Aishiteru

14 E que ninguém saiba, mas... Gosto de você!


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Sasuke fez o possível para se manter longe dela durante todo o dia. Entre cantadas e olhares Hinata conseguiu se sair bem, sendo ampara por Temari que a defendia, ainda que Hinata não se desse conta do que se passava ao seu redor. No fim da tarde quando fechavam barraca Hinata se ofereceu para ajudar a limpar os peixes. Sasuke também faria aquela tarefa se surpreendendo ao vê-la limpando o peixe ou pelo menos tentando.

- Ela se ofereceu. Seja gentil. Sussurrou Gaara antes de sair do galpão com Kankurou e Temari.

- Que seja. Sasuke deu de ombros e se aproximou.

Hinata cantarolava distraída com um sorriso nos lábios. Parecia estar realizando a melhor tarefa de sua vida. E de fato, apesar de tudo sentia-se feliz por finalmente ter um emprego. Uma oportunidade de mostrar que era capaz e também pagar suas contas, ajudar Tenten. Não ganharia muito, mas seria o suficiente para viver em paz, sem depender de ninguém.

- Não está fazendo direito. Resmungou Sasuke observando-a. Hinata abaixou a cabeça. Sasuke se xingou novamente por dois motivos. O primeiro porque tinha sido o responsável por aquele semblante triste.

- Gomen Sasuke-kun... O segundo porque tinha raiva de si mesmo por se abalar com o estado emocional de Hinata.

Ele se aproximou e sentou-se de frente para ela. Segurou as mãos pequenas e a guiou com a faca e o peixe.

- É assim que se faz. Hinata sorriu e observou os lábios dele enquanto o mesmo falava. Seu coração bateu mais rápido quando as mãos ásperas seguraram as suas. Os dedos mais longos que os dela roçando de leve enquanto manipulavam com destreza a faca sobre o peixe agora repartido ao meio. Bizarro. É o que diriam de alguém que consegue sentir tantas coisas boas e doces em meio a uma situação tão inusitada. O lugar não era bonito, pelo contrário, as paredes eram enferrujadas e o chão cinza estava molhado com água do mar vinda dos caixotes. O cheiro de peixe era insuportável e o ambiente era escuro, fechados, composto por grandes janelas no alto das enormes paredes também acinzentadas. Não havia luxo, nem romance, mas o coração dela batia descompassado e sua respiração era pesada e ofegante. Seus dedos tremiam levemente assim como seus lábios pela proximidade, a sensação de sentir o calor de suas mãos, a aspereza e a voz grave tão perto dela. Hinata mal conseguia pensar. Suas bochechas estavam mais coradas do que nunca e Sasuke gostava daquele tom rosado sobre a pele pálida.

- A-assim? Perguntou insegura cortando outro peixe. Ele tinha terminado e pego outro para ela, colocou em suas mãos e ela só se deu conta do que tinha acontecido quando suas mãos se viram solitárias novamente. Hinata tentou refazer o gesto, inutilmente claro. Seu nervosismo não deixava que ela raciocinasse, muito menos cortasse em linha reta.

- Não... Sasuke respondeu se surpreendendo com sua paciência. Ela repetiu o gesto mais algumas vezes sentindo mais calma quando ele a acompanhou ajudando-a com a tarefa. Se encaravam vez ou outra e agora Hinata sorria de novo, feliz por estar progredindo. O cheiro dela tornava tudo ali mais suportável. Sua beleza, a suavidade da voz dela, seus gestos tímidos e os olhos prateados cheios de vida, tudo que emanava dela lhe dava a sensação de que a vida não era a droga que por tanto tempo ele acreditou. Estava mais confuso do que nunca. Não sabia porque, mas era fato que tinha simpatia por Hinata. Algo nela lhe fazia bem, como nunca ninguém foi capaz de fazer antes. Algo que naquele momento ele não quis lutar contra, pelo contrário. Resolveu aproveitar o momento.

Uma hora depois já tinham terminado de preparar todos os peixes para o outro dia. Sasuke guardou tudo no freezer enquanto Hinata o esperou sentada no banco simples de madeira que em nada combinava com sua beleza e graciosidade, mas ainda assim, aos olhos de Sasuke, era uma imagem agradável de se contemplar. Eles foram até a pequena cozinha e lavaram as mãos. Sasuke sem se importar muito apenas tirando a sujeira com pressa e força como se quisesse expelir o maldito cheiro de peixe. Já Hinata não teve pressa. Começou esfregando uma mão na outra molhando-as debaixo da torneira. Então pegou o sabão e passou entre as mãos que foram envolvidas pela espuma branca e formaram pequenas bolhas de sabão. Então ela esfregou uma na outra mais uma vez em um longo ritual terminando por fim com as mãos na água novamente. Lavou primeiro as palmas das mãos, então os dedos, as unhas e os enxugou com cuidado. Tão diferente das outras garotas, tão diferente dele... Pensou Sasuke.

- O que mais temos que fazer? Perguntou se virando para ele cheia de ânimo.

- Ir embora.

- Já?

- Sim, é tarde. Amanhã pode começar tudo de novo.

Os dois saíram do galpão andando lado a lado em silêncio. Apreciando a companhia um do outro. Então Hinata sentiu sua garganta coçando. Tinha se controlado o dia todo, mas ainda sentia dores no peito e a garganta ardendo como se tivesse sido cortada por mil navalhas. Ela tentou se controlar, mas acabou tossindo com as mãos na boca. Uma nova crise de tosse, então gemeu de dor chamando a atenção de Sasuke.

- Hinata. Ele a segurou pelos ombros virando-a para si. Ela escondeu o rosto fitando o chão enquanto tossia mais. Sentiu um gosto diferente e salgado na boca porém não disse nada. Finalmente a tosse cessou e ela encarou as duas ônix fitando-as com preocupação?

- Estou bem... Sussurrou com a voz fraca.

- É hora de ir para casa. Não devia estar aqui.

- Preciso desse emprego Sasuke-kun. Por favor, não conte a ninguém o que aconteceu ou sobre essa tosse, não significa nada. Vai passar... Sasuke não concordou muito com aquilo, mas como dizer não, com Hinata o encarando daquela maneira. Tão frágil e temerosa. Sua vontade foi abraçá-la como naquela noite. Malditos deuses! Por que a desejava tanto? Pensou ele, afinal só poderia ser desejo certo?

- Está bem. Ele se afastou assim que ouviu a risada estridente de Kankurou.

- Então acabaram? Hora de ir! Disse Temari.

- Sim Temari-chan;

- Espero que Sasuke não tenha te explorado. Sinto muito por ter que usar mãos delicadas para trabalho tão vil. Disse Kankurou segurando as mãos de Hinata. Sasuke se sentiu incomodado com a cena, porém se conteve.

- Ora Kankurou-sama não se preocupe! Gostei de trabalhar e Sasuke-kun me ajudou e ensinou. Agora já aprendi e amanhã Temari-chan vai me ensinar a pesar os peixes naquela balança.

- Deixe-a em paz Kankurou! Ordenou Temari puxando Hinata pelos ombros.

- Obrigada pela oportunidade Temari-chan, Kankurou-sama e Gaara-sama. Prometo que vou me esforçar, aprender tudo e trabalhar duro.

- Sabemos disso Hinata. Temari sorriu. Gaara acenou com a cabeça, calado como sempre.

- Não sei como agradecer... Disse inocente. Kankurou sorriu malicioso e sussurrou perto de Sasuke.

- Pois eu sei... Sasuke cerrou os punhos se contendo para não avançar em cima do maldito desgraçado.

- Bom! Hora de ir. Você precisa descansar Hina-chan. Amanhã o dia será cheio. Quarta é o nosso dia mais agitado.

- Hai! Concordou animada.

- Diga-me Hinata... Porque chama somente o Sasuke de Sasuke-chan? Ela corou e desviou o olhar.

- Bom... Eu... Por que... Sasuke a segurou pelo braço e saiu andando levando-a consigo enquanto respondia:

- Não é da sua conta Kankurou! Vamos Hinata! Ela se despediu com um sorriso e se pôs a segui-lo calada. Sasuke não sabia por que tinha feito aquilo, tão pouco sabia por que não conseguiu soltar a mão de Hinata durante todo o trajeto. Apenas tinha feito, tomado por uma impulsividade que até então ele desconhecia ser capaz. Aos poucos ele se acalmou e caminhou mais devagar com ela ao seu lado. Uma brisa fria lhe atingiu e ele se lembrou que Hinata ainda estava se recuperando. Tirou seu sobretudo preto e parando no meio do caminho colocou em volta do corpo dela que abraçava agradecendo a Kami pela atitude dele.

- Obrigada Sasuke-kun. Ele nada disse. Apenas saiu andando, dessa vez sem coragem de tocá-la novamente.

- Fique longe de Kankurou. Ele não é de confiança?

- Por que? Ela perguntou confusa e ele a encarou não acredito que ela não tinha percebido.

- Ele a quer Hinata. E seus pensamentos e vontades não são nada inocentes quando dizem respeito a você. Não viu a maneira como ele te olha? Ela corou e desviou o olhar abrindo os lábios por alguns segundos tamanha surpresa.

- Não tinha percebido... Achei que fosse brincadeira.

- Pois não é. Cuidado!

- Gomen Sasuke-kun! Disse Hinata com o semblante triste.

- Pelo que?

- Por sempre me meter no seu caminho e roubar seu tempo precioso. Confessou sincera. Sasuke sentiu um desejo incontrolável de tocá-la e dizer-lhe que não era bem assim. Sua presença lhe era muito bem vinda.

- Hm... Apenas não se afogue de novo. E aquilo foi o mais suave que ele conseguiu ser. De alguma forma Hinata sabia que era um aviso, e uma forma de dizer que ela não era de todo um fardo.