento.

Andou em passos largos até seu apartamento na rua Flat duas quadras acima, assim que conseguiu entrar no elevador, que teve que correr para pegá-lo ainda no térreo, reparou o quanto estava ofegante e sufocado naquele monte de algodão enrolado em seu pescoço.

- Dia corrido? _a senhorinha ao seu lado perguntou abrindo um pequeno sorriso.

- Ah... um pouco _se atrapalhou para desatar o nó que aquele pedaço de pano tinha feito por vontade própria em seu pescoço.

- Tão jovem e já tão cheio de compromissos _deu uma risadinha _está certo, tenha um bom dia rapazinho _e abriu um sorriso de velinha antes de sair para o segundo andar.

- ‘Dia _respondeu apressado antes que a porta fechasse.

O loiro ergueu uma sobrancelha ao ver que sua mão tinha erguido automaticamente para se despedir, realmente estava perdendo o jeito, talvez a convivência com Matt o deixasse mais “mole” com as pessoas – bobagem. Estalou a língua impaciente e saiu para o seu andar, deu de cara com a porta trancada, bufando procurou a chave nos muitos bolsos de seu sobretudo.

- Matt!? _gritou chutando a porta _abre pra mim! Estou sem chave, eu acho... _sua voz foi diminuindo temendo chamar atenção de algum vizinho.

Um Matt com os cabelos bagunçados e uma olheira visível abriu a porta em meio a um bocejo, abriu um sorriso meigo ao ver o amado de cara fechada esfregando suas mãos devido ao frio, achou a cena um tanto fofa e logo estendeu suas mãos para puxa-lo para dentro.

- Boa tarde, deu tudo certo?

- Uhum... _se aconchegou num abraço caloroso de Matt _e você?

- Eu já terminei, estava tirando um cochilo.

- Ótimo _enrolou o cachecol no pescoço ávido do ruivo e tirou o sobretudo pendurando no trinco da porta _podemos fazer alguma coisa mais tarde se é assim.

- Hum! Podemos ir jantar no L’Alouette.

- Podemos sim... _depositou o envelope gordo em cima da mesa e começou a enrolar os cabos dos computadores portáteis que Matt havia usado para trabalhar.

- Entrei no sistema em 67 segundos _disse orgulhoso _aposto que nem mesmo o Near conseguiria um feito assim.

- O único botão que aquela ovelha albina sabe apertar, é o on\\off dos seus brinquedos _deu os ombros fechando um segundo Mcbook e entregando ao ruivo.

Em poucos minutos a sala, antes cheia de pacotes de salgadinhos, latinhas de cervejas e pelo menos três computadores espalhados por toda a extensão do tapete, estava novamente habitável como se nunca tivesse existido hacker algum nela. A propósito, esse era exatamente o trabalho de Matt, um trabalho particular gerenciado por ele mesmo, atendia qualquer pessoa que lhe pagasse o preço exigido de 1.500 pratas para mais; não tinha ética de ser bandido ou mocinho, apenas mantinha sigilo e metade do pagamento adiantado – perfeito para alguém que mal sai de casa, seja por preguiça, seja por falta de interesse para com o mundo lá fora.

Matt, agora aconchegado novamente debaixo das cobertas no grande sofá de linho bege, estava a procura de um filme qualquer na TV para aproveitar a presença do companheiro naquela tarde fria. Depois dos seus incontáveis jogos para Playstation – e, diga-se de passagem, já almejando um Xbox com o dinheiro que receberia mais tarde – passar as tardes agarrado a cintura de Mello vendo qualquer baboseira na TV era um de seus programas preferidos.

Resolveram por fim ver Titanic pela nonagésima vez, claro que pela nonagésima vez tudo acabou em pizza, sexo e duas pessoas nuas dormindo no sofá – lindo.

O silencio era quebrado apenas pela respiração ritmada dos amantes e as vezes pelo tossido seco de Matt causado pelo cigarro. A escuridão ajudada agora pelas luzes apagadas proporcionava um clima agradável para continuarem na preguiça, mas a fome rugiu ferozmente no estomago do loiro fazendo-o acordar e escapar do abraço de urso do ruivo; tinha se lembrado que iam sair para jantar e mesmo com o frio, resolveu tomar um banho e se trocar, afinal o dia estava tranquilo não custava nada fazer as coisas sem reclamar pelo menos uma vez na vida.

Deixou a água inicialmente gelada cair em seu corpo quente proporcionando assim um choque térmico, algo que o acalmava muito quando estava nervoso e acelerado, como tal fato era corriqueiro acabou por se tornar um hábito. Seus pensamentos foram levados momentaneamente pela cascata de água, agora quente; tudo ficou vazio e silencioso – paz – abriu um sorriso e balançou fortemente a água de seus cabelos claros, tudo estava como ele sempre quis – felicidade – agora mais acordado, começou a se ensaboar e assoviar uma canção qualquer, seu coração acelerou ansioso para o passeio – Matt.

O ruivo abriu os olhos e se espreguiçou lentamente percebendo a falta do loiro assim que conseguiu esticar seu corpo todo no sofá, foi até o quarto enrolado no cobertor, afinal lhe faltava até mesmo a roupa intima – logo que ficara com preguiça de por qualquer coisa depois de transarem. Entrou no quarto a procura do mais velho e ouviu o barulho de água, se animou ao ver que o mesmo não tinha esquecido do encontro. Separou uma calça jeans preta e uma blusa de lã branca do guarda-roupa, lembrou-se também de pegar um par de meias e cueca antes de fechar a gaveta.

Mello saiu do banheiro apenas com a calça de moletom azul marinho, a mesma que usou assim que acordou minutos antes, murmurou um “pode ir” antes de sumir atrás da toalha secando os fios loiros e sedosos antes que pegasse um resfriado. Ralhando consigo mesmo pela falta de roupa nova e agora com a toalha pendurada no pescoço, acabou por pegar a única peça que ainda estava com cara de passeio, um jeans branco – raridade entre suas roupas – e uma camisa vinho que ficaria um tanto escondida sob seu grosso sobretudo.

- Nossa, mas assim eu vou querer o prato principal mesmo antes do vinho _Matt tentou segurar, mas o sorriso safado lhe escapou dos lábios.

- Besta _riu e sentiu suas bochechas esquentarem, pegou seu perfume tentando disfarçar e ficou aliviado quando o outro voltou para dentro do banheiro.

Munidos de cachecóis e luvas, o casal desceu brincando com o vapor que escapava da boca quando falavam, deram boa noite ao sindico carrancudo que vinha no corredor antes de seguirem para a garagem – um velho hipócrita e preconceituoso, claro que sendo Matt e Mello, jamais deixavam de cumprimentá-lo inclusive de mãos dadas para provocá-lo.

- Viu a cara dele?! _o mais novo errou pela segunda vez a chave no contato pela falta de controle momentânea causada pela crise de riso _potz, é foda...

- Da próxima a gente tenta dar um beijo na testa dele agora liga logo isso to congelando!

- Desculpas... ai, ai... _deu a partida e ligou o ar quente _bora.

O Camaro vermelho antigo furou dois sinais vermelhos e não respeitou a velocidade nos túneis – claro que para um hacker, saber onde estão os radares era lei – e o que uma pessoa dentro das regras gastaria no trajeto até o restaurante, Matt levou a metade do tempo.

- Um recorde! _entregou as chaves ao manobrista enquanto se gabava _vamos Madonna _segurou a mão do loiro que revirou os olhos para o comentário.

- Vai pagar a conta então, cavalheiro _ rebateu jogando o cabelo para trás e ambos riram.

E assim entre risos e sorrisos, a noite passou calma, por hora Mello se perdia entre as histórias contadas pelo outro, um tanto distorcidas – visto que ele mesmo participara da maioria – e apenas se limitava a balançar a cabeça positivamente concordando vez ou outra sem dar muita atenção tentando não perder de vista o par de olhos que tanto amava. Amava tudo em Mail, do seu nome ao seu sorriso, seus cabelos cor de fogo que contrastavam tanto com sua pele clara, os gestos que fazia e a empolgação em suas palavras; tudo, absolutamente tudo.

- Eu te amo _sibilou em meio a um devaneio e uma risada do ruivo por um motivo qualquer que não entendeu.

- O que disse Mello? _serviu-lhes um pouco mais de vinho.

- Não beba tanto, ainda temos que voltar para casa _falou com a mesma calma.

- Hum, você está meio distante _fez um bico, meio preocupado, meio irritado.

- Culpa sua... que me faz te amar ao ponto de me desprender do mundo.

- ... _um nó se formou em sua garganta e a boca ficou entreaberta, suas bochechas tomaram um tom mais forte; ele amava as declarações repentinas do loiro, mas odiava a sensação de ficar desarmado.

Mello se levantou deixando o dinheiro da conta em cima da mesa e pegou a mão fria do ruivo o levando para o carro, agora com um sorriso maior do que o normal. Imediatamente seu companheiro entendeu e deu um risinho, depois do L’Alouette ele já sabia onde iam parar, o motel que ficava á 40 minutos dali era o preferido deles.

- Ah Mels, como eu te... _foi calado por um beijo faminto deixando suas intenções bem claras _desse jeito vou esquecer onde ficam os... os radares... uh _soltou um gemido baixo ao sentir um par de mãos geladas invadirem sua blusa.

- Cala boca e dirige isso.

- ...cala boca e me chupa logo.

Forçou a cabeça loira para baixo de seu pescoço passando direto pelo peito e deixando ela estratégica abaixo da cintura, não segurou um segundo gemido agora mais alto e, rezando para que ainda soubesse ao menos respirar, rumou para o Paradise.

Notas finais
Obrigada! ♥