Ainda sem nome
1 Capítulo 1 (Despedida no Inferno Clube)
Notas iniciais
† Capítulo 1 †
Despedida no Inferno Clube
Crooderfield era uma cidade bastante movimentada, com vários estabelecimentos ao longo das largas ruas. As luzes que piscavam nas imensas placas dos mercados, padarias, casinos e lojas das demais variadas coisas, encantavam quem passava por lá. A cidade era inteiramente enfeitada com banquinhos que ficavam embaixo das luzes dos postes. Crooderfield era chamada de “Las Vegas de Luisiana”, já que era bem iluminada e seus famosos pontos turísticos, chamavam a atenção de quem passava, como as "três irmãs", (estátua das três irmãs que fundaram a cidade), seu grande "Parque Central de Crooderfield" que ficava lotado nos verões quentes, haviam dezenas de banquinhos espalhados num imenso gramado, e seus postes davam um charme às folhas caídas das cerejeiras nas noites de verão. O famoso "Casino Crood" que lotava todas as noites, principalmente nos fins de ano, era o ponto turístico mais visitado da cidade. E na rua 9, à quilômetros de distância do centro, a mansão dos Parker era só mais uma entre as dezenas de outras no grande bairro nobre, GreenField.
O Sr. Joseph Parker, era o pai e também o chefe da família. Era alto, tinha cabelos loiros e curtos, olhos azuis de cor safira e um corpo tonificado. Sua barba mal feita combinava com o uniforme amarelo ecru que sempre usava. Era xerife e também encarregado dos demais colegas de trabalho, era rígido e quase sempre andava de mau humor. Certa vez, Sr. Parker demitiu um estagiário por chegar dez minutos atrasado. Talvez fosse esse o motivo de seus colegas de trabalho não gostarem tanto dele.
A Srta. Anna Parker, mesmo sendo mãe de três, tinha uma aparência um tanto quanto boa, tinha os cabelos ruivos, olhos verdes e um corpo escultural. Seu sorriso branco e reluzente fazia parte do seu charme, já que a maior parte do tempo, erguia os óculos com o dedo indicador, que sempre estavam na ponta do nariz. Tentava ser uma mãe presente, por mais que passasse pouquíssimo tempo em casa, já que o Hospital Alfredo Voltolini de Crooderfield, contasse muito com seu profissionalismo, eis que era uma das poucas psiquiatras da região. O Dr. Constantino se mudou para Atlanta com a família, pois ganhou uma ótima oportunidade de emprego, e a Dra. Dory, uma senhora gorda de cabelos claros e curtos, vivia doente, já era pra estar aposentada, mas amava muito o que fazia, porém sua saúde a impedia. Então sobrara a única psicóloga da pequena cidade, Sra. Anna.
Na manhã daquela deliciosa e calorosa sexta-feira, Ryan acordara com a Srta. Parker escancarando as cortinas de cores vinho, e assim deixara o sol forte passar pelas grandes janelas de madeira, e fizera com que os raios de sol batera diretamente no rosto de Ryan que dormira num sono profundo.
– Está na hora de levantar! – disse enquanto apanhava algumas roupas do chão. – Vai se atrasar pra escola!
Ryan resmungou, cobriu a cabeça com seus cobertores, já que o sol forte da manhã ardera seus olhos, virou para o lado da parede e continuou resmungando como alguém quem não queria ter acordar naquela calorosa sexta-feira. Ainda com a cabeça coberta, Ry apanhou seu travesseiro e o apertara na cabeça de forma que nem um som passasse, pois a cantoria dos pássaros naquele dia, estava ensurdecedor. Srta. Parker deixara o quarto com as roupas que havia apanhado. Era seu dia de folga, então aproveitara aquele belo dia para fazer faxina, folgara uma vez por semana.
Ry como o pai, tem cabelos cor de fogo, que deixa sempre bagunçado, olhos azuis e algumas sardas, seu sorriso é branco e reluzente como o de sua mãe. Era branco como um papel. Na escola era chamado de "branquelo" e "palmito" por alguns que o odiavam, mas o que ele mais odiara em toda sua vida, era "leite azedo". No terceiro ano, Ryan quebrou o dente de Marcos Fleepman, um menino magricelo de cabelos negros que gostava de colocar apelidos em todos da escola. Ry estava saindo da aula quando Marcos passou e o ofendeu, xingando-o de "leite azedo", Parker sem pensar duas vezes, pulou no pescoço do Sr. Fleepman, que se embolaram no chão, onde se via socos, pontapés e dentes... Essa briga resultou em uma suspensão de três dias para ambos os garotos.
Ainda sonolento e com raiva daqueles pássaros que cantarolavam e voavam como foguetes em frente sua janela, Ryan sentou-se em sua cama e vestiu seus chinelos. Enquanto bocejava, fez um movimento com a mão de forma que seu cabelo fosse pro lado direito, pois assim o penteava pelas manhãs, e descera as escadas para fazer a primeira refeição do dia.
Ryan nunca vira a grande mesa branca, que ocupara metade da sala de jantar, tão cheia antes, tinha de tudo: pães, torradas, três tipos de suco naturais (pêssego, melancia e uva, que era o seu preferido), torta, bolinhos, cereal e ovos mexidos com bacon e algumas frutas. Sentou-se um uma das seis cadeiras que havia na grande sala de jantar, de forma que ficasse de frente para seu pai, que comera apressadamente.
– Bom dia Ryan! – disse apanhando a jarra de suco de melancia. – hoje o dia está lindo!
–Bom dia. – disse estranhando o bom humor de Sr. Joseph.
O silêncio tomara conta da sala, o único som no ambiente, era as garfadas que o Sr. Joseph dava no ovos mexidos com bacon e as abocanhadas de Ryan nos bolinhos de chocolate. Sr. Joseph observara Ryan comendo, enquanto bebera o resto de suco que havia deixado no copo.
– Precisamos conversar. – disse num tom calmo.
– Pode falar. – disse Ryan sem dar muita atenção enquanto lambia os dedos.
– Ontem à noite um velho amigo me ligou...
– E aí?
Sr. Joseph respirou fundo e ainda num tom calmo disse:
– E aí que esse velho amigo é o prefeito de Saint Johnson. Ele me ligou pedindo um favor, e não pude recusar. Amanhã pela amanhã estaremos deixando Crooderfield e iremos morar em Saint Johnson.
Ryan que já não havia mais resto de bolinhos de chocolate nos dedos para lamber, levantou da cadeira, e com brutalidade batera as duas mãos na mesa de forma que os copos dessem um pequeno pulo.
– Saint Johnson? Está brincando? – disse num tom alto e alvoroçado. – Não podemos deixar Crooderfield.
Sr. Joseph imediatamente se levantou, batera as mãos na mesa quão forte quanto Ry.
– Sentado! – disse Sr. Parker num tom de voz mais elevado que o de Ryan que continuara em pé e o olhava com um olhar frio.
– SENTADO!
Ryan imediatamente sentou-se, pois já viu seu pai assim antes, o que era sempre desagradável. A voz grave e grossa do Sr. Joseph ecoou pelas colunas grossas de gesso que havia para separar a sala de jantar da cozinha, e deu-se para ouvir o berro do outro lado da rua, o rosto de bom humor desaparecera de seu rosto e os pássaros já não cantarolavam mais.
– Vou explicar uma vez, e não quero que discuta comigo porque isso é decisão minha, entendido?
Ryan não falou nada, apenas abaixou a cabeça, que olhara direto para as tortas de maça. Sr. Parker ajeitara a gravata de cor púrpura, continuava em pé.
– Nas últimas cinco semanas, segundo relatos de várias pessoas, Saint Johnson vem sofrendo ataques constantes de um grupo de loucos formado por adolescentes. Vinte e dois foram mortos e três hospitalizados. – Ryan já tornara o olhar para Sr. Joseph que franzia a testa enquanto falava. – Na quarta-feira Sr. Manson me ligou desesperado, pois faz alguns dias que a cidade está sem xerife, o antigo se demitiu e foi para o Texas cuidar da mãe que está doente. E eu não pude recusar, Sr. Manson e eu somos amigos há anos, não pude deixa-lo na mão, prometi ajuda-lo até resolver esse caso, enquanto ele procura um novo xerife pra ocupar o cargo. Enquanto isso vamos morar em Saint Johnson, casos assim são demorados. Alguma pergunta? – disse Sr. Joseph quase sem fôlego, e se virando para pegar seu distintivo.
– Mudarmos faltando três meses para acabar o ano, fará eu e Brad reprovar. – disse Ryan ainda sem cor e tentando fazer Joseph mudar de ideia.
– Vocês vão conseguir passar, sei disso... bom, liguei a um amigo que faz frete, amanhã cedinho ele estará aqui. – disse Sr. Joseph já com o distintivo no peito. – E se quiser faltar a escola para ajudar sua mãe encaixotar as coisas, fique à vontade. Bom dia.
Vestiu seu chapéu e saíra rumo a porta principal da sala de estar com as chaves do carro que havia pego no chaveiro. A pouca cor de Ryan já estava de volta ao seu rosto quadrado e sardento, tudo que conseguira pensar, era em ter que deixar sua vida, seus amigos e sua escola. Pelo menos assim ele se livraria de Marcos Fleepman, que o irritara desde o primeiro ano que entrou para a escola, pensou.
Assim que Ryan ouviu o som do carro que ficara cada vez mais distante, até que sumisse completamente, Srta. Anna desce as escadas – que levara direto à sala de jantar – com duas grandes caixas empilhadas uma sobre a outra, colocara sobre uma mesinha de vidro que havia no canto da sala e sentou-se ao lado de Ryan, que mantera os olhos fixos à jarra de suco e que nem percebera que sua mãe havia sentado ao seu lado.
– Achei melhor que seu pai contasse. – disse enquanto se servia. – Também não quero deixar Crooderfield, deixar meus pacientes, sua tia Vera, nossos amigos...
Ryan desviou o olhar, que dessa vez olhara para através das grandes janelas de vidro da sala, e via Julie brincando lá fora.
– Meu pai só pensa nele, não pensa em sua família, coloca o trabalho acima de tudo.
– Não fale assim Ryan, Saint Johnson é um ótimo lugar, uma das melhores escolas do estado fica lá, pelo menos vocês terão um ótimo futuro. – disse Anna tentando animá-lo.
– Mas quanto a você? Seus pacientes? Vai deixar de fazer o que mais ama nessa vida? – dessa vez olhara para Srta. Anna.
– Seu pai me avisou na quarta-feira que iríamos mudar, já falei com Sr. Ângelo (diretor do hospital) e ele felizmente conseguiu contratar um novo psicólogo que chegará na terça. – disse Srta. Anna com um tom de voz aliviada, já que nem passaria pela sua cabeça em ter que deixar seus pacientes sem a ajuda de um profissional. – E eu, por enquanto, trabalharei em casa, atendendo pacientes num pequeno escritório que tem na casa onde iremos morar.
Ryan ainda não se conformando que iriam deixar Crooderfield, voltara seu olhar para Julie que ainda continuava brincando no jardim.
– Se quiser faltar à escola hoje para me ajudar a encaixotar as coisas... E filho... – disse levando a mão no rosto de Ry que fizera olhar para ela. – ...você vai ficar bem. Prometo!
Srta. Anna terminou o café da manhã e subiu para o segundo andar para acordar Brad, que a ajudara com a mudança.
Ryan se dirigiu para o jardim, sentou em um banquinho, onde de longe observava sua irmã brincando. Julie era uma criança bem inteligente para sua idade, com apenas seis anos, antes mesmo de entrar na escola, sabia ler e escrever. Tinha um ruivo e grande cabelo ondulado, era magra e sua pinta na testa era sua marca. Sua simpatia e suas grandes bochechas que ficam rosadas quando ficava tímida, encantavam a todos. Ficar observando Julie brincando era um refúgio para Ryan, que vivia em pé de guerra com o pai rígido e grosso, só assim conseguia sentir um pouco de paz.
– Tchau! – berrou Julie com sua voz aguda.
Julie acenara com a mão para o meio da rua. Ryan imediatamente olhou para a rua que não havia ninguém. Assustado, correu até Julie para entender o que estava havendo.
– Com quem é que você está falando? –perguntou Ryan preocupado, se ajoelhando diante da irmã.
– Com a velhinha, olha, olha! –exclamou Julie apontando para a rua deserta.
Ryan voltou seu olhar para rua, que continuara deserta.
– Julie... –disse Ryan apalpando o rosto vermelho da irmã. – ...não tem nada...
Antes que pudesse terminar de falar, Julie saiu correndo pelo gramado e entrou para dentro. Ryan ainda de joelhos no chão e preocupado com que presenciou, voltara seu olhar para a rua, que continuara deserta, haviam apenas alguns pássaros que voavam em conjunto. Ryan levantou-se, olhou novamente, mas não viu nada, então desistiu e entrou para a mansão.
O sol quente daquela tarde desaparecera. Um carro estaciona na frente da casa dos Parker, era Sr. Joseph, que chegara mais cedo aquele dia.
– Pizzaaaaaa! – exclamou fechando a parte com um dos pés.
Mal fechou a porta quando o barulho de pés descendo as escadas vira à tona. Era Julie e Brad que desciam famintos, já que passaram a tarde toda arrumando a mudança.
– Obaaaa! –gritou Julie enquanto corria e pulava no colo de Sr. Joseph, que a abraçava enquanto segurava as pizzas em uma das mãos.
Julie pegou as pizzas e levou para a mesa, onde Brad faminto já esperava. Ouve-se os passos da Srta. Anna vindo da cozinha com os pratos e garfos na mão. Ela cumprimentou Sr. Joseph com um selinho e os dois se digiram à mesa onde Brad e Julie já haviam tirado a tampa de cima que cobria a pizza.
– Temos duas pizzas: uma de quatro queijos e a outra de frango com catupiry. –disse Sr. Joseph frouxando o nó da gravata.
Eram as pizzas preferidas de Brad e Julie, que já comiam antes mesmo da Srta. Anna ter voltado da cozinha com o refrigerante. Sr. Joseph e Srta. Anna comiam em silêncio, enquanto observavam Brad e Julie que sujara a boca inteira de pizza.
– Está empolgado para a nova cidade, Brad? –disse Sr. Joseph abocanhando um pedaço de pizza.
– Um pouco! – disse Brad.
– Fiquei sabendo que lá em Saint Johnson tem várias meninas gatas! –disse Sr. Joseph seguido de uma risada.
– Joseph! –exclamou Srta. Anna dando um cutucão no braço de Sr. Joseph.
– Definitivamente quero morar em Saint Johnson. – disse Brad.
Todos riram, menos Julie que estava ocupada demais para prestar atenção na conversa, que lambera até os dedos quando o último pedaço de pizza foi engolido goela abaixo.
– Filha, vai chamar Ryan pra comer antes que a pizza esfrie. – disse Srta. Anna limpando a boca com guardanapos.
Nem precisou Julie sair da mesa até que Ryan aparecesse no mesmo instante, estava arrumado; colocara seu velho all star preto, sua calça que tinha um rasgo no joelho e sua jaqueta preta de couro que havia ganho no natal do ano passado. Todos que estavam na mesa, olharam.
– Não quero pizza, obrigado! – exclamou enquanto arrumara seu cabelo e com outra mão pegara a chave pendura em um dos pilares de gesso.
– Combinei de me encontrar com alguns amigos, vou ter uma festa de despedida.
– Onze horas em ponto aqui em casa. – disse Sr. Joseph, com a cara fechada. Era só ver Ryan que seu humor mudara.
Ryan olhou com um olhar frio para Sr. Joseph, e fingiu nem se importar, então caminhou até à porta principal, e a bateu forte ao sair. O pneu do carro cantou e Sr. Joseph ficou vermelho de raiva, seu cabelo loiro quase pegou fogo, quis levantar para ter uma conversa com Ryan, mas foi impedido por Srta. Anna.
Brad e Julie terminaram de comer e subiram para terminar de embrulhar alguns quadros que estavam no corredor. Sr. Joseph e Sr. Anna também subiram para descansar, pois tiveram um longo e cansativo dia.
Ao chegar em um dos poucos lugares escuros de Crooderfield, Ryan avistou no final do beco, alguns de seus amigos. Mary e Nev, que eram casal de namorados góticos, Karen, Nina, Patrick e John. Ryan acionou o alarme do carro e se dirigiu até eles. Cumprimentara todos.
– Então é aqui que vocês querem se despedir de mim? – disse contente por ver alguns de seus melhores amigos reunidos.
– Aqui não, ali! – exclamou Patrick apontando para uma enorme porta de madeira.
O beco era gelado e úmido, não tinha quase nenhuma iluminação, apenas um diabinho vermelho que piscara na ponta do garfinho, e uma placa de neon azul e vermelho, escrito “Inferno Clube” que estava acima da porta de madeira. Águas escorriam pelas paredes de tijolinhos. Não se ouvia nenhum barulho, a não ser as ratazanas revirando uma grande caçamba de lixo.
Eles se aproximaram da entrada, John que tinha cabelos negros e corpo definido, batera na porta. Aguardaram alguns segundos, até que um velho surgiu por entre as frechas da porta . Tinha longos cabelos grisalho escorridos nos ombros, quase não tinha dente e um dos olhos era tapado por um tapa olho.
– Bem-vindos. –disse abrindo caminho, enquanto encarara Ryan, que era novato por ali.
John deu uma risadinha para Karen, que retribuiu. Então os dois entraram, seguido pelo casal Mary e Nev, e por último, Nina e Ryan.
A música alta era ensurdecedora, mal dava pra ouvir quando um falava com o outro. As luzes forte dos globos pendurados no teto alto e úmido, ardiam os olhos claros de Ryan, que não era acostumado. O barulho de copos batendo sobre as mesas redondas eram ouvidos em todos os lugares; pessoas que jogavam truco gritavam quase mais alto que a música que o DJ tocara; casais se pegando era o de menos. Em meio as gritarias e pessoas que passavam e esbarravam neles, conseguiram chegar em uns banquinhos altos que haviam perto da recepção de bebidas. Ryan, Nina, Karen e Nev acomodaram-se. John chegou em dois amigos que estavam sentados ao lado dos amigos de Ryan, e com suas grandes mãos, apertou os ombros dos rapazes, que se entreolharam com medo e saíram, dando lugar para John e Patrick, o gordinho engraçado.
Logo o barman chegou com os copinhos miúdos de bebida alcoólica, e perguntou o que os garotos queriam.
– Vodca pura. – disse Ryan apressadamente.
O barman os serviu. Primeira rodada... segunda... terceira... quarta...
– Essa vai pro nosso querido e amigo Ryan. – gritou Patrick já embriagado.
Todos no balcão gritaram e viraram de uma vez o quinto copo de vodca. Ryan viu, o casal gótico Mary e Nev, se dirigirem em uma porta com uma plaquinha vermelha escrito “Reservado”. John e Karen saíram de mão dadas e se misturaram as outras pessoas que estavam dançando no meio do salão. Patrick estava paquerando umas garotas do outro lado do bar. Ryan saíra do banquinho que estava, e sentara ou lado de Nina.
– Então quer dizer que o nosso grande e amigo Ryan vai deixar de viver na cidade grande pra caçar bichos nas florestas de Saint Johnson? – disse Nina gritando e sorrindo para Ryan.
– Eu não queria ir, mas o filho da puta do meu pai tem que fazer um serviço lá naquele fim de mundo. – disse Ryan próximo ao ouvido de Nina.
– Eu entendo. – disse Nina, e percebera que qualquer assunto que eles falassem, iam acabar chegando ao Sr. Joseph, o que Ryan menos queria naquela noite.
Ryan sorrira para Nina, e apontou com a mão para o alto, Nina entendera que ele quisesse ir para cima, ambos viraram outro copo de vodca, e saíram de mão dadas rumo a escada que os levariam para fora. Ryan mal saíra do Infernos Clube quando começou beijar calorosamente o pescoço de Nina contra a parede, que o puxara pela jaqueta e o beijara na boca. Foram tropeçando em direção ao carro.
Entraram pela porta de trás, e empurraram os bancos da frente para dar mais espaço aos dois. Nina tirou a jaqueta de Ryan, enquanto ele a beijava e a deitava no banco. Ry, tirou a blusa de Nina, e com outra mão abaixara suas calças. Então, rusticamente, tirou o sutiã de Nina, que já erguera sua saia. Ambos abaixaram as roupas de baixo, e voltaram a se beijar loucamente. O vidro escuro ficara embaçado, e de longe se ouvira os gemidos altos e agudos de Nina. O carro balançara cada vez mais forte. Os dois ficaram no carro por quarenta minutos, até que foram surpreendidos por Patrick, e os outros dois casais batendo no vidro do carro. Ryan dera seus últimos beijos em Nina, e ambos vestiram as roupas. Um último “smack” do beijo entre os dois deu pra ser ouvido do lado de fora. Até que finalmente saíram do carro.
– Eu e Nev vamos embora, nosso horário no tatuador está marcado para ás 8h da manhã. – disse Mary.
– Tudo bem! – disse Ryan enquanto abotoava o zíper da calça.
– Se cuida amigo, qualquer dia eu e Nev iremos te visitar em Saint Johnson. – disse Mary abraçando forte Ryan.
– Se cuida irmão. – disse Nev apertando a mão de Ryan, que sorrira.
– Bom... – disse John segurando a mão de Karen. – Eu e Karen vamos agora também, vamos aproveitar a carona!
– Sendo assim, vou aproveitar a carona também! – disse Patrick rindo.
– Antes de vocês partirem pra suas casas, quero dizer que vocês são muito importante pra mim. Hoje foi um dia muito feliz, mas ao mesmo tempo triste, provavelmente é a última vez que vejo vocês. E quero os agradecer depositando um milhão na conta de cada um. – disse Ryan enxugando o rosto seguido de um sorriso.
Todos riram e fizeram um abraço coletivo. John, Karen e Patrick se despediram de Ryan e seguiram para o carro de Nev, que virara o beco e entrara na avenida. Ry e Nina, entraram no carro e tomaram o caminho para a casa dela. Chegaram em frente a uma grande casa. A luz do luar entrara pelo teto solar do carro, que estava aberto.
– Bom, chegamos – cochichou Nina. – Estou tendo que cochichar para não acordar meus pais.
– Sempre aprontando né senhorita Fox. – disse Ryan que em seguida, deu um beijo de tirar o fôlego.
– Sentirei sua falta. – disse Nina, acariciando os cabelos de Ryan.
– Eu também.
Então o último beijo da noite entre Ryan e Nina; que tinha cabelos longos e castanhos, uma pele bronzeada e uma silhueta de dar inveja as outras meninas; foi dado abaixo do luar, próximo a uma pé de cerejeira que havia em frente à casa dos Fox. Ryan voltara para o carro e observara Nina escalando e pulando a janela, que em seguida, lhe acenou como a mão. Ligar o carro fez com que os pais de Nina acordassem, vira a luz do seu quarto que acendera, e ouvira os berros do Sr. Tony Fox que gritava com Nina. Então saiu cantando pneu e seguiu para sua casa.
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