Aishiteru
1 Aishiteru
Notas iniciais
Hibari Kyoya era uma pessoa introvertida, não gostava de barulho, aglomerações, grupos e bagunça. Na verdade, Hibari simplesmente não gostava de companhia, mas, pra seu total desgosto, às vezes ele se distraia e sempre que isso acontecia seus pensamentos voavam para um lugar especifico, ou melhor, para uma pessoa em especifico.
Quando se deu conta disso, Hibari passou a vigiar seus próprios pensamentos, mesmo assim sua cabeça conseguia driblar sua constante vigilância e vez ou outra ele se pegava pensando nele. Ele percebeu que tinha que fazer algo quando começou a sentir o cheiro dele pelos cantos, aquele cheiro que sempre impregnava em si após os longos e cansativos treinos.
Hibari sabia que não era só depois dos treinos que ele ficava com aquele cheiro, afinal, eles estavam juntos. E toda vez que eles ficavam a sós, uma conversa unilateral, com caricias unilateral começava, e era obvio que não era ele quem falava, não. Ele só olhava e admirava aqueles olhos, o tom dourado, o mesmo tom dos belos cabelos, o hipnotizava, era como se todas as cores do rosto dele se concentrassem em seus olhos.
E quando estava só, depois que o loiro ia embora, Hibari se balançava devagar, no mesmo ritmo que o próprio loiro o balançava quando o moreno sentava em seu colo. E Hibari sabia, ele tinha plena consciência que gostava do Cavalo Selvagem, gostava até demais. Mesmo com o jeito extravagante que ele tinha às vezes, atrapalhado toda vez que nenhum subordinado estava a vista, exagerado e sem um pingo de pudor, falando o que viesse na cabeça, sempre com “eu te amo”s na ponta da língua.
E quando estavam sozinhos, seja em qualquer lugar, Hibari sempre gravava cada detalhe dos acontecimentos, e mesmo que não deixasse ninguém perceber, toda vez que Dino caia e Kyoya virava para ele e o chamava de idiota era para na verdade, conferir se o italiano não tinha se machucado.
E assim como não admitia em voz alta que amava o atrapalhado chefe dos Cavallone, ele jamais admitiria que, sempre acordava um pouco antes do loiro só para vê-lo dormir, e quando este estava acordando, o moreno fingia dormir. Kyoya também nunca admitiria adorar a voz do mais velho, o timbre dele fazia seu corpo tremer suavemente, e ele adorava a sensação, mesmo que a voz saísse para falar as constantes maluquices as quais já estava acostumado. Mas quando Dino falava que Kyoya ainda estava com ele porque os dois eram iguais, Hibari tinha vontade de rir, ele sempre respondia “como se eu fosse um herbívoro idiota como você”, na verdade Kyoya concordava com Dino. O loiro ainda estava com ele porque o amava, e ele ainda estava com o loiro pelo mesmo motivo. E mesmo após as duras respostas de Hibari, o Chefe dos Cavallone só ria, e continuava a prestar atenção em cada detalhe do moreno para decifrá-lo, mesmo que sempre fosse surpreendido, Dino adorava isso, tentar ler Kyoya seria sempre seu passa-tempo favorito.
O italiano sabia que Kyoya não gostava de cenoura, na verdade ele não gostava de nenhuma verdura ou legume, sabia que ele odiava lugares com muita gente, mesmo que mais de três pessoas já fosse uma multidão para o menor, o italiano não se importava, na verdade, até achava fofa a forma como Kyoya separava o que não gostava no prato. Dino simplesmente amava aquele japonês anti-social, e quando o abraçava o mundo parecia reduzir a velocidade, ou talvez ele só não se importasse mais com o mundo quando estava tão próximo do moreno.
Mesmo que as ‘provas’ de que estivessem juntos pudesse ser contada nos dedos, sempre que ele pensava as memórias voltavam a ele, desde o começo, quando se conheceram, e ele poderia ver tudo de novo se quisesse, como um filme em sua cabeça. E Hibari não se importaria se ficasse só assim, mesmo que um dia ele dissesse ao loiro o que sentia, com todas as letras que o amava, nada mudaria. E depois, dizer uma vez ou outra, só para lembrar, não faria mal a ninguém, certo?
- Kyoya, eu te amo.
- Eu também, agora vá dormir.
É claro que o moreno sabia que o loiro atrás de si estaria fazendo uma cara de idiota, mas mesmo assim ele se virou, só para confirmar. A expressão de espanto do loiro logo deu lugar a um largo sorriso, Dino abraçou o menor, eliminando todo o espaço entre eles.
- Depois de ouvir isso? Nós vamos sim para a cama, mas não vamos dormir tão cedo, Kyoya.
O menor só soltou um “maldito herbívoro pervertido e idiota” enquanto retribuía o abraço e beijo que começou logo depois.
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