Ainda Viva

16 Capítulo 15 - E se ...


Notas iniciais
... ... ... Um minuto de silêncio pelo meu ressucitamento. Oie :´)! Eu tenho dado umas sumidinhas ... Me sinto até estranha ... uma novata ... ou uma coisinha qualquer aqui ... Eu realmente não presto :) Mas hoje vou postar esse e mais um (que talvez eu marque como do ''segundo final'' mesmo que não interfira no primeiro final) e um spoiler de uma one-shot continuação de "Carta de uma inútil para uma formiga" (CFPI). Boa Leitura ♥!

Chiharu Pov’s

O que aconteceu naquele dia foi algo que eu não consegui esquecer rápido. Só para entender como isso aconteceu já me custou bastante.

Fiquei muito tempo me perguntando: “E se eu tivesse dito ‘não’?”

“Por favor, Mayumi!”

Acho que a palavra criança poderia muito bem ser um sinônimo de desastre. O grande desastre naquele dia em questão é o que eu gosto de chamar de “A.Y” (ou, Apocalispe Yuri”).

Além da Zun e uma ou outra criança do orfanato eu nunca tinha ficado de olho em uma criança enquanto o “responsável” ia fazer outra coisa.

Me lembro de ter ficado uns minutos tentando ligar para a Lauren e ia continuar tentando, porém ouvi uns barulhos seguidos de um choro bem alto.

Quando tinha voltado para a sala, vi o maior desastre e fiquei falando “Puta merda” por um bom tempo. Antes de tudo vale lembrar que o Yuri estava bem e a salvo, mesmo com os cacos de vidro dos copos e da jarra de biscoitos que ele derrubou

Eu não soube como reagir, peguei o Yuri e o deixei em cima do sofá e fiquei bons minutos parada, olhando para a bagunça.

Foi nesse momento que eu ouvi a porta sendo aberta, e vi os pais da Lauren entrando na casa.

“Não vou demorar nada”

Quando eles chegaram e viram a bagunça eles nem pensaram duas vezes antes de gritar “Lauren! O que aconteceu aqui?!” e olha que eles parecia bem irritados.

“Vai ser só dessa vez”

Fiquei simplesmente sem reação. Não sabia como reagir, o que falar para explicar a situação ou mesmo pra falar um “Ela não está”.

A mãe dela chegou e ficou olhando se o filhos estava machucado e falando palavras reconfortantes para o acalmar enquanto o pai dela vasculhou toda a casa gritando e abrindo todas as portas.

Quando o pai voltou pra sala falando que ela não estava, a mulher olhou diretamente pra mim. A raiva emanando me fez gelar e recuar um passo.

Mesmo que não estivessem gritando, a forma como me perguntavam onde Lauren tinha ido me dava medo. Sim, medo.

O que eu diria? Como eles reagiriam?

E quando ela ...

“Fica de olho no pestinha até eu voltar”

Quando o pai dela parecia estar perdendo a pouca paciência e postura que ainda tinha, todos ficam em silêncio. O som da porta abrindo, seguido de um choro nada controlado foi o suficiente para todos perderem o poder de falar, até mesmo o pequeno Yuri, que no meio da confusão tinha corrido para o quarto dele.

Seu rosto estava vermelho de tanto chorar, ignorando completamente os olhares sobre si, ela apenas trancou a porta rapidamente e se encostou na parede, escorregando por ela até ficar encolhida no chão.

Então chega o momento em que notei alguns detalhes e a ficha foi caindo. A ausência da tiara, a maneira como se encolhia e a blusa com um decote virada ao contrário, como alguém que se veste correndo.

Fiquem sem me mexer e nem falar algo, apenas a olhando ser abraçada pela mãe e chorar mais, falando algumas palavras sem conexão nenhuma.

Depois de uns minutos, Lauren conseguiu se acalmar o suficiente para conseguir falar sem soluçar e voltar a chorar. Lhe custou muito dizer qualquer coisa que pudesse dar a entender o que aconteceu.

A mãe parecia que tinha levado um tapa no rosto.

Lauren, por sua vez, realmente acabou levando um poucos segundos depois.

Essa ação foi a que fez eu “voltar a realidade”. Não conseguia acreditar e muito menos entender o que tinha acontecido.

—Idiota! Nós te dissemos para não sair, Lauren! É isso o que ganha por nos desobedecer!

A mulher olhou para o marido com quase metade da minha surpresa. Talvez não tenha tido a reação por ele ter dado um tapa na própria filha, mas por ter feito isso naquele momento tão delicado.

Com toda a razão ela voltou a chorar, dizendo repetidas vezes a palavra “Desculpa” enquanto ouvia o pai gritar coisas horríveis a respeito dela.

—Olha só para você! Claro que te confundiram com uma prostituta qualquer!

—Eu não te criei para você vestir essas roupas e provocar todos na rua!

—Você é uma vergonha para essa família!

“Por favor!”

—A culpa é minha – digo com um nó na garganta – Eu falei que ela podia ir para a festa tranquila que eu ia cuidar do Yuri até ela voltar.

—Eu ... ia frequentemente para lá ... e nunca aconteceu nada ... – continuei com uma história improvisada – M-mas eu sabia de alguns boatos assim e mesmo assim eu ...

Fui bruscamente interrompida, a paciência daquele senhor tinha se esgotado. Mas pelo menos, consegui direcionar sua raiva para mim.

Eu era a má influência. A maçã podre. A culpa era minha por ter levado ela pro mal caminho.

“Eu sei que você não acha uma boa ideia, mas ...”

Depois daquele dia, não consegui falar com ela de novo. Os pais dela a mudaram de escola, e mudaram o número de celular e até do telefone da casa. Nunca mais abriram a porta, e nem disseram o típico “Lauren! A sua amiga chegou!”.

Nunca soube o que aconteceu com o bebê, que, se não foi abortado, já deve ter seus 6 anos.

Os pais dela falaram com a minha mãe quando eu estava na escola. Quando mamãe disse isso, ela parecia apenas irritada por fazer ela perder seu valioso tempo. Nada de perguntas, nenhum comentário.

Eles começaram a me culpar pelo o que aconteceu naquele dia. Mas tudo bem. Eu já me acostumei a isso. Algumas pessoas gostam de sentir ódio de mim. Eles não foram os primeiros e nem serão os últimos.

Se eu não tivesse feito isso, Lauren teria dito a verdade. E se ela tivesse feito isso, eles culpariam ela, o que eu não poderia permitir.

Lauren é a vítima.

Passaram-se anos e eu nunca entendi como eles conseguiram culpar a própria filha por um estupro.

Eu tentei avisar ela que era uma péssima ideia. Pedi para ela não fazer isso. Lauren era ingênua demais.

“Ele disse que me ama”.

Notas finais
Tempo do capítulo: 4 anos após a suposta morte (com narrativa dos tempos atuais). —-------- Explicação breve: Lauren conheceu alguém na internet e eles foram se encontrar, mas ela acabou sendo enganada. Para os pais não a culparem por isso (sim, eles, principalmente o pai, são uns idiotas mesmo) Haru decidiu simplesmente falar que era a má influência dizendo também que era um lugar com mais gente, e não um encontro as escondidas com um carinha suspeito. Espero que não tenham achado tão ruim KISSES!