Ajna

7 Capítulo 06


Notas iniciais
E nasce a protagonista!! Agora a história anda, prometo *-*

Clara Coratiun veio ao mundo cercada de muita luz e amor, mas poucos meses após seu nascimento Ramón percebeu um sinal estranho – em forma de sol – no pescoço da menina e, por mais que se recusasse a acreditar na profecia do Destino, aquela era uma coincidência bastante improvável e os sinais não poderiam ser negligenciados daquela forma, não quando havia uma possibilidade da história ser real e sua filha fosse a escolhida. Se a profecia se concretizasse, o caminho de sua filha seria permeado por espinhos e sacrifícios.

Luz enxergava o medo nos espíritos de Ramón e Cristina, mas – embora nem mesmo ela pudesse ter a certeza de que Clara era a menina que seu irmão falara em sua profecia – preferiu novamente não interferir e continuar apenas observando e protegendo secretamente a família de Lumm. A mestra tinha quase certeza de que Clara era mesmo a criança designada a salvar Ajna, mas havia prometido a Lumm que nunca mais interferiria no livre arbítrio de ninguém, e por isso sentia-se de mãos atadas.

Contudo, havia um Mensageiro recém-criado que se sentia estranhamente ligado àquela menina, como se ela fosse parte dele mesmo e, ainda que nem a conhecesse, jurou protegê-la com sua própria vida, se preciso. Seu nome era Miguel, e assim que ele comunicou à Luz seus sentimentos e sua decisão, ela viu ali seu amigo Lumm, com a mesma paixão e determinação de outrora, e então percebeu o jogo que seu irmão, Destino, estava fazendo com ela.

Enquanto Clara crescia em Ajna, Luz treinava Miguel para ser o líder dos Mensageiros e mestre da Lummini, assim como seu amigo fora. Porém, mesmo com todos os preparativos, os pais de Clara continuavam no escuro sobre o que acontecia em Era Luz e, assustados com a possibilidade de algo ruim acontecer a sua menina, decidiram mantê-la protegida em sua casa, sob vigilância rigorosa, de forma que ninguém jamais soubesse de sua existência, como se alguém fosse capaz de esconder qualquer coisa da mestra das trevas. Desejando ajudá-los como podia, Luz conseguiu proteger o escritório da casa, onde Clara passava a maior parte do seu tempo, e assim conseguiram evitar que Sombra sentisse seu Sobbuh.

Enquanto Cristina continuava trabalhando na colheita, Ramón passou a ficar em casa e produzir remédios potencializados com a Lummini (utilizando seu conhecimento sobre as ervas medicinais), pois assim conseguiria estar sempre atento à Clara, além de ensiná-la tudo o que sabia sobre a ciência e a magia.

Os anos passaram e os Coratiun ganhavam cada vez mais notoriedade por causa dos remédios certeiros. A clientela aumentava exponencialmente a cada dia e agora Cristina também precisava ficar em casa para ajudar Ramón a atender a crescente demanda.

Clara nunca havia sequer conhecido a luz do dia, e por isso sua pele era translúcida, dando ao seu sinal de nascença um aspecto dourado, e fazendo um lindo contraste com seus olhos dourados e cabelos negros. A menina tinha os lábios pequenos e as bochechas sempre rosadas, seu ar de inocência infantil escondia o quão esperta e inteligente era, especialmente quando se tratava das ciências e da Lummini.

A jovem Coratiun nunca conhecera pessoas além de seus pais e, assim como fora educada, se escondia no escritório toda vez que chegava um estranho em sua casa, como um bichinho assustado por caçadores ferozes.

Ramón e Cristina sempre lhe contavam histórias sobre Luz e Destino como se fossem lendas criadas para crianças (nunca falaram sobre Sombra, por medo de despertar na filha alguma curiosidade, além de desejarem que a filha nunca conhecesse a maldade que pairava sobre o mundo em que viviam), mas Clara acreditava que eles pudessem ser reais e poderia até mesmo descrevê-los, sentia que os conhecia e que – em algum momento – estivera na presença deles.

Com o peso da culpa sobre seus ombros, o casal fazia tudo o que lhes era possível para que a menina fosse minimamente feliz, ou pelo menos demonstrasse ser, e por essa razão lhe cediam a todos os caprichos e manhas, a levando a crescer e tornar-se extremamente mimada e egoísta, acreditando que o mundo girava ao seu redor e que era intocável.

Enquanto isso, Miguel era cada vez mais cobrado por Luz, que exigia dele uma perfeição que nem mesmo Lumm atingira, pois ainda que ele não soubesse, o destino de Clara e de Ajna pairavam agora sobre si e ele não teria qualquer chance de falhar quando o momento chegasse. A mestra depositava nele todas as suas esperanças de redenção.

Notas finais
Gente, no começo vai dar muita vontade de bater na Clara, mas vamos ser pacientes que ela vai amadurecer aos pouquinhos...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.