Aishiteru
2 Arranjando um lugar para ficar!
Hinata comprou o jornal e passou o resto do dia arranjando possíveis lugares para começar sua nova vida. Como não conhecia as ruas de Nova York, nem os bairros optou pelos preços. Algo que fosse barato e dentro de suas possibilidades. Caminhou o dia todo e não encontrou nenhum lugar habitável. De acordo com o dinheiro que dispunha para alugar um local só encontrou quartos em bairros muito esquisitos e desertos, quando não, o quarto era cheio de baratas, ou tinha rachaduras, paredes manchadas por infiltração, vizinhos gritando entre outras coisas das quais Hinata não estava acostumada a conviver. No fim do dia ela tentava manter suas esperanças em meio ao desespero de ter que dormir na rua, afinal não poderia se dar ao luxo de dormir em um hotel já que tinha seu dinheiro contado para sobreviver até que encontrasse um emprego.
Quando seu estômago roncou escandalosamente ela resolveu esquecer por alguns minutos que era uma sem teto perdida na capital, sem o telefone de casa e nem um conhecido a quem pudesse pedir ajuda. Entrou em uma cafeteria modesta e fixou os olhos no cardápio, mas precisamente nos preços. Poderia gastar apenas quatro dólares.
– Posso ajudar? Maite respirou fundo e encarou a dona da voz feminina e simpática encontrando uma bela garota que parecia ter a mesma idade que ela, tinha cabelos castanhos presos por dois coques no topo de ambos os lados de sua cabeça e olhos brilhantes. Ela sorriu simpática e esperou que Hinata respondesse.
– Bom... Ainda não decidi. Respondeu corando enquanto olhava para as moedas em suas mãos e depois para a garçonete que pareceu entender a situação.
– Dia difícil?
– Pode-se dizer que sim. Hm... — Hinata folheou mais uma vez o cardápio e decidiu pelo mais barato. — Uma xícara de café e um sanduíche de atum.
– Olha não acho que vai querer comer isso. — Alertou se aproximando de Hinata. — O cozinheiro não é muito higiênico, portanto, nada que seja preparado por ele é muito seguro.
– O que me recomenda? Eu não tenho muito dinheiro.
– Sopa de ervilhas. É barato e ele não prepara já que odeia cozinhar, ficando só com os sanduíches e preparação dos salgados.
– Então acho que é isso mesmo e esqueça o café. Hinata riu de si mesma quando a garçonete se foi. Ontem vivia em uma mansão, tinha seu próprio quarto com suite e poderia comer o que quisesse, já que seus mimos sempre eram atendidos prontamente. Porém não iria desistir no primeiro obstáculo. Hinata fechou os olhos e contou lentamente até dez, então releu todos os anúncios no jornal.
Já tinham se passado mais de cinco horas e Hinata permanecia sentada na cafeteria que já estava vazia. Os funcionários não entendiam o por quê da garota continuar sentada ali folheando os papéis e levando a xícara já vazia pela milésima vez a boca.
– Sinto muito, mas vamos fechar...
– Ah claro... Hinata olhou para a janela vendo as pessoas caminhando ainda apressadas pela rua. Já era de noite, mais precisamente onze horas da noite e ela ainda não tinha achado uma solução.
– Algum problema? Perguntou sem conseguir conter sua curiosidade sobre a garota de olhos acinzentados repletos de desespero. Não que fosse o tipo de pessoas fofoqueira, muito menos que se preocupa com o problema dos outros, mas algo naquela estranha lhe trouxe empatia imediata quando a viu entrar pela porta da cafeteria.
– Bom... Eu... Hoje é meu primeiro dia em Nova York. E... Eu não conheço ninguém, não tenho emprego, nem amigos por aqui, meu dinheiro está contado para as despesas até que eu arrume um emprego. Procurei um lugar para ficar o dia todo e não consegui nada além de locais que com certeza deveriam ser interditados pela saúde pública e que provavelmente já foram locais de cenas de algum tipo de crime hediondo. A garçonete riu e Hinata fez o mesmo se permitindo relaxar por um momento.
– Acho que tenho uma solução! — Comentou animada! — Me espera lá fora. Já saio em alguns minutos e ai conversamos ok?
– Ok? Maite reuniu suas coisas, pagou pelo café aguado e sem açúcar e pela sopa fria e sem gosto. Seu estômago já roncava novamente, porém ela esperaria.
Quando a garçonete saiu Hinata agradeceu aos céus. Estava morrendo de frio, muito cansada e desesperada por algo que acalmasse o monstro adormecido em seu estômago.
– Bom, primeiro de tudo. Meu nome é Mitsashie Tenten , mas pode me chamar apenas de Tenten! E o seu?
– Meu nome é Hyugga Hinata, mas pode me chamar de Hinata.
– Hyugga? Herdeira de uma das maiores empresas do Japão? Perguntou Tenten com os olhos arregalados. Hinata desviou o olhar.
– Sim.
– É sério?
– Sim... É uma longa história que eu não gostaria de contar agora.
– Tudo bem. As duas permaneceram por um tempo. Tenten se perguntava o que uma garota rica fazia ali comendo sopa numa cafeteria de quinta? Teria sido deserdada?
– Então, você me disse que tinha uma solução para mim.
– Ah sim claro... Bom, eu moro sozinha num apartamento quarto, sala, cozinha e banheiro. Eu não ganho muito aqui nesse emprego então, eu estava procurando alguém para dividir as contas.
– Eu aceito! Gritou Hinata sorrindo mais do que feliz.
– Mas eu nem terminei. — Contestou Tenten rindo da atitude de Hinata. — Bom, então como eu dizia se você topar, vai dormir na sala pelo menos até agente arrumar uma cama de solteiro para você, não sei. E ai você vai claro pagar menos que a metade, quando arrumarmos tudo ai dividimos por igual. Então?
– Eu aceito! Tenten balançou a cabeça vendo Hinata sorrir mais ainda agora com o semblante tranquilo.
– Você tem onde dormir hoje? — Hinata negou com a cabeça. — Então vamos lá para casa agora. Você só tem essas duas malas?
– Sim. O resto ficou para trás.
– Certo... — Tenten começou a andar rumo ao ponto sendo seguida por Hinata. — Só tem três regras. Nada de drogas, surubas e nem escândalos no prédio porque a sindica é uma velha muito chata. Hinata riu e acenou que sim com a cabeça.
As duas permaneceram caladas o resto do caminho. Hinata observava tudo pela janela do ônibus. As coisas finalmente estavam dando certo para ela. Já Tenten se perguntava se tinha tomado a atitude correta. Hinata parecia uma garota que ganhou seu primeiro brinquedo, ou melhor, um animal de estimação que pela primeira vez se viu livre em seu habitat natural. Ela sorria e suspirava, seus olhos brilhavam e vez ou outra ela fechava os olhos e sussurrava algo para si mesma e então volta a sorrir. O que Tenten não poderia imaginar era o quanto aquele simples gesto estava transformando a vida de Hinata, muito menos que aquela era a primeira vez que Hinata tomava uma decisão sozinha e fazia suas próprias escolhas sem ninguém para lhe censurar ou aconselhar. Tão pouco imaginava que para Hinata estava adorando aquela sensação de liberdade, porém isso era só o começo de uma longa jornada de descobertas.
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