Ainda Me Amarás Amanhã?
21 O Fim De Uma Queda
Notas iniciais
ANASTÁSIA STEELE
Levanto e vou cuidar das meninas enquanto Christian se arruma para ir à empresa.
—Não! —Jasmyn diz chorando. —Eu quero o papai.
—Myn, por favor. O papai vai trabalhar hoje. —Digo tentando manter a calma.
—Você não! O papai. —Ela diz entre gritos.
—Jasmyn Grey, chega! —Grito, e ela se cala, mas volta a chorar mais alto.
—O que houve? —Christian pergunta entrando no quarto.
—Essa menina está impossível! —Digo sem paciência.
—Já vi que terei de cancelar outra reunião. —Ele diz soltando um suspiro.
—Não! —Exclamo. —Fica com ela que eu vou para a empresa.
—Não, você não dormiu nada a noite inteira.
—Eu vou ficar bem, mas cuida dessa menina, porque se e fizer isso com certeza vou perder toda e qualquer paciência.
Levanto-me e saio do quarto indo para o banho.
Coloco uma blusa preta e uma saia lápis com alguns detalhes pretos. Deixo meu cabelo solto com alguns cachos e faço uma maquiagem destacando os olhos. Calço meu salto por fim e pego minha bolsa e a pasta.
Despeço-me de Christian – que briga por minha blusa estar mostrando parte da minha barriga -, mas eu realmente prefiro ignorá-lo a entrar em uma discussão por isso.
Saio de casa e vou dirigindo meu Saab enquanto Taylor vem atrás com o Audi.
Chego à empresa e Andrea me passa a agenda do dia e diz que terei uma reunião com o fotógrafo que fará a cobertura de um de nossos eventos para a nova linha feminina. Ok. Eu posso fazer isso.
HORAS DEPOIS...
—Sra. Grey, você está bem? —Andrea pergunta entrando na minha sala.
—Eu pareço estar bem? —Digo pelo estresse.
—Desculpe.
—Ok... —Sussurro. —Eu já terminei por hoje. As reuniões de amanhã serão com o Sr. Grey. Eu estou saindo.
—Está bem Sra. Grey.
—Até logo Andrea.
—Até. —Ela sussurra.
Pego as minhas coisas e saio da empresa repassando o dia em minha cabeça.
Agora só de imaginar chegar em casa e lidar com tudo aquilo, acaba comigo.
Abro as portas duplas do hall e encontro a casa em estado de silêncio. Chego à sala e o silêncio continua. Vou em direção ao meu quarto e quando passo em frente à sala onde fica a TVs e games ouço alguns barulhos e imagino que Christian esteja lá com as meninas.
Entro no quarto e vou direto tomar banho para esfriar a cabeça, e infelizmente, em baixo do chuveiro não consigo conter as lágrimas, e então elas simplesmente fluem.
Levo cerca de duas horas para parar de chorar, e é só então que saio do banheiro.
Troco-me e vou comer algo, e Christian ainda está assistindo TV com as meninas.
Como apenas granola com iogurte grego e depois vou para biblioteca e fico lá até a tarde acabar.
Saio por volta das sete e vou para a sala de jantar onde encontro Christian jantando com as meninas.
Ele está sentado na cadeira principal e têm as duas filhas aos lados.
Como a mesa é grande, resolvo sentar na outra ponta, de frente para Christian.
Gail me serve o silêncio domina a sala.
—Eu não sabia que você já tinha chagado. —Ele fala, mas eu apenas lhe dou um olhar que diz: “não está me vendo?”. —Á que horas você chegou?
—As três. —Sussurro depois de mastigar e engolir a comida.
—E por que só me avisou agora?
—Você estava com as meninas e eu realmente não quis ver uma delas com manha. Como tem estados ultimamente.
Safira e Jasmyn me olham envergonhadas e ficam em silêncio.
—Precisa disso, Ana? —Christian diz.
—Disso o que? —Faço-me de desentendida.
—O que está acontecendo? —Ele pergunta.
—Nada.
—Vocês vão brigar? —Jasmyn pergunta preocupada. —Ai. Por que você me chutou? —Ela diz encarando Safira.
—Não comecem. —Digo. —E não, nós não iremos brigar. E espero que já estejam acabando, vocês tem dez minutos para ir para a cama.
—Eu já terminei. Com licença. —Safira fala se levantando.
—Escovar o dente, e cama! Nada de computador ou coisa do gênero. —Digo.
—Ok. Boa noite mamãe, boa noite papai. Amo vocês. —Ela diz e sai da sala de jantar.
—Eu também já acabei. —Jasmyn fala. —Boa noite. Amo vocês.
—Também te amamos querida. —Christian diz.
Continuo comendo em silêncio e observando Christian.
—Você está bem baby? —Ele sussurra.
—Sim.
—Vem aqui.
Abro um sorriso fraco e me levanto indo até ele. Sento em sua perna e ele me abraça cheirando meu pescoço.
—Me desculpe. —Christian sussurra. —Acho que não imaginamos como a vida de casados seria... O estresse está grande. Eu estou cansado. Você está cansada. As meninas estão levando mais tempo para se adaptar a todas as regras, e isso tudo resulta em um estresse grande. Mas não vamos brigar mais, por favor. Tudo vai acabar bem, baby. Como sempre acaba.
—Me desculpe. —Sussurro antes de começar a chorar.
Christian me arruma em seus braços e ficamos em silêncio por um bom tempo.
—Ainda me amarás amanhã? —Pergunto enquanto brinco com a gola de sua camisa.
—Mas é claro que sim, baby.
—Promete? Promete que mesmo que parece algo improvável, você vai confiar em mim e continuar me amando? —Pergunto voltando a chorar. —Promete que não importa o que acontece, você vai continuar cuidando de mim? Porque você sabe como eu posso ser teimosa e egoísta às vezes, mas se algo acontecer. Prometa que continuará me amando.
—É claro que sim.
—Diga.
—Eu prometo continuar te amando. A todo o momento. A toda hora. Porque te amar é o que eu sei fazer. Eu confesso que desde o primeiro dia em que eu te vi, não tem um dia que eu não me pego pensando em você! Não existe a menor possibilidade de eu não te amar, não existe a menor possibilidade de eu não te fazer feliz, porque eu nasci para te amar...
—Eu te amo! —Beijo-o de forma necessitada enquanto percorro minhas mãos pelos seus cabelos. —Me desculpe. Desculpe-me por tudo.
—Shii... —Christian sussurra enquanto me embala. —Nós sempre estaremos juntos.
Aconchego-me mais em seus braços e pouco a pouco o sono vem vindo.
CHRISTIAN GREY
Anastásia adormece em meus braços e eu fico com ela por algumas horas. Só por tê-la em meus braços.
Percebo então que eu jamais conseguiria desistir dela, pois essa mulher é o que me torna quem sou, e me faz querer seguir em frente e ser alguém melhor ainda.
Coloco-a sobre a cama e tiro sua roupa com cuidado para ela ficar mais à vontade.
Tiro minha roupa e fico apenas de cueca. Deito ao seu lado e ela se aconchega nos meus braços.
Aperto-a com todo o meu ser, com toda a minha alma.
Não sei por que, mas hoje a sensação de tê-la aqui é como se fosse acabar. Só de pensar nisso eu sinto um medo muito grande então afasto os pensamentos e logo pego no sono.
Acordo com a claridade batendo em meu rosto e vejo as cortinas apertas enquanto o vento balança-nas. Levanto-me e vejo que a cama está vazia.
Onde esta Ana?
Entro no banheiro, mas não a encontro. Também não encontro Safira ou Jasmyn. Quando desço vejo Gail preparando o café e ela me diz que Ana já foi para a empresa, pois tinha uma reunião, e que Taylor deixou as meninas no colégio.
Volto ao quarto e vejo um bilhete em cima do criado-mudo.
“Te amarei de Janeiro a Janeiro... Até o mundo acabar...”
Sorrio e decido ir me arrumar para encontrá-la na empresa.
Estaciono o R8 em frente à GEH e jogo as chaves para o manobrista.
Entro correndo e vou direto para o elevador. Não sei por que, mas eu realmente estou com saudades de Anastásia.
—Bom Mr. Grey. —Diz Andrea.
—Bom dia Andrea. Onde está minha mulher? —Pergunto.
—Na sala, com o Sr. Rodriguez.
—Quem é esse?
—O fotógrafo.
—Ah, ok. Obrigada.
Caminho até a nossa sala e quando abro a porta tudo que eu acreditava ser real, torna-se um pesadelo.
Anastásia está sentada na ponta da mesa com as pernas um pouco abertas e à sua frente há um homem beijando-a. Sua blusa está aperta mostrando o busto e o sutiã, e sua saia está levantada mostrando suas coxas.
A visão me causa náuseas.
Não tenho certeza se é um sonho, ou algo do gênero, mas não consigo me mexer.
—Anastásia... —Sussurro.
—Christian. —Anastásia diz e os dois se separam.
Ela me olha nos olhos e vejo seu olhar perdido. Visão inexpressível. Ela não me diz nada.
—Sr. Grey... —Diz o homem.
Aproximo-me do homem e com um soco no nariz e uma joelhada no estomago, ele cai no chão gemendo de dor.
O ódio me domina e eu me aproximo de Anastásia que se encolhe.
—Christian... —Ela diz.
Dou um tapa forte em seu rosto que a faz desabar no chão.
—Como você pode? —Grito antes de chutá-la.
—Christian para! —Ela implora, mas eu continuo a golpeá-la.
—Como você pode fazer isso comigo, Ana? Me diz? Eu te dei tudo. Tudo que eu sou! E você me traiu.
—Christian, por favor. Você está me machucando. Para.
Com um movimento rápido puxo-a pelo braço e a jogo contra a parede colocando minha mão em seu pescoço.
—Por que Anastásia? Por quê?
—Para... Por favor. —Ela diz sem fôlego.
Beijo-a de forma dura e fria enquanto percorro minhas mãos pelo seu corpo.
—Você é minha! —Grito. —Minha!
Volto a beijá-la, mas ela não corresponde, apenas tenta me empurrar, e é quando perco todo e qualquer controle e a jogo no chão desferindo mais golpes em seu corpo.
Os seus gritos fazem Taylor e Sawyer entrarem na sala e me tirarem de cima dela.
—Eu nunca vou te perdoa por isso! Como você pode? —Grito.
Anastásia chora e soluça alto enquanto Andrea e Ross a levam para fora da sala.
Como ela pode?
Como ela teve coragem de me trair?
Eu dei tudo para ela, e ela jogou tudo para cima?
Por quê?
Eu estendi meus sonhos sob seus pés;
Pise suavemente, pois você está pisando
em meus sonhos.
(William Butler Yates)
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