Airon: A Extinção
2 O Mistério. Eis Os Verdadeiros Gigantes
Notas iniciais
A coisa que mais odiava na vida começou a despertar.
Levanto da cama quentinha e o desligo, mas logo a cama me seduz novamente. Faltava trinta minutos para minha aula, mas não estava preocupado, como sempre. Me levanto, sento ao pé da cama. Logo, como todos as manhãs, penso que todas as pessoas estão fazendo isso também, naquele momento. Não que eu odiasse escola, eu até curto bastante saber mais sobre essa sublime espécie da qual sou atrelado, mas oque me incomoda é ser tão... "Todos".
Uma vida que todos tem, ricos ou pobres. Sem novidades.
Ás vezes sonho com lugares incríveis, onde existe pessoas, mas não são pessoas normais, é como se a "pessoa" fosse uma espécie de manto da invisibilidade, do qual esconde oque realmente é.
Me pergunto: E se fossemos assim? Será que somos algo do qual não passa pelos nossos neurônios?
Bom, mesmo com todas as perguntas, eu ainda tenho que realizar rotina. Levanto, me visto e vou ao banheiro e vejo a minha linda face deprimente.
Logo vou tomar café. Achocolatado, porque café é ruim. Com umas ricas torradas com manteiga. Pego o leite, o achocolatado em pó e preparo meu leitinho, as torradas já prontas na torradeira.
Me sento e logo suspiro, iniciando meu pensamento melancólico sobre a vida humana.
Você deve estar pensando que sou uma pessoa triste e poética. Bom, poética às vezes, mas é que eu não sei do meu passado. Eu fui encontrado entre uns sete ou oito anos de idade, amnesiado, em uma espécie de buraco entre raízes de uma árvore. Eu não sei quem é minha mãe biológica e nem sei da minha infância. Isso me fez ter muita, mas muita agonia de ver os outros falando desta fase da vida, e fazer os outros ouvir a minha fase desta vida, ou seja, "fui encontrado dentro de uma árvore".
Termino meu café e logo me levanto para ir a aula. O problema é que a Carl Jaeger é muito longe, então eu sou obrigado a pegar minha bicicleta na garagem lá embaixo. Fecho a casa e vou para a garagem, pego a bicicleta e começo a pedalar.
Atravesso o portão da frente e me deparo com meu amigo e colega, George.
–Eai cara! — Grita George- Posso te acompanhar até a universidade?
–Claro , pode vir.- Digo eu, com uma cara de sono.
George me analisa de pé a cabeça- Meu Deus. Jeb você está péssimo.
–Claro que estou- Cruzo os braços- Afinal quem curte uma segunda. Eu também ando tendo muitas crises existenciais eminentes.
Ele dá uma risada meio falsa- Realmente, a vida tá um saco. Eu gostaria muito que caísse um meteoro na Terra só para ficar frenético por uns momentos.
Eu forço um riso- Realmente, a vida é como um jogo que se completa toda vez que se vai dormir. E ainda, eu nem sei a história do meu jogo...
Ele abaixa a cabeça-Deve ser duro mesmo. Estás vivendo uma vida "alá novela". Eu sinto muito, todos os dias. Mas, eu receio que você saberá, um dia, e está próximo. Apenas aguarde.
Vejo meu relógio de pulso: Faltava cinco minutos para a aula- MEU DEUS GEORGE AGENTE TÁ MUITO ATRASADO! VAMOS PEDALAR, AGORA! — Começamos uma corrida frenética (ehhhh) para chegar na aula à tempo. Nós estávamos realmente preocupados, porque era o 24° dia de chegávamos atrasados direto, e se atrasássemos novamente, seríamos crucificados pela professora.
Em frente a escola, jogamos as bicicletas para os ares e corremos muito. Sério, muito. Felizmente, chegamos segundos antes da professora fechar a porta. Ela estava a fechando e logo minha mão agarra a porta pela fresta, a assustando.
Meu Deus!- Ela abre a porta- Jebbet, que susto!
–Me desculpe professora- Falo, bufando- foi extremamente necessário.-Vou em direção a minha mesa.
–Bom, de alguma forma, eu me sinto aliviada de você não ter chegado depois.- Ela se vira para a lousa- Vamos começar a aula.
Depois de um tempo corrigindo exercícios da tarefa...
– Bom turma, agora que terminamos a correção podemos entrar na próxima matéria: A consciência. — Ela para um pouco- Jebbet- Me assusto enquanto desenhava, mas logo a encaro- Pode nos dizer oque achas sobre a vida, ou seja, ter consciência? Mesmo sabendo que não existe afirmação exata para oque é, nos diga oque achas.
Eu permaneço quieto.
– Melancólica.
Ela faz cara de interrogação- Melancólica? Por que?
– A consciência é algo que nunca haverá explicações exatas. Mesmo sendo uma consciência, eu sinto muitas vezes dentro de mim que eu não a controlo totalmente. Parece que há uma segunda cabeça dentro de nós, da qual vê oque é certo ou errado de se fazer.
Carl, um colega chato da turma, logo responde- Claro, você nem sequer tem vida para falar sobre isso- ele ri de canto- afinal, é um bicho do mato, literalmente.
– Pelo que eu vejo, bicho do mato era oque sua mãe estava sendo quando te fez.- respondo sério sem expressão.
A sala fez o clássico "oh" e ele se levantou, mas a professora fez sinal para baixar a testosterona.- Jebbet, não se importe com isso, você não é nem um pouco diferente de nós.
– Desculpe Professora, apenas me agoniza saber que vocês tem memórias para gravar em álbuns e sentimentos para recordar.
A sala fica quieta. Derrepente o sinal toca: Intervalo.
–Bom Turma, podem sair.- Fala a professora. Todos estavam saindo, mas quando eu me levanto para sair ela me puxa pelo braço. — Jeb, entenda, você não precisa fazer da sua vida isso só por causa de algo que você não viveu. É passado, o futuro que deve ser visto como princípio. Por favor Jeb deixe isso de lado e não vá atrás, vai se dar mal e você tem tudo para ser um excelente biólogo.
–Nenhuma pessoa nesta cidade não teve respostas quando questionadas sobre qual era seu nome, oque fazia quando criança. Vocês acham que possuem soluções, mas vocês estão tentando ser conselheiros sem sequer saber oque a pessoa sente. Então fiquem quietos e me deixem procurar pegadas, por favor.
Ela fica quieta e solta meu braço. Encontro George no externo e logo vamos para o refeitório.
–----------
Enquanto íamos ao refeitório, fui atropelado por um vulto- Eii!- Grito com raiva- Se liga onde anda!
Era uma garota muito estranha. Tinha longos cabelos negros ondulados com uma franja grande o suficiente para tapar os olhos.
Ela para de costas e vira a cabeça, revelando olhos amarelados penetrantes.
–Ah, desculpa ai. — Ela me olha de pés a cabeça- Eu não te vi. Sua alma é escura a ponto de mesclar com sombras!- ela faz um riso fechado- Bom, vou indo, estou muito atrasada.- ela sai correndo e logo desaparece.
–Meu deus, que menina fria! — George revira os olhos- Ela não foi nem um pouco legal. — Ele olha para mim paralizado- Oque foi Jeb? Se assustou?
Eu estava perplexo.
–George, você viu aqueles olhos?
–Quais? Os da menina? Ele coloca a mão no queixo- Não, a franja impediu.
–Ela tinha olhos amarelos!
Ele ergue a sombrancelha- Tem certeza?
Eu mexo a cabeça, confuso-Eu-
–Olha, ela estava correndo muito rápido, acho que você viu coisas. Vamos comer.
Levanto os ombros- É...Acho que devíamos mesmo....
Fomos para o refeitório, mas fiquei dominado pelo medo e pela dúvida.
Quem é ela?
Fale com o autor