Ainda Me Amarás Amanhã?
22 O crime
Notas iniciais
ANASTÁSIA STEELE
Respiro fundo e seco a última lágrima.
Eu não posso chorar... Preciso ser forte... Não vou cair... Não agora.
—Aqui Sra. Grey. —Taylor me diz entregando seu blazer.
—Obrigada. —Digo com as mãos tremulas enquanto seguro uma xícara de chá.
—Sra. Grey. —Gail diz. —Se me permite.
—Claro. —Sussurro me encolhendo mais no sofá.
—Eu sei que você não é esse tipo de mulher, sei que você não traiu o Sr. Grey. Eu não vou te encher de perguntas, mas... Não desista disso que vocês têm. É a coisa mais linda que eu já vi. Lute por ele Sra. Grey.
—Me desculpe. —Levanto-me e saio da sala indo para o quarto.
Deito-me sobre a cama e abraço a camisa de Christian sentindo seu cheiro... Lembro-me das promessas que ele me fez ontem à noite... Isso dói.
Eu destruí tudo e não posso fazer nada para conversar. Ele não acredita em mim... Ele não me olhou nos olhos como fazia todas as vezes que eu tentava enganá-lo... Eu não posso chorar... Ele vai chegar a qualquer momento, e eu não posso deixar que ele me veja chorando... Não posso demonstrar que estou arrependida.
Sento-me sobre a cama e respiro fundo impedindo as lágrimas de caírem. Mordo o lábio e respiro fundo.
Não chore.
Seja forte.
Coragem Ana.
Tudo foi por uma boa causa.
Levanto-me e caminho até o espelho vendo minha roupa toda rasgada e os hematomas que ganhei.
Ok. Sei que mereci. Então não reclamarei.
Começo a tirar minhas roupas e vou até o closet pegando um vestido longo na cor pêssego. Visto-o e sento-me sobre o chão encostando na parede.
Alguns momentos vêm na minha cabeça, mas logo afasto as lembranças.
Nada de arrependimentos.
Eu o amo, e fiz porque foi o certo.
Ouço gritos e sei que ele chegou... E está com Kate e Elliot.
Saio do closet e vou a caminho da sala, onde encontro Elliot, Kate, Ethan e Mia discutindo com Christian.
Assim que me veem, eles param de discutir.
—Ah, meu Deus! —Kate exclama. —Você fez isso, Christian? Você fez isso com ela?
—Anastásia. —Ethan caminha até onde estou e segura meu rosto vendo os machucados. —Porra Christian! Que merda foi essa?
Christian fica em silêncio e me olha ferido... Magoada.
Meu olhar em troca é frio e não diz nada.
—Eu não acredito que você possa ter feito isso! —Elliot diz horrorizado.
—Você não fica nessa casa nem mais um dia! —Ethan grita e eu me solto de seus braços.
—Isso sou eu quem decide. —Digo com o queixo tremendo.
—Você acha que nós vamos deixar você sozinha com ele? —Kate grita.
—Por quê? —Solto uma pequena gargalhada. —Não querem que eu fique sozinha com meu marido?
Christian me olha confuso.
—Olha o que ele fez com você. —Ethan diz.
—Depois que me encontrou quase transando com outro cara. —Digo com naturalidade.
—O que? —Kate grita e vem para cima de mim segurando meus braços. —Você está se ouvindo, porra?! O que está acontecendo Anastásia? Foda-se tudo isso! Você não vai ficar sozinha com ele depois dele ter te batido.
Olho para Kate e depois meus olhos encontram o de Christian.
—Eu confio nele. —Sussurro com total sinceridade assustando a todos.
—Vocês estão loucos! —Mia diz. Seu celular começa a tocar e ela atende. —A mamãe o que? —Mia grita deixando os irmãos em alerta. —Calma papai! Nós estamos indo.
—O que aconteceu com a mamãe? —Elliot grita.
—O papai disse que ela foi sequestrada. Eu não entendi direito, mas parece que ela já está com ele. —Mia explica e eu me sinto aliviada.
—Vamos vê-la. —Elliot diz. —Vamos Christian.
—Vão vocês. —Christian fala perdido. —Me ligue e diga como ela está.
—Eu vou ficar então. —Kate diz firme.
—Não. Pode ir. Ele não fará nada comigo. —Sussurro confiante.
—Mas eu não confio nele. —Ethan diz. —Eu vou ficar com você.
—Vocês agem como se em meio a toda essa confusão eu estivesse certa. Eu o traí. Ele agiu de forma normal.
—Te dando uma surra? Bater em mulher é normal? —Kate diz.
—Isso ele julgará. Agora é melhor vocês irem. A Grace precisa de vocês.
—Nós vamos. —Ethan fala lançando um olhar mortal para Christian. —Mas se você encostar um dedo nela, de novo, eu acabo com você Grey! E que se ferra a merda de família!
Ethan me dá um beijo e vai indo na frente com Mia.
Kate me abraça e também ameaça Christian antes de sair com Elliot.
Christian me olha e algumas lágrimas escorrem pelo seu rosto.
Droga!
Eu não acredito que causei isso.
—Por quê...? Por que você fez isso comigo? Eu te dei tudo Ana. Tudo que eu sou... Que eu era. Você tem noção do que fez comigo?
—Você me ama? —Pergunto agora deixando as lágrimas cair.
—Te amar? —Christian bufa e se aproxima. Ele segura meus braços e eu estremeço. —Você acha que eu sou capaz de te amar depois de você ter me traído?
—Entendo. —Sussurro abaixando o olhar. —Você quer cuidar das meninas? Acho que eu não sou capaz de fazer isso.
—Você sabe que elas vão querer ficar com você... —Ele sussurra soltando-me e eu me encolho no sofá. —Apenas não as tire de mim... Eu não quero perdê-las também.
—Ok. —Sussurro olhando para o nada.
—Nós não assinamos nenhum acordo... Então, você quer...
—Não! —Interrompo-o. —Eu não quero seu dinheiro. Nada seu. Vou embora sem levar nada. Eu cheguei aqui sem nada... E é assim que sairei.
—Eu não vou deixar vocês e as meninas desamparadas.
—Eu posso arrumar um emprego.
—Mas eu ainda quero ajudar vocês. É meu dever como pai. —Ele diz sentando na outra ponta do sofá.
—Fica com elas. —Sussurro.
—Elas não vão querer. E nós vamos fazer aquilo que é melhor para elas.
Dou uma risada amarga e apenas balanço a cabeça.
—Eu nunca pensei que estaríamos tendo uma conversa assim. —Digo rindo, mas as lágrimas continuam a cair. —Eu acabei com tudo.
—Acabou mesmo. —Christian fala. —Eu confiava tanto em você... Te entreguei tudo que eu era, e você me traiu.
—Eu não vou dizer que sinto muito. Pois não é verdade... —Sussurro. —Mas se você ainda puder... Faça-me uma promessa?
—Que promessa?
—Não se esqueça do que vivemos... E tudo que prometemos. —Sussurro me levantando. —Eu te amo Sr. Grey. Você sempre será a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Desculpe-me por quebrar seu coração e de decepcionar.
—Anastásia... —Christian tenta se aproximar, mas eu dou alguns passos para trás.
—Converse com as meninas... Explique. Eu não quero que elas me vejam assim... Por favor.
—Tudo bem. —Ele fala abaixando a mão.
—Obrigada.
Viro-me e sigo para o quarto.
Tranco-me por lá algumas horas e Christian não vai me ver... O que era de se esperar.
Ele não vai me amar amanhã...
DIAS DEPOIS...
Como era de se imaginar... A conversa com as meninas foi difícil.
Jasmyn não aceitou, e chorou por horas. Já Safira ficou em silencio e se trancou no quarto por horas, depois saiu abraço Christian e ficou em silêncio durante três horas, sentada em seu colo.
Christian quase não fala comigo... Apenas o necessário.
Eu ainda estou na casa dele... Apenas por enquanto que os papeis do divorcio não saem.
Como combinado eu vou para casa dos meus pais e Christian pegará as meninas todo o fim de semana e durante feriados... Ele me ofereceu dinheiro para comprar uma casa, mas eu recusei e disse que não era justo. E não é.
Eu não frequento mais a empresa.
Christian fica lá o dia inteiro e volta à noite... Ou passa a noite fora... Mas isso também era de se esperar.
—Posso te confessar algo? —Pergunto e Safira me encara.
Nós estamos na casa de Kate e Elliot, deitadas juntas na cama do quarto de hospedes.
—O que? —Ela pergunta enquanto segura minha mão e passa o dedo pelas minhas unhas.
—Promete que vai me ouvir, e não vai pirar?
—Prometo.
Respiro fundo e começo a contar tudo que estava guardando para ela.
Safira me olha horrorizada depois de ouvir, ela começa a chorar e fica indignada, mas me abraça e segura meu rosto entre as mãos.
—O que você está esperando para ir contar toda a verdade para ele? —Ela diz e vejo esperança em seus olhos.
—Eu não posso.
—Pode sim! E nada vai acontecer! Sabe por quê? Porque o papai irá nos proteger, mas você precisa ir antes que seja tarde.
—Você acha? —Pergunto.
—Eu tenho certeza. Agora vá! Conte tudo o que você me disse para ele. Não o deixe ir, mamãe! Ele te ama. Agora vai. —Safira fala empurrando-me da cama.
Encaro-a por alguns segundos.
Ela tem razão... Eu não tenho mais nada a perder.
E eu não posso perder o único homem que amei por mentiras e histórias mal contadas.
Eu vou lutar por ele.
Coloco uma calça jeans, blusa preta e All Star. Prendo meu cabelo em um coque e pego o carro de Kate emprestado.
Entro no escala e encontro tudo em total silêncio e as luzes baixas.
Vou para o quarto de Christian, mas não o encontro.
Subo as escadas e tenho uma sensação ruim... Sigo pelo corredor e vejo a porta do quarto de hospedes aberta e a luz acesa. Aproximo-me e a visão lá dentro faz meu mundo parar.
Christian está parado com uma arma na mão e há uma mulher caída em sua frente... E não me engano, é Leila.
—Anastásia... —Christian sussurra apavorado, mas não me mexo. —Eu não fiz isso.
Abro a boca, mas a fecho de novo.
—Alguém ouviu? —Sussurro.
—O que?
—Alguém ouviu o disparo?
—Acho que sim... A policia já deve estar vindo.
—Então vai embora.
—O que?
—Você sabe que eles se eles chegarem e encontrarem suas digitais nessa arma, a sobrinha do vereado morta, eles vão te culpar. Não há câmeras no quarto, e as lá de baixo não provariam nada. Então é melhor você sair agora.
—Eu preciso te explicar o que aconteceu.
—Não precisa.
—Você acredita em mim?
—Sim. Agora saia.
—Ana.
—Vai Christian, eles não podem te ver aqui.
—Eu vou provar que sou inocente.
—Eu sei que você vai. —Sussurro e lágrimas escorrem pelo meu rosto.
Christian se aproxima e me abraça apertado.
—De desculpe.
—Sai daqui! —Grito empurrando. —Vai embora e só volte quando tiver provas de que não foi você.
—Ana...
—Vai Christian.
—Sr. Grey, é a policia! —Diz uma voz masculina vinda do andar de baixo.
—Vai! Agora. Pelos fundos.
—Me perdoa Ana.
—Vai Christian.
Christian me olhar perdido e me puxa beijando-me, empurro depois de alguns segundos e ele sai correndo deixando a arma caída no chão. Abaixo-me e pego a arma.
—Sra. Grey?
Viro-me e vejo o Detetive Clarck parado me encarando enquanto segura sua arma.
—Acho que você deve me acompanhar.
Fecho os olhos e respiro fundo...
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