Ainda sou uma garota
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Sentiu as costas estralarem quando levantou-se do luxuoso sofá da sala de música onde o Host Club terminava mais um dia de trabalho, onde garotos bonitos e ricos entretém belíssimas damas desocupadas com formas de galanteio e papos de ricos como viagens e obras de arte.
Haruhi Fujioka a mais nova integrante do clube de anfitriões sentia-se cansada após um dia todo de estudo e clientes, olhou o relógio e andou de fininho até o canto onde havia jogado sua pasta mais cedo. Estava prestes a deixar o salão quando sentiu sua mãos em seus ombros.
—Onde pensa que vai Ha-ru-hi?
A voz dos gêmeos Hitachiin ecoou por toda a sala, a pequena Host se virou com um sorriso amarelo.
—Aconteceu alguma coisa, Hikaru e Kaoru?
—Te deixamos em casa, vamos na nossa limousine da família.
—Não precisa gente.-Tentou explicar.
—Vamos Haruhi, já é tarde. -Argumentou Kaoru.
—É sério, meus ônibus me deixa na frente de casa.
Saiu dos braços dos irmãos que a esmagavam de forma possessa. Os ruivos a olharam de forma repreendedora.
—Haru-chan!
A única garota reclamou quando sentiu Honey pular em suas costas.
—Honey-senpai por favor desça das minhas costas.
—Mas Haru-chan já está escurecendo para ir sozinha.
Ela suspirou alto atraindo a atenção dos outros Host’s.
—Aceita vir com a gente de carro? -Hikaru insistiu mais uma vez.
—Minha filha venha comigo então.
A garota não evitou de revirar os olhos quando a voz de Tamaki com a estúpida palavra filha invadiu seus ouvidos.
—Não irei com ninguém!-Bradou irritada com tanta atenção, deixou Honey no chão e olhou para os gêmeos que estavam ao lado de Tamaki. -Não me tratem como criança.
—Haruhi. -O loiro tentou se aproximar.
—Não chegue perto senpai.
—Se diz nossa amiga mas nunca deixa que a ajudemos.-Seus olhos pararam em Hikaru, o ruivo a encarava emburrado. -Se gosta mesmo de nos estão não se afaste!
—Hikaru…
—Esqueça Haruhi, nos vemos amanha.
Saiu batendo a porta com força, Kaoru a olhou com um misto de desculpas e decepção e saiu correndo atrás do irmão.
—Uma vez eu disse a você, ainda és uma garota Haruhi, mesmo que no momento se pareça com um rapaz. -Kyouya até então quieto se aproximou sem parar de escrever em seu caderno.
—Pensarei nisso Kyouya-senpai.
Acenou para os quatro Host’s que ainda estavam na sala e saiu apressada para não perder o ônibus.
—Takashi esta pensando no mesmo que eu? -Perguntou o lolita ao se aproximar do primo.
—Hai. -Respondeu sério para o loiro que identificou a preocupação nos olhos escuros.
—Tama-chan, Kyo-chan deixem os celulares ligados. -Anunciou Honey.
—Kyouya avise os gêmeos para ficarem atentos.
—Já fiz isso Tamaki, também estou com mau pressentimento.
Após mais uma troca de palavras, todos decidiram ir embora, mesmo que a preocupação com Haruhi ainda estivesse em seus corações.
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Abraçou o próprio corpo quando sentiu um calafrio inexplicável, havia saído do colégio Ouran com pressa, de longe poderia ver Kaoru consolar Hikaru a fazendo sentir-se culpada pela grosseria, balançou a cabeça e correu em direção ao ponto de ônibus. Respirou fundo ao chegar e notou estar acompanhada de um homem, vestia preto, não conseguiu identificar o rosto pela baixa luminosidade.
—Boa noite. -Cumprimentou por educação recebendo um aceno de cabeça.
Logo o veículo coletivo chegou para o prazer da garota.
Sentou-se próxima a saída e notou o desconhecido sentar um pouco a frente. O trajeto fora curto o bastante para não deixar seus pensamentos a levarem para o dono de cabelos ruivos e personalidade forte.
—Vou descer aqui. -Acenou para o motorista quando avistou o complexo de apartamentos no bairro em que morava.
Haruhi desceu sem olhar para trás correndo para as escadas, os degraus de ferro faziam um barulho irritante diferente das outras vezes. Olhou para trás e viu o homem de antes a seguindo, a garota acelerou o passo não o reconhecendo.
Abriu a porta em um rompante, deu uma última olhada no lado de fora e o viu se aproximando.
—Porcaria.
Praguejou ao notar estar sozinha em casa, lembrou-se que seu pai voltaria apenas pela manha praguejando mais ainda.
—Sei que esta garota.
Escutou batidas raivosas contra a porta, sabia quanto a porta era frágil e o perigo que poderia correr caso o estranho entrasse. Pegou a pasta da escola e algo que podia se defender quando escutou o trinque ser quebrado.
—Sabe garota, ando te observando, fiquei muito surpreso quando soube que era uma garota, andar com um bando de ricos mimados pode ser perigoso.
A morena deu passos para trás tentando ser firme perante o homem com meio metro de altura a mais que si própria.
—O que acha que vai conseguir vindo até aqui?
—Um bom resgate menina.
Sorriu mostrando os dentes amarelados e logo puxou uma faca da calça jeans escura que vestia.
—Não vai se safar assim. -Bradou irritada estendendo o abajur que segurava frente ao corpo.
—Pode até parecer um garoto nesse momento, mas sabe que é uma menina que não pode fazer nada.
Haruhi não deixou de associar a frase com a de Kyouya e se amaldiçoou notando que o senpai tinha razão. Notou o homem dar dois passos em sua direção e jogou o objeto o acertando na cabeça com a boa mira o jogando no chão.
—Maldita!
Ela não esperou ver se o homem levantava, correu para o banheiro derrubando o que via pelo caminho para dificultar a passagem do assaltante.
Trancou a porta e se encostou escorregando até o piso onde sentou-se. Fixou o olhar na parede oposta e pensou no que fazer, estava desprotegida com um desconhecido dentro de sua casa e sozinha. Sozinha. Puxou o celular do bolço e abriu a agenda de contato encontrando os únicos dois números dos amigos, pensou em ligar ou não, ligou ao escutar batidas pela casa.
—Atenda Hikaru. -Falou como um mantra para a ocasião perturbadora.
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Kaoru olhou o irmão que estava deitado ao seu lado na cama de casal, haviam chegado a poucos minutos e não viu o irmão das uma palavra após gritar com a menina que tanto queriam proteger. Hikaru tentava dormir sem sucesso, sempre vinha a sua mente os olhos grandes da garota e a forma como elevou a voz.
—Hikaru o que sente pela Haruhi?
—Não quero falar disso Kaoru. -Bufou irritado ainda de olhos fechados.
—Fale comigo irmão. -Insistiu.
—Eu não sei. -Bradou sentando-se na cama acompanhado pelo gêmeo. -Ela não parece notar como todos nos sentimos, como nos preocupamos com ela, aquele jeito frio, no começo a vi como um brinquedo para nos divertimos, mas depois, depois que nos diferenciou e entrou para o nosso mundo particular tudo pareceu mudar.
—Posso te entender Hikaru, também achei estranho, sempre fomos nós e mais ninguém, Haruhi chegou como um furacão marcando por onde passava, ela é incrível, acho que por sempre estar sozinha não sabe os efeitos que deixa por onde passa.
—Kaoru, você gosta dela?
—No começo cogitei essa ideia, mas depois percebi que Haruhi é uma irmã mais nova que nunca tivemos, tenho a você mas ela é diferente, não sou cego, percebo os olhares que o nosso senhor e até Kyouya-senpai lançam para ela. -Explicou pegando a mão do irmão.
—Tamaki é idiota para perceber que gosta dela, Haruhi é sua “filha”.
—Tem razão, ele é igual a você Hikaru.
—O que?!
—Esta na cara que és apaixo…
A fala foi cortada pelo som do celular de Hikaru, o ruivo se esticou até o aparelho e atendeu sem ver de quem pertencia o número e colocou no viva voz.
—Senhor já esta tarde e…
—Hikaru! —A voz chamou do outro lado da linha tendo a atenção completa dos gêmeos.
—Haruhi?
—Não tenho muito tempo, sei que está bravo e que tinha que ter te escutado.
—Fale logo Haruhi. -Gritou Kaoru impaciente.
—Um homem entrou aqui em casa, não sei quem é ele, disse que quer um resgate.
—Onde você está Haruhi?
—Trancada no banheiro, derrubei ele no chão e liguei pra vocês, sei que ficou bravo.
—Estamos indo, não sai dai!
Hikaru desligou o celular e olhou para o irmão que o encarava na mesma intensidade. Acenaram um para o outro e pularam da cama em sincronia descendo pelas escadas sem se importarem por sair apenas de calça.
—Já avisei a Kyouya-senpai o que está acontecendo. -Avisou Kaoru ao estrar na limousine. -Ele vai avisar a todos.
—Não devíamos te deixado ela sozinha, não devia ter gritado.
—Hikaru, irmão não fique nervoso, essa menina é esperta o bastante, sabe disso, não vai acontece nada com ela.
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