Ainda existem flores
31 Isso é um paradoxo?
Notas iniciais
"De céu azul das flores de abril, pensar além do bem do mal, lembrar de coisas que ninguém viu. O mundo lá sempre a rodar, em cima dele tudo vale. Quem sabe isso quer dizer amor? Estrada de fazer o sonho acontecer" — Milton Nascimento.
Encarei pela última vez o hematoma em minhas costas antes de descer a camisa do meu uniforme. Decidi não avisar a F4 sobre o que aconteceu ontem e Rosa concordou comigo, já que isso só os faria ficar mais preocupados.
Pego minha mochila no chão e decido não coloca-la nas costas por causa dos ferimentos. Faço meu caminho natural em direção ao prédio principal e enquanto passo pelo campus consigo ver os caminhões de mudança da F4. Isso parece até mesmo um mundo paralelo.
— Teresa Chase? – ouço uma voz. Me viro e é uma... disciplinaria? Apenas reconheço isso graças aos disciplinares que haviam em minha antiga escola. Nunca pensei que algum dia haveria algum desses em Sweet Amoris.
— Talvez? – respondo. Ok, acho que essa não foi a resposta mais inteligente do mundo.
— Estou com ordens do senhor Gonzales de avisar aos alunos que foram transferidos de sala onde é a nova sala deles. Sua nova sala será no quarto andar. – ela diz. Minha mão aperta minha mochila com força. Céus, as coisas só estavam ficando mais reais a cada minuto.
— Você saberia me informar com relação a aluna Rosalya? – pergunto. No mínimo ela ou o Alexy tinham que estar em minha sala.
— Lamento, mas creio que os outros transferidos da sua sala sejam apenas Ana Clara Merces e Jonas Rossevelt. – ela diz. É lógico, haviam salas demais de segundo ano. Não consigo esconder minha frustração e agradeço antes de ir para o andar que eu só havia ido uma vez.
Pelo caminho, as pessoas riam e conversavam normalmente. Claro, não é a vida delas que está mudando completamente. Checo a última mensagem que Lysandre me mandou avisando que os quatro estariam cedo na escola.
É muito estanho. No início eu era louca para destruir a F4 e agora eu simplesmente não consigo imaginar minha vida sem eles. É como se tudo fosse ficar cinza, ou... não sei. Porém eu também não sabia como me viraria sem o Viktor, mas eu estou melhor do que imaginava. Mas imagino que as coisas sejam muito diferentes.
Eu já havia ido uma vez ao andar da F4, mas obviamente as outras pessoas não. Por isso quando subi as escadas tudo parecia um caos com pessoas correndo de um lado para o outro, vasculhando tudo. Nesse momento elas estariam se preparando para dar a recepção a F4.
No final do corredor, quase que sem se destacar, estavam a F4. Eles estavam apoiados contra janela observando as pessoas correrem desesperadas. Eles pareciam ter perdido o brilho e isso me incomodou incrivelmente.
— Então agora nós somos vizinhos de sala? – brinco. Eu não conseguia imaginar qualquer um deles na minha sala e saindo correndo quando o sinal batesse para o professor não pegá-los. Isso não é natural .
— Eu pensava que eles fossem ser mais fiéis caso a gente perdesse tudo. – kentin resmungou. Lysandre segurou minha mão e sorriu irônico. Castiel estava com uma expressão séria e Armin parecia neutro. Imagino se ele teria brigado com a Lexi novamente.
— É por isso que você tem que aprender a separar os falsos dos verdadeiros. – Castiel diz, mas obviamente está incomodado. – não vai guardar sua mochila na sala?
— Eu ia fazer isso agora. – digo um pouco sem jeito. Eu já tinha aprendido as pessoas que eu deveria temer em alguns momentos e Castiel Sworis contrariado encabeçava a lista.
— Vamos, eu vou com você. – Lysandre disse pegando minha mochila com sua mão vaga e me puxando em direção a minha sala. – você não deveria segurar a mochila desse jeito e sim coloca-la nos dois ombros. Você sabe que isso faz mal para sua coluna. – ele diz. Giro os olhos. As vezes o Lysandre era simplesmente preocupado demais.
— Ok, mamãe. – digo escolhendo um dos lugares ao fundo, onde Lysandre colocou minha mochila. Ele sorriu para mim e colocou minha franja atrás da orelha.
— Muito engraçadinha. – ele disse e deu um beijo na minha testa. – isso tudo é só uma crise. O Castiel está pensando em como contorná-la. – ele disse e o sinal bateu fazendo ele dar um pulo. – o que é isso?
— É o sinal, Alien. Quer dizer que a aula começou. Te vejo na hora das reuniões de times. – eu disse e o empurrei em direção a porta da sala, aproveitando para acenar para a F4 que parecia desorientada com o novo som.
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Visão de Armin Prior ( O Playboy )
No instante em que entramos no grande salão para irmos para nossas bases dos jogos eu decidi que seria o novo Lysandre. Sinceramente, eu dormi a aula inteira. Toda a matéria que estava sendo ensinada eu sabia desde meus quatorze anos quando resolvi fazer estudo independente, após o Kentin ter ido para o internato. Acho que é preciso fazer um teste de QI nos alunos, ou talvez eles estejam apenas brincando com a nossa cara.
— Armin. – escuto alguém me chamar e me viro para Ana Clara que me encarava entediada. Eu não gosto dela. Em geral não sou de sentir piedade das pessoas, mas tenho do Castiel por ter sido comprometido com uma pessoa tão insuportável quanto ela.
— Oh, Ana Clara. – digo da forma mais simpática que consigo.
— Você e a Lexi brigaram de novo? – ela perguntou. Cara, já não basta a Tessa vir com essa, agora esse mosquito quer vir também? Se ela tivesse um décimo da personalidade da Tessa, eu até poderia não me irritar tanto.
— Não quero ser grosso, mas desde quando você tem o direito de se meter na minha vida? Ou na da Lexi? Ela pode ser sua melhor amiga, mas eu não sou. – eu disse naturamente mexendo com o Psp na minha mão. Ela pareceu um pouco chocada com isso, mas eu simplesmente desviei para o caminho da piscina, enquanto Lexi vinha ao meu encontro. Até quando eu não brigo com ela, as pessoas acham que eu brigo.
— Armin. – ela disse sorrindo. O assunto sobre meus sentimentos com relação a ela não voltaram a tona desde a boate e estou incrivelmente aliviado com isso.
— Como vai, sub capitã? – pergunto. Ela apoia a mão em meu ombro enquanto fazemos o caminho juntos.
— Estou bem. Na realidade melhor impossível. – ela disse. Eu não podia negar que vê-la feliz dessa forma acalmava um pouco a raiva que eu estava sentindo da escola nesse momento. Da para acreditar que tem um sinal para irmos para a aula? Isso não é uma escola, é uma penitenciária.
— Posso perguntar o que te deixou tão feliz assim? – pergunto. Ela faz um sorriso travesso e entra na minha frente pegando minha mão e me encarando em meio sua terrível tentativa de ficar séria.
— Simples, você vai sair comigo. – ela diz. Eu posso negar, mas existe uma diferença entre querer e poder.
— E onde nós iremos? – pergunto.
— Abriu um novo restaurante italiano e achei que poderíamos ir. – ela diz.
— Parece perfeito. Agora acredito que temos uma equipe nos aguardando. – digo. Ela sorri mais ainda.
— Com certeza. – ela diz e me puxou sem soltar minha mão. Enquanto ela corria na minha frente pude vislumbrar uma mecha dos cabelos loiros de Lorena Clark, mas assim que balancei a cabeça sumiu. Eram nessas horas que eu simplesmente não conseguia seguir em frente.
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Visão de Lysandre Parker ( O Príncipe )
O cabelo Castanho de Teresa despareceu enquanto ela saía do grande salão pelo portão onde havia uma bandeira de um cupcake gigante. Até agora eu não conseguia acreditar que ela havia conseguido convencer o Castiel a colocar o nome da equipe de Cupcake.
— Eu já disse que seus braços são muito definidos? – Alexy perguntou para alguém perto de mim e eu não pude conter o sorriso. Ele era a alma da equipe, por isso o elegi como sub capitão, o que fez ele querer de colocar o nome da equipe de arco-íris. Por uma democracia nós somos os mãos brancas. Um garoto propôs por causa do grupo que matou o príncipe sérvio na primeira guerra, os mãos negras.
— E eu já não pedi para você calar a boca, Prior? – o garoto respondeu. Alexy pareceu contrariado.
— Não é assim que se recebe um elogio. Ensine para ele, Lysandre. – Alexy disse.
— Alexy você já viu nossa divisão de quartos? – perguntei. Isso obviamente chamou a atenção de Alexy.
— Achei que só divulgariam a noite. – Alexy disse.
— O Armin deu um jeito de descobrir. – digo. – você está com o Kentin.
— Eu... o Quentinho ficou no meu quarto? – Alexy pergunto com seus olhos até brilhando. Eu ri um pouco, Alexy tinha essa necessidade de irritar o Kentin que ninguém entendia.
— Sim, eu estou com seu irmão e Nathaniel Percival. Castiel também está no seu quarto. – eu disse. Na realidade o quarto era eu, Castiel e Nathniel, mas nós fizemos uma... mudança no planejamento. Colocar o Castiel e o Nathaniel no mesmo quarto é querer destruir o internato.
— Lysandre. – Ana Clara me chamou. Franzi as sobrancelhas e forcei um sorriso para ela com minha expressão tranquila.
— Ana Clara. – respondi.
— Acredito que o papel de um líder seja apontar o que cada um deveria fazer. – ela diz. Já estou acostumado com suas tentativas de me irritar, por isso repito o discurso que aprendi na aula de base de economia.
— Depende do tipo de líder que você está falando. – eu disse da forma mais simpática possível. – se você quer um líder autoritário, esse líder será cercado por pessoas infelizes. O dever de um líder não é mandar, mas acreditar que cada um de vocês tem a autonomia de saber seus afazeres, já que isso é mais do que básico. Mas se estiver tendo alguma dificuldade com isso, eu posso lhe ensinar. – eu disse. Ela ficou incrivelmente vermelha e imagino se eu não terei falado algo grosso demais para ela. De qualquer forma, agora já era.
— E você sabia que esse líder que acredita nas pessoas que o cercam está destinado a cair? – ela pergunta.
— Isso varia da competência das pessoas que o cercam. Veja, eles não estão fazendo corretamente o exercício de treinamento? – perguntei apontando para os garotos que apostavam uma corrida a cavalo do lado de fora do grande salão. Sinceramente, eu fiquei com preguiça de decidir uma base.
— Certo, eu não havia percebido isso. – ela disse. Então levei um susto ao ver uma pessoa com o uniforme de esgrima completo correr em minha direção com a espada apontada para o meu coração. Desviei no último instante.
— Essa brincadeira pode machucar. – eu disse um pouco irritado. Então Alasca tirou o capacete e sorriu para mim.
— Eu fui a professora escolhida para orientar esse grupo. – ela disse feliz. Por mais que eu estivesse feliz que de todos os professores ela tivesse sido escolhida para nós, não posso deixar de me perguntar quem ficou com o grupo de Castiel.
— E você sabe quem ficou com o grupo de Castiel? – pergunto.
— Ah, sim. Ana Clara, o senhor Gonzales pediu para você encontrar com ele no lago que você trocará de equipe com a senhorita Rosalya. – ela disse. Isso quer dizer que... – e desculpe não responder, o senhor Gonzales é o encarregado.
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Visão de Teresa Chase (Apenas uma garota problemática que pensa ser uma ninja)
A casa do lago estava em silêncio desde que o senhor Gonzales levara a Rosa embora para substituí-la pela Ana Clara. Castiel estava de mau humor e parecia que iria matar alguém. Como eu disse que tinha dormido de mau jeito por isso eu estava com dor nas costas eu fui a única a ganhar um banquinho. Sou superior, eu sempre soube.
— Ai você sorri. – eu disse forçando um sorriso no rosto de Castiel sentada em meu banquinho de superioridade enquanto ele estava deitado na rede. Assim que tiro meus dedos, seu rosto volta a ficar sério e eu faço um careta e aperto minha bochecha. – nem agora?
— Teresa eu não vou sorrir tão facilmente. Faça um trabalho melhor. – ele disse. Peguei uma folha de papel e escrevi “banquinho da superioridade” e colei no meu banquinho o que fez o Castiel sorrir. Ignorei a dor em minhas costas e apoiei minhas pernas na rede, em cima das pernas de Castiel.
— O que vocês acham de fazermos um jogo? – pergunto para as pessoas sentadas no chão. Elas começam concordar e eu sorrio. – é de imitação. Você, é Iane, né? – pergunto para a garota que eu lembrava ter sido a primeira a ser escolhida.
— E-eu? – ela pareceu surpresa levantando na mesma hora. Parece que eu tinha interrompido uma conversa muito importante entre ela e a amiga dela.
— Você será a primeira. Venha aqui, vou te falar quem você irá imitar. – eu disse. Ela sorriu simpática e veio até mim. Cubro sua orelha com a mão e falo em voz baixa.- imite a Rosalya. – eu disse. Ela riu parecendo achar graça do meu pedido. – o resto terá que adivinhar quem ela está imitando.
— Primeiramente, Teresa Chase, como você pode vestir seu uniforme dessa forma? – ela começa. Eu sorrio e ela continua. –nós somos os Cupcakes, você deveria demonstrar algum respeito por isso. Nós temos diferentes personalidades. – ela disse e as pessoas começaram a arriscar Rosalya . — e você só vai ficar deitado nessa rede de forma preguiçosa? – ela perguntou ao Castiel. Castiel ficou sério e se colocou de pé.
— Independente do papel que você esteja fazendo, eu sou Castiel Sworis. – ele disse com raiva. Ai, droga, será que se eu jogar água nele ele acalma?
— Ai, caramba, me desculpe, Castiel... – ela pede. Castiel sorri.
— Se desculpas fossem suficiente do que adiantaria as leis e a policia? – ele pergunta. A garota parece chocada e ele ri. – eu estou brincando. Você perdeu, a Roaslya não deixaria ninguém falar assim com ela. Agora eu vou imitar alguém. – ele disse e todos riem enquanto ele se prepara. – viva a igualdade! Viva os ninjas! Viva os pijamas! – Castiel diz e todos riem.
— Viva! – todos respondem. Emburrada, mas sem conseguir controlar meu riso eu o empurro para longe.
— Cuidado quando for falar de mim. – eu disse. Ele sorriu e segurou meu pulso para se equilibrar.
— Por que eu deveria? – ele perguntou.
— Por que sua noiva sou eu. – diz uma voz na porta da casa dos barcos. Castiel se vira em estado de choque.
— Isso é invasão. Volte para seu time, Ana Clara. – ele disse.
— Isso não é invasão. – o senhor Gonzales disse atrás dela. — senhor Sworis, essa é sua nova sub capitã. Acredito que noivos não devam ser separados.
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“ Row row row...
Por que sinto que o bom velhinho veio mais cedo esse ano? Nunca ganhei tantos presentes ao mesmo tempo. Bom, vamos lá!
Olá companheiros do internato Sweet Amoris! Que dia agitado, não? A F4 agora é uma de nós. Como vocês se sentem estando nas salas de nossos príncipes? Nathaniel, está preparado para ter companheiros de quarto? Lysandre e Armin em breve estarão ai.
Será que eu senti um clima de amor no ar hoje? Ao que parece, o ex líder da F4 está um pouco contrariado e sua ex namorada resolveu consolá-lo. Pobre Lysandre... Mulher maravilha, até quando você vai brincar com os corações alheios?
Bom, sejam bem vindos ao internato. Tenho certeza que nos divertiremos muito juntos.
XOXO
Patricinha”
[Postado às 21:30, via celular]
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Por mais que estivesse de noite eu corri pelo campus e encontrei Lysandre rindo com Castiel, enquanto eles estavam sentados naturalmente em um banco. Assim que me avistam eles acenam e vou em direção a eles.
— Essa noticía do blog da patricinha...- eu comecei, mas o Lysandre apenas sorriu.
— Eu não acredito nessas bobagens, Tessa. Além do mais, não faço o tipo ciumento. – ele disse com a expressão tranquila. De... verdade? Por que eu estou me sentindo tão decepcionada? Não é isso que toda garota sonha?
— Ah... nesse caso... fico contente. – digo. Lysandre suspira.
— Se não estivesse tão tarde eu te pediria ajuda para organizar minhas coisas. Mas você sabia que existe uma regra em que as meninas não podem ficar nos dormitórios masculinos? – Lysandre parecia horrorizado. Eu sorri.
— Eu sei. – eu disse.
— Amanhã vamos todos para a aula juntos. – Castiel diz. – eu vou na frente. Boa noite, Tessa, Lysandre. – ele diz e me da um beijo na bochecha me deixando surpresa enquanto ele acena para o Lysandre e vai embora.
— Realmente não ficou com ciúmes? – pergunto. Lysandre nega.
— Eu sei dos seus sentimentos desde o momento em que eu te vi, Tessa. Da forma como eles mudaram do Castiel para mim. – Lysandre disse. – além disso, ciúmes é algo infantil.
— Se você diz. –digo. Ele ri.
— Eu digo. – ele responde. Lysandre me puxa pela mão e me beija. Retribuo seu beijo naturalmente enquanto ele aperta minha cintura, causando um lapso de dor nas minhas costas. Ele não parece ter percebi minha careta, o que era muito bom. Ele se afasta e ajeita minha franja antes de de levantar. – boa noite, Tes.
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No caminho de volta para o dormitório feminino sinto algo pesado bater em minhas costas já doloridas e me viro bem a tempo de ver o segundo caderno ser arremessado em mim. Algumas garotas estão paradas segurando minha mochila aberta em suas mãos.
— Ouvi dizer que suas notas abaixaram. Por que nós não te ajudamos a estudar? – uma delas fala e desvio quando o meu livro de matemática passa por cima da minha cabeça. Porém, antes que eu pudesse voltar, sinto minha gramática bater contra minha barriga me fazendo perder o equilíbrio e cair.
— Vocês tem problema mental? – pergunto tossindo devido ao impacto. Os cadernos e livros continuam a me atingir e eu uso toda minha força para derrubar a primeira delas com uma rasteira.
— Teresa, será que você não aprende a lição? – outra diz. Uma nova mochila é aberta e a dor preenche todo o meu corpo antes de ouvir os gritos da disciplinaria e meus braços terminarem de fraquejar.
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(Conto)
Eu ouvi dizer que isso é amor
A vida nunca tinha parecido tão triste quanto naquele momento. Armin Prior sentia que poderia morrer em seus 9 anos que não teria perdido nada na vida. Seu irmão gêmio, Alexy, também chorava ao seu lado.
— Faz eles pararem, faz eles pararem... – o irmão não parava de dizer isso. Armin estava com ódio de seus pais, e abaixado escondido atrás da bancada da cozinha tentando tampar os ouvidos do irmão dos gritos horríveis dos pais, seu ódio apenas aumentava.
— Eles vão parar, Alexy... – Armin não parava de repetir.
— Eu cansei de viver nessa casa! – a mãe berrou. –eu cansei de olhar para a sua cara! Você fica o dia inteiro brincando nesse computador...
— É esse computador que faz com que tenha comida na sua boca! – o pai retrucou com raiva. Armin se encolheu mais um pouco e apertou mais ainda as mãos contra os ouvidos do irmão.
— É esse computador que faz com que eu queira morrer e seus filhos sejam infelizes. – a mãe disse. Armin não sabia mais por quanto tempo conseguiria segurar o choro.
— Ótimo, eu vou embora. Eu já enjoei de você. – o pai disse impaciente.- te mandarei os papeis do divórcio. – Armin escuta alguém subir a escada e imagina que o pai tenha saído para buscar suas coisas. Pelo menos eles pararam de gritar.
Após destampar o ouvido do irmão, Armin sai correndo em direção a porta e sua mãe nem se da ao trabalho de chamá-lo, já que seu irmão finalmente havia começado a chorar alto. Ele também não sabe por quanto tempo correu até seus pulmões não aguentarem mais e acabar ajoelhando no chão, encarando a estação de trem fechada em que havia ido parar.
Ele não queria chorar, e não queria ver os amigos agora. Imagina o quanto ele se sentiria humilhado em ficar triste pelos seus pais estarem brigando, sendo que dois de seus melhores amigos já haviam até mesmo perdidos seus pais.
— Você sabe que dia é hoje? – ele escuta uma voz feminina perguntar. Uma garota loira de olhos castanhos se aproxima dele com as bochechas coras e cara de quem havia corrido bastante.- ou melhor, você sabe o quão rápido você corre? Estou tentando te alcançar a anos! – ela exagera.
— Que dia é hoje? – ele pergunta. Talvez fosse isso que ele precisava, uma estranha, alguém que nem se lembraria de seu rosto ou se havia chorado.
— 14 de fevereiro. Minha mãe disse que hoje é o dia dos namorados. – ela disse contente. – por que um menino lindo como você está chorando no dia dos namorados? Não será... você não tem uma namorada? – ela perguntou. Armin não pode deixar de rir de algo tão ridículo. Ele tinha nove anos.
— Quantos anos você tem? – ele perguntou.
— Tenho oito. Mas ano que vem terei nove. – ela disse orgulhosa.- minha mãe me contou que eu sou muito bonita e um dia terei um namorado fenomenal. Você acha que eu sou bonita? – ela perguntou. Armin a encarou. Seja lá o que essa palavra fosse ao ser usada para um humano, Armin podia garantir que se ajustava a ela. Por isso ele ficou sem jeito.
— Vá embora. Eu quero ficar sozinho. – Armin disse.
— Você pode chorar. – ela disse. – eu também choraria no seu lugar. Na verdade, eu choro demais. Minha vó disse que vou ficar enrugada igual a um maracujá e não vou ter namorado! Mas eu não entendo. Você sabe o que é um namorado? – ela perguntou. As primeiras lágrimas escorriam do rosto de Armin enquanto ele entendia o siguinifcado.
— Alguém que deve ficar do seu lado nos momentos bons e ruins. Te dar felicidade. – ele disse. A garota pareceu gostar.
— Eu quero um namorado. – ela choramingou. Armin sorriu triste. Seus pais já não eram mais namorados.
— Qual seu nome? – ele perguntou.
— Já sei. Eu te digo meu nome e você vira meu namorado, combinado? – ela perguntou. Armin riu.
— Você é estranha. Eu nem te conheço. – ele diz.
— Você tem que prometer. – ela disse. Armin gostou da brincadeira dela.
— Tudo bem. – ele disse.
— Você promete?
— Eu prometo.- ele respondeu achando graça.
— Meu nome é Lorena. Lorena Clark. Bonito, não? – ela perguntou.
— O meu é Armin. Armin Prior. – ele disse.
— Meu namorado. – ela completou. Armin riu. Ele nunca pensou que poderia rir quando sua vida parecia tão miserável.
— Seu namorado. – ele disse. Ela sorriu.
— Eu mal posso esperar para contar para a mamãe que eu tenho namorado. Eu vou te ver amanhã? – ela perguntou.
— Vai. – ele disse. Nem que ele tivesse que dormir da porta da casa da única pessoa que o fez sorrir quando estava triste.
— Então... até amanhã. Namorado Armin. – a garota estranha disse.
— Até amanhã, namorada Lorena.
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Quatro anos haviam se passado desde que Armin conhecera Lorena. Agora ele sabia o que era um namorado e naquele dia, 14 de fevereiro ele iria dizer para ela o que era um namorado.
— Lorena. – Armin chamou. Lorena riu ao seu lado.
— Sua voz continua engraçada. – ela disse.
— Minha governanta disse que isso é a mudança de voz. – Armin protestou sorrindo. Por que ela o fazia sorrir tão facilmente?
— Bom, está engraçada.- ela disse. Armin passou o braço pelo ombro de Lorena e ela sorriu para ele.
— Sabia que hoje faz quarto anos que a gente namora? – ela perguntou. Armin ficou irritado.
— Já mandei você não contar! A gente vai ficar junto para sempre, imagina se você perde a conta? É só não contar. – ele disse. Lorena riu feliz.
— Eu ouvi dizer que amor é quando você não consegue mais ficar sem uma pessoa. – ela disse radiante e encarou o namorado. – Armin, eu te amo.
— Você só está tentando me constranger. – ele disse com as bochechas coradas.
— Eu só... não quero mais passar um dia sem você. – ela disse.
— Eu também te amo. – ele disse com vergonha sem olhar nos olhos dela.
— Ãn? Eu não ouvi. – ela disse.
— Seja lá o que for amor, eu sinto isso por você. – ele disse. Lorena sorriu. Armin viu o momento perfeito para algo que ele queria fazer a muito tempo. Ele se inclinou na direção de Lorena e a mesma ficou rígida.
— O que você está fazendo? – ela perguntou.
— Apenas... agindo como namorado. – ele disse. Lorena fechou os olhos e Armin beijou os lábios dela e ficou assim, parado.
— A gente não devia fazer alguma coisa? – ela perguntou com os lábios colados no dele. – como se retribui um beijo? – ela perguntou fechando os olhos e pressionando os lábios mais forte contra os dele.
— Apenas retribua... estando ao meu lado. – ele disse e pressionou tão forte os lábios dela que até mesmo machucou.
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Ela não atendia o celular dela. Ele dera de presente para ela em seu aniversário de quinze anos o celular que ela tanto queria, por que ela não podia nem ao menos atender? Ele checou ansioso a data de 14 de fevereiro em seu celular e ligou de novo. Dessa vez ela atendeu.
— Lorena? – ele perguntou desesperado.
— Armin... pare de ligar... – ela estava chorando.
— Não, você não chegou na estação de trem ainda. Lembra que a gente vai comemorar nosso aniversário hoje? – ele perguntou.
— Nós não vamos mais comemorar nenhum aniversário. Não juntos. Por favor, não me ligue mais. – ela havia desligado o telefone.
Armin continuou ligando, era como se ele estivesse conversando com a caixa postal. Cansado, ele dormiu no banco da estação de trem em que haviam se conhecido e apenas acordou quando seu telefone vibrou com uma mensagem de texto.
“ Armin, não me procure mais. Acabou tudo. Não pergunte sobre mim, não venha atrás de mim. Mas não se esqueça da garota da estação de trem. Sentirei falta dela. Com todo meu coração,
Lorena”
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