Ainda há esperança
4 Capítulo 4
Já completara uma semana desde que Darcy recebera o telegrama enviado por Vicente. E, mesmo contra a sua vontade, ele e Elisabeta tiveram que permanecer no Vale do Café durante esse período. Não foi fácil fazer com que Darcy “comprasse” a ideia, porém, ao saber que estava de malas prontas, Rómulo recordou o concunhado de que ele ainda não estava em condições clínicas adequadas para fazer uma viagem tão longa e cansativa, tendo em vista que o paciente muitas vezes queixava-se de dor e ainda precisava de repouso e acompanhamento médico.
Dessa forma, os planos temporariamente mudaram e a viagem fora adiada. Durante esses dias intermináveis de espera estipulados por Rômulo e Dr. Jonas, Elisabeta percebeu que Darcy estava bastante aflito com a situação. Passara algumas noites em claro, não conseguia concentra-se nos assuntos referentes à ferrovia, vivia sempre preocupado pelos cantos da fazenda. A cada dia que passara sem novas notícias sobre o pai, seu coração entristecia-se cada vez mais. Os telefonemas de Vicente não eram suficientes para que ele se sentisse em paz.
O quadro clínico de Lorde Williamson se agravara nos últimos dias, o que deixara Darcy ainda mais desesperado. Numa manhã de domingo cujo dia estava esplendorosamente belo, Elisabeta levantou-se bem cedo, passou algumas horas no escritório trabalhando em seu livro, em seguida subiu até o quarto, onde Darcy ainda encontrava-se dormindo. Ao entrar, silenciosamente abriu as janelas, deixando que a luz do sol invadisse o espaço do quarto, sem pedir licença.
— Bom dia meu amor! – Dirigiu-se até a cama, cobrindo o esposo de beijos. – A nossa espera está quase acabando...
— Bom dia! – Darcy respondeu preguiçosamente. – Sim, finalmente estarei liberado para viajar amanhã! – O rapaz levantava as mãos ao céu, sorrindo para Elisabeta.
— Eu tenho uma surpresa para você! – Disse, misteriosamente.
— Uma surpresa? Hum! Já estou curioso! O que será que essa cabecinha linda anda aprontando? – Darcy em um impulso sentou-se na cama, demonstrando entusiasmo. Embora seu olhar ainda manifestasse tristeza. Elisa lhe retribuiu com um sorriso ingênuo.
— Você reparou que hoje o dia está especialmente bonito, Darcy? – Ela disse, apontando para a janela.
— Confesso que ainda estou com certa vertigem, devido à noite mal dormida... mas sim, ele parece lindíssimo! Embora não tanto quanto a minha esposa... – Aproximou-se dela, contornando delicadamente seu rosto com o polegar direito.
— Eu tenho uma proposta para lhe fazer senhor Darcy Williamson. E, garanto-lhe, é ir-re-cu-sá-vel! Vamos, deixe a preguiça de lado e levante-se já dessa cama! – Elisabeta puxou-lhe os lençóis, tirando qualquer possibilidade de contrariedade por parte do marido, agindo conforme as mães faziam com as crianças de cinco anos.
— Será que, por acaso, posso saber do que se trata Dona Elisabeta? – Perguntou-lhe, já de pé, ainda desalinhado e com os cabelos bagunçados.
— Não mesmo! Surpresa é surpresa! Estarei esperando por você lá embaixo meu amor. Por gentileza, não demore muito! Como você bem sabe, tudo entre nós é sempre muito urgente. Ah, só um adendo, vista roupas leves, faz muito calor hoje, não é mesmo?! – Elisa saiu do quarto, deixando Darcy extremamente curioso.
A vista de Darcy descendo as escadas da sala de estar da fazenda ainda era, para Elisabeta, uma das mais belas e hipnotizantes que já vira em toda sua vida. Seguindo as orientações da esposa, o rapaz trajava uma camisa social branca com as mangas dobradas até acima dos cotovelos, um pouco desabotoada, deixando de lado o formalismo do paletó e da gravata, acentuando ainda mais o charme de Darcy. O rapaz mantinha, como sempre, os cabelos bem penteados. Já o sorriso, este parecia mais estonteante do que nunca. Elisabeta o esperava com alguns utensílios em mãos, que Darcy não conseguia identificar com precisão.
— Vamos meu amor? Nosso companheiro nos espera lá fora. – Disse ela, segurando-lhe a mão e o encaminhando até a porta.
— Tornado? Como assim Elisabeta? – Darcy parecia incrédulo.
— Por que a surpresa Darcy? Afinal de contas, Tornadinho é expert em realizar nossos trajetos mais bonitos, não é mesmo?
— Disso eu não tenho a menor dúvida meu amor! – Disse beijando a esposa e ajudando-a a montar no cavalo.
**
Elisabeta conduziu Darcy a um dos locais que ele mais gostava em todo o Vale do Café. Embora fosse um de seus ambientes preferidos, as lembranças dali não eram as mais agradáveis. A última vez que ambos estiveram no local, a relação do casal andava completamente estremecida, praticamente por um fio. Elisabeta havia recusado o pedido de casamento de Darcy, e ele, por sua vez, questionava se não havia feito a menor diferença na vida da amada. Na sua cabeça, a possibilidade de recomeçar um relacionamento com Elisabeta parecia quase impossível... Naquele momento presente, tratava-se absolutamente do oposto. Um era a razão de ser do outro e, quanto a isso, não restava dúvida alguma.
— Eu te trouxe aqui porque sei que este local é sinônimo de paz para você, Darcy! – Ele ouvia atentamente a esposa, embora encontrasse dificuldade com o barulho da queda d’água. – E, antes de viajarmos, pensei que não houvesse lugar melhor para nos livrarmos de nossas dores e feridas. De nos renovarmos! – Elisa aproximou-se dele, tocando-lhe o rosto.
— Eu ouvi falar que as águas do Vale do Café são mesmo milagrosas. – Darcy, sem tirar os olhos dos da esposa, lentamente aprofundou sua mão na nuca de Elisabeta, tocando seus cabelos, dando início a um beijo quente e apaixonado. Ela, por sua vez, correspondia aos anseios do marido, acariciando seus cabelos e puxando-o para si com maior intensidade. Darcy começou a retirar o vestido de Elisabeta, enquanto ela terminava de desabotoar sua camisa. O rapaz fora o primeiro a arriscar um mergulho, assegurando à esposa que a água estava uma delícia. Sem receio algum, ela juntou-se ao amado, rendendo-se ao amor, à saudade e ao desejo que sentia. Darcy erguia Elisabeta em seus braços, sentindo toda a vibração e desejo de seus corpos quase unidos em um só. O calor do ambiente mesclava-se com o frio congelante que a água, a princípio proporcionava.
— Eu te amo mais do que tudo no mundo Elisabeta! — Darcy gritara escandalosamente.
— Não mais do que eu meu amor! — Respondeu-lhe ela, visivelmente emocionada em vê-lo bem novamente.
Fale com o autor