Residência Motomiya

Daisuke e Jun preparavam o jantar, V-mon também ajudava a cortar os legumes. Os irmãos conversavam trivialidades. A ruiva estava apaixonada pelo novo chefe da loja onde trabalhava, mas ela mudava de gosto toda semana.

– Mas você não estava a fim do intercambista da faculdade? – Daisuke perguntou confuso.

– Eu tava, eu tô… Ah, sei lá, os dois são lindos, o que vier é lucro.– sacudiu a mão em irrelevância.

– Só não vai sair por aí pegando geral. Eu não quero ser conhecido como; irmão da Beyblade!

– Beyblade?

– É, rodada e doida pra liberar a fera “beach.”

– COMO É QUE É? Daisuke, como se atreve a fazer uma brincadeira misógina dessas? Eu posso ficar com quantos caras eu quiser e ninguém tem o direito de me apelidar! – ela esbravejou.

– Fala isso perto dos nossos pais. Você já tá na faculdade, mas ainda não saiu de casa. Paga as suas contas primeiro e aí sai com quantos quiser.

– Eu pago as minhas contas, só água, comida e moradia que não. Além disso, eu não pedi pra nascer, eles me fizeram por vontade própria, agora me aceitem como eu sou. – Jun mostrou a língua. –Eu beijo mesmo, meu corpo, minhas regras!

– Claro universitária vagaba. Nas redes sociais posta que não depende de macho pra nada, mas na vida real o macho que te pôs no mundo é quem tem que te sustentar. Feminista poser...– cantarolou o mais novo fazendo caretas. – Nas redes sociais; eu não sou objeto pra me chamar de gostosa, na vida real; ai miga a bunda do Junim é em forma de coração, que delícia! Você viu o abdômen do João Goku?

E Jun pegou a frigideira.

– Sue idiota! É Jeon Jungkook e Jimin… – rosnou furiosa.– Sem cultura!

– Ai, ai, a… Os dois já vão começar. – V-mom coçou a cabeça, vendo Jun com a frigideira erguida para acertar no irmão. Num ato de desespero, ele ligou a TV. – Olhem, não é o Ken e a Miyako?

– Como é? – os irmãos disseram em uníssono e correram para a sala.

– Aumenta essa bagaça ae, V-mom! – a garota colocou a frigideira sobre a bancada divisória da cozinha americana.

“Depois de mais de quatro anos longe dos holofotes, o gênio prodígio, Ichijouji Ken, que conquistou o Japão por seu intelecto avançado e habilidades esportivas, além de sua beleza, foi flagrado por lentes amadoras ao acompanhar uma garota pelas ruas de Odaiba. Ele está exatamente igual, apenas mais alto. O que tornou a levantar o mistério do porquê ele ter desaparecido. Estamos recebendo toneladas de informações pelo nosso chat. Parece que o nome da moça é Inoue Miyako. Ela pode ser o motivo?... Ichijouji teria trocado seu futuro brilhante por um romance adolescente?”

– Meu Kami-sama! – Daisuke chocou-se. Ele sabia que Ken buscava distância da fama, mas aquilo parecia nunca ter fim.– Esses dois estão bem encrencados.

– Por que? Pelo que eu saiba os dois são livres e desimpedidos. – simplificou Jun.

– Não é esse o problema. Os fãs do Ken são malucos. Embora ele ainda more em Tamachi, ele teve que mudar de casa porque chegavam toneladas de cartas e presentes, pessoas o esperavam na frente do prédio querendo fotos e autógrafo.

– Só que hoje em dia ninguém mais manda carta, além disso… Quatro anos se passaram, os fãs dele já seguiram a vida. Tem celebridades do momento fazendo loucuras para se manter em alta, a mídia não vai ficar perdendo tempo com ele. – ponderou a mais velha.

– Sei lá! Espero que você tenha razão. Cara, isso foi praticamente agora e já foi parar na TV.

– É porque o formato desse programa é assim, as pessoas mandam fotos e vídeos amadores de celebridades. – explicou a irmã.

– Ao menos serviu pra fazer os dois pararem de briga. – pontuou V-mon rindo. – Agora que tal a gente terminar o jantar. – sugeriu sintonizando a TV no canal de clipes musicais.

Os irmãos se encararam novamente e Jun pegou a frigideira.

– Qual é? Chega de bancar a Rapunzel. – troçou Daisuke se esquivando.

– Não vou amassar esse seu cabeção. Vou fritar os bolinhos de camarão.

O preparo do jantar seguiu animado, até que mais um conflito se iniciou. Jun queria ouvir BTS e Daisuke preferia The Weeknd. V-mom colocou as patas na cabeça… Iria começar tudo de novo!

Residência Hida

A porta se abriu e Iori passou por ela, seguido de Armadimon. Acabavam de chegar do treino de kendo, onde ajudava seu avô com as aulas.. O silêncio tomava conta do apartamento. Acendeu a luz e constatou que estavam, mais uma vez sozinhos.

Antes mesmo de seguir para o banho, sentou-se no sofá e remexeu no celular encontrando uma mensagem de sua mãe, que deixou dinheiro para ele comprar comida. Fechou a mão em punho e socou o estofado, chamando atenção de Armadimon.

– Hey? Pra que isso tudo?

– Você não entenderia. – o humano cruzou os braços se esparramando no sofá. – Acho que a minha mãe enlouqueceu. Começou com academia, agora veio com essa de namorar.

– Namorar é loucura? Eu pensei que fosse normal. – analisou o digimon.

– É complicado. A minha mãe já tem 37 anos e já foi casada. A sociedade é cruel com mulheres dessa idade buscando romance. Os vizinhos já estão comentando. Não quero que ela se magoe.

– Acho que a sua mãe não depende da compreensão dos vizinhos ou da sociedade, mas da sua ela depende. Acho que você não querendo magoar ela, só está magoando mais.

– Talvez eu esteja errado...– mirou a estante onde ficava a foto dos pais no dia do casamento. Não estava mais lá.– Ela conheceu um cara por aplicativos de relacionamento. Poxa, isso é humilhante e perigoso. Até ontem ela ria de gente que fazia isso.

– A Fumiko-okasan sabe cuidar de si. Ela ter mudado de ideia não quer dizer que ficou louca, pode ser que ela parou de julgar e experimentou. Tudo pode ser usado para o bem ou para o mal, basta saber como usar.

– O que você tá falando Armadimon?

– Que os humanos evoluem assim. Quando abrem a mente para algo novo e param de debochar do que só conhecem superficialmente. Quando tentam entender e saber aproveitar algo da melhor forma possível…

– Achoque os digimons não são diferentes. Em outros tempos você já iria estar surtando por causa da comida. – brincou Iori, mas era pra disfarçar o impacto das palavras do monstrinho.

E como se tivesse entendido a piada, o estômago de Armadimon ecoou um ronco assustador.

– Chiii! Meuestômago tem vida própria, ele reclama sozinho! – gracejou o digimon.

Ambos riram. Iori ligou para o delivery e seguiu para o banho. Armadimon foi brincar na sacada com a espada de madeira, naquele dia ele não tinha ido para o Mundo Digital e, sim ficado no dojo com o avô do parceiro ajudando no jardim e na limpeza.

Já Iori, sentia que as coisas estavam mudando radicalmente. Se tinha algo que ele prezava, era a rotina, mas as transformações do mundo e das pessoas eram inelutáveis. No dia em que viu sua mãe arrumada e perfumada, já sabia que algo estava errado. No fundo sabia que Armadimon tinha razão, ela sabia se cuidar, mas… Era complicado.

Dias depois…

Aquela semana foi complicada para todos. Takeru fez de tudo para conseguir falar com Hikari a sós, mas estava difícil, uma vez que ela fez questão de mudar de carteira e no intervalo passou a andar com as irmãs Miyazaki.

O loiro não entendeu nada. Primeiro Yagami fez de tudo para chamar sua atenção, agora parecia estar o evitando. O que estava acontecendo afinal? Como consertar as coisas se não tinha brechas? Já havia mandado toneladas de mensagens, tentado ligar. Pensou em ir a casa dela, mas como conversaria algo tão delicado com Yuuko por perto?

– Você quer que eu fale com a Tailmon que você tem procurado a Hikari. A gente se vê todos os dias no Mundo Digital, lembra? – ofereceu Patamon, inocentemente.

– Na verdade não. – confessou Takaishi e o Digimon ficou com uma gota sobre a cabeça.

– Agora eu boiei.

– É que eu não estou pronto para entrar num relacionamento. Eu sei que a Hikari fez tudo aquilo por minha causa, sei que ela gosta de mim e eu também gosto dela, mas não quero namorar. – confidenciou.

– Mas eu já ouvi o Yamato falando das garotas que você levou nos shows dele. Não eram namoradas?

– Não Pata! Aquelas garotas só querem curtir e eu também queria, mas a Hikari é amiga de longa data. Não sei como dizer; gosto de você, mas não quero te namorar porque sou novo demais para isso.

– É novo para namorar com alguém que gosta, mas tudo bem sair com quem nem lembra o nome? – Patamon fez uma pausa e estourou uma bola de chiclete. – Humanos são muito confusos.

Era isso, Patamon tinha razão, ele era confuso. A verdade é que ele queria tudo. Não queria ser visto como compromissado e perder todo mimo que recebia das pretendentes, mas não queria ver Hikari a cada dia fazendo mais merdas. Enquanto ele se perdia em conflitos, a engrenagem do tempo ia girando…

…

Hikari decidiu se afastar da turma por muitos motivos. Não aguentava ver Takeru e Catherine comentando suas afinidades, sentia falta de Miyako que agora almoçava sabe-se lá aonde e Daisuke continuava com as cantadas chatas de sempre.

Outro detalhe, foi que ela refletiu sobre as palavras de Miyako. Estava lutando contra Catherine, mas Takeru quem tinha um laço com ela, o qual estava ignorando. Aquilo amargou profundamente. Era extremamente triste amar agudamente e ser ignorada. Sendo assim, o melhor era andar em outro grupo e se focar em outras coisas.

Sabia que um dia se desculparia com Miyako, mas ainda era cedo. Já tinha tomado birra da francesa e mesmo reconhecendo seu erro, jamais se desculparia com ela. O que lhe restava era sua página, suas fotos e seus admiradores lhe deixando lindos elogios e pedindo mais fotos. Eles chegavam a implorar e aquilo era divertido.

Suas novas amigas, Nozomi e Neisa, tinham uma bela casa com estilo oriental, a qual elas usavam como cenário para diversas fotos. Uma vez enturmada e se distraindo de suas mazelas, Hikari foi convencida a tirar fotos de biquíni, várias fantasias e até de lingerie, mas as Miyazaki prometeram que aquelas ficariam entre elas.

Aquelas garotas conheciam um mundo completamente diferente. Elas falavam de amor e sexo com tanta naturalidade que fazia a castanha se sentir atrasada. Contavam sobre desfiles, viagens e festas maravilhosas e queriam introduzir Yagami naquele núcleo.

Naquele dia, Hikari avisou Tailmon para ficar no Mundo Digital e pediu a mãe para deixá-la dormir na casa das amigas; iria a sua primeira balada em uma boate noturna e estava empolgada, mas sabia que não podia contar a verdade ou seria censurada.

…

Horário de almoço

terraço do colégio

Jun tinha razão, em partes. A volta da imagem de Ken para o mundo das fofocas de celebridades, não fez tanto alvoroço. Gerou alguns incômodos, mas nada preocupante. Mesmo assim, algumas fãs revoltadas passaram a perseguir Inoue nas redes sociais.

O fato era que todas as redes sociais de Miyako eram privadas, então não tinha como incomodarem mais do que enviarem toneladas de mensagens ofensivas. A garota tava pouco se importando com aquilo.

– Eu sinto muito por isso, Miyako-san. – Ken foi outro que deixou de almoçar com o grupo para fazer companhia a Miyako no terraço.– Você foi exposta por minha causa. Agora as pessoas estão fazendo julgamentos.

– Relaxa! Não ligo pra julgamentos e não foi sua culpa. – ela balançou a mão trivializando a conjuntura. – Foi culpa do desocupado que nos fotografou. Eu tenho sorte que aquele mundo de fãs loucas que você tinha antigamente, já estão endeusando algum idol do momento, senão eu apanharia na rua. – riu-se cobrindo a boca.

– Eu jamais permitiria isso. –assegurou convicto. – Nem que eu tivesse que te acompanhar até em casa todos os dias.– enrubesceu imaginando a possibilidade.

– Hum… Talvez ainda exista algum grupinho radical por aí e, eu seja uma donzela em apuros. – gracejou divertida.

Ele teve um sobressalto com a brincadeira da moça. Aquilo era um nítido convite para ser acompanhada até em casa? Talvez para passearem no parque, como naquele dia? Era um grande passo e ele tinha que se posicionar.

– Se for assim, devo assumir minha responsabilidade e te acompanhar todos os dias.– concluiu ruborizado tomando as mãos dela entre as suas.

– É? – Miyako ruborizou também. – Então eu vou contar com isso. – o rubor aumentou ainda mais ao devanear com as inúmeras possibilidades de ficar sozinha com o rapaz. – Talvez um dia possamos até fazer a lição de casa juntos, neh?

Ichijouji era tímido, mas não era tão inocente. Sabia muito bem que quando um casal marcava de fazer a lição de casa juntos, nunca era exatamente isso que faziam. Tudo bem que eles não eram oficialmente um casal, mas as pessoas diziam e tinha todo aquele clima, então...

– Fa-fa-fazer a lição juntos? – sem perceber ele apertou as mãos dela, tamanho era a tensão.

— É...–cantarolou melindrosa. – Se estiver tudo bem pra você. Eu vou estar sozinha em casa.

Sozinha em casa…

Sozinha em casa...

O tiro o atingiu certeiro. Era como se seu coração fosse romper a caixa torácica. Ele precisou de um tempo para processar se ela tinha mesmo dito aquilo.

– Tu-tudo bem sermos de séries diferentes? –as palavras saíram por sí, pois ele já não sabia mais o que formular naquele contexto.

E mesmo nervosa e embaraçada com o clima que se instalou, ela queria ver até onde iriam chegar naquele ritmo, queria ver expressões encabuladas se desenhando naquele rostinho meigo e ruborizado.

– Por mim tudo bem...– ciciou ela com um timbre que ele nunca ouvira antes e que mexeu demais com seus instintos. – Então… Você quer? – solfejou insinuante.

A tensão romântica era quase palpável.

Ele já não sabia mais exatamente do que eles estavam falando, nem quando a proximidade foi tão reduzida e ele conseguia sentir toda calidez emanada do corpo dela . Sua mente já não trabalhava corretamente. Um arrepio violento lhe subiu pela espinha e, a resposta veio de pronto.

– Eu quero...– declarou fremente. As pálpebras se fecharam gradativas, as cabeças se inclinaram naturalmente As respirações insuflando nos rostos.– Quero muito...

A porta do terraço se abriu abruptamente e uma voz conhecida ecoou pelo local.

– Ae? – Era Daisuke que cortou sua fala ao ver o quase beijo que interrompeu. O casal se afastou comicamente. – Gente, escola não é lugar pra se pegar. Estão achando que isso aqui é hentai? O próximo passo é a sala de equipamentos esportivos ou a enfermaria?

Em outra ocasião, Miyako teria espancado o amigo, mas ele estava certo, escola não era lugar para aquilo. Tinha ido longe demais. Então ela apenas pegou seu bentô, embaraçada e, marchou para a escada. Parou subitamente.

– Eu te espero na saída, Ken-kun. – desceu sem esperar resposta.

Enquanto Inoue descia as escadas, pôde ouvir a chuva de gozações de Daisuke em cima do outro. Encostou as costas contra a parede e respirou fundo. O que tinha sido aquele climão todo? Ainda se sentia excitada. De uma coisa ela sabia, tinha que beijar aquela boca logo ou ficaria louca. Riu de si mesma e desejou poder contar para Hikari, como nos velhos tempos.



Boate Unmei

00:45

Lá estava ela... Hikari tinha mesmo conseguido entrar em sua primeira balada. Era tudo magnífico, as luzes, as músicas, as pessoas. Alí ela teve que fugir do estereótipo, fofinha, e adotar salto alto e maquiagem mais pesada para se passar por uma garota de 18 anos.

Ela não pretendia beber, embora as amigas estivessem insistindo bastante. Foi para a pista e se soltou. Aquilo era o tempo que ela precisava para esquecer suas agruras. Rostos novos, lugares novos, poder dançar. Dane-se Takeru, dane-se Catherine, só a música importava.

– Você tá com tudo, garota. Os caras estão babando! – Nozomi cantarolou de uma forma que deixava a dúvida sobre elogio ou sarcasmo.

– Vo-você acha mesmo? Estou me sentindo estranha com toda essa maquiagem. – confessou Yagami.

– Toda essa maquiagem só trouxe a tona a mulher sexy dentro de você. – pontuou Neisa. – Podem ficar na pista, vou buscar uma bebida.

– Eu vou com você, imouto. – avisou a mais velha.

– Então eu também vou. – declarou Hikari parando de dançar.

– Não! – exclamaram as Miyazaki’s.

— Pode ficar aqui curtindo o som. Nós trazemos algo sem álcool pra você, certo? – a mais velha colocou a mão sobre o ombro de Yagami, garantindo.

– Ham? Tudo bem então. – acatou Yagami voltando a se agitar na pista, como amava dançar, tirando os saltos e a maquiagem, estava bem à vontade.

De longe alguém a observava…

– Hikari-chan, aqui o seu refrigerante. – era uma voz masculina.

– Quem é você? – a castanha se virou encontrando um homem desconhecido a lhe oferecer um copo. Ele parecia beirar os 40 anos, bem vestido e perfumado, com ares de magnata.

– Permita que eu me apresente; sou Maezawa Kurono. Suas amigas me conhecem. – apontou para as irmãs e ambas assentiram de longe. – Pode aceitar a bebida.

Poderia ser amigo do pai delas.

– Er… Bem… É refrigerante, não? – ela colocou a mão no queixo analisando envergonhada e apreensiva. – É que eu não posso beber nada com álcool.

– Ah, mais graciosa do que eu imaginava! Pode beber tranquila, não tem uma gota de álcool. – assegurou o mais velho.

Hikari estendeu a mão para aceitar. “Mais graciosa do que ele imaginava” foi uma frase estranha, mas ele já devia estar sob efeito de bebidas.

Quando ela tocou o copo, sentiu um tapa abrupto no objeto. O líquido espirrou tanto nela quanto em Maezawa.

– Não vou permitir que você beba isso! – bradou uma voz conhecida. – Eu vi o que foi colocado nessa bebida!

Não podia ser, mas era… Ishida Yamato, trajando roupas de bartender. O ato fez com que as pessoas a volta parassem e voltassem a atenção para eles.

– Quem você pensa que é, seu Zé Ninguém? – o homem vociferou irritadiço. – Vou mandar que te joguem para o olho da rua.

– Vem pra cá! – Yamato puxou Hikari sem muita delicadeza. – Com você eu converso depois. – a colocou atrás de si, como se a protegesse. – Quanto a você, eu prefiro ser um Zé Ninguém, do que um pedófilo de merda!

– Pedófilo? – murmurou uma oscilante Hikari e passeou com o olhar pelo local a procura das Miyazaki’s, mas essas já tinham desaparecido..– Não pode ser…

– Seu moleque! Com quem você pensa que está falando? – encolerizado, Kurono avançou contra Yamato, que desviou empurrando Hikari para longe e, girou acertando um soco na cara do homem.

O atingido caiu no chão, espalhando certa quantidade de pessoas, mas se levantou rapidamente, limpando o sangue da boca.

– Vou te mostrar quem eu sou...

– Shinoda Tsutomu! – a voz do detetive ecoou pelo local, parando tudo. – Procurado nacionalmente por crime de….

O policial foi falando uma lista gigantesca de crimes, enquanto tinha uma arma apontada para o criminoso. Hikari arregalava os olhos a cada delito que era ditado. Como aquilo podia piorar?

Yamato a sustentou pelos ombros enquanto via o local sendo esvaziado. Aquilo era humilhante e assustador. Yagami não sabia como se sentir e para piorar, um dos policiais era nada menos que o pai de Ken. É, parece que não tinha como piorar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.