Ainda Me Amarás Amanhã?
5 Reencontros II
Notas iniciais
—Ah meu Deus! Ana. —Kate grita enquanto me puxa para um abraço apertado. Aperto-a por alguns segundos e lembro de como era bom tê-la ao meu lado, eu senti tanta falta dessa garota. —Eu não acredito que é você mesma.
—Vocês se conhecem? —Christian pergunta e só agora vejo que ainda não nos soltamos.
—Sim. —Sussurro saindo dos braços de Kate. Kate sorri para mim e enxuga algumas lágrimas. —Nós nos conhecemos desde pequenas. Éramos amigas.
—Não. Nós nunca deixamos de ser amigas. —Kate fala segurando minha mão. —Só nos perdemos.
—Isso. —Sussurro voltando para os braços de Christian.
—Isso sim que eu chamo de coincidência. —Diz Grace. —Duas amigas. Dois irmãos.
Kate sorri para mim e eu apenas ruborizo.
Depois de todas as apresentações serem feitas, nós vamos para a sala de jantar, onde nos sentamos à mesa e começamos a comer... Ou quase isso, já que tudo que eu menos tenho é fome.
Um leve apertão no meu joelho faz meus devaneios serem dispersos.
—Você está bem baby? —Christian sussurra olhando-me profundamente.
—Sim. —Sussurro.
—Então pode começar a comer. —Ela diz tentando manter a calma.
—Será que eu posso me retirar? Por favor. —Imploro encarando sua imensidão cinza. —Eu estou cansada.
—Baby. —Christian diz enquanto solta um longo suspiro.
—É tão estranho te ver com alguém Chris. —Mia diz nos distraindo. —Você nunca nos apresentou nenhuma garota.
—É porque eu estava esperando a garota certa. —Ele diz encarando-me enquanto beija suavemente minha mão.
—E sem dúvidas a Ana é a garota certa. —Grace diz olhando-me com aquele carinho de mãe. —E muito especial também.
Sorrio, mas começo a ficar mais nervosa, então minha perna começam a tremer enquanto bato os pés no chão.
Christian abaixa a mão e a coloca sobre o meu joelho dado um leve aperto, ele troca um olhar com Grace que me olha preocupada.
—Ana. —Carrick fala ganhando minha atenção. —A Grace me disse que você toca, assim como o Christian. Acho que todos nós iramos adorar assistir vocês tocando.
Christian me olha e sorri, faço o mesmo e sinto um leve rubor tomar meu rosto.
Lentamente Christian se levanta e me estende sua mão, seguro-a com cuidado e me levanto, todos fazem o mesmo e nós seguimos para a sala. Sento-me em frente ao piano com Christian ao meu lado, ele sorri para mim e lá vem aquele rubor de novo. Abaixo a cabeça e encaro as teclas brancas do piano.
—Que música Sr. Grey? —Pergunto sorrindo.
—Eu começo e você me acompanha senhorita. —Ele diz sorrindo.
—Tudo bem.
Os acordes suaves de A Thousand Years – Christina Perri, fazendo meu coração bater mais rápido. Christian começa a cantar surpreendendo a todos, inclusive eu, mas mantenho a calma e o acompanho na melodia e tocando algumas notas.
— “... Eu te amei por mil anos...” —Christian canta a penúltima frase.
— “... E poderia amar por mais mil..”. —Canto suavemente e vejo aquele sorriso lindo brotar em seus olhos. —Obrigada.
—Ai, vocês foram tão lindos. —Mia fala batendo palmas e eu vejo Kate me olha com os olhos marejados.
—Foram mesmo. —Grace sussurra emotiva.
Christian beija minha testa e se levanta. Levanto-me, mas sinto uma dor aguda na cabeça e tudo fica preto.
CHRISTIAN GREY
Levanto-me depois de dar um beijo na testa de Ana. Aquele rubor toma conta de seu rosto, mas assim que ela se levanta o rubor some dando lugar à palidez. Anastásia cai, mas eu a seguro antes que ela vá de encontro ao chão.
—Ana. —Katherine grita e eu a encaro.
—Eu vou levá-la para o quarto. —Digo ajeitando Anastásia nos meus braços.
—Eu vou com você meu filho. —Mamãe diz se levantando.
Entro no quarto e coloco Anastásia deitada sobre a minha cama, mamãe corre para o seu lado e segura seu pulso.
—A pressão está um pouco baixa. —Ela diz e checa outros sinais. —Os batimentos cardíacos estão elevados.
—O que você acha que é? —Pergunto preocupado.
—Abstinência. —Mamãe sussurra.
Solto um longo suspiro e me sento ao lado de Ana, mesmo desmaiada a visão dela deitada sobre a cama, com o vestido banhando-a é linda. Acaricio os cabelos de Anastásia e ela solta um pequeno gemido.
—Ela está acordando. —Mamãe diz enquanto Anastásia se remexe. —Ana, como se sente querida?
—Com um pouco de dor de cabeça. —Anastásia diz com a voz seca. —E com sede.
—Christian, pegue água para ela.
Caminho até o criado-mudo e pego a jarra de água jogando um pouco no copo. Sento-me ao lado de Ana e a ajuda a tomar a água.
—Obrigada. —Ela sussurra.
—Tudo bem baby. —Pego o copo de sua mão e coloco no criado. —Como você está?
—Com dor, e cansada. —Anastásia diz realmente cansada.
—Descanse querida. —Mamãe sussurra enquanto acaricia o rosto de Ana que começa a chorar.
Vê-la chorar parte meu coração. É como se a dor fosse minha, mas saber que não é, e que eu não posso fazer nada para tirar a dor dela, me destrói por completo.
Mamãe se aproxima mais de Ana e a abraça tomando-a em seus braços. Anastásia se encolhe nos braços de mamãe e eu imagino como ela deve sentir falta da mãe.
—Está tudo bem meu amor. —Minha mãe diz enquanto a embala. —Eu sei como você deve sentir falta dos seus pais. Mas tudo vai ficar bem, nós vamos encontrá-los.
Pouco a pouco Anastásia vai pegando no colo nos braços da minha mãe.
Deus!
Eu preciso encontrar a mãe dela.
Mamãe arruma Ana na cama e lhe dá um beijo na testa.
—Podemos entrar? —Elliot pergunta com Kate ao seu lado.
—Podem. —Digo calmamente.
Kate se aproxima e senta ao lado de Ana, ela acaricia os cabelos da amiga e começa a chorar.
—Eu me sinto tão culpada por tudo. —Kate confessa. —Nós nos conhecemos quando bebês, crescemos juntas. Ela começou a se envolver com pessoas erradas, eu sabia disso, e nunca fiz nada para mudar isso. Eu deixei ela se afundar e quando ela precisou de mim eu me afastei. Eu não sabia o que fazer.
—Tudo bem Kate. —Mamãe diz segurando as mãos de Kate. —Nós nem sempre podemos proteger aqueles que amamos, mas se você se importa mesmo, você vai lutar por ela agora. Todos nós vamos. Nós vamos tirá-la disso. Todos juntos.
Eu não acredito que nunca percebi como minha mãe é incrível. Eu tenho essa mulher incrível ao meu lado e me faço de cego.
—Vamos deixá-la descansar. —Mamãe sussurra.
—Eu posso voltar amanhã? —Kate pergunta. —Eu queria poder ficar ao lado dela.
—E ela iria adorar. —Digo sorrindo. —Mas eu tenho uma ideia melhor.
ANASTÁSIA STEELE
Sinto algo faltando ao meu lado e quanto percebo estou procurando Christian na cama. Sento-me e vejo que são 03h56min. Olho em volta e vejo o quarto vazio. As janelas estão apertas e as cortinas balançando com o vento.
Estou vestindo uma blusa de Christian e suspeito que tenha sido ele quem tirou minha roupa.
—Oi baby. —Ele diz entrando no quarto ainda com terno.
—Oi. —Digo sorrindo e bocejo.
—Que linda. —Christian diz me dando um beijo e eu ruborizo. —Como se sente?
—Bem. —Sorrio.
—Nós temos que sair, quer tomar um banho?
—Onde nós vamos?
—Surpresa.
—Sério?
—Muito sério bichinho preguiça, agora se levante e vamos tomar um banho.
—Há, ok. —Falo fazendo beicinho.
Levanto-me e caminho até o banheiro com Christian, nós tiramos a roupa e sentamos na banheiro já com água.
Deito a cabeça na borda e fico encarando Christian, ele sorri e bate a mão na água jorrando em mim.
—Ai. —Digo rindo enquanto aperto os olhos. —Bobo.
—Com você se sente? —Christian pergunta depois de se recuperar do riso.
—Melhor. —Suspiro.
—Que bom.
—Que surpresa é essa?
—Surpresa.
—Surpresa?
—Sim. Surpresa.
Começo a rir e Christian me acompanha.
—Eu vou gostar?
—Não sei. —Ele diz rindo.
—E se eu não gostar?
—Ai eu me ferro, não é?
—Não. Acho que não, mas você vai me aturar reclamando por uma péssima surpresa.
—Acho que eu posso sobreviver. Mas eu acho que você vai gostar.
—E se eu não gostar?
—Você pode fingir que gosta.
—Eu não sei fingir que gosto de algo.
—Você é educada, finja por educação.
—Fingir por educação é horrível. —Digo rindo e ele me acompanha.
—Se você não gostar, você pode voltar para o carro.
—E se eu gostar?
—Ai você não volta.
—Mas se eu não gostar muito, mas gostar pouco?
—Deus! —Christian joga a cabeça para trás. —Só espere, e no momento certo você me diz o que acha.
—Ok. —Digo rindo.
—Vem, vamos nos trocar.
Christian se levanta e enrola uma toalha na cintura. Saio da banheira e ele enrola outra toalha em mim.
—Eu me sinto uma criança quando você me trata assim. —Sussurro.
—Assim como?
—Com tanto cuidado. Como se eu fosse quebrar.
—É que você realmente parece de porcelana. E eu tenho medo que se quebre.
Não consigo evitar um sorriso com suas palavras, então apenas escondo o rosto contra seu peito. Ele me envolve com seus braços e dá um beijo no topo da minha cabeça. Saímos do banheiro e vamos nos trocar.
Christian veste uma calça jeans clara, blusa polo branca com mangas e um sapato social marrom.
Coloco um longo vestido florido e sandálias pretas. Quando me viro vejo Christian me olhando com um brilho no olhar. Ruborizo e fecho os olhos. Sinto seu cheiro mais perto e logo seus lábios estão tocando os meus. Retribuo seu beijo de forma carinhosa e também sinto o carinho em seu beijo.
—Vamos? —Christian pergunta quando me solta.
—Claro. —Sorrio.
Saímos do quarto e vamos para a sala, onde encontramos Taylor nos esperando.
—O carro já está pronto Sr. Grey. —Taylor diz.
—Ok, nós já podemos ir Taylor.
Seguimos para o elevador e logo estamos na garagem, caminhamos até o Audi, Christian abre a porta para que eu possa entrar, depois senta ao meu lado e fecha a porta. Taylor entra no carro e dá partida tirando-nos da garagem.
—Você pode dormir se quiser. —Christian diz. —A viagem vai ser longa.
—Ok. —Sorrio e me aconchego em seus braços pegando no sono em segundos.
Quando chegamos no aeroporto eu acordo, mas ainda me sinto sonolenta, então dou graças a Deus quando descubro que vamos no jatinho de Christian, então aproveito para dormir mais um pouco (tipo a viagem inteira).
—Baby, acorde. Nós chegamos. —Christian sussurra no meu ouvido.
—Hum...? —Sussurro abrindo os olhos. —Onde?
—Ainda é surpresa, mas você pode descobrir quando sairmos do avião. Agora levante preguiçosa.
—Hum... Ok. —Sorrio e depois bocejo.
Levanto-me e Christian segura minha mão entrelaçando nossos dedos. Taylor abre a porta e nós descemos.
Assim que saímos meu coração dispara com a visão. Sinto minha respiração acelerar e não consigo me mover.
—Mamãe... Papai... —Sussurro com os olhos marejados.
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