Ajna

4 Capítulo 03


Notas iniciais
Capítulo novo pra vocês (está pequeno, mas é necessário para finalizar essa primeira fase da história). Boa leitura! *-*

Luz imaginava que a irmã lhe obedeceria, ao menos lhe demonstraria o mínimo de gratidão pela breve liberdade, mas durante muito tempo Sombra havia sido negligenciada e estava enfurecida. Ela agia apenas por instinto, era incapaz de ser racional naquele momento pois, tomada pelo desejo de vingança por todo o tempo em que estivera mantida prisioneira, era como um animal faminto diante de um banquete. Contudo, ela não poderia lutar contra a irmã enquanto estivesse sem forças e – para restaurar o poder se seu espírito – fugiu para Ajna.

A mestra do Conhecimento sentiu o peso da culpa cair sobre seus ombros: Ajna estava condenada, sob o poder de Sombra ela perderia o lugar que mais amava, seria responsável pela morte e escravidão de tantos inocentes apenas por um capricho seu. O que ela poderia fazer que para que nada disso acontecesse? Embora ela conhecesse um meio para vencer Sombra (afinal, já o havia conseguido uma vez), havia algo que a impedia agora porque, para que seu plano funcionasse, ela precisaria da ajuda de alguém com pleno poder sobre a Lummini e, além do Destino – que ainda estava perdido pelo Universo – Lumm nunca aceitaria ajudá-la, não após tudo o que ela fizera para sua desgraça. Mesmo assim, após muito refletir, engolir seu orgulho e juntar toda a sua coragem, Luz optou por procurar o velho amigo como sua última fagulha de esperança.

Reconhecendo suas falhas diante do amigo e entendendo o quanto ferira seus sentimentos, assumindo o assassinato de Ana e a autoria de toda a infelicidade de Lumm, Luz lhe explicou sobre a fuga de Sombra para Ajna e sua sede de poder e vingança. Eles não tinham muito tempo para agir, e ela precisava convencer o amigo a ajudá-la, nem que fosse pela última vez, nem que fosse apenas por Kyelle. Diante do desespero, Luz ainda prometeu-lhe proteger seu filho, não importando qual fosse sua decisão ou o resultado da batalha.

Ao ver Luz tão humilhada e arrependida, Lumm teve pena dela e lamentou que tudo isso precisasse acontecer para que ela pudesse finalmente enxergar a realidade com mais clareza. Não pensou muito no rancor que sentia ou no sofrimento que ela causara, apenas na admiração que sua amada sentia por ela ou nas centenas de anos de sua amizade, quando aceitou o que seria sua última missão pela Mestra.

Havia um cristal em Era Vita chamado Magicius, composto por uma concentração poderosíssima da Lummini, sendo capaz de absorver e anular os poderes de Sombra e aprisioná-la novamente, mas para isso Lumm e Luz precisariam trabalhar juntos para completar a carga do cristal, pois era necessária a força de dois corações para que ele funcionasse (era como um dispositivo de segurança para que Sombra nunca conseguisse usá-lo contra os irmãos).

Eles passaram dias e noites trabalhando no Magicius, até conseguirem terminar (apesar de ser especialista na Lummini, os poderes de Lumm não poderiam se comparar aos do Destino, e por isso houve mais dor e demora no processo). Assim que concluíram a preparação do artefato, era ainda necessário que alguém fosse ao encontro de Sombra, para fazê-la cair na armadilha.

Num ato altruísta, Lumm decidiu que seria ele a enfrentar a Mestre da Escuridão, pois sentia-se no dever de proteger os seus e provar seu valor, além de saber que – se o pior lhe acontecesse – Luz estaria bem para cumprir sua promessa e cuidar de Kyelle. Então se preparou, despediu-se da amiga, e – levando consigo apenas um pequeno agrupamento de Guardiões – retornou à Ajna para sua última batalha.

Ao ver Lumm na sua frente, Sombra riu dele e de sua coragem, acreditando que Luz havia sido covarde o suficiente para humilhar-se e pedir a ajuda do Zettai, ou então ela a subestimava mais do que pensara, acreditando que um grupo tão pequeno seria capaz de lidar com seu poder. Sentindo-se ofendida pela irmã e pelos Zettais, ela resolveu enfrentá-los um a um, exigindo a presença de um dos seus irmãos para a luta.

Lumm tremeu ao ouvir as palavras congelantes de Sombra, soava tão arrogante que parecia mesmo impossível vencê-la naquele momento. Contudo, o Mensageiro transbordava de raiva pelo desprezo da Mestre da Escuridão, ela simplesmente não considerava a vida humana, e isso fez com que ele reunisse toda a sua coragem e sede de justiça para assumir a liderança que lhe era de direito e se entregar como o primeiro a enfrentar Sombra.

Como previsto por Luz, a luta não era nada justa: Lumm conseguia atingir Sombra com alguns poucos golpes, utilizando o poder da Lummini, mas ainda assim ele não era um mestre e não conseguia feri-la, nada a fazia perder sequer sua pose de superioridade por algum momento. Enfim, não demorou quase nada para que a mestre da Escuridão se cansasse e colocasse suas mãos em Lumm, e ela não blefava quando dizia ser capaz de esmagá-lo usando apenas seus dedos.

Encurralado e sem esperança de sobreviver, o Mensageiro viu ali uma última chance para cravar o Magicius em sua oponente. Mesmo tendo seu Sobbuh triturado pelas mãos de Sombra, Lumm conseguiu encontrar em si um resquício de força para ferir as costas da mestra com o cristal que – ao entrar em contato com seu espírito – passou a drená-lo imediatamente.

Sem conseguir movimentar-se, e perdendo continuamente sua vitalidade, Sombra já não podia mais lutar. No entanto, os Guardiões que estavam com Lumm desapareceram na primeira oportunidade que tiveram, oprimidos e acovardados pelo poder da irmã de Luz, e Lumm estava ferido demais para terminar seu trabalho e levar a derrotada de volta a Era Vita. Sem forças, o Mensageiro morreu ali mesmo, ao lado de Sombra, que ainda agonizava enquanto o Magicius fazia seu ofício.