Ainda Me Amarás Amanhã?
20 O Meio De Uma Queda
Notas iniciais
CHRISTIAN GREY
—Safira! —Anastásia grita. —O que está acontecendo? Onde você está? —Lágrimas começam a rolar pelo seu rosto enquanto ela tenta falar.
Caminho até ela e pego o telefone de sua mão.
—Safira, é o papai, onde você está querida? —Pergunto preocupado.
—Papai, eu não sei. Tinha um homem. Ele estava atrás de nós. —Ela diz enquanto soluça e vejo Taylor aparecer já em alerta ao lado da porta. —Ele atirou, o tio Sawyer perdeu controle. Nós caímos papai.
—Caíram, aonde? —Quase grito, mas tento manter a calma.
—Eu não tenho certeza onde é, mas tem água aqui. O carro está preso. O tio Sawyer e a Myn, não querem acordar papai! Vem rápido! Ele está aqui de novo! Pai!
—Calma Safira, eu estou indo com o tio Taylor, ok? Nós vamos te ajudar.
A ligação cai antes que ela possa dizer qualquer coisa.
—Taylor. —Digo.
—Eu já consegui rastrea-los Sr. Grey, perto da ponte. —Taylor fala. —Já mandei homens para lá, e pedi que chamassem o corpo de bombeiro. Podemos ir agora.
—Eu vou com vocês. —Anastásia diz firme.
Penso em contrariá-la, mas ela já está brava comigo, então apenas concordo e nós vamos correndo para o carro.
Quando chegamos ao local do acidente o carro já está sendo retirado do córrego e as meninas estão sentadas no chão sendo atendidas por uma médica, enquanto Sawyer fala com um policial.
—Mamãe! —Jasmyn e Safira gritam quando nos veem chegar.
Anastásia desce correndo do carro e vai até as duas, ela ajoelha no chão e abraça as meninas que começam a chorar instantaneamente.
Olho para o lado e vejo os policiais prendendo um homem, e só quando olho bem, vejo que é o cara que eu neguei fechar um contrato. Merda!
Minhas filhas quase morreram por causa desse cara?
Sinto o ódio me dominar e dou um passo em sua direção, mas paro quando ouço Jasmyn me chamar e vou até ela. Abaixo ao seu lado e pego-as em meus braços. Anastásia me dá um olhar perdido depois de olhar o homem sendo preso, mas fica em silêncio e abraça Safira de forma protetora.
Merda!
Isso também é minha culpa! Eu sabia os riscos que corro sendo quem sou, e mesmo assim aceitei colocá-las na minha vida. Agora elas são atingidas também. Não posso deixar isso acontecer novamente. Eu morreria se elas se machucassem e eu fosse o culpado.
Taylor nos avisa que a imprensa está chegando, rapidamente pegamos as meninas e colocamos as duas no carro, peço que Ana fique por lá também. Não quero ninguém em cima dela.
Converso com os policias para prestar queixa, mas acabo comprando-os para que deixe Taylor e seus homens darem um jeito no maldito.
Entro no carro e Ana me olha, mas continua em silêncio, ligo-o e nós seguimos para em casa sim trocar uma palavra.
Estaciono o carro em uma das minhas vagas na garagem e desço ajudando as meninas a descerem. Ambas estão cabisbaixas e em total silêncio. Ana se aproxima e acaricia os cabelos delas.
—Está tudo bem, ok? Foi um pequeno acidente e já passou. —Ela diz com calma. —O papai vai proteger vocês agora. E eu vou estar aqui também. Sem motivos para terem medo. Não acontecerá novamente. Ok?
—Ok. —As duas dizem juntas.
Caminhamos para o elevador e Ana envolve o braço na minha cintura de forma possessiva e coloca a mão dentro do bolso da minha calça apertando de leve minha bunda. Olho para ela e escondo um sorrio.
—Não foi sua culpa. —Ela sussurra confortando-me. —Todos nós corremos riscos assim. Acostume-se.
—Eu amo você Sra. Grey. —Fala abraçando-a.
—E eu te amo Sr. Grey.
—Por favor, não se beijem. —Safira fala interrompendo qualquer clima e nós começamos a rir.
—É, sem beijos. —Jasmyn fala fazendo beicinho.
As portas do elevador se abrem e as duas somem através das portas duplas do hall de entrada.
Sigo com Ana para dentro, mas ainda com pensamentos vagos, e sou distraído outra vez quando ela torna a aperta minha bunda.
—Se fizer isso de novo te levo para o meu quarto de jogos. —Digo dando um tapa na sua bunda.
—Ai. —Ela ri.
—Tia Ana, tio Christian! —Ava gritando vindo correndo para os nossos braços e meu irmão e cunhada vem logo atrás.
—Oi princesinha. —Digo pegando-a no colo.
—Vocês estão bem? —Kate fala abraçando Ana. —O acidente já está em todos os jornais.
—Sim. —Ana diz. —Foram as meninas, mas elas estão bem graças a Deus.
—Que bom. —Elliot fala beijando o rosto de Ana.
Chegamos à sala e assim que Jasmyn vê Ava em meu colo ela fuzila a prima.
—Ela tem pai, sabia? —Jasmyn fala nos levando a rir.
Coloco Ava no chão e ela vai brincar com Safira.
Sentamos nos sofás e ficamos conversando sobre coisas banais, mas nem com isso consigo me distrair.
Esse maldito atentado não sai da minha cabeça. Não sei o que teria feito se Safira ou Jasmyn tivessem se machucado.
Os dias começam a passar entre o estresse do trabalho na empresa, o trabalho em casa com Safira e Jasmyn.
Logo no meio de uma reunião importante com o casal alemão, tivemos que sair correndo, pois Jasmyn se machucou no colégio. No fim ela tinha apenas caído do balanço e ralados os joelhos.
Safira ficou doente quando tínhamos que fazer uma viagem para New York, e com isso acabamos cancelando a viagem para cuidar dela.
A imprensa não tem nos deixado em paz desde o ocorrido anterior, eles ficam em cima de nós dia e noite, isso acabou resultando em um estresse maior quando um maldito paparazzo atacou Anastásia no banheiro de um restaurante. Aquilo foi o fim para mim.
São inevitáveis essas coisas quando se é famoso, mas mesmo já fazendo um ano que as três estão ao meu lado, elas não se acostumam com isso, claro que elas dizem não ligar, mas fui eu que tive que ver minha mulher chorar porque um maldito havia tirado fotos dela quase nua em um banheiro. Fui eu quem teve que consolar minhas duas filhas quando elas quase foram mortas por um maldito inimigo.
A imprensa destrói a nossa família... Isso é ser famoso. Você quer o reconhecimento, mas não consegue lidar com as consequências. Bem. Eu conseguia, mas não agora quando vejo minha mulher chorar pelo assédio e a perseguição que tem sofrido.
O estrago foi pior ainda quando descobriram que Ana era viciada em crack. Eles fizeram manchetes e criaram notícias horríveis que deixou ela sem sair do quarto por mais de uma semana, e tudo isso por minha causa. Tudo porque sou um filho da puta com uma bagagem enorme.
Isso realmente me destruiu também.
Eu a vi chorar, mas ela não queria que nem eu me aproxima-se.
Foi doloroso vê-la assim. Depois ela se reergueu como sempre faz. Sorrindo. Com sua elegância natural e conseguiu passar por cima de tudo. Mas até quando vai durar isso? Até inventarem mais mentiras e nos destruírem mais?
Eu me sinto um lixo por não poder fazer nada... Mas talvez tenha algo que eu possa fazer... Algo que eu já deveria ter feito há muito tempo, e é o certo a se fazer.
—Ok. Pode deixar. —Ana diz com sua calma natural. —Eu cuido dela.
Jasmyn está com febre alta e amanhã cedo teremos mais uma reunião. Mais um estresse.
—Ana... —Sussurro.
—Amor, pelo menos você pode ir amanhã. Eu não quero que se estresse mais. Você já tem andando muito estressado ultimamente.
—Mas ela é minha filha também.
—Sim, e ninguém está tirando seu direito de pai. Vai descansar que eu posso cuidar dela.
—Não... Eu quero o papai. —Jasmyn fala enquanto Ana passa uma compressa de água em sua testa.
—Amor, o papai tem que dormir.
—Anastásia, chega ok? Eu cuido dela. —Falo tomando seu lugar e Ana suspira.
—Ok querido. Cuide dela então. —Ela diz num tom magoado.
Anastásia se levanta e sai do quarto.
Arrependo-me logo pela forma que falei, mas não faço nada para mudar isso.
Levo Jasmyn para tomar um banho gelado e sua febre logo abaixa.
Coloco-a na cama e ela logo dorme.
Saio do quarto e percebo que já perdi o sono.
Maravilha!
Passo em frente ao quarto de Safira e vejo-a dormir abraçada com Ana. Aproximo-me e sento ao lado da cama acariciando os cabelos de Ana.
Deus! Essa mulher é tudo na minha vida.
Eu não sei viver sem ela, mas não posso mais magoá-la, não posso deixá-la passar por tudo isso e fingir que não há nada de errado.
—Oi. —Ana sussurra tirando-me de meus devaneios.
—Oi. —Sussurro. —Vamos para a cama?
—Claro.
Ela vai se levantar, mas eu sou mais rápido e me levanto pegando-a em meus braços.
Desço as escadas beijando-a e assim chegamos ao quarto.
Coloco-a no chão e lentamente escorrego as alças de sua camisola pelos seus ombros enquanto beijo sua pescoço.
Anastásia passa as unhas pelas minhas costas fazendo-me enlouquecer. Empurro-a na cama e me deito sobre ela apoiando o peso do meu corpo nos cotovelos. Encaro seus olhos por alguns segundos e tenho mais certeza desse amor.
Começo a distribuir beijos pelo seu corpo antes de tomá-la para mim.
Eu tenho tanta certeza do que sinto que chega a doer, mas não posso mais deixá-la passar por isso. Não depois de tudo.
Não posso mais ficar ao lado dela. Porque eu sei, que se ela chorar vai ser por minha culpa, e eu não posso conviver com essa culpa. Seria preferível morrer ao vê-la chorar sabendo que eu sou o culpado.
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