Aishiteru
4 As marcas de um Uchiha!
Notas iniciais
– Você vai ficar aqui o dia todo? Perguntou Itachi olhando o irmão caçula deitado no sofá usando apenas uma cueca box preta rodeado por garrafas de cerveja vazias, a televisão ligada em um canal pornográfico.
– Não é da sua conta! Respondeu friamente como sempre.
– Sasuke! Ás vezes me pergunto quando você vai amadurecer.
– Isso não é da sua conta também. Por que não dá o fora e vai trabalhar na nossa empresa puxando o saco do Madara como sempre? Aquele velho baka! Respondeu Sasuke sem ligar para a expressão séria e os resmungos de Itachi que saiu irritado, porém sabia que falar não valheria a pena.
Sasuke e Itachi moram juntos desde o acidente com seus pais anos atrás quando ele ainda era uma criança. Uchiha Fugaku e Uchiha Mikoto voltavam de um jantar de negócios quando um acidente causou a morte dos dois. O carro derrapou pelo barranco, capotando nas pedras e em seguida explodiu. Sasuke jamais se esqueceria da noite em que esperou que sua mãe chegasse e como sempre lhe repreendesse por ainda estar acordado. Então ela sorria e lhe contava uma história para dormir, mas naquela noite ninguém apareceu e no dia seguinte Uchiha Madara estava lá tomando conta de tudo e fazendo de Itachi seu escravo ainda que o mesmo não percebesse. Porém não seria assim com ele e de fato não foi. Sasuke se rebelou desde de pequeno às ordens de Madara. Como consequência não tinha todos os privilégios de Itachi, muito menos o carro do ano, nem viajara por todo o mundo como seu irmão. Os dois dividiam apartamento desde que Sasuka saiu de casa aos quatorze anos depois de infernizar a vida de Madara até que o mesmo lhe desse o apartamento que lhe era de direito, herança de Mikoto para ele e Itachi. O irmão mais velho preocupado com a vida desregrada de Sasuke também se mudou para lá, porém pouco tempo passava ali. Quando Itachi não estava trabalhando, viajava ou estava com Madara lhe seguindo como um animal de estimação.
Sasuke não tinha emprego. Fazia bicos de vez em quando caso quisesse comprar alguma coisa, ou sair, enfim, quando o dinheiro lhe fosse necessário. Ele não queria saber dos negócios muito menos daquela herança que tanta desgraçada lhe tinha trazido já que haviam suspeitas não confirmadas de que a morte de seus pais não tinha sido um mero acidente.
Os estudos ele tinha completado, pelo menos isso já que sabia ser um desejo de sua mãe, que sempre lhe incentivou a estudar, ler e se interessar em aprender tudo o que fosse possível. Entenda, Sasuke não era um mero vagabundo ou rebelde sem intelecto, pelo contrário. Sasuke é inteligente, com um vasto conhecimento sobre todos os assuntos e uma curiosidade sem limites acompanhado do desejo de sempre saber tudo assim podendo rebater a todos que viessem lhe questionar. Afinal, ele sempre seria um Uchiha, mesmo que não se orgulhasse disso.
Quando o segundo grau acabou ele se dedicou a viver seus dias lendo, se divertindo com garotas vazias e futeis, pelas quais ele sabia que nunca iria se apaixonar, beber e fumar e quando lhe batia a solidão que ele jamais admitiria, Sasuke procurava seus amigos, incluse um certo loiro excessivo em todos os seus gestos e palavras, mas que ainda assim era seu melhor amigo.
Ás vezes, Madara lhe impunha sua presença lhe visitando de surpresa, mas eram raras as vezes em que os dois tinham um diálogo saudável.
Enquanto Sasuke tomava banho pensou em visitar seus amigos. Há mais de um mês ele não dava notícias, e as garotas nem as bebidas lhe satisfaziam mais. Quando terminou seu banho se olhou no espelho enquanto se enxugava. Aos vinte um anos Sasuke tinha vivido mais que muitas pessoas, pelo menos as experiências ruins da vida que nunca lhe deu moleza. Quem olhasse para ele lhe daria vinte e quatro anos no mínimo. O rosto ainda tinha traços bem juvenis porém o olhar cansado e entediado como se já tivesse vivido tempo demais e o corpo definido, os braços fortes, ombros largos e altura não faziam juz a sua idade, entre outros membros que não vem ao caso comentar agora.
Ele vestiu uma calça jeans desbotada, uma camiseta de mangas cumpridas que deixou aberta, calçou seu All Star preto e saiu apenas com a chave de casa e da moto no bolso e os cabelos bagunçados.
Não havia uma mulher que resistisse ao charme dos irmãos Uchiha, apesar das personlidades completamente diferentes, ambos eram muito belos e tinham olhar misterioso e fascinante. Porém, Sasuke tinha algo mais. Por trás das íris negras, por vezes rodeadas pela coloração vermelho sangue e três espécies de virgulas também negras, havia uma frieza mortal que ironicamente o tornava mais sedutor ainda. O jeito relaxado como o mesmo caminhava, por vezes com as mãos nos bolsos, o semblante indecifrável e a voz fria e sem emoção, no estilo "foda-se, não ligo para nada" completavam o conjunto da obra lhe garantindo ter seu corpo e cama aquecidos todas as noites caso ele quisesse. Não havia sido uma, nem dez, tão pouco vinte mulheres que foram possuidas pelo Uchiha, e essa era a melhor palavra para descrever o que ele fazia. Saciava seus desejos e depois descartava como objetos inúteis. E ainda elas não se impotavam porque ficavam hipnotizadas por ele, sem nem ao menos conhecê-lo.
Algumas vezes Sasuke era gentil, do jeito dele, porém poucas pessoas tiveram a sorte de presenciar tal milagre.
Sasuke saiu de casa, primeiro, rumo ao cais. Lá trabalhava limpando iates e quando queria transando com as velhas ricas, ou a filha delas. Depois trabalhava ajudando Gaara e Kankurou com o carregamento. Ele bem sabia o que tinha naquelas caixas, mas pouco lhe importava desde que recebesse o que lhe era justo. Então almoçava no restaurante de Temari, irmã dos dois "comerciantes" e por fim ia para algum lugar público, cheio de pessoas estúpidas onde seria "descoberto" por um certo baka loiro, e depois viria Sakura, sua admiradora mais irritante. Quando não visitava Tenten, a única mulher que aos olhos dele não era irritante e que também nunca tentou lhe seduzir.
Ele nunca tinha namorado ninguém e nem pretendia. Prezava sua liberdade e em alguns momentos sua solidão. Sua primeira vez com a filha de um dos iates que há anos ele limpava, o primeiro beijo foi na escola e esse lhe causou problemas , já que a pobre garota se apaixonou pelo mesmo. Ali Sasuke aprendeu que garotas boazinhas, ou legais dão dor de cabeça, trazem problemas ou pior podem seduzir os garotos mais frios com seus sorrisos amáveis e toda sua doçura e inocente. Por sorte Sasuke se livrou antes que fosse arrebatado pelas garras dos sentimentos. Para ele tudo era muito simples. Não precisava de ninguém, se queria algo lutava para conseguir, não se importava com a opinião dos outros muito menos em agradá-los, fazia o que queria, quando queria, e como queria. O que fugia disso era caracteristica de pessoas fracas e estúpidas.
E acima de tudo, para Sasuke, se permitir sentir o menor sentimento que seja por alguém, principalmente uma mulher era sinal de fraqueza o que tornava a pessoa desprezível e indigna até mesmo de seu olhar. Sim, Sasuke era até onde se via o homem mais frio e egoista que o mundo poderia conceber, porém lá no fundo ainda existia o doce, gentil e carinhoso Sasuke de 14 anos atrás, adormecido em meio a todo o sofrimento, toda a mágoa e rancor guardádos dentro dele. O problema era que Sasuke não conseguia mais expressar sentimentos por ninguém, era como se tivesse sido robotizado através de uma mutação natural e simplesmente não conseguia expor seus sentimentos ou qualquer emoção.
Algumas vezes principalmente naquela data, Sasuke tinha pesadelos com seus pais, e acordava sentindo falta de algo que ele nem se lembrava mais, falta de uma sensação, falta de um gesto, de um olhar afogado em meio as marcas da vida. E aquela madrugada definitivamente tinha sido uma das piores, porém, por sorte, somente ele sabia o que se passava em seus pesadelos e tudo o que precisava era de um pouco de tormento do seu amigo baka para esquecer que o dia estava cada vez mais próximo.
– Sausuke! — Gritou Naruto correndo pela rua e chamando atenção de todos. — Até que enfim apareceu? Por que sumiu dessa vez?
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