Ainda É Cedo

36 As Damas das Reclamações


Notas iniciais
OOOi oi galera!!*---------* Cheguei com capítulo novo feito com carinho para vocês!! Agradecendo novamente as lindas que sempre comentam e também venho aqui, publicamente, pedir desculpas para a Queen B, porque o Nyah simplesmente a bloqueou e me acusou disso kkkkkkkkk. Pois é, eu achando que ela tinha desistido da fic e a pobre não conseguia se comunicar kkkkkkkkkk #Aperto. Ah e aproveitando vou dar um "seja bem vinda" a Abby Rushell que foi a pessoa que Deus usou para me avisar do ocorrido com a Queen kkkkkkkkkkkkkkkk. Valeu Abby!! Enfim, espero que gostem e comentem!! PS: Agradecendo aqui a Blik (que também atende por Blinda, Blerfeita e vez ou outra Karolina rsrs) pela capa nova da fic!! Obrigada flooooor!!

Estes deveriam ter sido os dias mais felizes de nossas vidas e em muitos aspectos eles foram. Agora éramos realmente uma família. Eu, Isa e nossas lindas e saudáveis trigêmeas. Porem, a alegria que minhas filhas trouxeram foi abalada pelo nível de estresse de Isadora. Uma hora ela estava ótima, lidando despreocupada, com os desafios e responsabilidades de ter três crianças totalmente dependentes dela e me tratando da forma carinhosa que sempre tratou. Em outras, sem aviso prévio, se tornava sombria, deprimida, introvertida e extremamente violenta.

Sua paciência curtíssima fazia com que qualquer coisa (qualquer coisa meeesmo!)a fizesse ter um ataque.E em meio a isso tudo havia uma boa e uma má notícia.

A boa notícia é que ela jamais descontou sua ansiedade (ou sabe-se lá Deus o quê deu nela!) nas meninas. Muito pelo contrario, Isadora cuida das três com obsessivo cuidado e paciência. A má notícia é que o estresse passou a ser descontado em mim... E em todo mundo que passasse em sua frente.

– Dá pra calar a boca dessa criança pelo amor de Deus? – Natasha com sua habitual sensibilidade, comumente encontrada em caminhoneiros e mecânicos, adentrou em nosso quarto – Que Inferno! Estou tentando bolar um jeito de arrumar um carro e essa coisinha rosinha fica gritando.

Peguei Lili no colo, ninando-a.

–Natasha você não precisa chegar gritando toda vez que uma delas chorar, entendeu? Nós também ouvimos!

Atrás de mim Isa amamentava Anna, tranquilamente, não dando a mínima para a estupidez da russa.

–E porque não calou a boca dela?

Respira fundo, Steve!, disse a mim mesmo.

Fiquei quieto. É obvio que ela quer me irritar, ela sabe que não deu nem tempo de chegar ao carrinho e ela já entrou gritando. Olhei para Lili que soltou um daqueles gritinhos enquanto mexia as mãozinhas. Ótimo! Fiquei mais calmo.

–Em? Agora vai ficar calado? – Romanoff não desistiu. – Se essa garota me atrapalhar eu juro que venho aqui e jogo ela da janela.

–Ah claro! Com certeza, você vai viver pra fazer isso! – Isa debochou – Vai cagar no mato, vai Natasha! Brincadeira não! Ô mulher chata!

–Ah eu sou chata?

–Vaza! – ordenei e sobre protestos ela vazou.

Fiquei em silêncio por mais alguns minutos com certo medo de falar com a outra adulta do quarto e ser fuzilado. E enquanto eu colocava uma Olívia adormecida no berço, eis que uma pergunta me preocupa:

–Steve você já lavou aquelas malditas fraldas “ecológicas” que fez tanta questão de comprar? Não é por nada é que nós vamos embora ainda hoje. Você lavou, secou e colocou na mala delas?

Nãããão! Eu esqueci completamente disso!

–Sim. – respondi, disfarçadamente saindo do quarto.

Mas, acho que não sai tão à francesa assim, pois ela levantou da cadeira furiosa.

–Você não lavou. – ela afirmou, a voz tremula de raiva, colocando Anna junto às irmãs. –Nem isso você fez. Tudo bem, eu lavo... Deixa que eu lavo. Até porque eu não tenho quase nada pra fazer, certo? Posso até ir jogar conversa fora com os enfermeiros e o Sam...

–Não Isa, isso não. – cortei a ironia dela, irritado — Por favor, não venha jogando isso na minha cara! Eu não saí sem falar com você na noite passada. Eu pedi sua permissão e você disse que ia ser bom eu passar um tempo com outros homens e sem ter que trocar fraldas.

–Permissão Steve? Ah pelas barbas do profeta! E eu lá tenho que te dá permissão pra alguma coisa? Você não é meu marido e se você foi cara de pau ao ponto de cogitar sair em uma noite em que Anna não parava de reclamar de cólicas e me deixar sozinha com três bebês... O que eu poderia fazer? É OBVIO QUE EU DEIXEI VOCÊ IR! Você estava surtando aqui dentro e eu não queria que caísse sobre mim essa responsabilidade.

Tive que rir. Eu estava surtando? EU?

–Então porque não disse que não queria que eu fosse? –perguntei bravo

A essa altura, Isadora já estava aos prantos mal conseguindo respirar. Temendo que uma das crianças acordasse, a puxei pelo braço até um consultório. Ela se soltou de mim de forma violenta.

–Você é um idiota, Steve.

–Idiota por quê?- rebati enfezado – Por não ter lavado as fraldas ou por ter saído ontem?EU VOU LAVAR ESSAS DROGAS! E você quer me acusar de estar surtando? Francamente Isadora! Se olhe no espelho, olhe como você vem tratando todo mundo nas últimas sema...

NÃO PRECISA LAVAR NADA!- me cortou histérica. Os olhos vermelhos e marejados, apontando o dedo indicados para mim — Eu lavo. Eu faço tudo porque sempre eu que tenho que fazer tudo, não é? Você não me ajuda Steve! Ontem eu passei três horas com Anna gritando de cólicas e a Dra. Nina não pode fazer nada. Ela passou um remédio e o remédio não fez efeito. E se não bastasse o choro dela impediu as outras de dormir e as três ficaram em prantos enquanto você conversava sobre como o Patriots jogou mal na ultima partida. – resmungou imitando uma voz afetada – Mas, tudo bem não é? Eu sou a mãe, eu devo fazer tudo sozinha enquanto você...

CHEGA! – gritei. Agora o descontrolado era eu. – Sei que você está cansada e estressa e sobre carregada e tudo mais. Eu sei de tudo isso. Agora não venha dizer que sou um pai relapso e que não tenho te ajudado, pois tenho feito tudo que posso. Desculpe se não lavei essas malditas fraldas, mas... Eu esqueci, caramba! Eu sou humano, sabia? Eu também me esqueço das coisas e eu também...

–A cala a boca, Steve!A questão não são as fraldas, seu imbecil! – me interrompeu possessa – A questão é que você não me ajuda. Você me atrapalha. Veja só na tarde passada quando você foi tentar trocar a fralda da Flora e não fechou direito. Resultado: O xixi vazou, sujou o vestido de crochê e eu tive que lavar. E também tem as vezes que você fica distraído enquanto nina uma delas e tropeça em móveis ou quase as afoga com a mamadeira. Chega digo eu! Eu fiquei com elas na barriga por 36 semanas, engordei doze quilos e depois os perdi muito rápido e de uma forma nada saudável com essas noites sem dormir e sem comer tendo que me multiplicar por três. – ela se interrompeu por um minuto. – Olha quer saber... Esquece. Só não me atrapalhe mais. Esquece! Esquece! Esquece! Eu faço tudo! – Isa ficou repetindo a palavra “esquece” com um olhar e uma voz sinistra enquanto saia do quarto.

Soltei um berro de frustração sentando em uma cadeira próxima. Completamente desolado. Vamos e convenhamos eu sou um fracasso no quesito “pai de família”. Não é tão simples como os filmes e livros mostram. Por mais que eu tente sinto que não estou fazendo o bastante pelas minhas filhas e muito menos pela minha namorada.

Ainda tem o fato de que temos que sair daqui hoje e encarar a estrada sem destino e segurança. E não temos carro ou dinheiro. Mal temos roupas... E nem esperança. Começamos a vida com poucas obrigações. Prestamos juramento à bandeira. Prometemos devolver os livros da biblioteca. Mas quando ficamos mais velhos, fazemos votos, promessas, ficamos sobrecarregados de compromissos. Não fazer o mal, dizer somente a verdade, cuidar e amar até que a morte nos separe. Então continuamos correndo atrás do que devemos até devermos muito a todo mundo.

E aqui estou eu sem coragem de abrir essa bendita porta a minha frente, erguer a cabeça e enfrentar o que me espera do outro lado. Não que eu esteja arrependido de algo, longe disso, só estou... Farto. E sei que Isadora está muito mais que eu.

Não que eu a esteja cobrando ou com certo ciúmes da atenção que Anna, Flora e Olívia recebem dela, contudo sinto falta da Isa de antes. Sinto agora a sensação que senti quando despertei após setenta anos: a percepção de olhar ao redor e não reconhecer nada. Nada mesmo.

Uma batida de porta interrompe minhas reflexões.

–Ei Capitão tenho boas notícias! – bradou Sam, contente. – IIIh que cara é essa meu chapa?

Dei um sorrisinho amarelo.

–Briguei com a Isa.

–De novo?

–Sim. E ela tem razão. Mas, diga-me a boa notícia.

Sam sentou-se a minha frente.

–Sabe o Dr. Sherman que é seu fã, tipo, número 1 dada às circunstancias?

–Aham. – concordei zero animação para saber o que o médico havia feito.

–Ele simplesmente, pasme, deu o Hyundai Santa Fé dele para nós. – levantei o olhar chocado. – E calma que não acabou por aí...

–Tem mais? – perguntei perplexo com a generosidade gratuita

–Eles fizeram uma vaquinha e arrecadaram três mil dólares para a gente. Não é uma maravilha?

–Meu deus! – foi a única coisa que consegui dizer – Isso é sério?Não vamos ter que assaltar ninguém?

–Claro que é! – Sam rolou os olhos, levantando-se da poltrona – Anda chega de rolar o leite derramado, levanta daí que como a Isa diz “o tempo ruge e a Sapucaí é grande”.

Tive que rir da citação.

–Tudo bem, vamos. Temos que instalar as cadeirinhas no carro. – concordei.

Sam explodiu em uma gargalhada. Não entendi o motivo.

–Que foi?

– Nada, é que é engraçado ouvir o Capitão América falando sobre bebê conforto. Você é um cara de sorte.

–Você acha?

Sam olhou pra mim como se fosse óbvio e riu.

–Enquanto eu vinha pra cá Clint estava babando uma de suas filhas, não me pergunte qual, e aquela coisinha branca, careca e fofa sorriu para mim e para ele. E o mais inacreditável sorriu para a Natasha. – relatou – É tão... Puro. Elas não se importam se eu sou negro, se a Natasha é russa ou se o Clint é um assassino. Elas simplesmente... Gostam da gente. Suas filhas são tão lindas, delicadas e engraçadinhas com aqueles “buu” e os gritinhos de alegria. Eu queria ter uma filha. Nunca tive nem irmão. – ele deu soquinho amigo em meu ombro direito – Você tem três e ainda tem uma namorada gata. Você é oficialmente um cara de sorte.

O segui pensando no que Wilson havia dito. Não parece justo eu reclamar de alguma coisa. Passei por Barton que fazia caretas para Anna (ou Olívia? Ou Flora?) que ria sem parar.

–Capitão sua filha é muito incrível! – babou ele – Né Ann? – comemorei internamente por ter acertado qual era. Um dia fico craque! – Anna! Ti fofa do tio. Dá risada dá? – A.J babou soltando seus costumeiros berrinhos que eu e Isa costumávamos traduzir para “Yeah!” – Totosa!Pinxeginha ninda!

Clint fingia que ia morder as mãozinhas dela e ela se divertia como se estivesse no circo de Solei. Coloquei o rosto próximo ao dela e ela colocou um dedinho no meu nariz, fazendo-me rir.

–Oi minha linda! Onde estão suas irmãs?

Mabu! — respondeu ela rindo. Incrível como ela (e as outras duas!) tinham a mesma covinha na bochecha que a mãe. Reparando bem elas sorriem muito igual a Isa.

–Com Mabu ela quer dizer dormindo com a mamãe. – traduziu o Gavião – Anna tem certa dificuldade de parar de rir. Ela fica rindo, rindo e não dorme.

Eu ri.

–Eu sei... Ela é intensa. Bom, fique aí com ela que vou atrás do Dr. Sherman. Ficou sabendo do que ele fez?

–Do carro e do dinheiro? Sim, ficamos né pequena? – o sujeito desviou a atenção para o bebê – O Tio Sherman é um cara muito legal não é, Anna Joy? Rogers acho que vai ter muito trabalho com essas meninas daqui a uns quinze anos.

–Por quê?

–Com os genros... Elas são muito encantadoras. Uma não para de rir, a outra não para de fazer carinho e a terceira é bravinha e mulher bravinha é um charme. Tá aí Natasha e Isadora que não me deixam mentir.

–Genros? – repeti apavorado – Eu não vou ter genros. Cala a boca, Clint!

Segui meu rumo de cara feia enquanto o arqueiro morria de rir junto a minha filha mais velha.Genro! Tá maluco! Vou ter que morrer primeiro.

Alguns corredores a diante encontrei Isa, Romanoff e os simpáticos e prestativos médicos.

–Ai está nosso herói! – bradou Natasha sarcástica – Ótimo. Agora podemos ir? Onde está Clint? Não me diga que ainda está com aquela ararinha.

Wollscheid lançou-lhe um olhar gelado.

–Senhorita Romanoff, por favor, não estresse a Isadora. – implorou Nina

–Obrigada Doutora – a vítima da ruiva endemoninhada agradeceu – Tudo que eu não quero é me estressar. Conseguimos um carro, as cólicas das bebês parece ter diminuído e temos pouco tempo para chegar a China.

–Eu ainda preciso lavar as fraldas. – me lembrei do que eu já estava esquecendo... De novo.

–Eu já lavei querido. – retrucou ela com o antigo e temido querido do ódio. – É só você instalar as cadeirinhas no carro. Já fez isso, querido? Ou o meu querido prefere que eu mesma desça as escadas com as cadeiras?

Droga! Distrai-me com Clint e Anna e não trouxe as benditas cadeiras. Preferi não correr o risco de responder “não amor eu ainda não instalei”,então, rapidamente agradeci ao gentil homem e fui instalar os benditos assentos.

Após uma hora agradecendo todo mundo que nos ajudou nos três meses que ficamos aqui e juntando toda a parafernália das crianças finalmente estávamos dentro do Santa Fé prontos para seguir viagem.

Dessa vez um veículo de sete lugares não foi tão espaçoso para nós, pois as meninas ocuparam com suas cadeirinhas todo o banco do meio. Então, sobrou para Clint, Natasha, Sam e Dominika se espremerem no banco traseiro enquanto Isa e eu íamos de motorista e carona respectivamente. Preciso dizer que Romanoff reclamou que as “malditas trigêmeas” acabaram com seu conforto? E que nos acusou de sermos “comunistas de merda”? Que bom que não.

Ao menos as três dormiam profundamente. Dez minutos se passaram e ainda estávamos parados olhando para o nada.

–Tudo bem vamos ficar parados nessa porra até uma diabinha acordar? – adivinha quem foi a primeira a reclamar?

–Nat colabora. – murmurou Barton ao seu lado – Não está fácil para ninguém, amor.

–Colabora o caralho, Clint! Você já reparou no atraso que a “família Rogers” – apontou os embrulhinhos cor de rosa no banco da frente – Está nos causando? Pelo amor de Deus! Ficamos um ano na Irlanda sem fazer porra nenhuma até a SHIELD entrar e acabar com tudo. E eu ainda levei um tiro daquela ridícula da Hill.

–Eu também levei um tiro e nem por isso estou dando um ataque de pelanca em um momento como este. – replicou Domi visivelmente exausta com as reclamações inoportunas – Poxa, você não se manca não garota? Acha que alguém aqui quis que alguma coisa acontecesse? Claro que não! Imprevistos acontecem, só não dá pra ficar ouvindo suas lamentações o tempo todo.

–Olha aqui latina do inferno...

Barton onde acha que devemos começar a procurar Banner e Chan? – usei um tom de voz firme para encerrar as discussões.

As duas encrenqueiras pareceram entender o recado.

–Último registro que tenho é dela em Xangai. Acredito que deveríamos primeiro sair da Irlanda.

–Como? – quis sabe Isa – As fronteiras estão bloqueadas e já estamos a tempo demais parados enfrente essa clínica. Tem olhos persas em todo lugar.

Rolei os olhos para a constante comparação com o reino medo-persa.

–Lá vem você com essa história de persas de novo. – resmunguei

–Ah que é? Vai defender os persas – enfatizou provocativa — Agora? Isso que dá anos no serviço militar.

–Gente não vamos brigar agora. Tá apertado pra caramba aqui e daqui a pouca essas gurias vão acordar – lamentou Sam comprimido contra a janela esquerda.

Passei a mão pelo rosto tentando não ter um colapso nervoso. Tamborilei o volante... Nada. Nada me acalmou. Tive que usar o tom mais cínico possível e dizer:

– Desculpe amor o que você quer dizer com isso?

Ela devolveu o cinismo.

–Ah querido só quero dizer que depois de passar anos no exército, que para mim é uma das atitudes mais burras que alguém pode tomar na vida, as pessoas tendem a levar esse negócio de amor a pátria a um nível extremo. Tipo, tipo Hitler assim.

Fiquei boquiaberto.

–Como é querida?

–Isso mesmo. Passar anos seguindo ordens de pessoas sujas e “morrendo pela pátria”... Não vou me estender no assunto já conversamos sobre isso antes.

–Anarquista! – rosnei

–Militar!

–Isso não é uma ofensa querida...

–Ei! – gritou Romanoff. Ótimo, Flora acordou – Parem com essa estupidez antes que a SHIELD nos encontre aqui. Barton para onde devemos ir?

Isadora fez uma manobra no banco para acalmar Flora antes que ela “ligasse a torneirinha”.

–Rogers devemos seguir para Cork, um cidade portuária que costuma fazer travessias de veículos comerciais em balsas. Acho que podemos fazer isso. Da Inglaterra damos um jeito de zarpar da Europa. Acho que por Cork é mais seguro.

–Qual a distância para Cork? – Wilson se desesperou – Não me diga que é outra jornada como a que tivemos para pegar o avião em Alvorado?

–Não. São 255 km que cruzamos em duas horas e meia.

Pisei no acelerador. Felizmente a primeira hora de viagem foi tranquila, tirando o fato de que eram três da manhã e com exceção das crianças e de Isa ninguém ali tinha um espaço confortável para dormir. Eis que faltando uma hora para chegarmos ao destino as três (as três!!) acordam aos berros com fome.

E começa a maratona: Dá mamadeira pra Lili, dá mamadeira pra Florinha, dá mamadeira pra AJ. Anna começa a sentir cólicas. Espera melhorar. Espera elas golfarem. Espera elas pegarem no sono. Espera Natasha parar de reclamar (não vai acontecer nunca!), espera Isa não gritar comigo e. Uma hora e meia depois conseguimos seguir viagem.

Seguimos, sei lá, mais sete quilômetros e Flora começou a chorar... Fralda suja! Para o carro — de novo – e dessa vez era minha vez de trocar o neném. E em cima do para-choque do carro, porque esse é o melhor lugar para fazer isso. Quando finalmente minha pequena flor estava limpa, a mamãe aparece com outra no colo:

–Sua vez. – comemora – Troque as fraldas das outras duras.

Enquanto isso Romanoff xingando Deus e mundo dentro do carro. Mais uma hora perdida. O sol já ia nascendo e não tínhamos chegado a lugar algum. A viagem que só levaria duas horas já havia se estendido a pouco mais de cinco. Mas, tudo bem.

–Okay, chegamos à zona portuária de Cork. Como vamos conseguir passar por estes guardas sem sermos reconhecidos? – inquiriu Domi

–Temos bebês aqui. Isso vai facilitar. Domi pegue esse lençol aí atrás e os óculos escuros. – instruiu Isa

–Lençol?

–Isso você vai de muçulmana. Ponha isso... Natasha faça algo útil crie uma burca para Dominika e entregue a ela Flora. Domi faça uma chantagem emocional com algum guarda, chore se for preciso, mas consiga que passemos com o carro. – a menina das boas ideias voltou – Diga que está no carro com seu marido e que precisa ir para Inglaterra levar sua filha para... Não sei... Inventa algo comovente. A Irlanda não é brigona como Rússia e Estados Unidos, não vão ficar de frescura querendo passaporte e tudo mais se você for uma boa atriz.

Enquanto Isa dizia o que tinha que ser dito, a russa “delicadamente” quase enforcava a pobre morena com o lençol. No fim ela realmente parecia uma mulher islâmica. Entregamos nossa fadinha adormecida ( que era a mais calma) a ela e ficamos a observar seu papo com o policial.

–Tá indo bem olha. – apontou Sam – Tá chorando horrores. Só falta acordar a pobre da criança.

–Atuação digna de Fernanda Montenegro, Gloria Pires... Tá indo bem. – observou Isadora

–Bem que a gente podia vender um desses bebês... Nem precisava vender as três. Uma só já dava um bom dinheiro. – a estranha pensou alto.

Fitamos a imbecil, perplexos.

–Puritanos! – lamentou.

Mais dez minutos de papo e a sujeita voltou.

–E aí conseguiu?

Domi fez um mistério, uma careta e por fim:

–Claro que sim, queridinhos. Agora partiu terra da rainha.

Gargalhamos com a brincadeira e lá fomos nós. Se senti saudade da Mongólia, pode ter certeza que sentirei mais ainda da Irlanda.

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Liverpool – Inglaterra

–Bruce eu estou cansada. –confessou Beth – Estamos em uma barraca de camping no meio do mato indo ao cais todo dia há três meses. Três meses, Bruce! Será que não é hora de tomar um semancol e ir embora daqui? Não quero ser a chata reclamona, mas...

Bruce beijou o alto da testa da amada.

–Eu sei querida, eu sei. Também estou cansado e ainda não entendi porque eles não aparecerem, isto é, na TV. Sinal de que a SHIELD também não os encontrou.

–Ou os encontrou e os matou.

–Claro que não, Beth! – ponderou Xiaoli se aproximando do casal – Acredita mesmo que a SHIELD ia encontrá-los e liquidá-los sem antes fazer um show na mídia? Por favor, gente, vocês são inteligentes, é óbvio que eles ainda estão escondidos. Só não sei direito o por que.

–É... Chan pode ter razão. Entretanto acho que podemos procurar em outra cidade. – propôs Bruce

–Há outra cidade portuária a alguns quilômetros daqui, não custa nada dar uma checada.

Xiaoli sorriu para os amigos.

–Tudo bem então, vamos. – disse ela redirecionando-se ao veículo.

A viagem rumo à cidade de Dover seguiu sem grandes imprevistos, exceto pela incredulidade de Elizabeth Ross sobre encontrar os foragidos.

–Me desculpe mais eu vou ter que falar o óbvio. – soltou ela mordendo os lábios fitando pela janela a estrada escura e deserta.

–O que foi Elizabeth? – a chinesa estava começando a se irritar com as constantes reclamações.

–Já pararam para pensar que talvez eles tenham fugido de avião, para, sei lá, qualquer outra parte do mundo senão a Inglaterra? Poxa, pessoal, estamos aqui gastando combustível há meses e...

De repente Bruce freia bruscamente e a força gravitacional lança todo contra os bancos. O motorista abriu um sorriso olhando para algum lugar entre as árvores e a noite.

–O que foi? – as mulheres disseram em uníssono.

Banner desceu do carro sorrindo. Ninguém conseguia entender a graça.

–Doutor o que está...

E a asiática também abriu um sorriso vendo agora o que o outro via.

–Aquele é o...

E Ross também abriu um sorriso.

–É o Gavião Arqueiro! – ela completou – Minha nossa! Minha nossa! Nós o encontramos vamos logo falar com ele.

–Calma, Beth! – sussurrou Chan — Vamos devagar ele não te conhece, pode te dar uma flechada na cara antes que possamos dizer algo.

–Voltemos para o carro para ver a onde ele está indo.

E assim fizeram. Na segurança do veículo puseram-se a observar o homem.

–Ele está pegando tábuas de madeira? – estranhou Bruce e ainda mais quando ele jogou uma sacola no canteiro da pista e retornou para dentro das matas.

– Anda acelera com esse carro. – apressou a chinesa

–Pirou? Se acelerarmos eles vão ouvir o barulho do motor e dar no pé. Vamos a pé.

Ninguém ousou discordar do que Beth disse, então pegaram algumas armas (porque havia o risco de alguém do outro grupo se desesperar e atirar sem perceber quem eram os “visitantes”), alguns casacos e entraram na mata. Não demoraram muito a perceber que aquele era mesmo Clint Barton e um objeto em sua mão despertou o espanto e a curiosidade no trio. Clint segurava uma mamadeira cor de rosa.

Antes que alguém ali pudesse murmurar alguma coisa um choro de bebê foi ouvido e dessa vez um homem negro apareceu com um bebê nos braços.

–Own não chora pequena, sua mãe já volta! – ele dizia a criança – Mas, colabora porque eu tenho um medo horrível de florestas e se você chorar vai acabar atraindo um orangotango pra cá.

–Orangotango, Sam? – gargalhou uma moça morena com outra criança nas mãos – Orangotango na Grã- Bretanha? Logo se vê que você parou de estudar.

–Ah metida! – revidou ele beijando os lábios da mulher.

Bruce e as outras deram um passo para trás de uma árvore no momento em que uma mulher ruiva passou pela mata. Beth engoliu em seco.

–Onde está o Clint? – ela quis saber com uma voz excessivamente autoritária.

–Foi procurar alguma coisa para usarmos de colchão. – respondeu a morena que conversava com o rapaz – Steve disse que vamos passar a noite aqui e no carro não há lugar suficiente para todos.

–Culpa dessas crian...

A ruiva, a quem Bruce identificou como Natasha Romanoff, se auto interrompeu ao escutar o quebrar de um galho na floresta. Um galho quebrado pelo pé de Elizabeth, que desesperada correu na direção oposta.

Os cinco minutos seguintes passaram como um sonho borrado e caótico para Bruce. Ele lembrava-se com clareza de ouvir tiros atrás dele, com as balas zunindo pela folhagem enquanto este corria apavorado atrás da namorada, tentando acalmá-la. Depois disso Bruce não viu mais nada. O outro cara tinha tomado o controle... Outra vez.

Xiaoli estava prestes a ter um colapso. Corria em direção contraria ao Hulk enquanto Beth tentava trazer Bruce de volta e não morrer no processo. Do outro lado, o grupo do Capitão arrumava as coisas apressadamente na tentativa de manter os dois bebês seguros. Meio sem saída ela disparou em direção a um deles que apontou uma pistola para sua testa.

–Calma! Calma,por favor, não atira!– clamou ela em pânico

–Quem é você japonesa? – questionou o homem negro entregando o bebê para uma moça branca e bonita que saia do carro com semblante preocupado. – O que quer aqui?

–Sou chinesa! – corrigiu visivelmente ultrajada.

O sujeito abaixou a arma rindo de canto para a mulher ao seu lado.

–Espera... Chinesa com o Hulk, você só pode ser...

–Xiaoli Chan. – ela se apresentou estendendo a mão – E eu acredito que você deve ser Isadora...

Árvores caíram próximas ao carro interrompendo a fala da jovem. Isadora a puxou pelo braço, colocando-a no carro.

–Entra, entra! Sou eu mesma, Isadora Wollscheid, e juro que estou contente em te ver, mas... – a sujeita engoliu em seco ao olhar pelo retrovisor e visualizar um monstro verde e furioso em seu encalço – Caramba! Como faz para ele voltar ao normal?

Chan não resistiu a uma exclamação de susto ao perceber que não eram dois bebês. Eram três. Os outros ocupantes não deram muita atenção para a perplexidade da cara dela.

–Culpa daquela porra louca made in Moscou! – resmungou o negro que dirigia o veículo – Ah e eu sou Sam Wilson, prazer te conhecer em te conhecer Xiaoli.

Do lado de fora Steve, Clint e Beth tentavam vorazmente chamar a atenção do Cara Verde que perseguia Natasha com fúria.

–Por que ele está seguindo a Natasha?

–Todo mundo odeia a Natasha, Isa. – brincou Sam – E ela começou a atirar, pra variar ela começou esse auê todo aí. Não obedece as ordens do Steve, quer fazer tudo do jeito prático... Quer saber, ela merece ter o Hulk atrás dela de novo.

–De novo?- maravilhou-se Wollscheid

–A ouvi falando com Clint sobre “seu único medo”. E algo me diz que ela está vivenciando seu único medo de novo.

Os dois gargalharam gostosamente.

–Ai como é bom ver quem a gente não gosta se dando mal. – suspirou a moça

–Aham, er... Tudo bem. – sussurrou Xiaoli achando tudo aquilo bizarro – Eu sei como acalmá-lo, quer dizer, a Beth sabe.

–E como faz? – quis saber o motorista

A oriental abriu as janelas e começou a gritar para Rogers:

–Ponha Elizabeth em um lugar alto o suficiente para que ele a veja! Essa tonta já devia ter dito isso...

Sam freou o carro em uma distancia segura.

–Eu já disse! – uma voz chorosa retrucou – Estamos tentando! Fujam daqui!

Wilson arrancou em disparada.

Isa olhou para trás para ver como estavam as filhas. Surpreendente elas ainda dormiam em meio ao caos, contudo faltava alguém naquele carro.

–Sam! – berrou – Cadê a Dominika?

O carro derrapou na estrada na manobra feita pelo namorado que esqueceu a namorada no meio da floresta.

–Uma morena que estava com uma... Vocês têm três bebês?

–Sim essa mesma. E não esses bebês não são meus, são delas aí. – apontou Isa – Onde você a viu?

–Lá atrás fugindo junto aquela... Como é mesmo o nome? Natasha, certo? – tentou lembrar.

Todos no carro tiveram uma sincope nervosa. Olívia acordou chorando. Em segundos as irmãs também.

Isadora entrou em pânico assumindo o volante enquanto um Sam espavorido e preocupado desceu do carro em busca da amada. Isa entrou em uma estrada de chão.

–O que está fazendo? Não podemos deixá-los sozinhos com o Hulk no meio de uma floresta de madrugada. – se indignou a outra tento que se esgoelar para ser ouvida em meio ao choro das crianças.

–Espera um pouquinho, filhas, já vou dar a mamadeira de vocês... Só espera a mamãe poder sair do carro sem uma coisa sinistra e verde tentar me matar, tudo bem? – a garota não deu ouvidos ao que Xiaoli dizia

–Ei! – insistiu – Está maluca? São... Suas filhas? Por isso demoraram tanto para sair da Irlan...

–Escuta Chan! – interrompeu-a violentamente – Desculpe a indelicadeza, mas eu não estou muito no clima de contar como tive trigêmeas sendo caçada pela polícia agora não.

–Ah desculpe eu... Enfim, temos que voltar! Beth está lá! Bruce está lá!

–Meu namorado e meus melhores amigos também queridinha. – se irritou Isa – Acontece que nem por eles eu ponho as minhas filhas em perigo.

Ela parou o carro.

–Se quiser voltar, volte a pé. Nós quatro ficaremos aqui até a poeira abaixar. – continuou, destravando as portas.

Xiaoli estava vacilante, mas preferiu ficar.

–Até quando ficaremos aqui?

–Até amanhecer. Ou até alguém nos encontrar aqui.

–Sabe, Wollscheid, eu já o vi matar um exercito. Mesmo Ross sendo sua namorada tem vezes que nada o trás de volta. – sussurrou a asiática, visivelmente aflita – E se...

–Por favor! – suplicou Isadora – Por favor, não use “E se” na minha frente. Em todas as vezes que alguém usou um “e se algo pior acontecer” essa coisa aconteceu.

–O que faremos?

–Vamos esperar Xiaoli. É só o que podemos fazer no momento.

Notas finais
Valeu meeeeeesmo Beth! Obrigada meeeesmo por surtar, assustar a Natasha que assustou o Bruce que ferrou com a coisa toda! kkkkkkkkkkkkkkkkkkk Mais uma reclamona para o grupo! Coisa chata né??? Legal é a Domi que está sempre ali ajudando e ficando quietinha. Bem, e aí gente o que acharam?? E o Steve deixando Isa sozinha com três bebês com cólicas e indo "falar de futebol"?? mas, que merda em?? Coitada da Isa! E do Steve também né, tadinho. O ruim é que isso está colocando uma distancia de 8136423657345647 quilômetros entre eles. É eles precisam de um tempo sozinhos... Mas, como?? Agora o Bruce surtou!! E agora? Será que estão todos bem? E onde foi parar Dominika nessa história toda? tadinha foi esquecida!! Enfim, aguardo os comentários de vocês para postar um capítulo um pouco mais centralizado em Sharon e a descoberta de que "seu" Steve tem tres filhas com sua arquiinimiga! muahahahahha Preparem o pano de chão que o sangue vai rolar kkkkkkkkk Chega de papo furado! Beijossss