Ainda existe amor?

3 Capítulo 3 - O Retorno de Maria


Maria deu dois passos para trás e curvou a cabeça. Por um momento pensou que fosse cair de tão atônita e surpresa. Respirou fundo e abriu os olhos. Assim que ergueu a cabeça deparou-se com o olhar curioso de Fernando. Ele não entendeu de imediato a reação da mulher.

Fernando: levando a mão direita até o ombro de Maria- Você está bem? De repente ficou tão pálida...

Maria: segurando nos braços do homem- Não se preocupe! Essas tonteiras têm sido constantes desde que voltei de viagem.

Fernando: olhando fixamente o rosto de Maria — Então você precisa ir ao médico, se quiser posso levá-la agora mesmo... — tomando a mulher pelas mãos.

Maria: afastando-se bruscamente — Não é necessário. — disse com firmeza — Prometo que vou a um consultório médico assim que puder. — se recompondo diante do homem.

Fernando: rompendo o silêncio entre os dois — Então... posso vim te buscar daqui a duas semanas? Tenho certeza que esse é o tempo necessário para que você consiga se estabilizar por aqui.

Maria: passando uma das mãos pela testa- Não pretendo permanecer por muito tempo nesta cabana, amanhã bem cedo começo a procurar um apartamento na cidade. Essa casa é grande demais — passando os olhos por dentro do lugar e voltando-se para Fernando- para uma pessoa sozinha como eu.

Fernando: levantando uma das sobrancelhas- Quer dizer que você vai procurar um apartamento? Pois me ofereço voluntariamente para lhe acompanhar nessa difícil e cansativa missão — rindo.

Maria: — sorrindo- Não precisa, Fernando. Aliás, eu já lhe incomodei demais — olhando ternamente nos olhos do homem.

Fernando: aproximando-se sorrateiramente — Se todo o incomodo fosse como você...

Maria: sentiu-se um tanto invadida com a aproximação de Fernando, deu alguns passos para trás e continuou — Está ficando tarde... acho melhor você ir embora.

Fernando: desistindo da tentativa de beijá-la — Tudo bem, você venceu — admitiu com um sorriso amarelo nos lábios. Mas por favor, se em dentro de duas semanas encontrares um apartamento, me telefona — entregando outro cartão- quero muito te ver novamente.

Maria: — olhando para o cartão e esboçando um sorriso- Ligarei! Afinal de contas estou lhe devendo a companhia no jantar de aniversário dos San Romãn, e não sou uma mulher que foge dos compromissos que estabelece.

Fernando: — sorrindo- Esperarei sua ligação. — virando antes de entrar no carro — Boa noite!

Maria: Boa noite — acenando com a mão direta.

Os olhos de Maria acompanharam o homem até o momento em que ele entrou no carro e desapareceu por entre as árvores que cobriam a estrada. Voltando-se para a cabana, tampou o rosto com as mãos e deslizando até o chão derramou-se em lágrimas, tão dolorosas quanto as do dia em que recebeu a sentença do juiz. Finalmente, depois de vinte anos, veria seus filhos. As crianças pequenas e indefesas que havia deixado na capital ao partir para a Aruba. Em uma última despedida, abençoou os filhos com um beijo na testa e com o tradicional sinal da cruz. Os abraçou tão forte, que até pensou tê-los machucado. Estevão não entendeu a reação da mulher, porém Maria sabia que algo ruim aconteceria, sentia que seu coração a alertava. Quanto beijos, quantos abraços precisavam ser dados! Quantas noites acalantadas ao som de uma música infantil precisavam ser vividas. Porém, tudo acabou naquela noite, naquele quarto de hotel, no instante em que ela foi pega com a arma nas mãos. O que ela diria aos seus filhos? Se desesperou ao imaginar o momento em que estaria frente a frente de seus pequenos. Apenas duas semanas a separavam do grande dia, o dia do encontro

Assim que levantou do chão enxugou as lágrimas e decidiu que seria forte. Mais cedo ou mais tarde teria de enfrentar aquela situação. Então, procurou pensar positivo, acreditando que tudo sairia bem.

Já era quase meia noite quando Estevão chegou à mansão. Olhando para a sala de jantar constatou que por lá não havia ninguém, logo, presumiu que todos já estavam recolhidos em seus quartos. Suas visitas ao apartamento de Ana Rosa já haviam se tornado uma rotina. Ele a conheceu por meio de Demétrio, um dos advogados da empresa, amigo de longas datas da família San Romãn. Em um dos jantares na casa dos Rivero, lá estava a jovem mulher, provocante e vulgar ao mesmo tempo, com roupas curtas própria de seu estilo. Estevão nunca foi de reparar nas mulheres à sua volta, mesmo com o passar dos anos ainda permanecia ligado sentimentalmente à Maria. Tentou por várias vezes esquecê-la, entregando-se a outros beijos e abraços, mas as lembranças daquela mulher já estavam impregnadas em sua mente e coração.

Depois de um tempo, Estevão decidiu por assumir um namoro sério com Ana Rosa. No entanto, tinha a consciência de que jamais poderia sentir por ela o mesmo amor que vivenciou no passado, quando era casado com Maria. Além do mais, seus filhos nunca aceitariam a mulher, estavam totalmente comprometidos com a mentira que o pai havia criado e adoravam cegamente o retrato de uma desconhecida.

Assim que subiu as escadas, caminhou até seu quarto e abriu a porta cautelosamente; por sorte ou desgraça, seu quarto ficava ao lado do de Alba. Assim que adentrou o local, levou as mãos até a gravata e a aflouxou, precisava tomar um banho relaxante, o dia realmente havia sido cheio: preocupações, estresses e reuniões longas. Tudo isso o deixava tenso. Já enrolado na toalha, sentou-se na cama e voltou no tempo, relembrando que geralmente nestas ocasiões era recebido pelos beijos e abraços de sua esposa. Instintivamente, começou a sussurrar o nome de Maria, recusando-se a reconhecer que ainda sentia falta da ex esposa.

— Quarto de Estevão -

Estevão: Maria — pronunciou o nome com o tom de voz baixíssimo- por que estou pensando tanto em você ultimamente? Não é possível que eu ainda te ame... você foi a culpada pelo inferno que minha vida se transformou nesses últimos anos. — mirando um canto qualquer do quarto — Não posso amar uma assassina... não posso!

A primeira semana passou depressa. Maria percorreu boa parte da cidade tentando encontrar um lugar para morar. Era exatamente um sábado quando a mulher acordou bem cedo, tomou o café apressadamente e saiu para mais um dia de buscas. Restava apenas dois quadradinhos em branco na área de anúncios de imóveis no jornal, todos os demais estavam marcados com o X feito de caneta vermelha, evidenciando a indisponibilidade dos demais apartamentos.

Assim que chegou no prédio, o corretor estava a sua espera. Logo subiram alguns andares e lá estava ele, o futuro apartamento de Maria. O número era vinte e cinco, razoavelmente grande, dois quartos e uma sala ampla e arejada. Simples e discreto, como bem gostava a senhora Fernandez.

— Apartamento -

Corretor: aproximando-se com as mãos trançadas para trás- Pelo o que a senhora pode ver, o apartamento fica bem localizado e com uma paisagem privilegiada para o monumento mais importante deste país, o Anjo da Independência. Duvido muito que encontres um lugar como este pelo preço que meu cliente está oferendo.

Maria: — retirando o manto que cobria seu ombro- Tem toda a razão. Apesar de já conhecer o tipo de conversa tendenciosa de corretores como você, o apartamento é excelente e ideal para uma mulher como eu. Pode mandar preparar a papelada, pretendo comprá-lo hoje mesmo — olhando ao redor.

Corretor: sorrindo- Não irá se arrepender, senhora. Asseguro que estás fazendo um bom negócio! Vou agora mesmo preparar os documentos para serem assinados. Se preferir pode me esperar por aqui, não demoro.

Maria: — caminhando em direção a janela- Tudo bem... enquanto isso, vou continuar olhando o apartamento.

Finalmente! Um novo lugar, novas pessoas, uma nova história. Aos poucos Maria foi percebendo que conseguiria reconstruir sua vida. Suas esperanças se renovaram ao assinar o documento de compra. Realmente os anos que passou na cadeia criando joias e objetos de prata foram de grande serventia. Se não fosse pela ajuda de Rúbia, uma das carcereiras da prisão, nunca teria vendidos suas produções e arrecadado tanto dinheiro em vinte anos.

Era uma sexta feira, quando o hotel Rizin foi tomado por empregados e assistentes enviados para organizarem a decoração da festa. Fernando, como de costume, fechou-se em seu escritório e com o calendário nas mãos, constatou: falta apenas um dia! Ficou nervoso e um pouco apreensivo, Maria não havia se pronunciado e ele nem ao menos sabia onde encontrá-la. Ela simplesmente desapareceu do mapa. Dias antes, o homem dirigiu-se até a cabana, mas foi pego de surpresa ao saber que o lugar estava sendo ocupado por outras pessoas. "Ela desistiu de mim", pensou o senhor Navarro ao perceber que ficaria sem acompanhante para ir ao jantar.

De repente o aparelho de telefone começou a tocar, era Vitória sua secretária, informando que um envelope havia sido enviado no nome de Maria Fernandez. Rapidamente um sorriso se pôs em seus lábios, levantou-se da cadeira em que estava sentado e correu até a porta, ao abri-la deu de cara com Teodoro. Empurrando o homem, dirigiu-se até a secretária e pegou de sua mãos o envelope. Respirou fundo e voltou a sala, ao entrar encontrou seu assistente petulante parado bem a sua frente.

— Sala de Fernando-

Teodoro: levando o dedo indicador até a cabeça fazendo movimentos circulatórios — Você ficou maluco? Por que me empurrou daquela maneira? — continuou parado em frente a mesa do chefe.

Fernando: sentando em sua cadeira- Teodoro, você não vai conseguir estragar o meu dia. Nem tente me fazer perder a paciência, porque não vai adiantar. Ela apareceu!

Teodoro: De quem você está falando? — demonstrando que sua curiosidade era sincera.

Fernando: sorrindo- Da mulher que conheci na... quer saber? Cala a sua boca! Eu preciso abrir esse envelope, mas estou sem coragem alguma.

Teodoro: pegando o envelope das mãos do homem- Sem problemas, deixa que eu faço isso pra você chefinho!

Fernando: olhando pasmo para o homem a sua frente- Que folgado! Me dê aqui isso- puxando o objeto das mãos de Teodoro- chega de confianças por hoje, não acha? Eu mesmo abro este envelope, é bem mais seguro!

Ao abrir o envelope, Fernando se depara com um cartão, o qual fez questão de ler imediatamente.

— Cartão (aberto) -

Olá Fernando.

Primeiramente, gostaria de pedir desculpas pelo meu súbito desaparecimento. Suponho que tenhas ido até a cabana procurar por mim e constatado que eu não estava mais lá. Pois bem, como havia lhe dito em nosso último encontro, resolvi procurar um lugar só MEU, onde eu pudesse me sentir segura e confortável. Encontrei o apartamento ideal, bem localizado e ainda por cima tem a ver bastante comigo!

Não se preocupe, ainda vou lhe acompanhar ao jantar que me propôs. Não sou uma mulher que foge dos compromissos que assume, ainda mais com uma pessoa tão bondosa e prestativa como você, mesmo que em alguns momentos tenha sido um tanto evasivo com seus comentários audaciosos.

Um dia, alguém me disse que encontramos o nosso destino no caminho que tomamos para evitá-lo. Hoje, percebo que isto é verdade. Não peço que entenda esta última frase, mas que a guarde com a lembrança de que um dia, em um futuro não muito distante, a explicarei.

Abaixo poderás encontrar meu novo endereço. Se o convite ainda estiver de pé, estarei lhe esperando no horário combinado. Não se atrase, gosto de pontualidade! E pode tirar esse sorrisinho vitorioso dos lábios, você me fez um favor e estou apenas retribuindo.

Atenciosamente,

Maria Fernandez.

— Cartão (fechado) -

Fernando: sorrindo largamente — Maria... como não vou sorrir ao receber uma notícia tão maravilhosa como esta? O convite está de pé e saltitando de alegria — rindo.

Teodoro: levantando e dando a volta pela mesa de Fernando — Hum... então quer dizer que a mulher mais fantástica que você já conheceu se chama Maria?

Fernando: reclinando-se na cadeira- Maria Fernandez. E ela não desapareceu do mapa como eu havia intuído. Sou um idiota mesmo! Estava todo nervoso pensando que tinha levado um "fora", dá pra acreditar? Foi a primeira vez que me sentir assim... triste. Mas ela vem para o jantar Teodoro, e eu ainda não conseguir assimilar a notícia — rindo.

Teodoro: encostando-se na parede- Mas já deveria ter começado. O jantar é amanhã, se eu fosse você já teria ido ver o smoke, a limousine, o champanhe...

Fernando: levantando-se e tomando nas mãos a sua mala- Pela primeira vez na vida você falou algo aproveitável nesses anos de amizades! Vou agora organizar tudo para amanhã. Cuide do hotel na minha ausência. Adeus — saindo.

Teodoro: sentando-se na poltrona de Fernando — Boa sorte!

E assim mais um dia passou. Na manhã seguinte, precisamente um sábado, Maria saiu para caminhar um pouco e aproveitou para visitar algumas lojas a fim de encontrar um vestido que lhe caísse bem ao corpo. Como havia voltado a pouco tempo de Aruba não conseguiu comprar muitas roupas ou acessórios femininos. Depois de percorrer algumas boutiques encontrou o vestido ideal.

Na Mansão San Romãn as expectativas eram as melhores. Os filhos de Estevão adoravam as festas promovidas pela empresa, ainda mais quando eram comemorativas. Sentados na sala, encontravam-se Heitor, Estrela e Ângelo, o filho mais jovem do senhor San Romãn; adotivo, mas amado como os demais. Em torno da vida do pequeno rapaz girava uma história confusa e misteriosa. Infelizmente, Ângelo era fraco e com uma saúde debilitada demais para descobrir àquela altura da vida a verdade sobre suas origens.

— Sala da Mansão San Romãn-

Heitor: — adentrando o local- Bom dia irmãozinhos.

Estrela: — olhando-o- Heitor, pensei que ainda estivesse na cama.

Ângelo: concordando com o comentário feito por Estrela — Realmente é uma surpresa te ver acordado a essa hora e ainda por cima bem disposto.

Heitor: sentando- Não sei porquê o espanto. Hoje é dia de festa! E em dias assim eu fico animado de graça.

Estrela: mexendo no cabelo- Mas claro, você adora as festas por causa das mulheres que vão estar lá. Qual é a lista de cantadas baratas que você pretende usar dessa vez maninho? -rindo.

Heitor: Dando de ombros — Você está é com inveja, Estrela. Afinal de contas é uma solteirona. — gargalhando- Vai ficar pra titia.

Ângelo: rindo — E ainda por cima, pra tia Alba.

Estrela: armando uma feição enfadonha no rosto- Vocês são tão ridículos. Pois fiquem sabendo que eu tenho um namorado!

Ângelo e Heitor: — surpresos- O quê?

Estrela: ajeitando-se no sofá- É isso aí! Ele é alto, bonito e inteligente. Nós caminhamos e conversamos juntos, e antes da despedida ele me abraça. E então... Eu acordo... Sim, é apenas nos meus sonhos. Mas eu já ouvir dizer que quando temos um sonho tantas vezes é sinal de que ele vai se realizar.

Heitor: Quer dizer que ele é somente fruto da sua imaginação? Sinto muito te decepcionar irmãzinha, mas você vai ficar pra tia Alba — rompeu em gargalhadas altas.

Estrela:- cruzando os braços- Cala a boca Heitor, você só está falando isso por despeito! Porque nenhuma mulher se interessa por você!

Ângelo: Estrela, minha irmã, eu não teria tanta certeza. — Virando-se para Heitor- A Silvia Belmonte ligou ontem a noite, ela disse que você prometeu levá-la na festa da empresa...

Heitor: — interrompendo o irmão — É verdade! E agora como vou me livrar dela? — Levantando-se — Por que as mulheres insistem em ter um compromisso sério? Eu não nasci para viver preso a uma mulher só. Sou jovem, quero poder aproveitar bastante antes de me casar.

Estevão descia as escadas quando ouviu a conversa dos filhos

Estevão: Heitor, meu filho, você diz isso porque ainda não encontrou a dona do seu coração, a mulher que fará você mudar para sempre.

Heitor: Quanta bobagem, papai! Eu já sou um homem maduro. Não irei me deixar levar por essas besteiras de amor. Não vou mudar por nenhuma mulher! — sentenciou.

Estevão: caminhando até os filhos- Lembre-se de uma coisa: o coração dita as suas próprias regras e nele ninguém manda! Mas do que estavam falando?

Estrela: segurando a mão do pai que estava em pé ao seu lado- Da festa de hoje a noite e de como Heitor está animado por causa dela.

Estevão: sorrindo — Vocês não sabem como o interesse de vocês pela empresa me deixa feliz. Afinal de contas, quando eu morrer, todo o nosso patrimônio será de vocês. E além do que, tenho uma surpresa reservada para esta noite...

Heitor: afastando-se do pai — Não me diga que tem a ver com aquela mulher? O senhor não vai levá-la a festa, não é? Não no lugar onde já frequentou tantas vezes com a minha mãe...

Estevão: respirando- Por que vocês não conseguem dá uma oportunidade para a Ana Rosa? Ela é uma moça boa e só deseja me fazer feliz. Eu gosto dela — sendo enfático- e por mais que não agrade a ideia, vou levá-la a festa da empresa.

Estela: Papai! O senhor não vê que essa mulher só está interessada no seu dinheiro? Nós nunca vamos aceitá-la! Ela não vai ocupar o lugar da nossa mãe nessa casa. E se quiser continuar com esse jogo vai acabar perdendo os seus filhos.

Heitor: olhando nos olhos do pai — A Estrela tem razão! Nós não vamos admitir que essa mulher entre nessa casa como a "nova" senhora San Romãn. Ela não é digna de ocupar essa posição, não tem classe e muito menos me parece confiável. É uma oportunista!

Estevão: — exaltado- Heitor!

Ângelo: levantando depressa — Por favor, não briguem! Hoje é um dia especial. — virando-se para seus irmãos- Heitor... Estrela... relevem! É a felicidade do nosso pai que está em jogo, e se ele escolheu Ana Rosa para ser sua companheira na vida, devemos aceitá-la! São anos de solidão...

Heitor: interrompendo o irmão — Até você Ângelo? Quer saber? Eu vou para o meu quarto, já ouvi absurdos suficientes por hoje! — retirando-se.

Estrela: Eu vou com você, Heitor. Com licença! — subindo as escadas.

Estevão: sentando no sofá- Obrigado meu filho, o seu apoio significa muito para mim.

Ângelo: tocando no ombro do pai- Papai, apenas desejo a sua felicidade. E se realmente o senhor ama a Ana Rosa e se ao lado dela o senhor se sente bem, não devo me opor. Seria injusto da minha parte tentar impedir que o senhor reconstrua a sua vida.

Estevão: dando leve tapas no braço de Ângelo — Meu menino... tenho orgulho de dizer que sou seu pai. Tão jovem, mas tão sensato e maduro.

Ângelo: Obrigado papai. Agora vou subir para o meu quarto, preciso descansar um pouco — o rapaz abraçou o pai e saiu em direção à escada da mansão.

Estevão: passando as mãos pelos cabelos- Meu Deus... por que as coisas têm que ser tão difíceis? Mas hoje eu resolvo essa situação. Darei um passo definitivo na minha vida, mesmo que meus filhos não concordem.

Depois de passadas algumas horas, todos da família deslocaram-se para o hotel. A grande noite finalmente havia chegado. Alba e Carmem chegaram ao lugar acompanhadas por Estrela, Heitor e Ângelo. Por lá já se encontravam Fabíola, Bruno, Daniela, Demétrio e Evandro. Uma mesa especial havia sido reservada para os San Romãn juntamente com seus "amigos" mais íntimos. Assim que chegaram foram recebidos por uma chuva de aplausos pelos convidados. Acomodaram-se em seus lugares, enquanto os demais dançavam ao som da orquestra que tocava.

Já no apartamento de Maria, encontramos Fernando frente à porta. Preste a batê-la, o homem arruma pela décima vez a gravata do smoke, passa as mãos pelos cabelos e desce até as pernas, verificando se estava tudo em ordem na sua aparência. Dando leves toques na porta, aguardava ansioso pela chegada de Maria.

Ela, por sua vez, já havia terminado de se arrumar. Caminhou elegantemente até a porta e a abriu deparando-se imediatamente com Fernando, que ficou paralisado ao ver a beleza da mulher que o olhava de forma angelical.

Maria portava um vestido vermelho, longo e de apenas um ombro. Cinturado, ele demarcava as curvas esbeltas da mulher. Sua saia era godê e peguilhada até o fim da bainha. Na única alça do vestido, que ficava do lado direito haviam pequenas rosas feitas de tecido vermelho e bordadas com pedrinhas prateadas.

No cabelos um coque trançado, alto e elegante. Nas mãos uma carteira prateada e uma echarpe preta. Trazia no rosto uma maquiagem marcante, lábios vermelhos, um olhar bem delineado e cílios modulados. Usava um par de brincos em formato de "s" e de cor prata e nos braços, uma única pulseira feita de cristais.

Os olhos de Fernando correram pelo corpo da mulher, de cima a baixo. A cinturinha fina e convidativa de Maria parecia pedir que a segurassem com o braço. Contudo, o homem se conteve e permaneceu de olhos arregalados a observando completamente fascinado. Até que ela quebrou o silêncio do momento e com um sorriso largo nos lábios o saudou.

— Apartamento de Maria -

Maria: sorrindo largamente — Boa noite Fernando. Vejo que a pontualidade é uma de suas qualidades.

Fernando: depositando um beijo nas mãos de Maria — Como eu poderia deixar uma dama como você esperando? Depois de tanto procurá-la na cidade, finalmente a encontrei... que susto me deste!

Maria: ajeitando a echarpe nos braços- Não exagere, Fernando. Eu nunca deixaria de cumprir o que havia acordado com você. Então, preparado para o jantar?

Fernando: sorrindo sem tirar os olhos da mulher — Estou me preparando desde o dia em que você aceitou meu convite. Se me permitir, gostaria de fazer um comentário... posso?

Maria: assentindo mas com receio do que ouviria — Claro, fique a vontade. Mas sem impertinências, por favor — rindo.

Fernando: aproximando- se de Maria a medida que ia falando — Pode parecer até uma mentira de minha parte, mas eu nunca vi uma mulher tão linda e encantadora como você. Tens algo de especial no olhar, no seu porte, no jeito que falas. És uma mulher completa, simplesmente maravilhosa.

Maria: constrangida com o comentário — Fernando... desse jeito ficarei sem graça — baixando a cabeça.

Fernando: sorrindo — Essa noite você tem liberdade para ficar do jeito que quiser, não me importo.

Maria: tentando mudar o rumo da conversa — Acho que já está na hora de irmos.

Fernando: Tem toda a razão. Vamos? — colocando uma das mãos de Maria em seu braço.

Maria: fechando a porta do apartamento- Vamos!

— Hotel Rizin -

De Regresso ao hotel Rizin, chega à porta principal Estevão acompanhado de Ana Rosa. Esta usava um vestido preto, longo e justo, com uma grande abertura na saia. Assim que Estrela e Heitor avistaram a mulher, levantaram-se da mesa e caminharam até a varanda, indignados com a situação presenciada.

Percorrendo todo o salão da festa, Estevão cumprimentou os convidados e apresentou Ana Rosa aos amigos mais chegados. Ela enchia-se de orgulho, como se estivesse dizendo si mesma: eu venci.

Sem perder tempo, Estevão achegou-se até a orquestra e pediu educadamente que parassem de tocar. Assim que o último violino cessou a melodia, todos direcionaram suas atenções para o senhor San Romãn. Tomando Ana Rosa pelos braços, preencheu o rosto da mulher com uma expressão de confusão ao anuncia que precisava comunicar algo importante sobre o relacionamento que os dois mantinham.

Nesse exato momento, Maria e Fernando aparecem de braços dados, bem em frente a porta de entrada do salão, presenciando toda a cena que estava ocorrendo.

Estevão: olhando para Ana Rosa- Hoje, eu irei cumprir com a minha palavra — voltando para todos que estavam no salão -Queridos amigos, como havia dito anteriormente, tenho um comunicado a fazer. É motivo de muita alegria ter vocês juntamente comigo e minha família em um dia tão especial como este, quando as empresas que foram administradas por meus pais completam 95 anos. Mas hoje, não vou discursar sobre esse patrimônio tão valioso que meus pais me deixaram, mas sim, sobre ela, Ana Rosa, minha futura esposa — deixando todos a sua volta surpresos com o anúncio.

Enquanto falava, o seu olhar percorria todo o salão. Num desses momentos, encontrou parada frente à entrada principal a mulher que tanto amou e que pensou que ainda estivesse presa. Ela o mirava fixamente com as sobrancelhas arqueadas. No mesmo instante, o homem perdeu a voz, confuso procurou constatar se não se travava de uma miragem. Ao perceber o nervosismo de Estevão, Maria põe em seus lábios um leve sorriso de triunfo.

Continua.