Ainda Me Amarás Amanhã?
4 Reencontros I
Notas iniciais
ANASTÁSIA STEELE
Estou sentada com Grace no sofá da casa de Christian. Nós duas estamos conversando sobre um suposto tratamento enquanto Christian está no escritório fazendo uma pesquisa sobre algumas clinicas.
Sinto um leve tremor pelo meu corpo e aquela sensação de vazio volta. Fecho meus olhos e respiro fundo, mas é difícil me controlar quando meu corpo só pensa no Crack. Por mais que eu tente pensar em outras coisas minha mente sempre volta naquilo. A forma como meu corpo depende disso. A falta que faz dentro de mim. A forma como me sinto vazia e incompleta.
—Anastásia? Você está? —Grace pergunta e eu continuo olhando para o nada. —Ei querida. Se acalme.
—Desculpe. —Sussurro. Levanto-me e começo a andar de um lado para o outro mordendo a pontinha do dedo. Olho para os lados e não vejo Christian. Grace me olha com cuidado. —Eu preciso sair daqui.
Passo a mão pelos cabelos repetidas vezes.
Grace se levanta e se aproxima, mas eu recuo.
—Acalme-se querida. —Ela sussurra segurando minhas mãos.
—Você não entende Grace eu preciso sair! Eu preciso do Crack! Meu corpo precisa.
—Anastásia você não precisa disso.
—Preciso. Eu preciso.
—Enquanto você disser que precisa sua mente vai continuar acreditando nisso, você tem que fazê-la pensar ao contrário.
—Eu não consigo. Eu não posso controlar meus pensamentos. Isso é mais forte do que eu. Eu realmente preciso.
—Não! —Grace segura meu rosto entre suas mãos e me faz encará-la. —Olha só: você é, e sempre vai ser sua própria dona, você controla seus desejos e sua linha de pensamentos, mas você precisa acreditar que é mais forte, que pode vencer isso.
—Eu não sei como fazer isso. —Sussurro com os olhos marejados. —Eu não consigo controlar.
—Tenta pensar em outra coisa. Só se acalma. Vamos fazer alguma coisa... O que você gosta de fazer? Para distrair a cabeça?
—Eu não sei... —Digo passando as mãos pelos cabelos de formas repetitivas.
—O Christian falou que você gosta de cantar... E tocar. O que acha?
Olho para o piano e tento acalmar meus pensamentos.
Encaro Grace e apenas balanço a cabeça. Ela sorri e me conduz até o piano, sento-me e fecho os olhos respirando fundo.
Ah Deus... Eu preciso de ti
Meus dedos deslizam pelas teclas brancas e pretas e os primeiros acordes de Hallelujah começam a ecoar pela sala. Envolvo-me pelas notas e os acordes e minha mente flutua.
Vejo-me há uns sete anos atrás. Ainda me lembro de como sorria na tua presença. Aquela sensação de estar completa, de que mesmo com as minhas falhas ainda existia alguém que me ama. Sinto as lembranças doeram. Eu sinto falta de estar na tua presença. Sinto falta de como meu coração batia mais forte quando eu senti meu peito ser invadido pelo teu Espírito. De como era bom saber que o Senhor habitava em mim.
Ah Deus. Eu preciso de ti.
Eu ouvi que havia um acorde secreto
Que Davi tocou e louvou ao Senhor
Mas você não se interessa mesmo por música, não é?
É assim — a quarta, a quinta
A menor cai, a maior ascende
O Rei perplexo compondo aleluia
Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia
Sua fé era forte, mas você precisou de provas
Você a viu se banhando do telhado
A beleza dela sob a luz do luar te arruinou
Ela te amarrou numa cadeira da cozinha
Ela destruiu seu trono, cortou seu cabelo
E dos seus lábios ela extraiu a aleluia
Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia
Talvez eu já tenha estado aqui antes
Eu conheço este quarto, eu andei neste chão
Eu costumava viver sozinho antes de conhecer você
Eu vi sua bandeira no Arco de Mármore
O amor não é uma marcha vitoriosa
É um frio e é uma sofrida aleluia
Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia
Houve uma época em que você me deixou saber
O que era real e acontecia lá embaixo
Mas agora você nunca me mostra isso, não é?
E se lembra de quando eu me aproximei de você
A escuridão sagrada foi junto também
E cada suspiro que déssemos era aleluia
Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia
Talvez haja um Deus acima
E tudo que eu sempre aprendi sobre o amor
Foi como atirar em alguém que te desarmou
E isso não é um choro que você pode ouvir à noite
Não é alguém que vê a luz
É um frio e é uma sofrida aleluia
Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia,
Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia...
Junto com as últimas notas as lágrimas caem. Não levanto a cabeça, continuo com os olhos fechados sentindo-me completa. Ou quase completa. Quando eu canto eu me sinto perto de Deus. Não é algo que seja só meu, é assim com muitos. Mas esse sem dúvidas é o momento que me faz chegar ao mais alto: teus pés Deus.
Não levanto a cabeça, apenas fico com os olhos fechados sentindo a sensação de estar completa.
Sinto alguém me olhar e não preciso abrir os olhos para saber que é Christian.
Respiro fundo e levanto minha cabeça para olhar Grace. Ela sorri para mim com os olhos marejados e se aproxima abraçando-me. Céus! Faz tanto tempo que eu precisava de um abraço assim. De mãe.
Grace me solta e sorri enquanto enxuga os olhos, e eu faço a mesma coisa. Sorrio e viro-me para Christian, ele me olha sério, mas vejo o carinho em seus olhos. Apenas abaixo a cabeça e um leve rubor toma conta do meu rosto.
Será que vai ser assim toda vez que ele me olhar.
—Você é tão especial Ana. —Grace diz acariciando meus cabelos. —E canta muito bem.
—Obrigada Grace. —Ruborizo novamente.
—Almoça conosco mamãe? —Christian pergunta ainda parado a porta.
—Será um prazer meu filho. —Ela sorri.
—Que bom. —Ela diz e se aproxima sentando ao meu lado. —Canta para mim?
—Será um prazer Sr. Grey. —Digo sentindo-me bem mais leve.
Grace volta a se sentar ao sofá e nós ficamos ao piano. Christian sorri para mim e fecha os olhos preparando-se para tocar.
As primeiras notas fazem-me reconhecer a música Everything-Lifehouse.
Fecho os olhos e solto um pequeno suspiro começando a cantar.
Encontre-me aqui
E fale pra mim
Eu quero te sentir
Eu preciso te ouvir
Você é a luz
Que está me guiando para o lugar
Onde encontrarei paz novamente
Você é a força
Que me mantém caminhando
Você é a esperança
Que me mantém confiante
Você é a vida
Para a minha alma
Você é meu propósito
Você é tudo
E como posso ficar aqui com você
E não ser comovido por você?
Você poderia me dizer como pode ficar
Melhor do que isso?
Você acalma as tempestades
E você me dá repouso
Você me segura em suas mãos
Você não vai me deixar cair
Você roubou meu coração
E me deixou sem fôlego
Você vai me receber?
Vai me atrair mais agora?
Pois você é tudo que eu quero
Você é tudo que preciso
Você é tudo, tudo
Você é tudo que quero
Você é tudo que eu preciso
Você é tudo, tudo
E como posso ficar aqui com você
E não ser comovido por você?
Você poderia me dizer como pode ficar
Melhor do que isso?
Não para de sorrir.
Como posso me sentir tão leve assim?
Como uma pessoa que eu mal conheço pode fazer com que eu me sinta tão completa?
Deus, realmente teus planos são mais altos.
Eu não os entendo, mas aceito.
DURANTE A NOITE...
—Vamos tomar um banho? —Christian pergunta tirando-me de meus devaneios.
—Claro. —Sussurro e me remexo desconfortável.
—O que foi Anastásia?
—Eu já disse que você pode me chamar de Ana. E não há nada.
—Há sim. Você está assim desde a hora que eu avisei sobre o jantar.
—Esse é o problema Christian. Eu não acho que eu deva conhecer sua família. Eu já conheci sua mãe e isso foi o suficiente. Eu não quero conhecer seu irmão. Eu não sou ninguém.
—Não repita isso. —Ele diz segurando meu rosto entre as mãos. —Eu quero que você os conheça independente de qualquer coisa. E você é alguém sim. Você é simplesmente a garota mais incrível que eu já conheci.
—Claro. Você conheceu a garota mais incrível que já conheceu, em um bordel, pronta para se vender para usar drogas.
Saio de seus braços e sigo para o banheiro. Sento-me em cima da borda da banheira que é feita de madeira e fico vendo a água balançar na mesma. Christian entra no banheiro e solta um longo suspiro. Ele tira a calça e entra na banheira sentando-se.
—Ana não vamos brigar sobre isso, você é importante e eu quero sim te apresentar para a minha família.
—Eu só não acho certo Christian, é a sua família. —Sussurro. —Eu não sou nada além de uma amiga que você está fodendo.
—Meu Deus! E eu que pensei que você era educada. —Ele diz e eu não consigo manter a cara séria. —Olha baby. Você é importante para mim, e não a garota que eu estou fodendo. Não chega nem perto disso. E se você falar isso de novo juro que te bato. Mas a questão não é essa. Eu quero te apresentar para eles, e não vou mudar de decisão.
—Você não pode me obrigar a conhecê-los, e eu não quero.
—Você é impossível garota! —Christian exclama jogando a cabeça para trás. —Não, eu não posso te obrigar, mas é algo importante para mim. Você não pode fazer por mim?
—Ah Christian. Eu faria qualquer coisa por você, mas isso é um passo grande. E eu não sou nada sua.
—Anastásia. —Christian se aproxima e me puxa para dentro da banheira fazendo-me sentar em seu colo. —Vamos colocar dessa forma: você é a minha namorada a partir desse momento e eu quero sim, te apresentar à minha família. Ok?
—Namorada? —Sussurro confusa.
—Sim, namorada. Agora trate de relaxar e tomar banho. Eu quero que você esteja linda.
—Ok. —Ruborizo.
Depois de tomarmos “banho”, ou quase isso. Christian e eu vamos para o quarto nos trocar.
Sento-me sobre a cama e cruzo as pernas enquanto Christian veste a roupa que separou.
—Não me olhe assim. E descruze as pernas, por mais que eu ame a visão nós temos que nos arrumar.
—Ok. —Digo não conseguindo evitar um sorriso. Descruzo as pernas, mas continuo sentada.
—Anastásia não me faça te obrigar a colocar a roupa.
—Calma, eu já estou indo. —Digo revirando os olhos.
Levanto-me e pego um dos vestidos que Christian mandou comprar. O vestido de Chiffon é longo e branco com estampa florida em tons de amarelo, ele tem algumas aberturas na cintura e dando um pequeno charme. Prendo meu cabelo em um coque deixando a franja solta e faço uma maquiagem básica.
Uau. Depois de uns cincos ou seis anos, essa é a primeira vez que realmente me arrumo.
—Você está incrível. —Christian diz sorrindo.
Ele está usando um terno preto com gravata cinza e seus cabelos estão despenteados.
—Obrigada. —Sorrio dando uma voltinha e vejo seus olhos brilharem.
O barulho da campainha tocando faz meu coração disparar por completo, e acho que Christian percebe isso, pois ele revira os olhos e abre um sorriso.
—Você está linda. —Ele se aproxima e me dá um beijo suave na testa.
—Eu não sei se é uma boa ideia... E se eu tiver outra crise? Ou ficar nervosa? Eu acho melhor...
—Ei. —Christian me interrompe com um beijo. —Eu vou estar aqui. E nós vamos estar ao lado piano e juntos. Ok?
—Não. Me deixa ficar, por favor.
—Oh garota. Vamos.
Christian segura minha mão e me arrasta para fora do quarto.
A primeira pessoa que vejo é Grace, ela sorri e vem me abraçar, depois que me solta vejo uma garota de Chanel, um home que acho ser pai de Christian, e ao lado deles estão um casal. O garoto não é muito parecido com Christian, mas não é isso que me impressiona, e sim o furacão de cabelos loiros que está ao seu lado.
—Anastásia...
—Kate. —Sussurro.
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Vestido Da Ana ❤

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