Ainda existem flores
26 Os herdeiros - Parte 2
Notas iniciais
" Quando eu era jovem, pensava que o dinheiro era a coisa mais importante do mundo. Hoje, tenho certeza"- Oscar Wilde.
A mesa estava em silêncio à medida que todos desfrutavam do almoço. Joseph Shane esta sentado na minha frente me encarando e, em resposta, ergo a taça de vinho o que o faz voltar a comer.
— O que meu avô falou para você? — Lysandre pergunta ao meu lado. O encaro e sorrio. Apenas que você é um assassino e eu joguei algumas verdades na cara dele. Ah, mas acho que ele gostou de mim.
— Nada demais. — digo.
— Eu tenho algo para falar. — Shi Yoo diz se levantando de uma vez o que quase me mata de susto. Lysandre sorri e alguns acompanham o gesto. — eu quero dizer apenas uma coisa: eu mal posso esperar para fazer negócios com Lysandre Parker. -ele diz. Lysandre ri e Joseph ergue uma sobrancelha, apenas observando. — podemos fazer da Parnin algo grande, meu amigo!
— Obrigada, Shi Yoo. Eu concordo plenamente. Levar a Parnin para a Coreia.. lugar de excelentes médicos. Será fantástico. — ele diz.
— O nome da Parnin já não carrega muito o sobrenome Parker.- um dos sócios de Joseph diz. Walter brinca com a taça de vinho o que atrai a atenção de todos para ele.
— O sobrenome Parker nunca será apagado. A Parnin terá hesito na Alemanha, em Frankfurt! E tudo isso com a assinatura de Lysandre Parker. — ele diz.
— Exatamente. E mesmo que Lysandre não fosse alguém competente, o que obviamente ele é, o que Frank Parker já fez para ter a Parnin onde está é impossível de apagar. — Louis diz. Sorrio e encaro Lysandre que está tentando controlar o tamanho de seu sorriso ao meu lado.
— Posso ser um pouco suspeito para falar, mas agora que me encontro na presença de tantos amigos que eu não vejo a muito tempo, posso garantir que Lysandre tem um futuro incrível. E com a ajuda de vocês, meus amigos, ele pode ser maior ainda. — Castiel diz sorrindo daquele jeito de sempre. Realmente, quando precisa ele sabe ser um bom amigo.
— Bom, quem está aqui para implorar por algo sou eu. — Maud disse. — Lysandre, o que você acha de um acordo? Que tal levar o investimento da Parnin para uma clinica voluntária?
— Eu não hesitaria nem um minuo em assinar meu nome em tal projeto. — ele diz. As coisas não poderiam estar mais perfeitas. Encaro Joseph que está mantendo a expressão neutra enquanto bebe um pouco da taça de vinho.
— O que vocês acham de discutirem isso no escritório? Porém, antes disso, eu tenho um brinde a propor. — digo me levantando. Todos se colocam de pé. — eu gostaria de brindar em nome de Lysandre Parker e do crescimento da Parnin. — digo.
— A Parnin! — todos disseram. Encaro o avô de Lysandre com o sorriso mais sínico que consigo enquanto tomo um pouco ta minha taça de vinho e Lysandre segura minha mão.
—_________*****__________
Ando de um lado para o outro enquanto encaro a porta fechada do escritório e escuto o som de risadas vindas lá de dentro. A festa foi transferida para lá, mas dessa vez, eu não era uma das convidadas. Apenas quem queria negociar estava lá.
Porém minha atenção logo foi transferida para o som de alguém chorando. Sigo o som e abro a porta da sala de jogos da casa de Lysandre a tempo de ver Lexi sentada no sofá, com a cabeça enterrada nas mãos e seus soluços tentando serem reprimidos.
— Lexi?- chamo. Ela ergue sua cabeça.
— Tessa. — ela diz sorrindo amarelo. Me sento ao seu lado.
— O que aconteceu? — pergunto. Ela franze as sobrancelhas e ri.
— Eu sou um ser deplorável. Eu estou apaixonada, Tes. — ela diz. E desde quando isso faz dela deplorável?
— Quem é o sortudo?- pergunto. Isso era algo impossível. Lexi não se apaixona por ninguém, muito menos chora por alguém. Ela ri.
— Um cara tão deplorável quanto eu. -ela diz. Armin. Encaro os olhos azuis de Lexi e penso. Seria realmente possível que ela se apaixonasse pelo Armin?
— É o Armin?- pergunto. Ela ri sarcástica.
— Sabe o que mais atrai as mulheres para um playboy, Tessa? — ela pergunta. Nego com a cabeça. — a expectativa de que você será aquela que o mudará. De que você será aquela que conseguirá fazê-lo sentir algo e parar de achar que o amor é um crime. — ela diz. — a esperança de que você poderá fazê-lo mudar.
— Lexi...- digo. Ela já não estava chorando, mas seus olhos estavam completamente vermelhos, assim como seu nariz. Nunca na minha vida eu vi minha prima tão destruída.
— Mas você não é. Não será você que o fará mudar! Por que a partir do momento em que você cede para eles, eles vão ganhar o jogo. E quando você acha que quem está ganhando na verdade é você, eles dizem o nome daquela que os deixou daquele jeito. — Lexi diz. O Armin era um jogador por causa de alguém? Isso é novidade para mim. — e sabe qual a parte mais deprimente? — ela pergunta.
— Lexi... — tento chama-la novamente, mas ela apenas continua me encarando.
— Quando você se toca que conhece aquela pessoa. Que uma amiga de infância sua faz o cara por quem você está apaixonado querer machucar as mulheres e desconsiderar os sentimentos delas. Alguém que você já confiou fez o amor da sua vida virar um jogador, um play boy. — ela diz.
Eu não sei o que dizer. Para começar, eu não sabia dessa história triste do Armin. Eu sabia que em geral ele não ligava para as mulheres, mas ele quis me dar uma chance por que eu era diferente. Mas alguém havia feito ele ficar desse jeito. E esse alguém era uma amiga da minha prima.
— Você pode estar achando ridículo. Afinal eu conheço ele a menos de um mês. — Lexi diz. — mas eu não consigo evitar e isso está me corroendo. Eu vejo ele em todos os lugares e eu só consigo pensar nos beijos dele.- ela diz e vejo novas lágrimas se formarem em seus olhos. — mas então... agora na hora do almoço nós estávamos aqui e ele me beijou, mas ele não disse meu nome. Acho que era a bebida, não sei. Ele disse Lorena. Lorena Clark. — ela diz.
Eu conhecia essa Lorena. Na época em que Lexi morava no Canadá ela foi visitá-la uma vez. Ela era uma garota muito simpática que me fazia companhia enquanto e Lexi saia com os garotos. Ela sempre disse que não podia ficar com ninguém já que ela tinha um namorado bastante ciumento. Eu sempre achei estranho, a gente tinha apenas 14 anos para ter um relacionamento tão sério. Esse cara era o Armin?
— Onde está o Armin? — pergunto.
— Eu não sei e não quero saber. Eu vou voltar para o internato. — ela diz.
— Eu te levo. — digo.
— Não, você também bebeu. Eu vou pegar um taxi e não deixe o Armin saber disso. -ela diz. — não diga que eu estava chorando e não comente sobre a Lorena com ele. — sinto algo estranho. Eu queria esclarecer essas coisas. Minha prima estava chorando por um dos meus melhores amigos. — prometa.
— Eu prometo. — digo. Lexi força um sorriso e pega sua bolsa indo embora. Eu não vou falar com o Armin, mas isso não me impede de falar com o Lysandre. Impede? Caramba, que vida complicada.
—_________*****__________
— Tes? — sinto alguém tocar meu braço. Ah, eu dormi. Abro os olhos lentamente e encaro o teto do salão de jogos, para logo encarar os olhos de Lysandre. — está tarde. Pode dormir no meu quarto, eu durmo na sala. — ele diz e passa a mão por debaixo dos meus joelhos para me erguer logo em seguida.
— Lys. — chamo. A história de Lexi me fizera ter um sonho bem estranho com a inocente Lorena Clark vestida de diabo mastigando um Armin em prantos. Não foi um sonho muito legal.
— Sim?- ele pergunta enquanto abre a porta do quarto dele com o pé.
— O Armin alguma vez já foi maoado por uma garota? — pergunto. Cara, eu estou com muito sono. Mas não quero ter mais pesadelos com Armins comestiveis. Lysandre senta na beirada da cama e me encara.
— Por que a pergunta? — ele pergunta.
— A Lexi estava chorando por causa dele hoje. — digo me sentando para conseguir encara-lo. Lysandre parece pensar.
— Ele foi abandonado. Tinha uma garota que ele gostava, sim. Ela se tornou a vida dele depois que o Kentin foi para o exército. — Lysandre diz.
— E vocês? — pergunto.
— Nós sempre estivemos aqui para o Armin, mas ele se apegou demais a ela quando o Kentin partiu. Então um dia ela sumiu. Enviou uma mensagem para ele deixá-la em paz, que ele tinha sido um jogo para ela. Que era melhor ele parar de acreditar em amor, por que isso não existe — Lysandre diz. Isso não faz sentido. — Tessa, você está quase caindo de sono, amanhã podemos conversar mais sobre isso. -ele diz e com calma ele me força a deitar enquanto me envolve na coberta. Sono é para os fracos. Eu tenho muitas coisas para perguntar.
— E como foi hoje? — pergunto. Lysandre sorriu.
— Eu ia te contar amanhã, mas... você nunca vai acreditar no que aconteceu. -ele diz.
— O que? — pergunto. Lysandre parece que vai explodir de tanta alegria.
— Meu avô me apoiou no projeto. Ele disse que eu sou o presidente e fez os sócios deles me quererem no projeto. Da para acreditar? — Lysandre pergunta. Uau. Que mudança radical. Me sento novamente e seguro os ombros de Lysandre e ele sorri.
— Ele sente sua falta. -digo.- com o tempo ele vai se tocar que o culpado não é nem nunca foi você. — digo. Lysandre beija a minha testa e volta a me encarar.
— Acho que só o fato de ter o apoio dele já é perfeito para mim. — Lysandre diz. — eu nunca pensei que isso fosse acontecer. Eu posso até morrer de tanta felicidade agora. — ele diz.
— Então pegue um pijama para mim. Que horas são? — pergunto.
— Meia noite e meia. O pessoal foi embora a pouco tempo e os hospedes estao se preparando para dormir. Maud estava te procurando, ela me pediu para vocês tomarem café da manhã juntas amanhã. -ele diz revirando o armário dele em busca de um pijama dele.
— Mas nós duas sempre tomamos café da manhã juntas. — digo.
— Mania dos ingleses. Melhor dizendo, mania da monarquia. Acho que ela quer conversar com você sobre algo em particular. — ele diz.
— Shi Yoo. — digo. Lysandre me encara.
— O que?- ele pergunta.
— Lysandre, eu tenho cara de conselheira amorosa por acaso? — pergunto. Ele ergue uma sobrancelha. Caramba, a Lexi nem hesitou em desabafar comigo e tenho certeza que Maud quer conversar sobre Shi Yoo. Isso é por que eu estou me dando tão bem com o Lysandre? — talvez a gente deva brigar para as pessoas pararem de me usar como conselheira.
Lysandre faz uma careta para tentar disfarçar o sorriso e se deita na cama me puxando para seus braços e me imobilizando. Começo a rir quando ele começa a me fazer cosquinhas e tento afasta-lo, mas duas coisas: 1- eu não quero; 2- só acho que ele é mais forte.
— Quer brigar comigo, senhorita Chase? — ele pergunta parando e me encarando. Sorrio para ele que está um pouco em cima de mim com um sorriso enorme no rosto.
— Quero. E isso que você está fazendo está me desconcentrando. Se afaste para que eu possa pensar em uma razão para brigar com você. — digo tentando ficar séria. Eu não deveria ter falado isso. Me lançando um olhar desafiador, ele se inclina sobre mim e da um beijo de leve no meu pescoço e sobe fazendo um rastro de beijos até a pele logo abaixo do meu queixo.
— Eu tiro sua concentração, Tes? — ele pergunta. Quando ele ficou tão próximo assim? Cara, de repente me deu um calor. Tento olhar em volta no quarto, mas não consigo evitar os olhos dele. Ele sorri. — eu te fiz uma pergunta.
— Não. — minto. Ele ri.
— Jura? — ele perguntou dando um beijo no meu ombro e descendo até minha clavícula. Esse era meu limite. Lysandre sabia disso, por isso o respeitou enquanto subia com seus lábios para meu pescoço novamente.
— Não. — digo.
Ele sorri e finalmente me beija nos lábios. Olha, não é que eu tenha ficado desesperada por isso nem nada, mas Lysandre era única coisa que eu conseguia pensar no momento. E ele me beijava de uma maneira que nem o Castiel ou o Armin conseguiam.
Ele segurou meus pulsos novamente contra a cama enquanto aumentava a intensidade do beijo e eu não queria parar. Ele se separou de mim e logo em seguida senti seus lábios em meu pescoço novamente, dessa vez não apenas beijando, mas ele estava... chupando? Isso era uma sensação nova para mim, mas era perfeita. Então ele se separou de mim rapidamente e me encarou com os olhos arregalados.
— Droga. — ele diz. Me sento e o encaro.
— O que foi? — pergunto. Lysandre suspira.
— Seu pescoço talvez fique um pouco roxo amanhã. — ele diz. — para evitar piadas da parte de todos os nossos amigos idiotas, é melhor você esconder isso. — ele diz. Ah. Isso era o que as pessoas chamavam de chupão?
— Lysandre. -chamo. Ele já estava com o olhar destraido como sempre, mas então ele me encara.
— O que foi? — pergunta.
— Você obviamente não é virgem. Eu sei que pode não ser a melhor hora para conversar sobre isso, mas.. — digo.
— Nina. — ele diz rapidamente. — eu tinha 15 anos. Depois dela, outras três desconhecidas que o Armin me apresentou. Ele estava tentando me fazer ser igual a ele. E como não pretendo te esconder nada, já devo admitir que a Nina era recorrente para mim. — ele diz. Então o Lysandre já tinha feito sexo com quatro garotas. Certo, tudo bem. Ele é um garoto com 18 anos, isso é super normal, né? Mas a primeira vez dele foi com a Nina. Isso agora sim vai ficar na minha cabeça.
— Certo, tudo bem. — digo. Lysandre suspira.
— Teresa, nada disso importa. Nem Nina ou qualquer desconhecida. O que importa é que agora eu tenho você. — ele diz.
— Mas você nunca... a gente nunca... — digo. Ah, droga, eu não sabia que o assunto ia ser tão constrangedor.
— E eu prefiro assim. — ele diz. — Teresa, você é importante demais para que eu deixe que e uma luxúria de adolescente atrapalhe nosso relacionamento. — ele diz. Ah, então ele ficava excitado por minha causa.
— Lysandre Parker. — digo. Ele me encara.
— Sim, senhorita Chase? — ele pergunta sorrindo.
— Apenas me dê um beijo e vá dormir. Amanhã eu tenho que continuar com meus papeis de conselheira amorosa. — digo. Lysandre ri.
— E eu tenho um papel importante como herdeiro. — ele diz. — e não fique constrangida com esse assunto. — ele diz. — é importante para mim saber seus limites. E eu não quero que você tenha medo de mim- ele diz. Então ele deposita um beijo na minha bochecha. — eu te adoro.
— Eu te adoro mais. — digo. Ele sorri.
— Seu pijama está na beira da cama, a não ser que tenha caído. — ele diz e pega um travesseiro e a coberta que ele tinha separado e sai do quarto.
Apenas nesse instante eu percebo. É normal meu coração estar batendo tão acelerado? Ah, e meu pescoço está meio dolorido. Pego o pijama de Lysandre, mas não o visto. Apenas o abraço e imagno que ele é o Lysandre. Sentindo seu cheiro, eu volto a dormir.
—_________*****__________
— Diga, Maud. — digo enquanto tomo o familiar suco de laranja que o Lysandre era viciado e fazia quase todos os dias.
— Você estava certa. — ela diz. Em geral eu sempre estou certa, mas ela precisa ser mais específica.
— Em geral eu sempre estou. Mas sobre o que eu estou certa dessa vez? — pergunto.
— Shi Yoo. Ele é fantástico. — ela diz.
— E muito bonito. Sério, eu não sabia que asiáticos eram bonitos. -digo. Maud parece incomodada.
— Mas sabe o que me preocupa? — ela pergunta.
— O que?
— O que as pessoas falam sobre o tamanho... o tamanho do material dos asiáticos. — ela diz. Material? Que material?
— Material de que? — pergunto. Maud cora.
— O tamanho de... você sabe... daquilo- ela diz. Certo, ela está falando em códigos.
— Ainda não compreendo. — digo. Maud bufa irritada.
— Em geral as pessoas dizem que o tamanho do pênis dos asiáticos é menor. — ela diz de uma vez. Sinto meu rosto corar. Ah, então isso é o material. O material de reprodução, então?
— Ah... isso... varia? — pergunto.
— É lógico!- ela diz.
— E tem diferença na hora H? — pergunto.
— Tem. — ela diz.- mas eu não acho que você deva preocupar. O porte do Lysandre não é o de que tem o material pequeno. — ela diz maliciosa. Sinto meu rosto corar completamente.
— Vamos mudar de assunto. Faça o seguinte: apenas tenha uma relação sexual com o Shi Yoo e descubra você mesma. Eu acho que vou morrer de vergonha em algum lugar. Como sempre, foi ótimo tomar café da manhã com você, Maud. -digo e me levanto fazendo-a rir.
É impressão minha ou o mundo realmente gira em torna de sexo? Acho que as pessoas são pervertidas demais. E nesse momento até mesmo eu estou me sentindo pervertida. Parece que desde que eu comecei a namorar o Lysandre, as pessoas estão apenas esperando para eu que vire uma perita nesse assunto. Eu realmente preciso lembrar o mundo que no inicio desse ano eu ainda não tinha beijado ninguém?
— Tessa. — escuto alguém me chamar e me viro para Armin. Ele está com o sorriso estampado como sempre- você parece preocupada.
— Espero que vocês explodam. -digo. Ele ergue uma sobrancelha. Ah, droga, eu falei isso em voz alta mesmo?
— De que forma você quer que eu exploda? Inchando aos poucos ou de uma vez? — ele pergunta. Me sento na mesa dele e choramingo.
— Armin, o mundo gira em torno de sexo? — pergunto. Armin parece chocado e deixa o talher dele cair. — para você gira, obviamente.
— Aconteceu alguma coisa entre você o Lys? — ele pergunta.
— Não. Mas eu descobri que sou mais ingênua do que eu pensava. — digo. Lembro da minha conversa com Lexi ontem e tenho que resistir ao impulso de perguntar sobre o passado de Armin.
— Eu sempre soube que você era ingênua. Ah, seu namorado está aqui. Bom dia, Lysandre.- Armin diz.
— Armin, a Lexi estava te procurando. — Lysandre diz.
— Ah, sim. Ela sumiu ontem. Onde ela está? — ele pergunta.
— No jardim principal. — Lysandre diz e Armin sai correndo. Então ele me encara e faz um biquinho.
— Eu queria ficar um pouco com você, mas eu tenho que ir levar o Walter no aeroporto e eu prometi que iria às compras com a Nina. — ele diz. Seguro a ponta da mesa. Nina. Nina. Nina. Eu vou enlouquecer.
— Nina? — pergunto. Ele sorri.
— A Rosa estava te procurando. Você deveria ir atrás dela, eu não tenho visto vocês muito juntas atualmente. — ele diz.
— Eu posso ir com você e a Nina no shopping? — pergunto. Ele sorri.
— Você fica muito fofa quando está com ciúmes. Sim, pode. Mas você tem que trazer a Rosalya. Ah, e a Maud talvez também queira vir. -ele diz. Giro os olhos.
— Por que não organizamos uma excursão com os hospedes de uma vez? — pergunto. Ele ri.
— Me pergunto se devemos. Me de um beijo de bom dia. — ele diz. Ignoro a batalha sobre sexo que estava rodando na minha mente e me aproximo de Lysandre ficando na ponta dos pés e lhe dando um selinho. Ele fecha um olho e parece pensar. — não foi o suficiente. -ele diz e se inclina sobre mim me dando um beijo aprofundado. Eu não preciso me preocupar. Ele é o Lysandre, eu não tenho por que ter medo dele. O beijo dele tudo... era como se eu fosse o mundo dele. E ele estava virando o meu.
—_______*****____________
— Teresa, o que é isso no seu pescoço? — essa é a primeira coisa que Rosa me pergunta quando chego no dormitório. Cara, não está visível. Nem o Armin nem a Maud perceberam, como ela percebeu?
— Não sei do que você está falando — digo. Então Alexy sai do banheiro me fazendo ter um ataque cardíaco e encara meu pescoço.
— É sim, Rosa. Nossa amiguinha está deixando de ser inocente.- ele diz. Sinto meu rosto corar.
— Isso foi... o aspirador de pó. — digo a primeira coisa que consigo pensar. Rosa e Alexy me lançam sorrisos maliciosos e desvio o olhar. Eu deveria ter colocado o cachecol como o Lysandre sugeriu.
— Então você está pegando o aspirador de pó. Pobre Lysandre, trocado por uma máquina. — Alexy diz.
— O Lysandre não é virgem. — Rosa diz pegando um refrigerante no frigobar.
— Como você sabe? — pergunto.
— Meu irmão estava trabalhando em corromper ele.- Alexy da de ombros. — não tem como ele ainda ser.
— E qual o problema com isso? Espero que o mundo exploda e as cabeças rolem. Chega de falar desse assunto. — digo.
— Com uma condição. — Rosa diz.
— Admite que o foi o Lysandre que fez isso no seu pescoço em uma seção de pegação extrema. — Alexy diz. Que fofo. Os dois até completam pensamentos diabólicos um do outro.
— Foi. — digo. Os dois gritam de alegria.
— Como foi? — Rosa pergunta. — nunca pensei que o Lysandre fosse ter tanta pegada.
— Quando é que você vai liberar para ele? — Alexy pergunta. Sinto meu rosto esquentar e mostro o dedo médio para os dois.
— Sem mais tocar nesse assunto. -digo.
Escuto um barulho de carro derrapando e corro para fora, bem a tempo de ver a curva perfeita que o carro da Lexi fez. Ela desce do carro e Kentin desce do carro logo em seguida.
— Lexi. — chamo. Ela está chateada por causa do Armin de novo?
— Está tudo bem, Tessa. — Kentin diz. Não, não está tudo bem.
— O Armin fez minha prima chorar de novo? — pergunto. As orelhas de Kentin ficam um pouco vermelhas.
— Você conhece o Armin. Já viu todas as vezes que as garotas choraram por ele. Só por que é sua prima você está levando para o lado pessoal. — ele diz.
— É como você disse! É minha prima!- digo.
— Sinto muito, Tessa. Mas você não pode forçar o Armin a se apaixonar. — o Kentin disse. Agora eu estava ficando vermelha. O problema não era esse. Não era minha prima.
— A questão é que ele não acredita no amor só por que ele foi machucado! — digo. — ele está sendo uma pessoa de mente fraca, coisa que nunca pensei que ele seria, e o principal prejudicado não é minha prima, é ele. — digo. Um carro para logo em seguida e Armin sai do carro. Qual o objetivo dessas manobras radicais?
— Onde está a Lexi? — ele perguntou.
— Não é da sua conta, Armin! — digo. Armin me encara.
— Ela está estressada. — Kentin diz.
— Estou, e com razão. Armin, eu te amo para caramba. Vocês dois. E é por isso que eu não posso continuar vendo você se destruir dessa forma. Por causa de um trauma você não está apenas sofrendo, mas fazendo todos os outros sofrerem também. — digo. Armin suspira.
— Quem dera que você pudesse me curar com essa facilidade em? — Armin agora estava tão irritado quanto eu. — Teresa, você não escolhe a hora que uma pessoa ama ou não. Isso é uma preferencia minha.
— Armin, eu não quero brigar com você, mas eu me preocupo. Não apenas com a minha prima, mas com você. — digo. Ele me encara e após respirar mais uma vez, seu rosto deixa de ficar vermelho.
— Está tudo bem. Quando for a hora certa eu vou me abrir, Tessa. — ele diz. Acho que eu não tenho mais como discutir. Então ele sorri sarcástico. — isso no seu pescoço é um chupão? — ele pergunta.
— Não é que é, Armin? — Kentin diz. Idiotas.
—_________*****_________
— Você tem que provar esse daqui. — Hye Mi, a garota coreana, diz. O momento mais constrangedor da minha vida. Lingeries.
— Eu estou bem. — digo. Maud ri.
— Eu já fiquei sabendo que você ganhou um chupão. Agora é só questão de tempo. — ela diz e me joga uma vermelha chamativa.
— Eu preferiria algo com menos rendas. E menos vermelho. -digo. Elas riem. Ana Clara pega naturalmente a vermelha que eu estava segurando.
— Essa é bonita. -ela diz.
— Como está a Lexi? — pergunto.
— Ela está bem. Eu sai quando o Armin entrou no quarto.- ela diz.
— Eu não sabia que os dois estavam ficando. — Maud diz.
— E a gente não sabia também que você estava com o Shi Yoo. — Rosa provoca. Maud ri.
— Eu conferi o documento dele hoje depois do almoço . — ela diz. Por que o assunto sempre volta nisso? — não é do tamanho que eu esperava para um asiático. — ela diz. Chega.
Saio da loja de langerines e vou até a praça de alimentação, onde os homens estão. Lysandre está rindo ao lado de Castiel enquanto esse toca violão e Lysandre canta. Isso. As coisas aqui não parecem tão pervertidas. Me sento ao lado de Matsumoto e do Enrico enquanro Nina, que estava apoiada perto de Otto, sorri para mim.
— Não estava legal com elas? — ela pergunta. Todos os olhares se viram para mim.
— Digamos que eu prefiro ficar com vocês. -digo. Lysandre me abraça por trás e da um beijo na minha bochecha.
— Eles vão começar os testes para a peça de teatro da sua escola amanhã. Que papel você quer? — ele pergunta.
— Se quiser eu consigo a protagonista para você. — Castiel diz. Ah, claro, eu amo holofotes.
— Quero ser figurante. -digo. Todos na mesa riem e Lysandre se afasta da minha cadeira.
— Isso é humilhante. — ele diz.
— Não, isso é ser inteligente. — digo. Ele gira os olhos.
— A peça de teatro vai ser a abertura dos jogos anuais, não vai? — Kentin pergunta.
— Vocês ainda fazem isso? — Nina pergunta.
— O que são os jogos anuais? — pergunto.
— Os jogos anuais da F4. — Armin diz.
— A gente divide a escola em 4. — Castiel explica.- cada um de nós comanda um time. É tudo sorteio então não posso garantir que você ficará no time do Lys. — ele diz.
— Claro, você pode me fazer de protagonista, mas não pode me colocar no time do Lysandre. — digo.
— Ainda bem que você entendeu. — Castiel diz sorrindo.- e sim, a abertura será a peça de teatro. Eu mandei a professora atrasar de propósito.
— É tão legal como você controla a escola. -digo.
— É uma pena que não estaremos aqui para ver a Teresa atuar. — Matsumoto diz em um inglês péssimo.
— Ela quer ser figurante, Matsumoto. — Aiba diz em japonês.
— Roubará toda a atenção da protagonista. — Matsumoto diz agora em japonês.
— Tenho certeza que irei. — digo em japonês. Agora que eu podia praticar meu japonês, ele estava desenferrujando rapidamente.
Então meu celular toca e é um número desconhecido. Fico um pouco apreensiva, mas atento.
— Teresa, aqui é Joseph Shane. -a voz no telefone diz.
— Ah...- digo.
— Por favor, venha até minha casa. Preciso conversar um pouco com você sobre Lysandre. Você tem meu endereço?
— Acho que está no GPS do carro de Lysandre. — digo.
— Estou aguardando. — ele diz e desliga. Encaro meu telefone e me levanto.
— Quem era? — Lysandre pergunta.
— Eu preciso sair um pouco. — digo. — te encontro na sua casa? — pergunto
— Claro. Onde você vai? — ele pergunta. Forço um sorriso e fico na ponta do pé para lhe dar um beijo na bochecha.
— Te explico depois. Até mais tarde. -aceno para as pessoas da mesa. — posso usar seu carro, certo? — pergunto.
— Claro, a gente pega um taxi. — Lysandre diz. Sorrio mais uma vez e vou em direção ao estacionamento.
—_________*****_________
— Senhor Shane. — cumprimento quando entro na sala em que ele está tomando uma xícara de chá.
— Pensei que tivéssemos concordado em nos tratar pelo primeiro nome, Teresa. -ele diz.
— Certo, sinto muito, Joseph. -digo. — a que devo esse chamado tão repentino?
— Eu estive refletindo bastante sobre o que você disse. — ele diz. Ah, aquele lindo momento em que eu joguei algumas verdades a cara dele tentando ao máximo ser educada. Eu sou incrível, eu sei.
— E chegou a alguma conclusão? — pergunto.
— Teresa, eu andei pensando, e acho que talvez seja hora para reaproximar do meu neto. — ele diz. Meu queixo cai. Depois de todos esses anos, agora?
— Bom, então é melhor você começar. Mas eu não vou permitir que você machuque mais o meu namorado. -digo. Ele sorri.
— Você pode até fazer ironia e tudo, mas eu gostei de você. Principalmente de você com meu neto. E é por isso que eu sei que você vai me ajudar. — ele diz. Legal, estamos brincando de cúmulos?
— Você destruiu o Lysandre. — digo. Ele me encara e ajeita os óculos de leitura.
— E estou contando com você para me ajudar para reconstruir. Se eu vacilar, você pode levar o Lysandre para longe. Algo me diz que você não hesitará nem um minuto em fazer isso. -ele diz. Suspiro e espero não me arrepender da decisão que eu tomei.
— Eu ajudarei.
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