Ainda É Cedo

42 Operação Anna - Parte I


Notas iniciais
Após 32 dias do último capítulo aqui estou eu. Me perdoe gente! Acho UÓ esses autores que só postam capítulos em anos bissextos, para mim isso é desrespeito com o autor. Porém, diferente desses autores que só postam uma vez na vida e outra na morte porque querem, eu tenho uma justificativa. Fora o lance do NYAH ter entrado em "curto" por um booooooooom tempo, há três semanas um amigo queridíssimo e namorado da minha melhor amiga sofreu um acidente terrível de carro e teve morte cerebral. Foi muito, muito, muuuuuuuuuuito triste. Ele só tinha 23 anos. E além dele um outro rapaz (que eu não conhecia!) morreu e um outro colega nosso ficou bastante ferido. Então não tinha o menor clima (e ainda não tenho) para escrever. Acho que dá pra entender, certo? Resolvi postar só o que eu tinha escrito para atualizar a fic, a segunda parte quero postar em breve, mas sinceramente não sei quando. Desculpem! Enfim, espero que gostem!!

Bruce abriu os olhos com certa dificuldade, sentindo uma dor aguda na cabeça.

Aconteceu de novo!, pensou, cabisbaixo, fechando os olhos novamente.

Tentou se levantar e percebeu que estava no meio de entulhos. Entulhos não, sacos de lixo. Não demorou a notar que também estava nu e que crianças o observavam.

–Você está bem, tio? – investigou um menino franzino de cerca de dez anos.

Banner concordou com a cabeça, cobrindo-se com sacos de lixo.

–Onde eu estou?

–No Harlem, tio.

–Harlem? – estranhou. Estava muito longe de onde achava que estaria.

–Isso aí, tio. O senhor derrubou um avião lá no Centro e veio destruindo tudo até aqui. Um monte de policiais cercaram tudo aqui, o senhor não lembra não?

O doutor colocou as mãos na testa, inconsolável, imaginando quantas vidas não teria findado durante sua fuga da SHIELD. O Outro Cara não fazia parte do plano de fuga. E Banner não conseguia lembrar de jeito nenhum em que momento o Hulk tinha aparecido.

O menino jogou uma calça velha em cima dele.

–Veste aí, moço. – pediu.

–Eu... Eu... Eu é... Eu machuquei a mãe ou o pai de vocês? – Bruce investigou, enquanto saia já de calças do meio do lixo.

–Não. – outro menino respondeu – Um monte de policiais cercou o bairro todo e o senhor acabou com eles...

–Foi maneiro! – suspirou um terceiro pirralho.

– Aí depois o senhor derrubou um helicóptero e eles foram embora com medo. Foi massa, na moral véi, o senhor é foda!

–Obrigado... Eu acho. – Bruce riu – Qual seu nome garoto?

–Eu sou o Liam. – apresentou-se o de dez anos — E estes são meus irmãos Jackson e o caçula Henry.

–Sou o...

–O Hulk, a gente sabe. – Henry o interrompeu com um sorriso de orelha – Bruce, certo?

Ele concordou, estranhando uma recepção tão calorosa a um monstro verde e destruidor de helicópteros.

–Sim, Bruce Banner.

–Cara nós temos um boneco do senhor, tio. Pode autografar? – Liam o puxava pela mão para dentro de um prédio decadente e pichado.

–Espera! –o sujeito congelou no meio do caminho – Vocês não... Vocês não estão com medo de mim? Nem um pouco?

–Não. – os três responderam serenamente.

–Jura?

–Sim, ué. O senhor é aquele cara que salvou o mundo ano retrasado não é? Com o Homem de Ferro, O Capitão América...

–Bem, sim, mas atualmente os jornais dizem que eu e o Capitão América somos os criminosos. – retrucou cabreiro.

–Meu pai disse que nosso país só é o que é por causa do Capitão. – justificou o irmão do meio – E meu só fala coisa certa, tio. E o senhor é amigo do Capitão não é?

–Sou sim.

–E o Capitão é amigo do Sam que sempre ajudava a gente. – completou outro.

–Pena que a polícia pegou ele e ele teve que fugir. – lamentou o caçula.

Banner estalou os dedos, lembrando-se que havia uma ligação entre o Harlem e Sam Wilson. Talvez alguém ali tivesse alguma informação, nem que fosse tirada dos noticiários. Os três meninos guiaram-no para dentro de uma espécie de cortiço fazendo inúmeras perguntas sobre “como é ser o Hulk” e sobre o que ele sentia quando “virava o Hulk”.

No topo do prédio destruído e abandonado Bruce foi apresentado ao pai dos meninos.

–Quem é esse cara? – o homem perguntou de forma ríspida aos filhos.

–É o Hulk pai! – bradou Liam – Ele destruiu a cidade toda, não tá lembrado?

O velho franziu o cenho, desconfiado, mas logo sua expressão facial se aliviou.

–Ah o cara verde, tô lembrado sim. O que o cara verde está fazendo aqui?

O “cara verde” resolveu não corrigiu o nome por estar demasiado assustado com o estado da “casa” do idoso. Como não haviam móveis (exceto uma geladeira velha e um fogão enferrujado) e a vidraça do edifício estava quebrado ou pichada, não demorou muito para que Bruce percebesse que aquela gente ali tinha tomado posse do local. Em outras palavras, era uma família de sem teto.

–Eu sou amigo de Sam Wilson, o senhor conhece?

–Snap! – o velhinho sorriu – Aquele hambúrguer de uma figa! Ele conseguiu fugir de Guantánamo, né?

O médico se engasgou com a própria saliva.

–Guantánamo?- quase gritou — Como assim Guantánamo, que Guantánamo? Guantánamo tipo a prisão lá de Cuba?

–Que eu saiba só existe uma prisão de Guantánamo, Cara Verde. – respondeu o cara. – Há quanto tempo o senhor não lê os jornais? Ah me deixa adivinhar: Também estava preso, certo? Esses políticos filhos da mãe! – resmungou enfezado – Prenderam até o Capitão América é mole?

–Pois é senhor...

–Gabriel García. – ele se apresentou – Mas, acho que antes deu revelar meu sobrenome o senhor já deve ter percebido que sou latino pelo fato de ter de morar em um prédio abandonado na cidade mais rica do mundo.

O homem não sabia nem o que dizer.

–É para ajudar gente como o senhor que estamos passando por tudo isso. Ao que me parece vocês não acham que nós somos os...

–Os vilões? –García tentou adivinhar – Isso é o que todo mundo aí fora está acreditando,contudo não nós do Harlem.

–Obrigado por confiar na gente.

–Tem que agradecer nada não, moço. O Sam sempre foi o nosso herói e lembro-me que há uns anos atrás ele apareceu aqui com o Capitão e uma amiga dele, essa aí que está sumida também... Ai meu Deus, qual é mesmo o nome? Teodora...

–Isadora! – Bruce corrigiu – Então o senhor também conheceu a Isadora?

–Na verdade só a vi de vista, foi um caos quando eles estiveram aqui. Enfim, o que o senhor ainda está fazendo aqui? – Gabriel se indignou – Você tá maluco? Saia já da minha casa, me desculpe a falta de hospitalidade, mas a CIA está atrás de você e eles não tem pena de matar quem cuida dos procurados dele não.

–Eu sei me perdoe já estou de saída. – o médico lamentou o furo. – Será que alguém poderia me levar até a Torre Stark?

–Torre Stark? – o velhinho latino-americano estranhou – O ricaço não estava do lado deles? Eu sempre o vejo em propagandas com aquele outro cara, o Patriota de Ferro e o presidente. Não sei não hein... Acho uma má ideia.

Ele suspirou longamente, sabendo que o conselho de Gabriel era válido. Havia a possibilidade de Tony o entregar.

–Vai ficar tudo bem, Sr. García, eu tenho certeza que vou conseguir ajuda.

–Você que sabe. – o idoso deu de ombros – Espere uns minutinhos que vou conseguir uma carona para você.

Bruce estava preocupado, porem sabia que Stark era a última chance de salvar o plano de Isadora. Talvez quando compartilhasse o que tinha escutado em sua estadia no Helicarrier, Tony mudasse de lado.

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DUAS HORAS DEPOIS.

Torre Stark, Manhattan – NOVA IORQUE.

Devidamente disfarçado, Bruce adentrou a recepção da torre de Tony.

–Por favor, gostaria de falar com o Sr. Anthony Stark urgentemente. – sussurrou a secretária, evitando contato visual.

–O Sr. Stark está em reunião e não fala com ninguém sem hora marcada, desculpe. – a recepcionista encerrou o assunto.

–Você não está entendendo, querida é URGENTE. Caso de vida ou morte. – insistiu.

–Lamento.

–Olha aqui... – o cidadão teve que usar de todo seu alto controle para não enforcar a recepcionista – Desculpe, olha aqui é muito, muito urgente. – abaixou o tom – Poderia ligar para ele e dizer que... Que é um velho amigo?

–E quem seria esse “velho amigo”? – uma voz feminina, vindo de trás de Banner fez-se ouvida.

–Senhorita Potts! –exclamou a funcionária.

Bruce não perdeu tempo, grudou nos braços de Pepper e a arrastou para um canto menos barulhento.

–O que você está fazendo? Eu vou chamar os seguranças! – protestou – Seguraaaa...

Ele tapou a boca dela com a mão tirando o capuz da cabeça. Potts soltou uma exclamação de surpresa.

–Sou eu, Banner! – sussurrou – Fale baixo, por favor!

–O que está fazendo aqui? Você é procurado pela polícia, saia daqui agora. – a ruiva se soltou do homem de cara feia. Bruce não se mecheu. – Ande saia, antes que eu faça um escândalo.

–Pepper, por favor, me escute! Preciso falar com Tony é caso de vida ou...

–Você é um terrorista! – ela estava indignada – Eu não vou ajudar um terrorista. Pensa que não sei que você e aquele bando de loucos já mataram e roubaram nessa jornada de vocês? Não conte comigo, não conte com o Tony, apenas saia daqui.

Ele a puxou pelo braço.

–Tem uma criança, um bebê de dois meses envolvido nisso. – Banner sussurrou no ouvido dela no momento em que ela se preparava para gritar – Se você não nos ajudar ela vai morrer e a culpa vai ser sua.

Silencio no local, a mulher pareceu se comover com a história.

–Que criança? – averiguou, ainda com um pé atrás.

–Uma menina, Anna. Eu a vi com uma das agentes da SHIELD, não sei como chegou as mãos dela, entretanto sei que vai servir de moeda de troca com o Capitão.

–Por que sequestraram essa criança? O que ela tem haver com o Capitão e porque eu ajudaria vocês? Vocês deveriam estar na cadeia, não na Torre Stark. – ralhou

Banner rolou os olhos buscando calma.

–Escuta, tenho a resposta para todas as suas perguntas, mas não as darei aqui em público. Preciso falar com o Tony imediatamente, a vida dessa criança depende disso.

Ela manteve-se arredia e imutável.

–A única coisa que posso garantir é que somos os mocinhos. – o cientista resolveu reforçar – Não acredite no que houve na TV ou em sites sensacionalistas, Pepper, nós estamos tentando fazer uma reforma global e estamos quase conseguindo.

–O mundo não precisa de reformas, estamos todos bem. Com alguns problemas, claro, mas bem. – contrastou.

–Ah o mundo está “bem”? –debochou – O mundo NÃO ESTÁ bem, senhorita Potts. Acabo de chegar da casa de um senhor sem teto na cidade de Nova Iorque. Sabe o que isso significa? Significa que algo está errado, que o dinheiro dos impostos não está sendo devidamente distribuídos, significa que a igualdade e a liberdade que esse povo vive pregando pelos quatro cantos do mundo NÃO EXISTEM. O mundo não está bem, senhorita Potts, a senhora está bem. A senhora, o Stark, o Bill Gates, enfim os milionários estão bem, mas o mundo... Não, o mundo não.

Depois de uma explicação tão bem argumentada, a ricaça não teve alternativa a não ser subir com Banner para a sala de reuniões.

Assim que a porta do elevador se abriu no andar presidencial, Bruce não pode conter um urro de nervoso.

–Pensei que o senhor estava em reunião! – conclamou ele caminhando até Tony que jogava videogame.

–E eu pensei que você estivesse sendo procurado pela SHIELD. – Stark debochou

O outro vingador deu uma leve risadinha.

–Pensou certo.

–Idem.

–Por favor, Sr. Banner seja breve! – implorou Pepper, aflita, olhando o movimento pelas grandes vidraças – Não quero problemas com aquele povo.

–O que você está fazendo aqui?

–Preciso da sua ajuda.

–Desculpe colega, acho que veio no lugar errado. As Indústrias Stark costumam vender produtos tecnológicos, não auxiliar terroristas com sérios problemas no sistema nervoso.

–Tony! –Potts estrilou

–Tudo bem, Pepper, tudo bem! –ponderou o sujeito – Já me habituei às gracinhas.

–Na verdade isso não foi uma gracinha, foi uma constatação. – observou o bilionário – Pepper porque deixou essa figura subir? Eu não já te disse que...

–Tony pare de brincadeiras, o assunto é sério! – ela se irritou.

Ele fez um sinal com a cabeça para que Bruce abrisse o bico.

–Preciso que me ajude a tirar Anna das mãos do Fu...

–Peraí, peraí! – o filantropo o interrompeu, de boca cheia, enquanto comia seu amendoim – Duas perguntas, meu caro: 1º Quem é Anna? . 2º O que faz você pensar que eu vou te ajudar?

Bruce bufou.

–Anna é a filha do Steve e Fury a sequestrou, não sei direito como, mas ela corre perigo. E porque você nos ajudaria? Ora, porque NÓS SOMOS AS VÍTIMAS NESSA HISTÓRIA TODA!

Os outros humanos da sala caíram na gargalhada com a “piada” dita pelo Hulk.

–Ai meu Deus! AI... – gemeu Stark com dor na barriga de tanto rir – Ai que comédia! Ouviu isso, Pepper? Eles matam gente em tudo quanto é parte do mundo, roubam automóveis, cometem atos terroristas e ainda querem que acreditamos que são os vilões. Me poupe, Banner, me poupe!

O médico estava ficando nervoso. Respirou fundo e disse pausadamente:

–Você sabe muito bem que a história não é assim.

–A criança que você disse que corre perigo é a filha do Rogers? – só agora a ruiva juntou as informações. – Caramba, ele tem uma filha?

–Sim, quer dizer, não. São três não uma.

TRÊS? – Tony berrou cuspindo amendoim para todos os lados – Eita que o picolé descongelou de vez! Caralho... Três? E ainda querem que eu acredite que ele é o mocinho? Avá...

O medidor de batimentos cardíacos de Bruce começou a apitar em sequencia desesperada e em um ímpeto de fúria grudou no colarinho de Stark e o jogou contra a parede.

–Escuta aqui Stark! – rosnou. Tony estava apavorado, Pepper sem ação. – Isadora teve trigêmeas, passou muito tempo internada de forma clandestina, o pai dela foi assassinado pela Carter a mando de Fury, Fury tem caçado a gente há dois anos e meio e sabe por que? Porque eles sabem que nós somos perigosos. E não perigosos do tipo terroristas como a mídia propaga e você acredita. Perigosos para quem é perigoso. Perigosos para quem tem um maldito posto na sociedade e não cumpre. Perigosos para os ditadores, para os imperadores. Perigosos para riquinhos mimados como você. – Banner estava a um ponto de uma transformação. A parede atrás de Stark estava começando a se rachar – Gente como você são a causa de todos os males no mundo, sabia? Sim, você é uma praga no mundo. Você e todo mundo que tem condições de salvar vidas, mas que preferem ignorar o vizinho que passa fome e comprar um jatinho ou um colar de diamantes. E se você não nos ajudar um bebe de dois meses vai morrer e A CULPA VAI SER SUA!

Bruce o largou violentamente no chão, deixando-o quase em transe. Potts só chorava. Passado tempo suficiente para que se acalmasse, retornou sua fala.

–Montamos um dossiê contra sete grandes governos. – continuou – Nick descobriu e levou a menina como moeda de troca, contudo se conheço bem aquele filho da mãe, no momento da troca ele vai matar todos nós. Essa hora Steve e Isadora já devem saber do problema e a cada segundo que perdemos aqui é um segundo da vida de Anna que se esvai. Eu... Nós precisamos de você, Anthony.

–Como posso saber se isso é verdade? – o herói um longo período de silêncio se seguiu.

–Eu disse que temos um dossiê, não disse?

–E onde está essa criança? – adicionou a mulher.

–Com Fury em Viena, Áustria, aguardando a “negociação”.

Tony e Pepper conversaram pelo olhar por um grande tempo até que ele ficou de pé e disse.

– Viena é adorável, não é mesmo? O.k., parece que Viena vai ter a honra de receber o Homem de Ferro.

Notas finais
E aí pessoas?? Até que não ficou tããão pequenininho, né?? Agora a parte da Natasha sendo linchada kkkkkkkkk e o resgate (ou fim!) da pequena Anna, vai demorar um cadinho! Peço a compreensão de vocês, contudo farei a minha parte: Postarei o mais rápido possível! Beijos lindos, aguardo comentários!!