Ainda assim, Amar

14 capítulo 13 - La Voce


Notas iniciais
Depois do capitulo anterior tão denso e sofrido vamos dar uma pausa pro sofrimento e por favor comentem

Depois da confissão de Isabella sobre sua infância, parecia que um peso carregado por tanto tempo finalmente havia sido retirado de seus ombros. Ela estava mais segura do seu relacionamento com Edward e, por isso, queria ficar o mais perto possível dele. Uma das coisas que ela mais adorava era estudar no escritório de Edward.

Oficialmente, porque era silencioso, organizado e confortável.

Extraoficialmente… porque ela gostava de observá-lo.

Edward concentrado era uma coisa.

Edward negociando era outra completamente diferente.

Ele estava ao telefone, postura impecável, olhar firme.

— No. Non è accettabile. Voglio il contratto rivisto sulla mia scrivania domani mattina.

(Não. Não é aceitável. Quero o contrato revisado na minha mesa amanhã de manhã.)

A voz era baixa.

Segura.

Sem esforço.

— Non mi ripeto.

(Eu não me repito.)

Isabella sentiu o arrepio percorrer a espinha.

Ela tentou focar no livro aberto no colo.

Tentou mesmo.

Mas quando ele disse, calmo:

— Se vogliamo chiudere l’accordo, lo facciamo alle mie condizioni.

(Se quisermos fechar o acordo, faremos nas minhas condições.)

Bella sempre amou a língua italiana. Desde menina achava que o som das palavras parecia música — envolvente, intensa, quase palpável. Mas quando ouviu Edward falando italiano pela primeira vez, algo diferente aconteceu. A voz dele naquela língua a desarmou completamente; foi como se as sílabas ganhassem textura. Para ela, o italiano era doce e salgado ao mesmo tempo, tinha a suavidade de um sussurro e o calor de uma chama acesa — era fogo puro. Ela nunca conseguiu aprender a falar, por mais que tentasse, mas entendia muito bem… e talvez fosse até pior, porque cada palavra dita por ele chegava inteira, carregada de intenção, e a fazia sentir como se estivesse derretendo por dentro.

Ela fechou o livro.

Ele desligou.

Levantou os olhos.

Encontrou os dela.

— Distratta?

(Distraída?)

Ela levantou devagar.

Atravessou o escritório.

Antes que ele pudesse reagir, já estava sentada no colo dele.

— Você faz isso de propósito.

Ele apoiou as mãos na cintura dela.

— Faccio cosa?

(Faço o quê?)

— Essa voz.

O sorriso dele foi mínimo.

— Sto lavorando, Isabella.

(Estou trabalhando, Isabella.)

Ela inclinou o rosto, próxima demais.

— Eu sei.

E então ela o beijou.

Não tímida.

Não contida.

As mãos dela subiram pelo pescoço dele, puxando-o.

Ele respondeu com a mesma intensidade, segurando-a com firmeza contra o corpo.

O beijo aprofundou.

Mais quente.

Mais urgente.

Ela murmurou contra os lábios dele:

— Você sabe o que faz comigo quando fala assim.

Ele segurou o queixo dela levemente.

— Dimmi.

(Me diga.)

Mas antes que ela pudesse responder —

Batidas na porta.

Os dois congelaram.

— Senhor? — a voz de Jasper veio do outro lado.

Isabella praticamente pulou do colo dele.

Tentou alisar o cabelo.

Pegou o livro.

Sentou no sofá como se estivesse ali há horas.

Edward ajustou o paletó.

— Entra.

Jasper entrou com a compostura habitual… mas o leve brilho nos olhos dizia que ele não era ingênuo.

Isabella não teve coragem de olhar diretamente para ele.

Quando Jasper saiu, o telefone pessoal de Edward tocou.

Aquele número quase ninguém tinha.

Ele atendeu.

Oi, mãe.

A voz mudou imediatamente.

Mais leve.

Mais afetuosa.

Isabella observava, ainda tentando recuperar o ritmo da respiração.

Sim… sim, claro… eu levo ela

Ele desligou.

Olhou para ela.

— Era a minha mãe. Ela quer que a gente vá jantar lá hoje.

O coração dela deu um salto.

— Hoje?

— Hoje.

Ela levantou do sofá.

— Eu não sei se é uma boa ideia… talvez eu esteja vestida errado… talvez eu—

Ele se aproximou.

Sem pressa.

Parou bem diante dela.

Ergueu o queixo dela com dois dedos.

— Respira.

Ela ainda estava nervosa.

Ele inclinou-se até o ouvido dela e murmurou:

— Sei con me. Non devi avere paura di niente.

(Você está comigo. Não precisa ter medo de nada.)

A voz não era a de negócios agora.

Era firme.

Protetora.

Ela fechou os olhos.

— Eles vão gostar de você — ele completou.

— Como você sabe?

Ele encostou a testa na dela.

— Perché quando ti guardo… vedo casa.

(Porque quando eu te olho… eu vejo casa.)

O nervosismo dela diminuiu.

Não completamente.

Mas o suficiente.

Mais tarde, na casa dos pais dele, o ambiente era acolhedor.

Esme a abraçou como se já a conhecesse.

Carlisle cumprimentou com elegância.

Rosalie conversou com ela sobre medicina, animada.

Isabella começou a relaxar.

Até que Emmett resolveu provocar.

— Vocês sabiam que a voz do Edward virou assunto no marketing?

Edward fechou os olhos por um segundo.

— Emmett…

— Duas secretárias estavam comentando. Disseram que quando você fala daquele jeito… ninguém respira.

Ele fez uma pausa dramática.

— Elas apelidaram.

Esme já estava rindo.

— De quê?

Emmett abriu um sorriso.

— “Voz de sexo”.

A mesa explodiu em risadas.

Isabella congelou.

O rosto ficou vermelho imediatamente.

Edward virou o olhar para ela.

Devagar.

Emmett apontou.

— Ihhh… a Bella concorda, pelo jeito!

— Emmett! — ela protestou, cobrindo o rosto.

Mais risadas.

Edward então disse apenas:

— Emmett.

Baixo.

Firme.

No exato tom citado.

Silêncio instantâneo.

Isabella sentiu o arrepio subir pela coluna.

E odiou que o constrangimento fosse tão visível.

Mas ninguém sabia o real motivo.

Só ele.

No carro, ela ainda estava vermelha.

— “Voz de sexo” — murmurou.

Ele segurava o volante, tranquilo.

— Non è colpa mia.

(Não é culpa minha.)

Ela virou o rosto para ele.

— Você gostou.

Ele olhou de lado.

— Forse.

(Talvez.)

E aquele pequeno sorriso dizia tudo.

O apartamento estava silencioso quando a porta se fechou atrás deles.

Isabella ainda estava sentindo o eco das risadas do jantar.

— Eu nunca mais olho para o Emmett — ela murmurou, tirando os sapatos.

Edward pousou as chaves na mesa com calma.

— Ele vai sobreviver.

Ela cruzou os braços.

— Você não ajudou.

Ele se aproximou devagar.

— Eu não fiz nada.

— Exatamente.

O olhar dele mudou sutilmente.

Ele parou diante dela.

— Você ficou vermelha.

Ela desviou o olhar.

— Foi constrangimento.

Ele inclinou a cabeça.

A voz desceu meio tom.

— Sicura?

(Tem certeza?)

O estômago dela apertou.

Ele deu mais um passo.

— Perché non sembrava solo quello.

(Porque não parecia ser só isso.)

Ela tentou manter firmeza.

— Edward…

Ele ergueu a mão e passou o polegar lentamente pela lateral do pescoço dela.

— Quando lui ha detto “voce di sesso”…

(Quando ele disse “voz de sexo”…)

Ele se inclinou até o ouvido dela.

— …hai smesso di respirare.

(…você parou de respirar.)

Ela segurou a camisa dele.

— Não usa isso contra mim.

Ele quase sorriu.

— Solo con te.

(Só com você.)

O ar entre eles ficou mais denso.

— Ti piace quando sono così.

(Você gosta quando eu fico assim.)

— Quando parlo piano…

(Quando eu falo baixo…)

Os dedos dele subiram lentamente pelas costas dela.

— Quando non ho bisogno di alzare la voce per avere il controllo.

(Quando eu não preciso levantar a voz para ter controle.)

Ela fechou os olhos.

— Non è contro di te.

(Não é contra você.)

Pausa.

— È per farti sentire.

(É para fazer você sentir.)

Ele a beijou.

Sem pressa.

Mas profundo.

Conduziu-a até o quarto entre beijos interrompidos e respirações descompassadas.

No quarto, ele murmurou:

— Guardami, Isabella.

(Olhe para mim, Isabella.)

O olhar dele estava escuro.

Seguro.

Ele beijou o pescoço dela devagar.

— Dimmi che non ti piace.

(Diz que você não gosta.)

Ela o puxou pela camisa.

Resposta suficiente.

A noite foi construída em camadas.

Toques que começavam leves e se tornavam firmes.

Beijos demorados.

Sussurros próximos demais.

— Così…

(Assim…)

— Brava…

(Isso…)

— Sei mia.

(Você é minha.)

Não como posse.

Mas como escolha.

Quando o ritmo finalmente desacelerou, Isabella estava deitada sobre o peito dele.

Ele traçava linhas lentas nas costas dela.

— Allora…

(Então…)

Ele inclinou-se até o ouvido dela.

— La “voce di sesso” funziona davvero così bene?

(A “voz de sexo” funciona mesmo tão bem assim?)

Ela riu baixo.

— Eu odeio você.

Ele beijou o topo da cabeça dela.

— No.

Pausa.

— Tu ami quando parlo così.

(Você ama quando eu falo assim.)

E dessa vez, ela não discutiu.

Porque ele estava certo.

E porque agora, no silêncio quente do quarto, não havia constrangimento.

Só eles

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.