Akai
25 Capítulo 21: Akai Ito
Notas iniciais
Akai – três semanas depois.
– Droga, Mello! Limpe os pés antes de entrar _ralhou o ruivo balançando o espanador na direção do outro.
– Ah vai se ferrar _respondeu bufando, mas acabou por obedecer _até parece que... porra Matt _colocou as mãos na cintura.
O ruivo não entendeu a ofensa; mas não era para menos: os cabelos estavam presos por um grampo dando um charme extra na cabeleira cor de fogo, o torço desnudo e bem definido a mostra, enfeitado apenas por uma fina corrente de ouro branco e no pulso uma munhequeira preta – contra tendinite, dizia Matt, a doença dos rackers – logo abaixo na cintura, pendia uma bermuda de tactel azul deixando a borda da cueca vermelha aparente. Como se não bastasse, Matt tinha nos lábios um sorriso, um sorriso que logo se tornou malicioso ao ver Mello jogando a camisa preta em qualquer canto da sala.
– Não usa essa roupa, isso é errado... muito errado! _o puxou pela cintura indo direto no pescoço a fim de lhe arrancar pelo menos um suspiro baixo.
– Caralho, você é muito pervertido _respondeu com hipocrisia visto que ele prensara o loiro contra a parede mais próxima.
Mello não rebateu a crítica, para calar de vez o outro, desabotoou a calça a jogando para baixo do joelho, forçou os ombros a sua frente até o ruivo ficasse de joelhos.
– Comece seu trabalho, vadia.
E quem era Mail Jeevas para contestar?
Não muito distante dali, numa situação bem contraria ao do casal, Beyond esperava por seu irmão na recepção do hospital. A cadeira branca e impecável do lugar lhe dava náuseas, pensou o moreno o quão menos entediante seria esperar na porta do pronto socorro com todo aquele sangue e desespero.
– Uh... _resmungou ao perceber uma pontada forte na lateral da cabeça, seus próprios pensamentos lhe davam dores de cabeça.
As coisas tinham mudado bastante desde que decidira sair em busca de respostas. Descobrira que ele próprio era capaz de entender todo o mundo, bastava içar velas e partir.
Mas...
Mas e agora que a viajem chegou ao fim? Os olhos foram tomados de si, sua imagem é reconhecida em muitos lugares, e tudo o que sobrou é o medo de perder as pessoas que cativou.
O amor de repente se torna doloroso, a vontade de matar que lhe ferve o sangue não faz mais jus a sua pessoa – matar está fora de cogitação se ele quiser continuar a ficar do lado daqueles que ama.
Agulhas estão perfurando a minha pele
Eu irei te dizer como é a sensação
Se a vida é apenas sobre decepção
É tudo dor, parte de um conto de fadas
Mas deseja jogar pelo próprio Deus
Devo trocar a respiração da minha vida por liberdade?
Afinal, o que pesou mais na balança daquele homem desajustado no mundo: seguir com as duvidas, mas nunca sentir medo de si mesmo ou descobrir aqueles sentimentos e passar a se esconder de sua própria sombra?
Beyond se viu num mar de desespero, sentiu tremor em suas pernas e braços, os lábios se contrariam.
(Na chuva) Eu estou te chamando
(Achar um caminho) Você não consegue me ver bem aqui?
(Sentir a minha dor) A vida está sangrando do medo
(Achar o lugar) Eu te darei isso direto da minha veia
– Que escolha eu tive afinal? _se perguntou
Que escolha a vida lhe dera se não seguir suas próprias vontades? Talvez se algo tivesse mudado quando ainda era pequeno...
– Não _continuou a se responder _nada teria mudado o que me tornei hoje, um assassino.
"Agulhas estão perfurando a minha pele,
Eu ainda não sei o sentido da porra da vida"
– E é isso que continuo sendo.
O moreno levantou e deu dois passos em direção à porta de saída, permanecer e ir embora com o irmão, sair e voltar ao começo.
"Você nunca deixou a vida passar por você?"
Eles falam isso como se me tocasse em algum lugar
Apenas me deixe engolir a fé por injeção
Deixe o sangue correr para a minha cabeça, meu amor
Eu já joguei esse jogo antes
Para achar alguma parte do meu verdadeiro ser, Eu estou perdido por dentro!
– Merda! _seus lábios tremeram violentamente, o moreno sentiu uma solitária gota de suor atingir o rosto.
I.V.* na minha veia, para sentir menos essa dor
Você pode desmascarar o mistério do mundo?
Eu o deixarei sofrer pela sua mentira
Até a forma das sombras passar
Até o 'para sempre' passar
*I.V = droga, tema da música.
– Beyond! _L o chamou do lado de fora.
O detetive o chamou novamente, mas logo entendeu o conflito que se mantinha estático ali. Afastou-se do carro em passos lentos, a escolha das palavras iriam determinar o rumo daquela vida.
Depois de tudo que passaram, seria justo B. simplesmente partir?
– Meu irmão, venha comigo por favor... _suplicou _depois de tudo, de que adianta partir?
(Na chuva) Eu estou te chamando
(Achar um caminho) Você não consegue me ver bem aqui?
(Sentir a minha dor) A vida está sangrando do medo
(Achar o lugar) Eu te darei isso direto da minha veia
– Podemos resolver isso juntos!... BEYOND!
– Nunca deixarei de ser um assassino!! _gritou de volta, dando mais dois passos á frente_ desista.
– ...e quem é você para dizer que eu me importo?
– Cale essa maldita boca! Não pode ir contra si mesmo, mesmo que por mim! Lawliet nunca poderá deixar de existir por outra pessoa.
– L só existe por sua causa. O detetive que salvou milhares de vidas, só existe porque Beyond existe... por tudo que já fiz, me deixe ser egoísta e proteger você. Caralho, estou de saco cheio de correr atrás da justiça! Não me importo se todas aquelas pessoas sobreviveram se você não for comigo! Não tenha medo de nos amar, nem de nos perder... B. não tenha... medo de nada.
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– É... parece que... voltamos ao inicio da história _resmungava um Matt ofegante.
– Como assim? _respondeu o loiro com igual falta de ar.
– ...sexo, você e eu... algumas cervejas, essas coisas _deu os ombros enquanto alcançava o maço de cigarros abandonado no chão.
Mello parou suas ações por um instante, realmente aquela cena costumeira dava a impressão que nada havia acontecido; como se nunca tivessem saído da sala.
– ...somos um bando de idiotas _murmurou.
– Como assim?
– Olhe pra você _apontou para uma larga cicatriz no pulso do outro _agora olhe a nossa volta. Acabamos de voltar do inferno praticamente, quase nos separamos... você quase morreu e tudo isso de repente não faz mais nenhum sentido. Ter a sensação de que isso nunca aconteceu realmente... é... _tentou escolher a melhor palavra _cara, só quero dizer que não faz sentido algum! _repetiu.
O ruivo abriu um sorriso sereno, passou os braços em volta da cintura de Mello e aconchegou sua cabeça no ombro largo.
– Esqueça, seres humanos são assim. Logo deixaremos de lembrar muitas coisas, inclusive das pequenas felicidades _aproveitou para aspirar o cheiro bom do xampu que exalava dos cabelos do marido_ se não vivermos o agora o que restará?
– ...ele irá embora?
– Ele...
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– Near, o carro está pronto.
O pequeno não respondeu, se limitou a levantar e caminhar lentamente em direção à saída. Desde o incidente em sua mansão, resolveu que já era hora de sair daquela pequena redoma de vidro: se mudaria para a capital, no coração do país comandaria o que se tornaria em breve o maior centro de investigações do mundo. Não iria tolerar mais nenhum ser humano ousado o suficiente para roubar eou matar; teria todos os psicopatas debaixo de seus olhos, daria jus ao seu status de detetive.
Near deixou para trás o quebra cabeça branco de 10 mil peças e junto deles o habitual pijama. O terno grafite não lhe caiu tão mal quanto imaginara e no lugar de brinquedos se ocuparia com armas de fogo – um pouco mais... letais, digamos assim.
– Senhor, podemos partir? _perguntou o motorista formalmente.
– Leve minhas coisas direto ao centro _aproveitou para jogar o paletó pela janela do carro _eu irei logo.
– Mas senhor, para a sua segurança...
Ignorando a preocupação do outro, dobrou as mangas incomodas da camisa social até o antebraço e retirou um molho de chaves do bolso da calça. Sua moto recém-adquirida seria a única companhia por longas horas.
– Antes tenho um serviço para terminar _resmungou partindo em seguida.
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A mansão há muito tempo não recebia seu próprio anfitrião. Um casarão comprado no final do sec 19 e passado de geração em geração até finalmente chegar nas mãos de um alguém bem indeciso com o destino da construção. Pensou em doar para alguma fundação de crianças carentes ou até mesmo demolir, mas uma casa tão linda assim enchera os olhos de seu atual companheiro; Light implorou para Lawliet deixar de ser humilde e morar de vez naquele lugar, distanciando assim do Japão por um longo tempo.
E dessa forma, a antiga mansão em breve seria preenchida por vozes altas animadas. O detetive mais velho mirou com tédio o jardim forrado por rosas alemãs.
– Não faça essa cara, foi palco de um marco histórico para a Inglaterra.
– Roger tem um péssimo gosto para construções. Tanto a mansão Phantomhive¹ quando o Wammy’s house são horríveis.
Ignorando o comentário, Light empurrou as largas portas de carvalho tendo acesso ao hall de entrada. Nada seria mais luxuoso do que a decoração de uma mansão inglesa.
– Cada detalhe, Yagami-san, foi reconstruído após o segundo incêndio que ocorreu em toda a Londres. Nunca pensei que o dono seria ele _suspirou _por anos tentei encontrar o proprietário, mas Roger infelizmente passou a escritura para a única pessoa no mundo que sabia como guardá-la.
O moreno passou pelo outro lhe causando arrepios. De fato, Beyond saíra do hospital acompanhado pelo casal, mas sua aura demoníaca não tinha desaparecido por completo; é como se ele fosse sumir de repente de suas vistas e recomeçar sua antiga vida assassinando todos os presentes como ponto inicial.
– L, seus convidados chegaram _anunciou Watari, já vestido de forma apropriada para o encontro.
– Prepare o chá, vamos fazer jus ao antigo morador apenas essa vez. Como nobres ingleses.
O senhor se retirou abrindo um sorriso cômico, a raridade da cena – ver L entrando numa brincadeira – deveria ter sido registrada com certeza.
Do lado de fora, ainda parados perto do Camaro antigo, Matt se esqueça do cigarro aceso preso entre os dedos e Mello constatou que era possível ficar sim mais de 1 minuto sem piscar, mesmo tendo a retina queimando pelo sol forte.
– Isso é a mansão? Quero dizer... eu achei que seria algo mais humilde sabe _o ruivo balbuciou.
O loiro não respondeu, continuou a mirar o jardim até perdê-lo de vista.
Horas antes, o casal que ainda se reestabelecia no antigo apartamento recebeu um convite para uma reunião informal a fim de discutirem novamente o caso de Beyond e do esquema das máfias mundiais – L queria a ajuda de Mello mesmo que isso fosse de total contradição para o loiro – o local era a mansão de lawliet, aos arredores de Londres.
Os garotos (e até mesmo Light), pensaram numa casa grande, talvez enorme, mas nada que chegasse a superar muito a residência de Near. O espanto foi razoável ao verem um terreno sem vista para o final da extensão e um monstro de incontáveis cômodos. O próprio Roger não chegara a habitar a mansão tempo suficiente para ocupar todos eles.
– Sejam bem vindos, Lawliet está esperando... oh, vamos lá, não é de tanto espanto assim, já viram construções maiores.
– Watari, com certeza já vimos mansões maiores, mas nunca chegamos a entrar em uma _disse Mello, irônico _quem era o dono disso?!
– Um conde _respondeu o senhor ainda com um sorriso nos lábios.
“O chá de hoje é vindo especialmente da índia, com o aroma forte e gosto peculiar. Os doces foram todos preparados pelas mãos habilidosas do chef mais conceituado atualmente na Inglaterra; uma vez que ele mesmo serviu até a rainha pessoalmente. O ambiente é a sala de estar principal da mansão, decorada com a mobilha original do conde Phantomhive e rosas alemãs especiais, o mais puro vermelho.” – palavras do mordomo Watari.
– ...obrigado Watari _o moreno agradeceu a xícara de chá cordialmente _meus amigos, hoje será a última vez que nos encontraremos em tais condições _começou seu discurso improvisado, mas não antes de alcançar da bandeja um generoso pedaço de ‘cream fruit pie’ _eu, Lawliet, dou-lhes a garantia disso... bom, é a garantia do atual ser humano mais bem posicionado no mundo, me parece o suficiente _completou ao sentir quatro olhares desconfiados sobre si _após todos os incidentes com o acusado B. B. finalmente o julgamento está pronto. Eu serei aquele que vai acusar e defender, bem como julgar; a vocês cabem apenas sentar e beber chá.
O acusado em primeira estância cometeu mais de 45 crimes conhecidos e outros 97 crimes confessos – para Nate River – além dessa lista, temos 2 crimes presenciados: o rapto de Mail Jeevas e a morte de 26 pessoas, são eles chefe e membros de uma das linhagens da máfia inglesa. Acusações: estupro, tortura, homicídio, roubo, pedofilia, extorsão, sequestro, crime ambiental, crime cibernético _olhou de canto para Matt que disfarçou _...enfim, não me lembro de todos agora, mas é só pensarem em algum diferente e acrescentarem na lista. A pena obviamente seria prisão perpétua, mas diante seu Q.I anormalmente alto e seu estado psicológico, que inclui bipolaridade, psicose e psicopatia; bem como o contato com o submundo ligado a um Deus da morte _B. se desculpou com um aceno à Matt, acabou contando sobre os olhos para o irmão _este mundo impõe execução imediata do meliante.
Em defesa, venho dizer que Beyond sofreu abuso da sociedade quando ainda criança, sendo jogado nas ruas com apenas oito anos e antes disso, não teve nenhum apoio psicológico para seu transtorno de personalidade. Seguindo o estado em que sua mente se encontrava, cometeu parte dos 97 crimes, sendo absolvido deles. O contrato com o Shinigami, porém, foi de livre arbítrio; esse fato deu a ele incentivo para continuar cometendo assassinatos _respirou fundo por um segundo, enquanto todos ali seguravam a respiração _Beyond usou o poder dos olhos para matar apenas as pessoas com menos de 24 horas de vida, infelizmente, esse argumento pode ser dado como inválido, já que consideramos 24 horas tempo extenso e a vitima de algum modo poderia ter se salvado naturalmente.
Mas
Possuir os olhos fez sua mente pender para o lado da psicose, e nós, ao invés de tentar ajuda-lo apenas o caçamos como um animal. A humanidade tem sua parcela de culpa afinal...
E isso é válido em favor ao B. por causa do sequestro de Mail Jeevas, que nos provou o quanto Beyond precisava de apoio social; além disso, ele optou por vir até aqui, sendo que sua outra opção seria seguir a vida de assassino. Além do mais, perdeu os olhos na noite passada para o mesmo Shinigami que o visitara na infância.
– ...perdeu... isso significa que...! _o ruivo deixou a brasa do cigarro queimar de leve sua blusa listrada.
– Isso significa que Beyond desistiu de matar, primeiro, pois perdeu os olhos e em seu julgamento, não poderia mais tirar uma vida sem saber o quanto de tempo lhe resta – menos de 24 horas. E segundo, apesar de não se arrepender em hipótese alguma, deseja permanecer ao nosso lado _completou L _ou seja, como sentença final, eu, Lawliet, permito que Beyond Birthday viva nesta mansão, sob a condição de ficar aos meus cuidados integralmente e preservo também sua imagem. Obrigado.
O detetive fez uma leve reverencia e seu ato foi seguido por um longo silencio. Pela primeira vez, Beyond não parecia estar se divertindo, muito pelo contrario, olhava ansioso para os presentes. Ainda era cedo para dizer se tinha acertado em sua escolha, se ficar ali era mesmo o que sua vida precisava; porém, só de pensar em deixa-los algo em seu peito voltava a crescer: o medo.
– Como vai conte-lo?_ perguntou Near, por fim.
– Oras... que irmão seria eu, se não pudesse conte-lo? Finalmente minha outra metade voltou, Near, não precisamos mais ter medo um do outro.
Os olhos confiantes de L novamente acalmaram o coração de Beyond, então era aquilo que chamavam de “poder”?
– Bom, talvez ele até possa nos ajudar em um caso ou outro, envolvendo satanismo e forças ocultas _o albino deu um risinho descontraído.
– Não ache que de repente vou ser tão fácil para você novamente, Nate _rebateu B. deixando todos intrigados.
– Cale a boca _murmurou.
– Podemos vir te visitar? _o ruivo sorriu largando o cigarro já no final dentro do cinzeiro.
– Será um prazer, Mail _deu ênfase a palavra prazer deixando Mello com cala frios.
Mello levantou do lugar onde estava e puxou a manga da blusa de Matt, em seu rosto uma pequena expressão de fúria.
– Que fique bem claro! Eu nunca irei te perdoar, mas... isso é apenas eu; por tanto faça um bom trabalho quando ele vier _apontou para L, pedindo entrelinhas uma coleira para Beyond e apontando para Matt em seguida, pois sabia que seria impossível evitar o encontro dos dois.
– Que indelicado _Beyond fez bico, tirando um riso alto do ruivo.
O moreno olhou com tranquilidade a felicidade que o cercava, os olhos irritados de Mello eram verdadeiros, mas compreensíveis; Near ainda ficaria emburrado por um tempo, um dia ele voltaria a frequentar sua cama – ah, ia sim! – Light aprendeu a ignora-lo como um lord Ingles ignora seus empregados, bom, paciência! Não se pode ter tudo na vida, e L... sua metade estava ali; iriam aprender juntos.
– O vermelho que eu costumava fazer as pessoas odiar, agora elas podem finalmente começar a gostar _afundou seus dedos nos cabelos macios de Matt _obrigado Jeevas, tudo isso só foi possível por que você foi forte.
– Nah... o que eu deveria responder? _ficou encabulado.
– Se tivesse desistido de mim naquele cativeiro, se tivesse se entregado como todos os outros, jamais estaríamos aqui agora. Você estaria morto, provavelmente Mello também, e eu continuaria a matar sem entender o que é o mundo. Entenda que isso só foi possível por causa...
“Do seu amor pelo Mihael, como na lenda de Akai Ito, juntos pela eternidade. Um laço tão forte que nem mesmo um Deus poderia separá-los.”
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Epílogo: Akai Ito.
– ...
– O que foi, está com uma cara estranha _comentou Mello.
O Camaro vermelho era com certeza um dos itens raros da coleção do ruivo, porém, naquela noite deixou-o ser conduzido pelo amante de volta ao hotel.
– Você acredita em destino? _resmungou ainda debruçado na janela do passageiro.
– Bom... _mudou de marcha antes de responder _acredito que eu nasci numa família que foi desgraçada por outros e meu destino foi cruel o bastante para que fosse parar nas manchetes dos jornais... sendo assim, acabei ficando “famoso” por duas semanas... acredito que nasci inteligente para juntar isso à essa desgraça e ir parar no Wammy. Sabe, acredito que tudo isso foi só para te encontrar; mas ainda era pouco, acredito também que kira veio para quase me tirar a vida... e fazer você voltar pra mim, dando mais um nó nesse laço. E ainda que não parecesse, ele estava fraco, então acredito que Beyond apareceu para dar um segundo nó e acabar de vez com os pesares dos nossos corações.
Então, o que seria de mim sem o “destino”?
– Mels... ah... idiota.
Matt franziu os lábios, gesto comum quando era pego de surpresa por algumas lágrimas travessas. O loiro parou o carro numa rua sem saída, tinha a necessidade de tomar o outro nos braços.
– Eu te amo, Matt. Não importa como queira chamar, tudo o que eu mais desejo é ficar ao seu lado; num romance bem... bem clichê! Independente das dificuldades, apenas me ame com todas as suas forças e então estarei lá.
Sem resposta, Matt apenas alcançou os lábios macios num beijo singelo.
Todo mundo olha para o céu
Levantam os olhos e logo os abaixa
Não sei se um dia eles verão o céu azul, mas eu continuarei procurando o meu.
Estive vivendo uma mistura entre "egoísmo" e "liberdade"
Em um céu noturno sem estrelas
Mesmo sem poder ver, vaguei sem destino.
Todos estão num céu
Numa jaula que chamam de "liberdade"
Mas se eu tiver você
Neste mesmo céu, algo como "asas", não precisarei mais...
END
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