Ainda é cedo.

9 Capítulo 9: Ser atropelado por um carro ou pelo primo?


Eduardo

Eu tinha que dar um jeito nessa mania tosca de socar a primeira coisa que tinha na minha frente.

EU SEI!

Aquilo foi ridículo e não foi por causa da carona. Eu não medi o que saia da minha boca, e falei o que não devia. Por que fiz isso? Não sei, quando vi já tava soltando aquilo tudo pra ela.

As chaves do carro estavam no bolso, mas eu queria andar. Estava um tantinho perdido com o que pensava, andando sem nem ter um rumo.

Eu não sei direito o que aconteceu. Só ouvi um barulho, vi uma luz e senti meu braço doer. Alguém gritou desesperada.

-Eu matei ele, ai meu deus, agora vou ser presa... Eu sou muito nova pra isso.

Uma porta bateu.

Plac, plac, plac.

Eram barulhos de salto alto?

-Mari, cala a boca, ele tá vivo. Vai pra dentro do carro que eu resolvo!

Alguém botou a mão no meu peito e eu abri os olhos. Meu braço esquerdo ardia em brasa. Tentei me levantar, minha visão estava embaçada.

Algo me forçou a ficar deitado. Algo não, alguém...

-Shiiiu, não se levante.

Pisquei algumas vezes até meus olhos retomarem o foco. Até que consegui ver com clareza.

As armações do estilo Ray Ban preta não escondia a maquiagem forte dos olhos. Os cabelos cacheados e volumosos eram tingidos de um vermelho forte que era muito bonito.

Ela apalpava partes específicas do corpo, procurando por algo.

-O que aconteceu?

-Não quebrou nada... Se apoia em mim.

Ela me puxou pra cima e me encostou no carro.

-Minha estúpida irmã quase te matou mas a culpa não é só dela. O que estava pensando em andar perdido desse jeito? Ninguém te ensinou a olhar antes de atravessar?

-Eu não estava pensando... Desculpa a confusão.

Meu braço ainda doía. Uma pontada me acertou e fiz uma careta.

-Não quebrou ou rompeu nada, é apenas uma luxação. Faça algumas compressas com água e vai passar com o tempo. Não se preocupe, eu sou fisioterapeuta, já vi várias assim.

-E se não passar?

Ela pegou um papel amassado no bolso.

-Ai você liga, e diz que quer marcar uma avaliação com a Anne. Qual seu nome?

-Eduardo.

-A secretaria vai perguntar como pretende pagar a consulta, diga que eu já sei do que se trata. Vai ser por minha conta — ela sorriu, tentando ser gentil — Preciso ir. Até, Eduardo. Vê se toma cuidado.

-Até.

Observei ela entrar no carro enquanto fazia o caminho inverso para voltar para casa.

Pode ter sido a batida, mas ela era encantadora.


Manuela

Estaria mentindo se dissesse que não me importava com o que o Edu falava.

"-Sem compromisso lembra?".

É claro que eu me lembrava! Nós dividimos o apartamento há mais ou menos seis meses, e acho que devido a convivência constante, havíamos criado uma boa amizade, mesmo com pouco tempo. Quer dizer, é isso que éramos, certo? Amigos?

Eu já não sabia mais o que pensar sobre ele. Digo, desde que eu propus aquilo, quase nada mudou.

"Quase nada Manuela, você é idiota por acaso?".

Eu já havia percebido que o Edu não tinha muitos amigos, amigos mesmo. Então ele não saía muito... E eu não saía por falta de companhia mesmo. Então os dois passavam a manhã na faculdade e depois ficávamos em casa, vez ou outra saímos pra comer alguma coisa. Nesse tempo assistimos muitos filmes... Não me pergunte sobre nenhum deles, não prestamos atenção em nenhum minuto. Era tudo muito bom, divertido. A gente dava alguns beijos, uma marquinha ali e outra aqui, nada preocupante... Depois era como se nada tivesse acontecido. Nenhum momento de constrangimento, sabe? Às vezes rolava alguma piadinha, mas o outro sempre respondia a altura.

Só tinha um problema: toda a ferocidade do início foi sumindo, sendo trocada por algo mais tranquilo, sem pressa, mais carinhoso até... Não que isso fosse ruim, de forma alguma. Mas aí deu a impressão de ir além do físico.

-Tá tudo bem?

Levei um susto com a pergunta dele, cortando o silêncio que estava no carro.

-Claro.

-Parece meio distraída...

-Só estou pensando na minha família. Muito tempo sem ver ninguém, estou ansiosa para chegar.

Dei um sorriso e ele respondeu com outro.

O aeroporto não chegava nunca?

Ele tentou puxar alguns assuntos que sendo sincera, fui um tanto incapaz de corresponder. Até que enfim paramos no estacionamento.

Ele tirou minha mala do porta-malas e colocou do meu lado.

-Obrigada por me trazer.

-Eu que agradeço.

Por que ele tinha que falar esse tipo de coisa? Era só uma carona!

Olhei as horas no enorme relógio que tinha na entrada do aeroporto, faltava uma hora para o embarque. Acabamos demorando um pouco mais por causa do trânsito. Tudo que tinha pra resolver antes do voo sobre o voo já estava resolvido, era só ir embora.

-Não precisa esperar não, ta? Eu vou direto pra sala de embarque.

-Mas...

Lhe dei um abraço, cessando seus protestos.

-Obrigada.

Saí quase correndo, sem dar tempo de nada para ele.


Eduardo

Cheguei em casa e preparei uma bolsa de água quente, para tentar relaxar um pouco os músculos do braço.

Obviamente eu me enrolei todo. A Manu teria feito isso direito.

Parei pra pensar no quão estúpido eu tinha sido. Completamente desnecessário.

Mas tarde demais pra pensar nisso, ela já devia estar no avião e eu já tinha falado merda.

Coloquei uma música pra tocar baixinho e aninhado no calor da água, eu dormi.


Manuela

Fui recebida pelo abraço mais demorado do mundo.

-Sam, eu não consigo respirar.

Ele riu e me largou. Minhas costelas agora doíam com o aperto que ele deu.

-Boas notícias: prepararam uma festinha pra você e pra Mel, lá na casa da vovó. Mas é surpresa, então finge que não sabe.

-Por que me contou então seu imbecil?

-Porque você vai trocar de roupa, tá horrível! E a quanto tempo não dorme? Uma semana? Vou ter uma séria conversa com esse tal Eduardo...

-Cala a boca.

Saímos meio abraçados até o carro, e eu fui falando o caminho inteiro. Passamos rápido em casa e eu vesti o primeiro vestido que vi dentro da mala. Peguei um casaquinho que eu tinha deixado dentro do guarda roupas e fomos para a casa da minha avó.

Fingi minha melhor cara de surpresa e sorri a noite inteira. O sorriso não foi forçado. Descobri que uma das minhas primas se casaria no fim do ano, e prometi que voltaria para a festa. Todos me perguntavam como estava sendo morar longe. Era meio difícil contar sem mencionar o Edu.

-E como é sua colega?

Meu cérebro congelou na hora. O Sam engasgou mordendo um pedaço de torrada com patê. Minha mãe me encarava esperando a resposta. Ela na verdade era ele, como tentar explicar isso?

-A Suzy é... Incrível.

Eu não sabia nada sobre a verdadeira Suzy, mas o jeito era falar dele como se fosse ela.

-Ela faz arquitetura e desenha muito bem. E sempre me ajuda com os trabalhos da faculdade...

Faculdade! Isso, comecei a contar sobre todas as aulas e tudo que eu havia aprendido.

Por sorte, a Mel chegou bem na hora que eu já não sabia mais o que falar, e o foco mudou para ela.

Recebi minha irmã também. Ela não havia mudado nada. Os cabelos ainda longos, a maquiagem feita sem esforço, o sorriso impecável no rosto. Essa era a Melissa. Todos conversavam animados quando um cara sentou do meu lado. Eu não sabia quem ele era e muito menos o que fazia por ali, mas continuei mexendo no meu telefone sem dar atenção alguma pois já havia falado com todo mundo na hora que cheguei. Até, é claro, minha mãe veio toda feliz "me explicar".

-John querido, quer comer alguma coisa?

John? JOHN?

Jogaram macumba em mim! Só pode ser!

Ele não era o John, de jeito nenhum!

-Manu, não seja mal educada. Largue esse celular, não viu quem chegou?

Oh meu pai... Se minha hora estiver próxima, dá uma adiantada e me leva agora!

-Oi John.

-Manu?

Comecei a sacudir a perna, impaciente.

-Eu mesma.

Pude ouvir o Sam rir alto no sofá do outro lado, lhe lancei um olhar mortal, que de nada adiantou.

Argh, me poupe.

Levantei e saí com ele nos meus calcanhares. A casa da minha avó não era longe da minha casa, e eu adorava ir pra lá pela vista que era possível ter.

"-Só você gosta de ficar vendo essa coisa feia!".

Realmente, não era bonito. Minha avó morava no alto de uma rua, que me dava a vista do restante da cidade. Lindo né? Não quando boa parte da vista é composta por um amontoado de ruas desorganizadas. Aquilo era um morro que foi se expandindo há muitos anos de uma forma sem lógica. As casas foram construídas sem organização alguma e quando o governo enfim resolveu regularizar a área, não tentou se dar o trabalho de arrumar algo. Os números das casas não seguiam a ordem correta, as ruas também não, porque tudo seguia a ordem que tinha sido construído.

Mas o que me atraia lá, era realmente não ter beleza nenhuma! O nada que se via de lá, era uma das maiores maravilhas para mim.

-Duas coisas que não entendo: por que me odeia tanto e por que gosta desse lugar.

Sentei na grama e continuei mexendo no celular, ignorando o fantasma que me seguia.

-Qual é Manu... Não pode me ignorar todas as vezes que me encontrar.

Ele arrancou o aparelho das minhas mãos, colocando embaixo da perna.

-Eu só finjo gostar de você na frente da minha mãe pra agradar ela, e você sabe disso! Então dá um tempo...

Sabe a promessa besta de família, de casar primo fulano com prima sicrana? Então, a sicrana sortuda da família era eu. O problema é que quando todo mundo percebeu o quanto eu odiava a ideia, surgiu a velha história de que "ódio pode virar amor". Não! Não nesse caso. Eu odiava participar daquilo, e o John adorava, transformando minha vida em um inferno em toda oportunidade que tinha.

O John era normal, nada de extraordinário. Cabelo castanho curto no corte militar, sempre vestindo camiseta e jeans folgados. Porém, duas covinhas marcavam o seu rosto, o que encantava qualquer uma que conversasse com ele por dois minutos. Menos eu, é claro, porque eu tinha um ranço dele que nem era capaz de explicar. Talvez por tanta insistência nessa brincadeira familiar, eu tenha desenvolvido algum tipo de asco por ele.

Nós não nos víamos há uns cinco anos e ele havia mudado significativamente Tinha largado o aparelho e crescido, ganhado corpo, mas pra mim ainda era o primo magrelo e chato que me apurrinhou no casamento da minha tia. Nada agradável!

"-O que custa Manu, só uma dança!"

Minha mãe sempre amou o John, e se dependesse dela, nós casaríamos e seríamos felizes para sempre. Então, lá estava ela, me forçando a dançar com ele.

-Eu não sei dançar, mãe...

-Mas ora, que mentira! Eu te coloquei na aula de dança pra não saber dançar? Deixa de desculpas e vai. Seja uma moça gentil.

Ele sorria triunfante, estendendo a mão para mim. Ajeitei o vestido volumoso, bufei de raiva e peguei sua mão. Os dois no ápice dos 13 anos naquela fase que ninguém se orgulha da própria beleza, que as espinhas dominam o rosto e meu cabelo competia com minha pele pra saber quem ia ser mais oleoso. Não podia ser uma cena mais patética!

Sorri para minha mãe e sai com ele.

-Nem pense que...

-Está linda, Manuela.

Revirei os olhos. Ele pegou na minha cintura e começamos a dançar. Na verdade, chamar aquilo de dança ofenderia qualquer dançarino. Ficamos parados, balançando o corpo pra lá e pra cá. Completamente tosco. Nenhum falou nada durante toda aquela cena.

A música acabou e logo tratei de me largar dele, só que ele tentou me beijar. Me poupe! Eu tinha 13 anos, não sabia nem o que era beijar na boca!

Consegui me desviar, mas cai no chão, derrubando uma convidada qualquer do casamento. Resultado final: todos me olhando como se eu fosse louca, meu vestido sujo pela bebida da tal convidada e ela com metade do corpo de fora. Pra não cair, me segurei na primeira coisa que minha mão pegou: o vestido da moça. Na tentativa de se tampar e se manter com o mínimo de dignidade após a exposição dos seios, ela se firmou em pé, o que só piorou a situação dela semi nua, de pé no meio do caos. Eu já no chão, só percebi o tecido colorido na minha mão. Nesse dia eu aprendi que não se usa tomara que caia se não estiver bem ajustado ao corpo.

Prejuízo do meu vestido alugado e um novo para tal mulher. Além da bronca que recebi e a vergonha que passei, é claro!

E ele? Saiu como se nada tivesse acontecido.

Isso é um bom motivo? Não? Então lamento pela minha imaturidade de guardar raivinha de infância. Ta achando ruim então pega ele pra você!

-Não guarda mais raiva do casamento, né?

-O que você acha? — olhei mal humorada e respondi com secura.

-Acho que sim. Quantas vezes vou ter que me desculpar? Éramos crianças poxa, precisa superar isso! A gente não se vê desde que tínhamos 13 anos.

-Não importa, eu não ligo! Dá pra devolver meu celular?

-Me fala por que gosta desse lugar primeiro.

-Quem disse que eu gosto?

-Vem aqui desde pequena, te conheço garota... Pode me odiar, mas tem que admitir que te conheço bem.

Olhei tudo, procurando alguma explicação.

-Tá vendo aquele velhinho sentado na calçada? – apontei para o final da rua – ele sempre está, mais ou menos nesse horário, faça chuva ou sol. Tá vendo aquela mulher colocando a roupa no varal? Quando passei um mês de férias morando aqui, percebi que ela lavava as roupas a cada cinco dias mais ou menos. Ela tem três filhos que são pestinhas. E tá vendo aquelas crianças brincando na esquina? A mãe de um deles é um prostituta, mas finge que é recepcionista em um hotel. Muita gente sabe a verdade, mas ela não admite nem se for torturada. Tá vendo aquela casa rosa ali? O casal quase se divorciou por causa da tinta que a mulher comprou e eu acompanhei tudo...

-Ainda não entendo.

-Não percebe? Não é algo que eu vá bater o olho e falar "é lindo". Eu tenho que analisar, reparar nos detalhes. Eu acompanho a mesma paisagem há anos. Ela tem história. E é isso que deixa tudo bonito: a história. A mãe prostituta finge ser recepcionista por vergonha, mas sabe que com o grau de escolaridade dela, não vai conseguir algo que ela ganhe dinheiro e possa fazer seu horário, e ela precisa do dinheiro para ajudar a família. O velhinho sentado na cadeira está todo dia sorrindo, observando o sol se pôr... O casal brigou até ver o resultado final da casa, depois ele pediu ela em casamento oficialmente. A moça estendendo roupa está sempre cantando alguma coisa na janela e mesmo que os filhos sejam super atentados, ela sempre os beija quando eles passam correndo por ela... Pra mim, poder sentar e acompanhar cada movimento desse em um lugar como esse... Pra mim é uma honra.

-Você é pirada, sabia?

Me virei e dessa vez olhei diretamente nos seus olhos, tinha um brilho diferente de cinco minutos atrás.

-Ta me olhando assim por quê?

-Eu tô admirado em como você consegue ver tudo isso.

-No início eu não via. Vinha mais por tédio mesmo. Mas depois comecei a reparar nos detalhes. Essas pessoas não se importam de morar aqui. E toda essa falta de beleza é o motivo deles não quererem sair daqui tão cedo. Igual a vovó...

Fui interrompida, sendo atropelada por essa peste!

Ao contrário do John de 13 anos, dessa vez ele foi mais rápido. Uma das suas mãos pegou meu pescoço e a outra empurrou meus ombros para trás. Meu corpo tombou na grama e pude sentir a Manu de 13 anos que habitava dentro de mim morrer enquanto ele se aproximava de mim. Fiquei estática!

Seus lábios eram... Normais.

Mas o que mais me surpreendeu não foi o beijo ou como aconteceu, e sim que eu retribui.

Assim que me toquei do que fiz, fugi. Corri pela casa procurando a todo custo o Sam, dando um sorriso ou outro quando algum parente perguntava se estava tudo bem. Encontrei ele enchendo o prato pela milésima vez. Tirei a comida da sua mão e fui puxando ele contra sua vontade.

Entramos no quarto da minha avó e eu tranquei a porta atrás de mim, ofegante.

-É bom ter um motivo pra me sequestrar desse jeito, a vovó não vai gostar nada quando ver que estamos sozinhos no quarto del...

-Eu beijei o John.

Falei baixinho interrompendo ele. Parecia mais que eu tentava processar o que tinha feito, do que realmente explicar alguma coisa pro Sam.

-COMO É QUE É?

Escorreguei o corpo pela porta, sentando no chão. Os olhos vidrados, processando o que tinha acabado de acontecer.

-Ta louca Manuela? É do JOHNATAS que estamos falando! Você odeia ele.

-Eu sei...

Novamente, eu só sussurrei.

-Me explica isso antes que minha cabeça exploda.

Lhe contei tudo que tinha rolado depois que fugi da sala. Que havia explicado sobre o lugar, e ele tinha simplesmente me beijado.

-E por que raios não impediu, Manu?

-Eu não sei, quando vi, já tava lá e...

-Poupe-me dos detalhes... – ele passou a mão pelo rosto, levando-as até o pescoço – O que eu faço com você?

-Em que sentido?

-Veio o caminho inteiro falando do Eduardo, de como ele era legal e fazia você rir. E quando chega aqui, não consegue sequer fugir de um beijo do cara que você mais odiava.

-Ainda odeio ele! – disse me defendendo – E o Edu ta com raiva de mim, então foda-se. A gente não tá se falando!

-Foda-se é a mãe! Putz Manu, o que você fez dessa vez?

Lhe expliquei toda a história da carona, a discussão, a festa, o Rodrigo...

-Voce é idiota ou só finge ser?

-Que?

-Manu... Não entende que ele gosta de você? Deixar esse tal de Rodrigo te levar foi como se você preferisse ele!

-Não, não foi por isso!

-Você sabe que não foi por isso, mas ele não... Manuela, te conheço o bastante pra saber que você nunca gosta de ninguém, não pra valer, mas também conheço o suficiente pra saber quando tá negando a realidade pra fugir.

-Tá insinuando que eu...

Ele me olhou tipo "aceite isso!".

-Não! Sem chance...

-Se pensa assim, problema seu! Não vou tentar te convencer, mas quanto mais demorar pra admitir o que sente, mais intenso fica. Até tudo explodir bem na sua cara.

Ele forçou a porta me empurrando, e me deixou sozinha no chão do quarto.