Ainda sou uma garota
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Os gêmeos saltaram do carro após o motorista parar em frente a casa de Haruhi, a rua estava escura e silenciosa contribuindo para a tenção que rondava os irmãos.
—Kaoru, Hikaru expliquem o que está acontecendo.
Tamaki se desencostou do posto chamando a atenção dos Hitachiin, os rapazes suspiraram aliviados quando perceberem que todos os Host’s já se encontravam presentes.
—Senhor não sabemos direito. -Responderam juntos.
—Por mensagem, Kaoru disse que Haruhi está em perigo.
—Alguém invadiu a casa, falou algo sobre resgate. -Explicou Kaoru.
—Acho que entendi.
—O que acha Kyo-chan. -Mesmo com a aparência fofa como de costume, a voz de Honey estava sombria.
—Esse alguém descobriu que Haruhi é uma garota e anda com a gente.
—O que ademais nisso? -Perguntou Tamaki sem entender.
—Todos sabem onde estudamos e que nossas famílias são poderosas, querem um resgate pela Haruhi, como ela faz parte do clube, deduziram que é importante para todos nós. -Declarou Kyouya por fim, ajeitou os óculos e encarou Tamaki. -O que fazemos agora Tamaki?
—Um plano.
—Senhor não temos tempo.
—Hikaru não podemos invadir dessa maneira, podemos por Haruhi em perigo.
—Ela está em perigo presa dentro de casa com um desconhecido! -Gritou Hikaru assustando até mesmo Mori.
—Entrarei primeiro.
Todos encararam o gigante -Mori- que se pronunciou pela primeira vez na noite.
—Certo, Honey-senpai e Mori-senpai irão na frente, o resto ira atrás para encontrar Haruhi.
Declarou Tamaki recebendo a aprovação de todos. Enquanto subiam as escadas com lentidão para não fazer barulho, um estrondo um pouco mais auto foi necessário para que todos corressem para o segundo andar.
—Haruhi!
Gritaram passando pela porta arrombada do apartamento, os poucos móveis estavam espalhados pelo chão e alguns cacos de vidro.
—Hikaru onde ela disse que estava?
—Banheiro.
Mori não tardou em correr pelo pequeno apartamento até o banheiro, estacando metros a frente junto aos anfitriões.
—Haruhi. -Hikaru sussurrou apenas para o irmão escutar.
A garota estava com o casaco pertencente a escola Ouran rasgado deixando os braços a mostra, o canto inferior do lábio escorria um filete de sangue e atrás dela o assaltante com um roxo no olho.
—Pessoal. -Tentou sair do aperto de ferro do homem que a segurou com mais firmeza.
—Chamou os amiguinhos ricos, olá rapazes.
—Solte a Haru-chan! -Falou friamente.
—Sabem, fiquei surpreso quando descobri que esse menino na verdade não passa de uma garota bolsista, amiga de gente rica.
—Honey-senpai, gente, tenham cuidado.
Mesmo sem derramar uma lágrima e se manter firme, todos notaram o pingo de desespero em sua voz.
—Kyouya! -Tamaki chamou na esperança de uma solução.
—Não faça nada precipitado, se tentar escapar aqui e fazer algum mau a ela, minha família não descansara até achá-lo.
—Não tenho medo disso garoto.
—Hika-chan, Kao-chan, distraiam ele, Takashi e eu pegaremos a Haru-chan em segurança. -Sussurrou o lolita.
—Hai. -Responderam em sincronia como de costume.
—Senhor assaltante o que acha que conseguira com o sequestro do nosso brinquedo particular? -Perguntou Hikaru que se apoiava no ombro do irmão.
—Brinquedo?
—Haruhi é nosso brinquedinho, e não gostamos quando mexem nas nossas coisas.
—Hikaru, Kaoru o que estão fazendo? -Perguntou a garota.
—Faremos um jogo, e se errar ira devolver o que nos pertence. -Declarou Kaoru.
—Que jogo?
—Diga, quem é o Hikaru?
Sorriram diabolicamente para o assaltante que os olhou com duvida.
—Só podem ser malucos se acham que vou entregá-la assim para vocês.
—Achamos isso. -Deram de ombros. -Agora Mori-senpai!
O homem virou para o lado a tempo de ver o Morinozuka erguer o punho fechado e o acertar mandando longe, nesse meio tempo, Mitsukuni socorreu a garota a levando para o lado dos Host’s que ficaram a sua frente.
—Primeiro, a bela aparência que chama atenção…
—Segundo...o rico homem corajoso…
—Terceiro, o cavalheirismo que…
—...Não pode subestimar o mau desse mundo.
—Nos o Clube de Anfitriões de Ouran está aqui, e não deixaremos que toque nela.
Declararam todos em frente ao homem que ainda estava ajoelhado. Haruhi nada disse, apenas encarava as costas de seus salvadores. Tamaki estralou os dedos quando notou que nada mais seria feito.
—Kyouya ligue para a polícia por favor.
—Com prazer Tamaki.
Mori e Honey ficaram encarregados de guiar o assaltante até o lado de fora, confirmando que não estaria mais armado para futuros ataques, os rapazes fariam a segurança enquanto esperavam pela polícia ao lado de fora, Kyouya mirou a garota que ainda estava sentada e apertou de leve seu ombro como um afago amigável e saiu do apartamento alegando cuidar dos vizinhos que cercavam o complexo de apartamentos.
Haruhi ajeitou-se sentando em uma melhor posição enquanto sentia os olhares de Tamaki e dos gêmeos em si, sentia-se nua apesar da roupa ainda no corpo, frágil como só sentia que estava em dias de tempestade e vergonha. Sempre se mostrará forte e apática em frente aos colegas do clube, mas agora tudo fora abaixo, deixou os olhos correram para o rosto dos rapazes, botou o melhor sorriso na face e falou;
—O que senpai? -Perguntou como se estivesse apenas ido dar uma volta.
—Haruhi como pode agir assim? -O loiro perguntou sério.
—Senpai…
—Não entendo como consegue agir assim, quase surtamos de preocupação!
—Desculpe, não queria e incomodar vocês com isso. -Abaixou os olhos envergonhada.
—Haruhi, somos uma família, estamos juntos do clube e aqui, não nos esconda nada, você é minha adorada filhinha igual esses dois aqui. -Tamaki apontou para os gêmeos quietos. -Certo seus gêmeos diabinhos?
—Hai! -Falaram juntos, gerando uma leve risada da morena. -Haruhi finalmente riu.
—Impossível não rir com vocês falando ao mesmo tempo. -Justificou.
—Acha engraçado?
—Um pouco.
Kaoru sorriu para o irmão de forma cúmplice, ambos felizes por há verem bem e sorrindo. Tamaki ficou quieto, ainda perdido em pensamentos enquanto observava a menor.
—Tamaki os policiais já levaram o homem, parece que o estavam procurando faz algum tempo por furto. -Anunciou Kyouya da porta.
—Avisou o pai da Haruhi?
—Sim, mas ele está ocupado no trabalho e pediu para cuidarmos dela.
O loiro assentiu dando um longo suspiro. -Eu seria o primeiro a dizer para Haruhi ficar em minha casa, mas infelizmente não terá como. -Explicou.
—Meus irmãos estão em casa e seria desconfortável para Haruhi ficar lá.
—Tudo bem Tamaki-senpai e Kyouya-senpai.
—Haru-chan se quiser pode ficar comigo, vamos comer bolo a noite toda. -O menor voltou com o tom fofo de sempre, diferente de minutos atrás que era sombrio. -Ou fica na casa do Takashi.
—Já causei problemas demais para ambos. -Declarou, Haruhi levantou ficando em frente a Mori. -Mori-senpai, Honey-senpai obrigada por lidarem com aquele sujeito.
—Ownnnn, Haru-chan é tão fofa!
O gigante apenas sorriu afagando os cabelos curtos da garota que sorriu em resposta.
—Pode ficar conosco.
Ela evitou revirar os olhos quando as duas vozes soaram juntas, os ruivos estavam cada um de um lado com os cotovelos apoiados e abaixados na altura da garota.
—Ótimo, mesmo com essas pestes, ficarei mais tranquilo se minha filha estiver acompanhada.
—Fique tranquilo senhor, cuidaremos bem dela.
—Nada de gracinhas Kaoru, Hikaru.
—Haruhi, mandarei alguém para ajeitar seu apartamento ao amanhecer.
—Se for aumentar a dívida…
—Dessa vez não farei isso.
—Obrigada gente.
Sorriu para todos que fizeram o mesmo, aos poucos foram se despedindo e dando recomendações para se cuidar, Tamaki foi o último a sair dando um forte abraço em sua “filha”, com apenas os gêmeos e a própria dona, ela saiu para pegar uma muda de roupas para a noite enquanto eles esperavam ao lado de fora. Haruhi saiu ajeitando a porta arrombada apenas para parecer estar trancada e desceu as escadas parando em frente a limousine e ocasionalmente em frente aos garotos.
—Vocês já estavam assim quando chegaram aqui? -Perguntou referindo-se ao peitoral nu.
—Esquecemos a camisa. -Justificaram.
Eles deram passagem a ela e pegaram a pasta escolar e uma pequena mochila onde estava o necessário e deixaram na traseira do carro, Kaoru e Hikaru sentaram em frente a garota e deram sinal para o motorista seguir para a mansão Hitachiin. O trajeto foi silencioso, Haruhi encarava as ruas pelo vidro alheia a companhia e aos machucados no rosto, os ruivos observaram os cortes que já não mais sangravam apenas o seco estava presente, entreolharam-se e constataram que a colega de turma estava mais desatenta que o de costume.
—Bem vinda a nossa humilde casa.
—Malditos ricos. -Murmurou para si mesma ao ver a enorme mansão.
—Venha, nossas empregadas te ajudaram no que for precioso. -Empurraram a garota para dentro enquanto o motorista carregava a bagagem.
—Me digam onde posso tomar banho e um mapa da casa para não me perder. -Resmungou para os rapazes.
—Sempre de bom humor, temos um banheiro no nosso quarto, tome banho la e nós a esperamos para que possa comer algo.
A guiaram pelas escadarias até o segundo andar, passando por várias portas e quadros até chegar ao quarto. Espaçoso o suficiente para uma cama de casal que estava desarrumada, um guarda-roupas enorme marrom, escrivaninha para estudos, televisão e um videogame, ao lado do guarda-roupas uma porta mais estreita.
—Esse quarto é quase minha casa toda. -Soltou a frase sem querer.
—Deixe disso, esperamos aqui, o banheiro é naquela porta, há toalhas limpas no balcão.
Kaoru apontou para a porta estreita, Haruhi assentiu com a cabeça e seguiu para o banheiro enquanto os donos da casa se sentavam na cama.
—Que noite agitada.
—E ainda é 00:00 pm, Hikaru.
—Tem razão, Haruhi entrou em nosso mundo particular como um furacão.
—Deixaremos essa conversa para mais tarde irmão, vamos tratar da nossa menina.
Sorriram um para o outro, com o silêncio, puderam escutar a água ser desligada e minutos depois Haruhi sair vestindo um simples vestido com um casaco sobre os braços, secava os cabelos com a toalha branca, limpa e sem o sangue seco, era possível ver melhor os cortes, sendo alguns mais profundos que os outros.
—Não me olhem assim, não é tão ruim. -Declarou desconfortável com os olhares.
—Tsc...venha cá, trataremos desses cortes.
Ela se aproximou devagar, enquanto Kaoru buscava a caixa de primeiro socorros o outro ainda a encarava.
—Estou bem, são apenas alguns cortes, aquele cara que vai ficar dolorido o resto da semana.
—Pare de agir assim.
—O que disse Hikaru?
—Haruhi. -Kaoru voltou com a caixa. -Quando chegamos aquele cara estava com um olho roxo, o que aconteceu?
—Bem, quando ele entrou, acabei jogando o abajur nele e acertou bem no rosto, por isso tive tempo de correr para o banheiro.
—Pensou rápido. -Comentou. -Avise a gente se arder, Hikaru pode segurar a mão dela, vou desinfetar esse corte na testa, é fundo.
—Não precisa segurar…
Calou-se quando sentiu as mãos quentes de Hikaru envolverem as suas de forma protetora, ele deu um leve aperto para mostrar que não se importava. Kaoru começou a passar o algodão molhado de antisséptico sobre os machucados, por impulso a garota recuou ao sentir a ardência, o ruivo esperou para que pudesse continuar e assim vez quando a menina se ajeitou novamente. Desinfetado e com um curativo o protegendo, fez a mesma coisa com o lábio machucado.
—Nova em folha. -Falaram juntos enquanto sorriam amplamente.
—Obrigada.
—Vamos comer Haruhi, deve estar com fome.
—Não… -O ronco de seu estômago é escutado por todo o quarto.
—Hahaha, venha logo Ha-ru-hi! -Hikaru a puxou pela mão em direção a saída com o irmão logo atrás.
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