Ainda existem flores
23 Doente de amor
Notas iniciais
”Estou pensando em como as pessoas se apaixonam de formas misteriosas e eu me apaixono por você todos os dias. Então talvez nós encontremos o amor bem onde estamos” — Ed Sheeran
Era tudo falso?
Após a notícia da gravidez, nós, da Preto no Branco, fomos entrevistar a nova modelo Teresa Chase. Filha da socialite Fiona Chase com o procurador federal do Canadá, Ned Chase, Teresa tem sido o centro das notícias desde a divulgação de seu namoro com o herdeiro, Castiel Sworis.
Após o noivado do ex, Castiel, Teresa divulgou a bomba de que estaria grávida em um artigo exclusivo para a revista de elite e celebridades "Por trás dos holofotes", após fazer um ensaio fotográfico para a mesma. Como era de se esperar, a notícia chocou a todos, já que chegamos imaginar que Castiel teria um filho fora do casamento. Mas como dizem, nenhuma mentira vai longe e não foi diferente dessa vez.
Provavelmente após um surto de culpa, Teresa prestou uma declaração hoje de manhã alegando que a gravidez era falsa e havia sido apenas uma falha tentativa de continuar com o ex. Ela também declarou que o relacionamento de Castiel Sworis realmente envolve sentimentos e não se trata apenas de uma fusão entre a empresa petrolífera Merces e a multinacional empresa Sworis.
Logo no final da entrevista, Teresa mencionou um possível amor por outra pessoa, que não parece ter ficado satisfeita com a invenção da gravidez. Não existem suspeitas sobre quem seja o novo amor de Teresa Chase, mas ele nos da a esperança de que no fim de toda essa confusão, é possível ter um final feliz.
A ideia de Teresa continuar apegada a Castiel apesar de não gostar dele nos leva a cogitar os interesses econômicos da nova socialite em estar com o herdeiro de uma grande companhia. Procuramos os integrantes do grupo F4, mas Lysandre Parker, também conhecido como "O príncipe", se recusou a dar entrevista e disse que seus companheiros estavam na mesma situação de não querer prestar declarações.
É necessário lembrar que Teresa é uma amiga próxima dos integrantes da F4 e da irmã de Castiel, que também se negou a prestar depoimentos, Alicia Sworis. Não foi possível contatarmos Ana Clara Merces, mas continuaremos tentando. Assim que for possível atualizaremos a página com mais novidades sobre o assunto.
Continuem ligados.
Preto no Branco
[Postado no dia 12 de agosto de 2015 ás 8h47, via web]
— Alguma coisa a declarar, Teresa?- as orelhas de Castiel estavam vermelhas enquanto ele segurava o Ipad em que estava lendo para todos as novas noticias. Certo, ele estava estressado.
— Tenho. O Lysandre realmente tem o apelido de o príncipe?. — pergunto tomando um gole do meu café. As orelhas dele ficam ainda mais vermelhas. Tudo bem, eu sei que não deveria dar esse tipo de resposta para uma pessoa que ta mais para bomba do que pra gente como o Castiel. Mas eu sei la, o clima está tão tenso que talvez uma piada vá amenizar a situação.
—Teresa, sinceramente, o que você estava pensando? — Ana Clara pergunta. Ótimo, era tudo o que eu precisava. A noiva vir me criticar também. Morte a todos. Acho que se eu pudesse ter um super poder, eu ficaria com o da rainha de copas de Alice no País das Maravilhas. Imagina que legal. Você diz "Cortem a cabeça!" e eles cortam. Adoro.
— Eu estava pensando que já que você namora o Castiel, não há motivos para eu acabar com a minha reputação. — digo.
— Teresa, de onde diabos você tirou que eu namoro com a Ana Clara?- Castiel pergunta. Calmamente eu tomo mais um gole do meu café. Como eles podem ser tão lerdos?
— Eu vi vocês se beijando ontem. E de qualquer forma, eu não queria ter feito isso. Sei lá, ficar parecendo uma vadia por ai. — digo.
— Eu acho que a Tessa está certa. -Alicia diz. — nós deveriamos ter considerado o lado dela antes de tudo. — ela diz. Deito na poltrona que eu estava de barriga para cima, de forma que eu consiga encarar Lysandre de cabeça para baixo.
— Por que seu apelido é príncipe? — pergunto.
— Eu não pareço com um por acaso? — ele responde sorrindo. Acho que ele já não está mais bravo comigo.
— Touché. — digo e ele ri.
— Teresa, da para parar de destrair as pessoas? Como assim você me viu com a Ana Clara ontem? — Castiel pergunta. Suspiro e me sento para encará-lo.
— Se não queria ser visto por ninguém, vá para um lugar mais reservado do que o pátio da escola. — digo dando ênfase ao "pátio da escola". Ele suspira e eu continuo provocando-o.- se quer minha opinião, você deveria tentar no andar da F4. Lá é bastante reservado se não fossem as câmeras. Não é não, Armin? — pergunto para o gamer que dispara a rir.
— Vou ter que concordar. — ele diz. — principalmente a sala de artes.
— Que bom que vocês gostam de provocar as pessoas. Eu realmente tenho grandes amigos. — Castiel diz.
Vou fazer mais uma piada super inteligente, mas meu celular toca e a palavra "Pai" aparece no identificador de chamadas. Droga, eu esqueci que eu nasci de alguém e que essas pessoas são responsáveis por mim. Peço licença ao pessoal e me levanto atendendo o telefone.
— A quanto tempo! -digo ao telefone assim que saio da sala da F4.
— Acho que pela primeira vez na vida você fez algo certo. — meu pai diz neutro, como sempre.
— Sério? O que eu fiz para me assegurar de que nunca voltará a se repetir? — pergunto.
— Você disse que não estava mais com o Castiel. As coisas foram tão rápidas... — ele disse. Calma, o que ele estava dizendo?
— Como assim? — pergunto.
— As empresas tiraram as denúncias contra mim e voltaram com o apoio. O dinheiro está voltando completamente para as contas bancárias minha e da sua mãe.- O que? Isso era sério mesmo?
— Então realmente era obra da Lucy Sowris? — pergunto.
— Exatamente. Seus cartões serão desbloqueados em duas horas. — ele disse.
— Certo. Pai, eu realmente estou ocupada agora. Posso te ligar depois? — pergunto.
— Era só isso que eu tinha que falar. Manteremos contato. — ele diz e desliga. Depois de ficar sem me ligar por quase duas semanas era só isso que você tinha para falar. Bacana. Também te amo.
Volto para dentro da sala da F4 e Alicia está irritantando Castiel enquanto os outros observam o mesmo ficar incrivelmente vermelho. Gente, será que a bomba vai explodir? Lysandre se vira sorrindo de rir e me encara.
— Era seu pai? — ele pergunta.
— Era. — digo me sentando cansada na poltrona.
— Não me diga que ele brigou com você de novo. — Kentin diz começando a prestar atenção a nossa conversa também.
— Na verdade ele veio me parabenizar. — digo.
— Pela gravidez? Ele não sabe que é falsa? — Armin pergunta.
— Não, por ter anunciado que a gravidez era falsa. Parece que a mãe do Castiel devolveu todo o dinheiro da minha família. — digo.
— Então a culpa realmente foi da minha mãe? — Alicia pergunta. Dou de ombros.
— Está tudo bem agora. — digo.- e eu preciso voltar para a aula. Eu não coloquei esse uniforme para nada. — digo me levantando.
— Ah, Tessa, quer ir tomar café depois da aula? — Lysandre pergunta sorrindo de lado. — você está com cara de quem está precisando.
— Eu adoraria. — digo sorrindo de volta e meu coração despara. Sério isso? É só um encontro de amigos.... certo? Certo? É um encontro encontro? Caramba, tão confuso. — Bye bye. — digo para todos na sala e saio em direção à minha sala.
—_________*****__________
— Você já saiu comigo um tanto de vezes, por que está se dando tanto trabalho para escolher uma roupa? — o Lysandre imaginário pergunta. Pego um vestido branco que eu nem sabia da existência e me olho no espelho.
— Por que eu descobri que te amo. Você acha que eu fico bem de vestido? — pergunto. O Lysandre imaginário me ronda me examinando.
— Acho que você parece a Anabelle quando usa vestido. — ele diz. Trinco os dentes.
— Obrigada pelo comentário. — digo.
— Apenas se vista normalmente. — ele diz. Suspoiro derrotada enquanto coloco minha camiseta justa e minha calça jeans. Resolvo aproveitar a honestidade do Lysandre imaginário para fazer perguntas.
— Eu engordei? — pergunto. Lysandre imaginário examina minha barriga enquanto coloco minha jaqueta jeans. Não é que esteja frio, mas vai chover. Tenho certeza absoluta.
— Não. Acho que ser pobre fez bem para você. Você continua em forma. — ele diz. Mostro a língua para ele e ele sorri. Então alguém bate na porta.
— Tessa? — era a voz do Lysandre real. Com isso o Lysandre imaginário desapareceu. Corro para a porta e a abro, fechando-a logo que saio por causa da bagunça. Ele ergue uma sobrancelha para mim.- vamos? Acho que vai chover.
— Sim. — concordo. — vamos.- digo sorrindo. Ele apoia as mãos nas minhas costas enquanto vamos em direção ao estacionamento.
— Vai ser sorvete mesmo? — ele pergunta.
— Claro. — digo pegando o capacete em sua moto. Me encara e ri.- o que foi? -pergunto por trás do capacete.
— Eu vou ter q comprar um capacete menor para você. — ele diz. Balanço a cabeça em negativa e ele se senta ainda rindo. Me sento atrás dele e ouço o Lysandre imagário rindo na minha mente "Não abuse de mim enquanto eu estiver dirigindo". O xingo e desço o capacete enquanto Lysandre da a partida.
—_________*****__________
— Vai querer o que? O de sempre? — ele pergunta.
— Dessa vez eu quero um milk shake de baunilha. — digo indo me sentar.
Lysandre fez o pedido no caixa e eu o encarava da nossa mesa de sempre. Ele me encarou de volta e sorriu. Imediatamente eu sorri de volta. Cara, isso é tão retardado. Ao invés de gostar de mim ele vai se preocupar se tenho demência. Será que eu estou doente? Coloco a mão na minha testa e ela está um pouco quente. Vai ver realmente é possível ficar doente de amor.
— Você está bem? — Lysandre pergunta me entregando meu milk shake.
— Estou. -digo forçando minha voz a ficar normal. Ele sorri.
— Eu estava pensando sobre um assunto. — ele diz naturalmente bebendo um gole de seu milk shake.
— É mesmo? Qual? — pergunto.
— A reportagem disse que você está gostando de alguém. E que foi alguém que ficou furioso com a falsa gravidez. — ele diz sorrindo de lado. Sinto meu coração gelar. Ele sabe. Ele lê mentes. O Lysandre imaginário contou para ele. Já sei, ele faz macumba. Mas ele sabe.
— É mesmo? -digo meio sem voz. Ele bebe outro gole de seu milk shake e eu não consigo nem encarar o meu, que está intocado.
— Então eu fiquei pensando. Essa pessoa poderia ser eu? — ele pergunta. Eu disse. Ele sabia. Ele sabe. Ele é o rei do mundo, é Hórus, é até o Czar! Meu coração nunca bateu tão rápido e eu conseguia sentir até um pouco de suor se formar na minha testa. Caramba, desde quando eu hesito diante de uma pergunta?
— Lysandre... droga, caramba? Ta tão na cara? É, é você. E eu quero saber a bruxaria que você fez para descobrir. — digo falando muito rápido. Talvez eu precisase dar a certeza para ele que nós devemos pelo menos continuar amigos. Eu não posso escutar uma rejeição dele, ia doer muito. — mas fica tranquilo, Parker, eu vou te esquecer, ok? Então não se preocupe com climas estranhos ou... — digo, mas fico calada. Ele me encara sério, mas tem sorriso em seus olhos. Nervosa eu apenas tomo meu milk shake quase todo em apenas um gole. E congelo meu cérebro. Cadê minhas palmas?- ai, gelado. — digo. Ele começa a rir e eu faço uma cara emburrada. — que foi?
— Sua boca está suja. — ele diz naturalmente. Continuo com minha cara emburrada enquanto limpo meu lábio inferior. Porém ele ri e se inclina sobre a mesa, me deixando paralisada. Especialmente quando ele me beijou. Não, dizer beijou seria demais ou de menos. Ele sugou meu lábio superior rapidamente e voltou a se sentar me deixando mais vermelha que um pimentão. — não diga que irá me esquecer. — ele diz.
Eu fico em pé e volto a me sentar. Ele continua a me encarar sorrindo. O que pensar? Ele gosta de mim? Ficaremos juntos até o apocalipse zumbi? Cadê o Lysandre imaginário agora? Ah, claro, minha mente parece estar em branco, como eu vou ver o Lysandre imaginário? O encaro de novo e quero dizer alguma coisa, mas não tenho o que dizer. Volto a fechar a boa. Ignorando os olhares das outras pessoas me levanto e saio o do restaurante até perceber que eu estava ensopada, então eu volto correndo.
— Você é louca? — Lysandre pergunta indo ao meu encontro na porta do restaurante.
— Está chovendo. — aponto para o céu. As vezes eu sou tão inteligente que cogito se meu QI por acaso não tem 4 dígitos. Eu sou um prodígio mundial.
— Você está ensopada. — ele diz pegando meu pulso e me arrastando em direção a chuva.
— Onde você está me levando? Tem água caindo do céu! -digo. Escuto sua risada por trás do barulho da chuva enquanto chegamos até sua moto. Ele coloca o capacete na minha cabeça para depois colocar o dele. Me sento e me agarro em sua cintura.
— Você precisa se trocar e eu também! — ele berra para que eu possa ouvi-lo. Então ele acelera em direção à sua casa.
No caminho para a casa de Lysandre, minha mente começou a clarear. Ele me beijou por que ele gosta de mim, certo? O Lysandre não é o tipo de cara que sai pegando as meninas por ai ou que iludindo. Por isso ele era o príncipe. Por isso eu era apaixonada por ele. Ele era simplesmente ele.
— No armário do quarto de hospedes está o pijama que você esqueceu aqui da última vez. -ele diz. Sim, o dia em que eu terminei com o Castiel e bebi para caramba. Boas memórias. — tome um banho quente. — ele diz.
Concordo com a cabeça e corro para dentro de casa indo em direção ao quarto de hospedes. Entro no banheiro e tranco a porta, ligando a água quente e me sentando no chão do chuveiro. Ele me beijou. Eu mal me toquei que gosto dele e ele gosta de mim. A quanto tempo? Aquele sonho em que ele dizia que me amava era realmente um sonho?
Tomo meu banho e meu coração literalmente não para de bater. Como isso é possível? Como eu vou encarar ele agora? Tudo está confuso demais. Coloco o pijama que eu tinha esquecido e vejo um moletom gigante em cima da cama. Claro, eu não podia ter um resfriado. Coloquei o moletom de Lysandre e fiz um coque frouxo no meu cabelo que estava começando a secar.
Agora eu estou quente. Respiro e inspiro diversas vezes até me sentir calma e finalmente saio para fora do quarto. Caminho até a cozinha com a calça do meu pijama quase arrastando no chão. Lysandre estava apoiado na bancada da cozinha perto da pia tomando algo em uma xícara. Em cima da mesa havia uma igual.
— É chocolate quente. — ele diz. — tome, a última coisa que falta é você ficar doente por minha culpa. — ele diz terminando a xícara dele e a colocando na pia. O encaro enquanto pego a minha e vou para a bancada oposta a dele. Ele ri. — achei que eu não precisaria me preocupar com climas estranhos.
— Isso seria se você tivesse escolhida a opção de eu parar de gostar de você . -digo. Ele ergueu a sobrancelha.
— Me esqueceria tão facilmente? — ele pergunta. Dou de ombros.
— Estou dando uma chance para o altruísmo. — digo. Ok, isso era mentira. A única pessoa que importava para mim, era eu mesma. Ah, e o Lysandre, mas isso são detalhes. Ele ri.
— E o que vai acontecer já que eu escolhi a outra opção? -ele pergunta. Boa pergunta. Sinceramente, eu não tenho nem ideia. O Lysandre imaginário estava quase me batendo mentalmente e gritando "você não tinha decidido ser feliz sem se importar agora?". Ok, Lysandre imaginário. Bom argumento.
Me aproximo do Lysandre real e ele me encara. Fico na ponta do pé e pressiono meus lábios contra os seus rapidamente, logo me afastando para ver sua reação. O encaro e ele me encara de volta. Então ele se aproxima de mim e eu me afasto até bater contra o balcão e ele sorri para mim. Imediatamente eu sorrio de volta e ele se inclina colocando as mãos na minha cintura e me beijando. Eu nunca pensei que o tímido Lysandre fosse ser assim. Ele me beija com calma, amor e algo não identificado por mim. Isso era perfeito demais. O beijo da mesma forma e eu nunca pensei que pudesse me sentir tão... única. Coloco minhas mãos em suas costas e ele me levanta pela cintura, me colocando sentada no balcão, sem descolar os lábios dos meus. Sinto seu sorriso contra meus lábios e decido que eu poderia morrer agora mesmo e eu seria a pessoa mais feliz do mundo. Ele escorrega seu nariz pela lateral de meu rosto e da um beijo leve no meu pescoço antes de me encarar.
— Posso te contar um segredo? — ele pede. Ele está muito próximo, me mantendo presa entre seus braços enquanto estou sentada na bancada.
— O que? — pergunto.
— Eu te amo. — ele diz. Sorrio para ele e dou um beijo em sua bochecha.
— É avassalador, não é? Você está ficando louco? — pergunto. Ele ri.
— Apenas você para definir desse jeito. Estou. — ele diz.
— Eu sei bem como é isso. — digo pulando da bancada e o abraçando fortemente contra mim.
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No momento em que eu acordo, tudo ontem parece ter sido um sonho. Voltar a ser rica, me declarar para o Lysandre, ele se declarar de volta, desmentir a gravidez... Estou sorrindo igual uma retardada. Pulo para fora da cama do quarto de hospedes e vou até a cozinha. Lysandre está sentado lendo o jornal e tomando café. Ao me ver, ele sorri.
— Você não gripou, certo? Eu já estava indo te acordar. — ele diz. Era sexta, de forma que eu tinha que ir para o internato maligno e voltar a realidade.
— Não gripei. — digo me sentando ao seu lado e enchendo um copo de suco de laranja para mim. — o que é isso?
— Panqueca com brigadeiro. — ele diz. Ergo a sobrancelha. Isso é estranho.
— É bom? — pergunto. Ele da de ombros e parte um pedaço com o garfo, colocando na minha boca. Por incrivel que pareça, a mistura do prato brasileiro com o prato americano era muito bom.- isso é estranhamente bom. — digo.
— Tem uma panqueca na frigideira e brigadeiro na geladeira. Faça uma para você.- ele diz. Concordo com a cabeça e pego a panqueca, colocando o brigadeiro por cima. — eu estava pensando...
— No que?- pergunto.
— Amanhã você vai sair comigo.- ele diz. Ergo a sobrancelha.
— Vou? — pergunto. Ele assente com a cabeça enquanto me sento ao seu lado.
— Teremos um encontro de verdade. — ele diz.
— Nada brega, por favor. — digo.
— Que tal irmos arremessar pipoca nas pessoas? — ele pergunta.
— Isso é maldade. — digo.
— Então eu vou te fazer uma surpresa. Agora come rápido para irmos para o internato. Você tem que se trocar antes da aula. — ele diz e se levanta com o copo e o prato, dando um beijo no topo da minha cabeça.
— Eu não posso assistir aula de pijama? — pergunto comendo a panqueca o mais rápido que eu conseguia.
— Sé você fizer isso, a diretora te manda para o psiquiatra. Se você for para o psiquiatra, você vai para o manicômio com certeza. Se você for para o manicômio, eu morro de saudade. — ele diz apoiando na soleira da porta que divide a sala de café da manhã da cozinha. Por trás dele, vejo a pequena figura do Morf lutando contra o grande chinelo de Lysandre.
— Sinceramente, essa não ainda não é uma desculpa boa o suficiente para eu não usar pijamas. — digo. Morf está ganhando a luta, e uma parte de mim sente pena do chinelo que está ficando aos pedaços. Acho mais hilario ainda o dono de ambos estar parado na minha frente e eu nao contar nada para ele. Eu sei, sou do mal.
— Quer uma boa o suficiente? — ele pergunta.
— Quero. — digo.
— Você fica gorda de pijama. — ele diz. Congelo. Morf agora arranca a parte de trás do chinelo, mas apenas ignoro. Isso é serio? Isso é maldade cara. Que tipo de pessoa fala isso?- estou brincando. Você está tão perfeita nesse pijama que estou tendo que controlar todos os meus hormônios nesse exato instante.- ele diz. Mas agora eu já estou de mau humor. Levo o prato e o copo para a pia e ele me encara rindo.
— Vamos? -ele pergunta.
— Está pedindo para morrer. — digo.
— De qualquer forma, ontem eu acho que já morri e estou no céu. Afinal, você está comigo. — ele diz. Ok, compensou. Foi brega, mas eu pelo menos não estava mais ofendida. Fica na ponta do pé e lhe dou um selinho.
— Anda, vamos logo. — digo fazendo cara de brava.- cadê o Morf? — pergunto inocentemente.
— Está no meu quarto. — ele diz dando de ombros.
— É mesmo?
— Sim, por... — ele para de falar ao encarar o pequeno cachorro que esta andando vitorioso, agora com o par do chinelo destruído. — MORF!
— É bom saber que a sala se tornou seu quarto. — cantarolo antes de ir para garagem.
—_________*****__________
Eram tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo que eu estava quase tonta. Porém, minha mente ficou em branco quando vejo o familiar rosto de minha prima na porta do meu dormitório.
— Lexi, o que aconteceu? — pergunto sorrindo enquanto vou em direçaõ a ela. Ela está quase quicando de emoção.
— Eu fui transferida, prima!. -ela diz feliz. Fico sem reação. Realmente, minha vida é uma loucura.
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