Ainda É Cedo
33 Fé, Esperança e Alegria X Medo, Temor e Pânico
Notas iniciais
#Isadora
–Ai eu acho Gioconda lindo! Põe Gioconda, Isa! – sugeriu Dominika
Tive que rir, mas nem pude responder por que Sam logo soltou:
–Que Gioconda! Põe Samuela! Samuela em homenagem ao tio.
–Tá maluco? – revidou Natasha antes que eu pudesse me manifestar – Samuela nem existe e parece salmonela o verme. Sugiro Julia.
–Julia é legal, eu gosto! – falei rápido antes que alguém pudesse me atrapalhar – Julia é ótimo e fica bem com Olívia – Juju e Lili – Pela primeira vez na história eu concordo com a Natasha.
–Eu não gosto de Julia. – resmungou Steve bicudo
–Qual o problema com Julia?
–É normal. Quero um nome mais diferente, mais natureza.
–Ótimo ponha Nature então. – debochou Clint
Steve sorriu não entendendo a piada.
–Nature é legal.
–Ah fala sério Steve! – me revoltei – Certo, vamos para o próximo da lista.
–Amélia. – leu Dominika
–Esse é normal, mas é bonito. – bradou Steve – Me lembra Amélia Earhart que foi uma mulher brilhante na aviação.
Eba pelo menos ele cogitou algo diferente de “Summer (verão) ou Autumn (outono)”.
–Amélia seria ótimo se não fosse a mulher de verdade. – lamentei – Já prevejo o povo do Brasil cantando para ela:
♪Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era mulher de verdade♪
–Ai não dá. –continuei – Ninguém merece ter nome de mulher submissa, mesmo sendo o nome de uma das escritoras dos direitos das mulheres. Todo mundo vai lembrar-se da palhaça da mulher de verdade. E Victoria? Toda Victoria da história mundial era diva. Inclusive uma das maiores rainhas da Inglaterra tinha esse nome e desencadeou a era victoriana. Eu gosto muito! O que acha Steve?
–Só se for Victoria Régia. – ironizou – Não gosto de Victoria. Victoria era o nome de uma líder de torcida perversa da época do meu colegial.
–Há trezentos anos A.C. – Sam acrescentou debochadamente. – Por que não Isabella? Acho tão bonito e combina com seu nome.
Fiz uma careta lembrando da Bella –tapa-na-cara-das-feministas- Swan.
–Ai eu também adoro Isabella! – derreteu-se Dominika
–Ótimo guardem para a filha de vocês. – afirmei – Isabella é Crepúsculo demais para minha cabeça.
–Pra minha também. – Natasha concordou comigo pela segunda vez. Milagreeee!!
–Ah eu gosto de Crepúsculo. Bella era tão linda. – replicou a guatemalteca
–Bonita e burra. Onde já se viu largar tudo por causa de um namorado? Ah pelo amor de Deus onde está o bom senso e o amor próprio nessa história. Não vai ser Isabella. Gosto muito de Isabel, mais sério e sofisticado, mas é muito parecidinho com meu nome. Quero que elas tenham nomes diferentes entre si, porem não tão diferente quanto Willow.
–Cara não entendo seu problema com Willow. – conclamou Clint – Conheci uma Willow uma vez que era linda e inteligente. Chamávamo-la de Will’s, Willy, Willa, Low-Low... Tem tantos apelidinhos. Eu gosto de Willow.
–Eu também. – disseram todos os outros.
–Vai ser Willow, sem mais. Até porque você disse que se fossem meninas uma seria Willow. Poxa, eu não impliquei com o nome da Lili então deixe a Willy em paz. – amolou-me Steve.
Droga eu disse isso só para ele calar a boca. Pensando bem parece justo ele escolher o nome de uma. E Willow não é nenhuma Gioconda de feio, por exemplo. É apenas diferente. E tem aquela música linda do Paul McCartney, Little Willow, que diz:
♪Incline-se, pequena Willow.
O vento soprará você
Forte e frio esta noite
A vida como ela acontece
Ninguém te avisa
Willow segure firme
Nada vai abalar seu amor
Levar seu amor embora
Ninguém está livre de quebrar seu coração
Apenas parece assim... Hey ♪
Willow parecia o nome perfeito para uma garotinha que nasceria no meio do caos e que precisaria ser forte enquanto o vento soprasse. Alem disso faria Steve feliz. E fazer ele feliz me faz feliz.
Dei um sorriso.
–Quer saber, acho que posso me acostumar com Willow... Como segundo nome. – Steve bufou chateado. Poxa será que é tão difícil entender que vai ser difícil para ela na alfabetização ter que escrever tantas letras e ainda ter que soletrar o nome para toda secretaria burra no Brasil?
–Olivia Willow Rogers? – disse Steve e me pareceu bacana. Trabalho vai dar, mas é só o nome do meio, que é obrigatório aqui na Irlanda e nos Estados Unidos. Aqui é só o sobrenome do pai e esse negócio aí, e no Brasil vai soar como um sobrenome também.
–Achei bacana, parece o nome daquela atriz... Olivia Wilde. – observou Sam – Ótimo uma já está decidido e as outras?
Steve ainda estava chateado então o abracei com pena.
–Você pode escolher outro nome, tudo bem? E com uma vibe bem natureza desde que fique bom em qualquer lugar do mundo.
–Tudo bem. – retrucou mal-humorado.
Eita bichinho chato!
Ficamos falando vários nomes não chegávamos a lugar algum. Steve estava de má vontade por ter perdido a guerra do nome. Ah vá lá nem perdeu totalmente. Querendo ou não a Lili ia carregar o peso dos W’s para o resto da vida. Domi sempre lançando pérolas como Josephine ou Constantina, Sam querendo homenagear a si mesmo, Steve de cara amarrada e Clint rindo de tudo isso.
Do nada Steve levantou as sobrancelhas recordando-se de algo.
–Que foi? – inquiri
–Acabo de me lembrar de um nome universal, hippie, sofisticado e ainda mais bonito que Willow.
Fiquei com medo. Se a pessoa acha salgueiro um nome bonito a gente já fica com um pé atrás. Porem, para minha alegria ele disse:
–Flora.
Sorri. Logo veio na minha cabeça uma música muito bonita de Gilberto Gil e cantarolei:
♪ Tendo tudo transcorrido
Flores e frutos da imagem
Com que faço essa viagem
Pelo reino do teu nome
Ó, Flora. ♪
–Viu só como quando você quer você acha nomes bonitos? Florinha, Florzinha... Adoro Flora! É lindo, feminino, universal, atemporal... É tudo de bom! E ainda é nome de fada!
Domi sorriu mais largamente.
–Awn! Eram Flora, Fauna e Primavera as fadas que abençoaram a Bela Adormecida. – suspirou quase chorando – E também tinha uma Flora no clube das Winx.
–Isso! Flora, Fauna e Primavera! – acredite Steve sugeriu isso.
–Fala sério, Steve! – exclamei rindo horrores – Não estrague a vida das meninas. Olivia e Flora. – decretei
–O nome do meio dela pode ser Hope? – perguntou
–Só se o nome do meio da Olivia for Faith. Vai dar um trabalhinho para pronunciar, mas é muito bonito. –pus minhas condições. Ê vou livrar minha filha dos W’s!!
Steve me puxou para um beijo.
–Que assim seja Flora Hope e Olivia Faith Rogers. Esperança e Fé tudo que está nos mantendo até agora. E também, claro, a alegria por ter elas conosco.
–Awn vocês são muito fofos! – bradou Domi as lágrimas. Algo me diz que ela está na TPM – O nome do meio da outra tem que ser Joy. Imagina que lindo as irmãs fé, esperança e alegria.
Agora quem chorava era eu. Conseguimos finalmente chegar a um acordo: Nossas filhas teriam nomes normais e sobrenomes no estilo Steve de ser.
–Ah e tem que ter música! – acrescentei
–Olivia tem música? – Steve investigou
Então retornei a cantarolar, só que dessa vez a música Something Like Olivia em que
John Mayer diz que alguém como Oliva é difícil de encontrar:
♪Bem, Olivia está comprometida.
Mas alguém como ela
Não pode ser encontrada de tempos em tempos
É, Olivia está comprometida
Mas uma aparência como a dela
Não pode ser encontrada de tempos em tempos
Estou pensando, algo como Olivia.
É o que eu preciso encontrar♪
É minhas mocinhas tinham música e um nome do meio hippie. Comemorei a vitória da Lili sobre a Willow. Zilhões de vezes melhor ter fé como segundo nome do que ter salgueiro. Nada contra os salgueiros, mas não na minha família.
–Certo e a terceira? – Natasha cobrou – Vão ficar aí chorando porque Gilberto Gil e John Mayer fizeram músicas com o nome das suas filhas e esquecer que tem mais?
–Credo, calma Natasha! – resmunguei – Eu gosto de Julia. Julia tem música dos Beatles.
–Julia Joy não combina. Tem J demais aí. – comentou Steve
–Ah e dai? Ninguém nunca sabe o segundo nome de ninguém e antes dois J’s do que dois W’s. Sou completamente a favor de um mundo sem Y e sem W.
–Não quero Julia. – insistiu
Soltei um rosnado irritado. Que droga eu gosto de Julia!
–Amanda que tal? Ou Alice? – propôs Clint
–Amanda era o nome da garota que me jogou em uma lixeira na quinta série. –contei – E Alice é muito parecido com Alicia, que atualmente é meu nome falso. Vai ficar estranho no hospital e eu não gosto de Alice no país das maravilhas. E ela vai ouvir piadinhas sobre isso a vida inteira.
Geral concordou comigo. Falamos mais uma nação de nomes e achávamos problemas em todos.
–E Luna? – soltou Steve – Luna é bem delicado, tem um belo significado e é universal. Que tal, Isa?
Torci o nariz.
–E correr o risco de ser uma lunática, e ter esse apelido?
–É verdade a Luna Lovegood de Harry Potter era chamada de lua. – analisou Sam – Por que não Stella?
–Ai Stella é divo! Luxo total! – bradei – E tem música...
–Nãããão! – papai me interrompeu de cara feia – Sempre que ouço Stella vem na minha cabeça uma costela.
–Que bobeira!
–Bobeira nada, Isa. – replicou – Toda vez que eu olhar a menina vou lembrar de uma costela. Não, não mesmo. Sem Stella.
Bufei injuriada. Argh! E eu que pensava que o parto seria a parte mais difícil da gestação.
–Quer saber vou ligar a rádio, vocês me dão tédio. – rezingou Romanoff a chatonilda
E ela ligou a rádio e advinha o que estava tocando? Beatles.E a música era Anna (Go to Him)
Ficamos ouvindo a música por um segundo:
♪Anna,
Você veio e me pediu garota
Pra te liberar, garota.
Você diz que ele te ama mais do que eu
Então eu te libertarei
Vá com ele (Anna)
Vá com ele (Anna) ♪
Senti o bebê baderneiro me chutar e coloquei a mão na barriga sorrindo. Anna havia me chutado. Anna! Anna Joy Rogers a nossa bebê alegre e bagunceira. Anna! Simplesmente Anna! Existe nome mais bonito, simples e de boa gente como Anna? Conheço varias Anas e Annas e todas são valentes, guerreiras e bonitas. Sem contar que a pronuncia inglesa, Enna, deixava o nome ainda mais charmoso e parecido com Emma que gosto, mas que no Brasil é isso aí:

Steve me puxou pela mão para dançar ao som dos Beatles. Estávamos felizes com Olivia, Flora e Anna nossas pequenas irlandesas.
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No dia seguinte Dominika acordou inspirada e decidida a tricotar coisinhas rosa para as meninas. Pedi que não fizesse tudo igual, podia até ser o mesmo modelo, mas em cores diferentes, afinal são pessoinhas diferentes e isso dá para ver até dentro da barriga. Anna é a baderna em forma de feto, Flora é a mais tranquila e tem horas que eu me desespero com a monotonia dela e Olivia está sempre se mexendo, mas não tanto quanto Anna. Anna não para quieta nunca. Anna era alegria pura, por isso Anna Joy. Tenho medo da Anninha. Imagina se ela for assim pra sempre?
Enfim, enquanto Domi fazia mimos para as tri, Steve e eu nos disfarçamos (saco cheio de me fantasiar fora do carnaval, sério!) e fomos para o centro de Dublin comprar o carrinho das crianças. Carrinho e fraldas... De pano. Não consegui tirar essa ideia nojenta da cabeça dele então deixei bem claro que ele ia lavar vinte e poucas fraldas sujas de cocô por dia. Muita coisa né? Mas, é problema dele. E sabe que elas são até bonitinhas? Parecem calcinhas e têm várias estampas e –pasmem- vem com absorventes. As criaturas nem nasceram e já têm absorventes. Obvio que não são como os absorventes para mulheres, mas são parecidos. Segundo a Dra. McCarthy ele é até mais seguro para a pele sensível de um recém-nascido. E ainda tem o fato de serem mais econômicas, pois são anatômicas. As meninas vão poder usar a mesma fralda até os dois anos.
De qualquer forma comprei alguns pacotes das descartáveis, pois sei que vai chegar o dia em que as sessenta fraldinhas de pano vão estar sujas e ninguém vai ter coragem de lavar.
Com as fraldas nas mãos chegou à parte mais difícil: Carrinho.
Fui com a ideia de comprar um daqueles carrinhos triplos, mas logo descobrimos três imensos problemas:
Os carrinhos com acentos lado a lado são da largura de uma mesa de quatro cadeiras e com quase trinta quilos.
Os no estilo trenzinho, um atrás do outro, são muito compridos e não fazem curva.
O vendedor disse que colocar três bebês no mesmo carrinho seria ruim, porque se um acordasse todos acordavam. E se eu quisesse deitar todos teriam que deitar. Isto é, a que quisesse dormir já seria a irmã chata e encrenqueira desde o berço.
Decidimos então comprar individuais assim se uma chorasse poderíamos levar a bichinha para longe. Será que elas vão acordar ao mesmo tempo? Deus me livre de um coral de gritos de madrugada.
Perambulamos por lojas e lojas atrás do carrinho perfeito até que me deparo com a linha diva da Hello Kitty e piro.

–É Esse!Olha que lindo todo branquinho! – surtei apaixonada pelo mini automóvel — É com certeza esse.
–Você já viu o preço destes carrinhos? – Steve se indignou – É muito caro como vamos comprar três? E elas não vão caber aí por muito tempo.
–É porque está com o Moisés, senhor. – explicou o vendedor tirando o tal Moisés, colocando a cadeirinha de carro e depois instalando outro negocio – Após os seis meses é só trocar para este acento, que vem junto e voilá...

–Não tem jeito, tem que comprar é muito bonito e confortável. – repeti com os olhinhos brilhando — Elas vão viver nestes carrinhos praticamente. E nem são tão caros a gente é que é pobre. – brinquei – No Brasil um carrinho desses custaria muito mais caro.
–Realmente, tudo no seu país é um absurdo. – ele teve que concordar com nossa triste realidade.
Para se ter uma ideia um kit com cinco fraldas de pano que compramos por U$ 13 no Brasil custa quase R$ 60. É ou não é uma sacanagem com o povo brasileiro?
–Vem cá não tem desconto se levar três pacotes com carrinho e bebê conforto, não? – perguntei ao vendendo
–10 % de desconto à vista então sai por U$ 699,90 cada kit com bebê conforto,Moisés e carrinho.
–10%? Ah deixa de ser mão de vaca, cara...
–Allie! – bradou Steve chocado
–Que foi? Eu em vamos levar três carrinhos e esse sujeito me dá 10% de desconto? 30 ou eu compro no concorrente.
Ao meu lado Steve estava prestes a cavar um buraco e enfiar a cara dentro. Americanos não tem o costume de pechinchar... Otários.
O vendedor comprimiu os lábios, pensativo.
–Vou ver o que posso fazer com o gerente. – disse ele se retirando
–Pra quê isso Isa? Que horror! Eu ia comprar tá legal? – cochichou em tom ranzinza
–E vai comprar. Só que mais barato... Olha o vendedor aí...
–Consegui por 499, negócio fechado?
Fiz uma careta debochada para Steve que rolou os olhos.
–Fechado! – respondeu
Com os carrinhos saindo mais baratos (graças a um pequeno esforço!) sobrou dinheiro para comprar outros itens importantes como:
E as saídas de maternidade que nosso caso usaríamos um pouquinho mais (ou talvez nem usássemos na maternidade!) por serem prematuras.
NOVE SEMANAS DEPOIS
♪ Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará
A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo
Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar ♪
Basicamente tenho vivido a musica a cima: tentando não me enganar – e nem me importar – com o fato das coisas nunca mais voltarem a ser como antes.Durante toda minha vida detestei mudanças, surpresas e aqui estou eu tendo que depender de todo mundo pra tudo , sofrendo as maiores mudanças que uma mulher pode ter na vida e estou feliz com isso. Ou ao menos estou tentando estar.
Esta semana, no dia em que completamos 28 semanas (sete meses!), fizemos outra ultrassonografia para ver como andavam as coisas com as garotinhas. E felizmente elas estão todas muito bem e crescendo bastante. Anna esta com 1,005g, a Olívia com 950g e a Flora com 855g. A Florinha é a menorzinha, mas a médica disse que ela esta dentro do peso para a idade gestacional. Aliás, as três estão com tamanho e peso de uma gestação única, o que me deixa tranquila... Sinal que a hospedagem aqui está boa hahaha. Nosso maior problema não é elas pararem de crescer, mas sim nascerem muito cedo.
Os dias têm sido meio tumultuados ultimamente... O medo batendo, o cansaço também e dormir tornou-se impossível com essa barriga imensa e pesada. A barriga ta gigantesca, já tá difícil me locomover, o peso é extremo... Pra levantar da cama preciso de guincho (Steve rs). Porem tento dizer a mim mesma que vai valer a pena e sei que vai. Só falta mais dois meses.
O que mais me aflige é o medo. Medo delas não nascerem com um peso bom (com pelo menos 2 kg), com os pulmões muito frágeis... E o pior de tudo: de não nascerem. Tenho muito medo de a SHIELD aparecer nas próximas semanas e Sharon acabar me matando. Estranhamente não tenho medo de morrer. Tenho medo delas morrerem.
E este medo alcançou um grau extremo no dia de Steve partir para Botswana atrás de Coulson.
–Eu não sei se devo ir. – repetia o Capitão a mesma frase pela milésima vez – Você... Eu tenho medo das meninas nascerem antes deu voltar.
Eu também tenho!, pensei em responder.
–Vai ficar tudo bem, Steve. Elas estão bem aqui dentro e é por elas que você precisa pedir ajuda ao Phil. – tentei parecer corajosa – E não estarei sozinha Domi, Sam e Natasha vão comigo.
–Desculpe atrapalhar, contudo o avião já está queimando combustível. – Clint apareceu mancando
Tive um mine ataque cardíaco.
– Espe-Espera! –exclamei – Você também vai? – eles concordaram. – Como assim? Barton você ainda está mancando e está fraco como vai...
–Estou mancando, mas forte o suficiente para dirigir um jato e dar uns chutes na bunda de quem passar pela minha frente.
Steve parecia nervoso com isso tudo.
–Ele é o único que sabe pilotar além da Natasha. E como ela está mais forte, prefiro que fique aqui com você caso algo aconteça... O que não vai acontecer. – justificou Rogers
–Vou deixar vocês se despedirem. – se despediu o outro – Não se esqueça da hora, Rogers!
Sozinhos, eu e Steve nos abraçamos pesarosamente. Acho que a única coisa que pode descrever nos dois neste momento é o medo. Medo e impotência. Eu era uma grávida de alto risco, com a barriga imensa e as pernas inchadas que estava sendo caçada por uma agencia de psicopatas. E agora eu estava sozinha.
Como eu fugiria se me encontrassem se nem posso ir até a cozinha com as próprias pernas? Como eu vou manter três vidas a salvo se eu estou em meu limite?
Steve começou a hiperventilar de tanta tensão então encostei meus lábios nos seus,fazendo uma leve pressão, em uma tentativa de acalmá-lo. Steve se afastou segurando minha face com as duas mãos, lançando-me um olhar de pavor.
–Se você disser para eu ficar eu fico. – sussurrou – Eu fico. Fico com vocês.
Neguei com a cabeça no automático.
–Eu quero que você fique, amor. Acontece que Anna, Flora e Olívia precisam que você vá atrás desse homem e o informe sobre o que está acontecendo conosco. Não é por mim é por elas. Eu posso aguentar por mais um ano, mas elas não. Elas precisam de um lugar seguro e calmo para viverem.
Ele fechou os olhos, respirando o ar profundamente.
Steve foi em direção ao avião e resolvi sorrir para ele. Precisava passar força.
–Ei Steve! – gritei ao recordar de algo interessante – Fé, esperança e alegria. Não se esqueça dessas três palavras. Viva dessas palavras.
Ele sorriu para mim ficando um pouco mais feliz.
–Volto em dois dias, queridas. — respondeu
Tudo isso são para elas; para Fé, Esperança e Alegria.
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Dia seguinte
Amanheci com uma dor no baixo ventre, como se fosse uma cólica menstrual mais forte que o normal. Antes que pudesse entrar em pânico relembrei do que a obstetra tinha dito:
–Não se preocupe se sentir uma pressão na barriga ou algumas cólicas. Isso é normal. São as chamadas contrações de treinamento e se estiverem bem espaçadas e indolores, ou como a dor de uma cólica menstrual, não se preocupe.
Passei a observar e elas estavam dando um tempo de vinte, trinta minutos entre cada uma. Despreocupei-me.
Na parte da tarde senti mais duas contrações e comecei a inchar horrores. Acho que nunca tinha ficado tão inchada. Pernas, pés, até o rosto estava enorme.
–Ai meu Deus você não está bem! – se apavorou Sam – Caralho o Steve vai me matar se essas gurias nascerem.
–Calma, Sam, chame a Domi... Isso é normal. – ponderei porem estava em pânico por dentro. Parecia que eu tinha engordado uns cinco quilos em poucas horas.
Domi chegou correndo com os gritos do namorado.
Enquanto isso Natasha assistia televisão, se lixando para o meu estado de saúde. Vaca!
–Isa isso não é normal. – Domi disse o óbvio – Acho melhor irmos para o hospital.
–Não Dominika. Isso vai passar e eu vou desinchar, você vai ver.
–Isadora...
–CHEGA! EU ESTOU BEM! – quase berrei
–Não você não está...
–Vão pro caralho vocês dois, porra! – grunhia a ruiva sem desviar os olhos do televisor – Se ela é que tá sentindo a porra da dor e não quer ir ao médico, então a deixe em paz. Que merda!
Bicha boca suja! Mas, ela tinha razão. Eu ia ficar bem. Vai que eu vou pro hospital e resolvem fazer o parto (que eu tô morrendo de medo!).
Lá pelas quatro da manhã comecei a sentir as tais contrações de novo... Nas primeiras com um intervalo de 20min mais ou menos, depois começou a ficar bem mais frequentes até que chegou a me dar com intervalo de 5 minutos. E estas estavam doendo horrores. Minha barriga ficou dura e parecia que todas estavam querendo sair dali ao mesmo tempo.
Respirei fundo. Aquilo ia passar. Tinha que passar. Era cedo demais para elas nascerem... E tenho medo da cesariana ainda mais sem o Steve. E ali estava eu tentando fazer as dores passarem com a força do pensamento quando faróis iluminam a janela do quarto. O efeito foi quase dramático (se não fosse apavorante!) quando o interior escuro do meu quarto foi tomado pela luz fria de cromo.
Gelei da cabeça aos pés. Com um esforço fora do comum me encaminhei até a janela.
A porta do quarto se abriu. Era Sam com a arma na mão seguido pelas duas mulheres da casa.
O único homem da casa fez sinal para que eu o acompanhasse em silêncio até a janela principal, na sala. Abafei um grito de dor no momento em que fui atingida por outra contração.
Tudo bem, estas não eram contrações de treinamento.
Um barulho forte vindo dos céus nos deixou ainda mais tensos.
–Isso é..
–Um helicóptero. –completei a frase da russa
A medida que nossos olhos se acostumaram com a luz forte que invadia a casa pudemos perceber o que víamos realmente do lado de fora.
–São carros... Muitos, muitos carros. – sussurrou Dominika
–Da imprensa. –adicionou Natasha
–E da SHIELD. – acrescentei entrando em estado de choque.
–Acho que essa não é uma recepção de boas vindas. – murmurou Sam, o maior eufemismo da noite.
Todos estávamos hiperventivantes. O que mais temíamos aconteceu.
Uma nova e incrivelmente forte contração me atingiu e não pude evitar um grito agudo, caindo de joelhos no chão.
Dominika arregalou os olhos em minha direção, espavorida.
–A-A-Acho...Acho que... Que... Que vai nascer. – usei o que restou de minhas forças para informar o resto do pessoal de que as coisas estavam ainda piores.
–Atenção manipuladores vocês estão cercados. Saiam agora da casa ou invadiremos! –o som de uma repugnante e conhecida voz feminina vinda de um megafone irrompeu as paredes da sala.
Estávamos cercados.
E sem Steve.
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