Akademie Chasse
3 Arco zero - Capítulo 3: O presente e um legado
–- Ahh… Já estamos nessa época do ano, heim? — murmurava o homem enquanto caminhava, por trás do par de óculos cintilava um olhar acinzentado, nostálgico.
Enquanto seguia, observava melhor os domínios da escola, as construções. A fachada, seguindo um arranjo medieval, permanecera intocada. Grandes pilastras esbranquiçadas sustentavam a entrada feita de tijolos, e embora as marcas de dois mil cento e nove anos de história se evidenciasse em pequenas rachaduras, o brasão de espadas cruzadas — de modo a relembrar um “A” — brilhava ainda firme e forte, talhado em ouro maciço.
Se por séculos a instituição manteve-se nas trevas do sigilo, a Akademie Chasse de hoje alcançava renome e cobiça em toda Ernas. Diante de um rigoroso processo de admissão, apenas aqueles de características ímpar seriam confiados a dar continuidade ao que um dia fora chamada de Grand Chase.
Pelos corredores ouvia-se passos, esfregões, água. O início do ano letivo estava próximo, e tudo deveria estar impecável. Quadros se espalhavam pelas instalações, em homenagem aos fundadores, professores, contribuidores e alunos, todos que se propuseram a garantir que tudo aquilo continuasse por tanto tempo vivo.
–- Er-//
–- Por favor, não me chame assim.
–- Certo, professor Heistarg, mas o que está fazendo aqui a essa hora? — a baixa estatura e os cabelos alvos indicavam a idade avançada e a voz, uma doçura e proximidade sem igual.
–- Admirando um pouco a escola... — embora o rosto esbanjasse juventude, os negros cabelos salpicados pelo tempo evidenciavam experiência — O senhor sabe, um bom professor de história precisa ter laços bem fortes com o passado.
–- Entendo… — um riso nasal abafado fora o suficiente para que o velho seguisse seu caminho — Só não se exalte muito, professor.
Caminhando lentamente, sala por sala, quadra por quadra, tudo o que os olhos miravam parecia resgatar alguma memória, alguma estória escondida. Para alguém que ensina, a escola é como um santuário, no entanto para um professor de história, aquela escola significava ainda mais.
Agora no vasto pátio, recoberto por graminhas, a calmaria adquiria um tom mais natural. Água corrente, pássaros, vento, folhas, sons que davam um brilho especial ao cenário. O cansaço era um fato, e uma sombra arbórea, uma tentação. Não demorou para que se pusesse a sentar, o sono veio gradualmente, mergulhado em pensamentos, especulações.
O que será que esse ano nos espera?
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