Aisuru gokakkei
4 Não tão minha
Eu e Anna temos um longo passado juntos, eu e ela estávamos sempre unidos. Lembro-me de quando tínhamos 8 anos e ela ficava emburrada pois eu era mais alto que ela.
~*~
Nossos pais estavam juntos em um almoço na casa dela. Enquanto o almoço estava sendo feito, eu e ela estávamos brincado na sala:
—Olha Daniel! Agora sou mais alta que você! — Ela disse dando língua. Ela havia subido em cima do sofá.
—Ei! Isso não é justo! — Eu disse e subi em cima do sofá também. Assim que subi, nós nos entreolhamos, já sabendo o que aquela situação iria gerar, gritamos:
—GUERRA DO SOFÁ!
Nós começamos a pular no sofá, tentando fazer com que o outro caísse. Apesar de sempre levarmos bronca por esse tipo de brincadeira, ainda continuávamos fazendo, afinal, éramos inocentes crianças.
Continuamos com isso até que eu tropecei e caí por cima dela.
—Ei! Assim não vale! — Ela me empurra e eu acabei por cair do sofá... Mas puxando ela junto.
Caímos em meio ao tapete da sala.
—Aí... Você tá ficando bom nessa brincadeira. — Ela disse.
—Estou aprendendo com a mestra. — Eu respondi.
—Ei, sua bochecha tá machucada.
—Hã? — Eu levei minhas mãos ás minhas bochechas, tocando-as, mas parei quando senti uma pequena ardência na bochecha direita. — Ah, foi só um arranhão. Deve ter acontecido quando caímos do sofá.
Ela se levantou, segurou a minha mão e me puxou até o banheiro do andar de baixo. Lá, ela abaixou a tampa da privada e subiu encima dela, alcançando o armário, e dele ela tirou um pacote com curativos.
—Ei..! Desce daí Anna, você pode acabar caindo! — Eu digo e ela desce. Ela retira um curativo da pequena caixa e coloca sobre o meu machucado. Ela estava perto. — O-obrigado Anna.
Ela sorri e responde logo em seguida:
—Ainda não acabei. — Ela chega mais perto e beija minha bochecha por cima do curativo.
—O-o-o que vo-você tá fazendo?!
—Todas as vezes em que eu me machucava a mamãe sempre dava um beijo no local. — Ela segurou minha mão novamente e me puxou de volta para a sala, onde todos já estavam reunidos e nos esperando para almoçar.
~*~
Os dias passaram e eu me recusava a tirar o curativo. Meus pais tiveram que o tirar enquanto eu dormia, e me lembro muito bem que assim que acordei fiquei chorando por causa disso. Por causa do curativo? Não, não. Eu não e interessava pelo curativo, o que o fazia especial era que ELA me deu ele com todo o carinho que eu poderia querer. Não lembro quando comecei a sentir isso por ela, mas sei que a cada dia da minha vida esse sentimento ficava maior e mais forte. Eu queria ela feliz, não importando o que eu tivesse que fazer.
~*~
Estávamos com 12 anos. Anna, como era representante de turma, tinha que manter um bom relacionamento com todos. Naquele momento ela conversava com um grupinho de garotas que estudavam conosco. Naquele momento, me bateu uma curiosidade por aquela conversa. Eu cheguei mais perto para poder ouvir.
—Blá blá blá blá blá e... — Uma das garotas olhou em minha direção. Ela chegou mais perto do grupo. — Meninas, estão vendo aquele garoto ali?
—Claro, super estranho, né? — Disse a outra.
—Aquele cabelo rosa... Ele é gay ou o quê? — Disse mais outra.
Eu realmente não me importava para o que aquelas garotas falavam, eu me importava para o que ELA falava. E se elas influenciassem ela a não querer mais ficar comigo...? Porém, a cada comentário daquelas garotas, eu via o semblante de Anna passando de sério para furioso.
—Ei, ele não têm culpa de ter nascido assim! — Disse Anna me defendendo. — Escutem aqui, saibam que esse "esquisito" é meu melhor amigo! Cada um têm suas diferenças e vocês poderiam respeitá-lo, no mínimo! — Ela continuou. — Ele é uma pessoa amigável e gentil que sempre me ajudou, ao contrário de vocês que só sabem ficar fofocando o dia inteiro sobre os defeitos dos outros! — Assim, ela se virou, veio em minha direção e se sentou do meu lado, na minha cadeira. As garotas a olharam de boca aberta, até que o professor chegou e todos foram se sentar, inclusive ela.
No meio da aula, eu olhei para o lado, a observando. Aquela cena não saía da minha cabeça, eu lembro. Ela percebeu que eu a observava.
—Oh! Er... O-obrigado por me defender Anna.
—Disponha. -Ela sorriu, mas logo volta a ficar séria. — Aquelas garotas realmente me irritaram! Quem elas pensam que são pra falarem mal de você sem nem o conhecer! — Ela reclamou. — Tenho certeza de que se te conhecessem, veriam que isso é tudo mentira.
Eu me senti feliz. Me senti realmente muito feliz naquele dia.
~*~
No fim, aquelas garotas vieram pedir desculpas a ela pelo seu comportamento e admitiram que erraram. É... As pessoas nem sempre são o que parecem...
~*~
Nós estávamos com 14 anos. A aula de educação física tinha acabado, então fui para o vestiário me trocar. Enquanto me trocava, um grupo de três ou quatro garotos conversava enquanto se trocava. A conversa se tratava sobre, nada mais nada menos que... Garotas. Perguntas do tipo: "Qual garota que você gosta?". Aquilo realmente não me interessava, até que uma certa pessoa foi citada:
—Mas e a representante? Ela também é bem gata! — Disse um dos garotos.
Eles...
—É verdade. Em quesito corpo então... — Disse outro. — Mas ela me parece muito certinha.
Eles estão...
—Tenho certeza de que por dentro ela deve ser bem safada.- Disse mais outro, fazendo o outros rirem.
Eles estão mesmo falando dela como se ela fosse uma vadia...?
—Vocês poderiam ter um pouco mais de respeito por ela! — Um garoto de cabelos vermelhos que não fazia parte do grupo a defendeu.
—Vaza daqui otário! — Respondeu um dos garotos.
—É! Ninguém te chamou aqui! — Outro respondeu.
O garoto simplesmente deu de ombros, com uma expressão de tédio, e saiu.
—Mas bem, de qualquer forma ela só fica colada naquele rosado. — Um dos garotos disse.
—Que idiota, ele poderia aproveitar para dar uns pegas nela. — Um outro respondeu.
—Se fosse eu já teria pegado a muito tempo! — Mais outro garoto respondeu.
Assim que acabei de me trocar, saí daquele vestiário, para poder tirar essa conversa da minha cabeça. Mas, por mais que eu tentasse, aquilo não saía, pelo contrário, fazia cada vez mais eu me sentir meio... Estranho.
Eu pensei e descobri por quê me senti assim. Será que era porquê estavam tratando como puta a garota que eu amo? Resposta correta. E eu não iria deixar barato... Á meia noite daquele dia, aqueles garotos apareceram como lhes foi dito na mensagem na qual enviei em anonimato.
—Ah... É só você. O que você quer, ein? — Um deles perguntou.
Eu ri.
—Querem roubá-la de mim...? — Eu perguntei. — Vão ter que fazer melhor...
~*~
Naquele dia... Se Anna me visse ela não diria que aquilo era eu. No dia seguinte os garotos apareceram, com alguns... "dódóis", mas apareceram. O que eu poderia fazer?! Eles poderiam roubá-la de mim! Não sou maluco a ponto de matar alguém, mas assuma, eles mereceram, não é?
Eu sempre pensei que tudo continuaria assim, somente eu e ela para todo o sempre. Eu gostaria de algo mais. Gostaria de poder tocá-la sem precisar explicar o por quê. De poder abraçá-la tão forte em meus braços. De poder sentir o provar os teus lábios. De poder chamá-la de namorada, de MINHA namorada. Mas, e se eu confessasse para ela... Será que ela me aceitaria...? Afinal, ela só me vê como um irmão mais velho, e não como um homem. Se eu contasse, aí sim, poderia perdê-la, portanto, só de tê-la por perto, já me deixa muito feliz.
...
Mas tudo tinha que mudar... Não é?
~*~
Eu estava na sala de aula. Acabando de organizar as minhas coisas, quando escuto uma voz. A voz dela. Mas também havia outra voz, uma voz masculina. Olhei pela janela, mas não vi nada. Eles estavam na porta do colégio. Desci rapidamente para poder ver com quem ela estava falando, mas quando cheguei ela já estava sozinha. Mas ao longe, eu vi quem era.
Como pude não perceber?! Achei que tinha tomado todas as precauções para não haver rivais, mas havia um na qual eu não vi. Reconheci os cabelos vermelhos.
~*~
Como se não bastasse isso...
~*~
Eu estava na sala de aula, a professora fazia a chamada quando de repente:
—Leo! — Disse Anna.
—Senhorita Anna, não têm nenhum aluno nesta sala com este nome. Poderia fazer silêncio para que eu possa concluir a chamada? — A professora disse e Anna concordou. — Ótimo. — Então ela continou a fazer a chamada.
Leo... Não existe alguém com esse nome na nossa sala. Será de fora...?
Eu cutuquei seu ombro e ela se virou para mim.
—Oii Kisumi! — Ela disse sorrindo.
—Oque foi isso? — Eu perguntei sério.
—"Isso" o quê? — Ela pergunta.
—Esse nome! Você gritando no meio da sala esse nome! — Eu estava visivelmente irritado.
—Ah! Nada, nada! — Ela respondeu. A professora percebeu que estávamos conversando e nos mandou ficarmos quietos.
Tenho rivais então... Mas não significa que irei perder, afinal... Ela é MINHA.
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