Ainda Me Amarás Amanhã?
3 Eu Estarei Ao Seu Lado
Notas iniciais
Tocamos a última nota juntos, e só agora noto que ela já não esta mais tremendo tanto.
—Obrigada Christian.
—Não agradeça. —Digo calmamente e acaricio seu rosto. Ele fecha os olhos e solta um pequeno suspiro.
—Será que eu posso ir descansar? Minha cabeça está doendo... Por favor.
—Pare de pedir minha permissão para tudo.
—Desculpe.
—Pare de se desculpar também.
—Ah Christian, pare de ser chato! —Ela diz pegando-me de surpresa, mas vejo o arrependimento brotar em seus olhos. —Me desculpe.
—Você fez de novo.
—Ah! —Anastásia exclama balançando a cabeça. —Eu realmente preciso dormir.
—Ok. Eu te mostro o quarto.
—Ok. —Ela se levanta com delicadeza e eu levanto logo em seguida.
Quando vamos subir a escada Anastásia para e me encara com um pouco de medo.
—Eu posso te pedir algo?
—O que quiser.
—Fica comigo? Eu sei que se você me deixar sozinha eu vou fugir, mas eu não quero mais voltar para aquela vida. —Seus olhos marejam e meu coração dispara.
Eu sinto que ela vai chorar, e tenho vontade de tomá-la em meus braços e cuidar dessa garota, mas ao mesmo tempo eu tenho medo, então a indecisão me faz ficar parado de boca aberta.
—Me desculpe, eu não deveria ter pedido isso. —Ela diz depois de minutos em silêncio.
—Espera. —Seguro sua mão impedindo-a de subir. —Hã... Vem comigo.
—Para onde?
—Só me acompanhe.
Descemos o que já tínhamos subido e vamos em direção ao meu quarto. Abro a porta e quando entramos eu a encosto.
—O que estamos fazendo aqui? —Anastásia pergunta curiosa.
—Eu não quero te deixar sozinha... —Digo coçando a cabeça. —Então... Nós podemos ficar aqui. Até você se acostumar.
—Muita gentileza da sua parte. —Ela sorri causando-me sensações desconhecidas.
Ficamos os dois parados como duas crianças encarando um ao outro, sem saber o que dizer. E isso por mais de cinco minutos, mas resolvo falar quando vejo Anastásia começar a tremer o queixo.
—Vem aqui. —Puxo-a pela mão e a coloco sentada sobre minha cama. Isso é estranho, mas eu vou ter que superar. —Me fale mais sobre você?
—O que quer saber? —Ela diz abraçando as próprias pernas e eu tenho uma visão ampla das suas coxas e algo mais que minha cueca está cobrindo.
—Hã... Sua mãe? Como ela é?
—Uma mulher e tanto. É bondosa. Virtuosa. Amorosa. Sabe lidar com qualquer situação. Meu exemplo perfeito de mãe.
—Se seus pais são tão amorosos como você diz, como eles te deixaram cair?
—Pais perfeitos. Ou você tem pais que te deem atenção. Ou você tem ótimos pais.
—Eu tenho os dois.
—Eu não. Meus pais tinham que ser exemplo para as pessoas... Dar atenção aos fiéis... Mas eles se esqueceram de mim. Esqueceram-se de ser presentes na minha vida. De me dar o amor que eles distribuíam para as pessoas. E vendo tudo isso eu percebi que eu não era como eles. Perfeita.
—Ninguém é perfeito Anastásia. Todos tem dentro de si um pequeno monstro.
—Você não entende. Aposto que seus pais não te impuseram a pessoa que você queria, mas os meus sim. Eles me ditaram desde o dia em que eu nasci, por mais que fossem pais perfeitos, eles também falharam. E eu falhei mais ainda por deixar eles me dominarem.
—Todo mundo tem erros no passado baby. Ninguém é perfeito, e estamos longe de ser.
Anastásia franze os lábios e abaixa o olhar novamente.
Porra!
Ela tem que ser tão submissa?
A garota me pega de surpresa completamente quando deita e apoia a cabeça na minha perna. Enrijeço, mas não recuo. O pensamento de protegê-la é maior que os meus malditos medos. Ela ainda treme um pouco, e eu realmente não sei o que fazer para ajudá-la, então apenas fico acariciando seus cabelos, e é debaixo do meu toque que a vejo pega no sono.
Como se fosse uma criança pequena, eu a pego nos braços e a arrumo ao meu lado sobre a cama. Sento-me e fico observando-a dormir. A visão de uma mulher na minha cama é tão estranha, mas mesmo assim tão boa, principalmente por ser ela. Essa garota realmente mexe comigo.
Deixo-a dormindo e vou tomar um banho.
Quando volto ao quarto encontro a garota dormindo da mesma forma. Deito-me com cuidado e pouco a pouco vou pegando no sono.
—Por favor... Não me deixa.
Essa frase e outras me fazem acordar, sento-me e acendo o abajur, o quarto se clareia um pouco e eu vejo Anastásia se remexer na cama enquanto dorme e fala.
—Me ajuda, por favor. —Ela implora e mesmo dormindo algumas lágrimas rolam pelo seu rosto.
Só agora noto o quanto ela está tremendo.
Merda!
Maldito Crack.
Seguro seus pequenos ombros e a balanço na tentativa de fazê-la acordar.
—Anastásia acorde. —Chamo, mas ela continuar se contorcendo e chorando. —Deus! Acorde Anastásia.
—Christian. —Ela diz em seu tom baixo enquanto me olha assustada. —Eu preciso sair daqui. Eu preciso de alguma. Por favor.
—Não! —Solto-a na cama e me levanto.
—Por favor, Christian! Eu preciso. —Anastásia diz, mas não aumenta o tom em nenhum momento. —Eu preciso muito. Isso está acabando comigo.
—Não! —Grito sem paciência. —Eu já disse.
—Você não entende! Eu realmente preciso. Isso está te matando.
—Está mesmo! E vai te matar se você continuar usando essa porcaria.
—Você não entende! —Ela grita e isso me surpreende.
Olha para a menina com desaprovação e ela se encolhe na cama abraçando as próprias pernas e começa a chorar.
Porra!
Vê-la chorar acaba comigo.
—Anastásia. —Sussurro me aproximando e a puxo para ela se levantar. Ela me encara com aquela imensidão azul enquanto lágrimas caem. —Eu realmente imagino como deve ser difícil, imagino como seu corpo deve estar clamando por essa merda, mas eu não vou deixar você cair nessa de novo. Por mais difícil que seja você tem que tentar.
—Eu não consigo.
—Esse é o problema, você diz para si mesma que não consegue, mas agora vai dizer que consegue. E eu vou estar aqui para te ajudar. Você vai sair disso. Eu prometo. Ok?
—Ok. —Ela diz com os lábios e o queixo tremendo. —Me desculpe. Eu só não sei mais como faço para parar.
—Ei... Tudo bem baby. Não se desculpe.
Encaro Anastásia por alguns segundos e um desejo maior cresce dentro de mim. Lentamente levanto minha mão e acaricio seu rosto. Ela inclina a cabeça e fecha os olhos soltando um pequeno gemido. Passo a mão pelo seu pescoço e seguro sua nunca puxando seus lábios para o meu.
Seu beijo é quente, desajeitado e muito bom. Acho que ela nunca fez isso. Ela seguro meus braços e eu não sinto a escuridão vir, só uma sensação muito boa e uma vontade enorme de tê-la em meus braços.
Deito-a suavemente pela cama e começo a distribuir beijos pelo seu pescoço e colo. Vou subindo até seus lábios novamente e os tomo aos meus. Ela geme na minha boca e é como se um furacão de sentimentos me atravessasse.
Passeio à mão pelo seu pequeno e frágil corpo enquanto desejos desconhecidos atravessam meu peito.
Timidamente, Anastásia passeia as mãos pelos meus braços e as minhas costas, e pela primeira vez eu desejo o toque de alguém. Desejo ter as mãos dessa pequena mulher tocando-me.
Pouco a pouco vou tirando a camisa que ela está usando e seu corpo amostra mexe completamente comigo. Ela tem um corpo lindo, é delicado e parece que todas as curvas e linhas foram feitas a lápis. Na verdade essa garota parece toda feita a mão. Como uma boneca de porcelana.
Levanto a cabeça e encaro sua imensidão azul.
—Tem certeza que você quer isso? —Pergunto sem tirar meus olhos dos seus.
—Sim. —Ela sussurra e essa é a minha perdição.
Tiro minha calça e a cueca e deito-me sobre ela novamente.
Anastásia envolve as pernas na minha cintura e com beijos e carícias, abafo seus gemidos.
Deus!
Tê-la em meus braços é como ter o mundo em minhas mãos.
Como movimentos leves e beijos suaves eu a tomo para mim, e ela me toma para si.
Sensações desconhecidas e desejos dispersos tomam conta de mim em cada toque, cada olhar e gemido de prazer. Essa garota literalmente mexe comigo. Ela é delicada e diferente de todas as mulheres que eu já tive. Ela é boa e mesmo com toda a bagagem que tem, consegue ser a menina mais incrível que eu já conheci.
Oh, o que você está fazendo comigo Anastásia?
Saio de cima dela e me deito puxando-a para os meus braços. Jogo um lençol por cima dos nossos corpos nus e vou tomando o fôlego aos pouquinhos. Anastásia se aconchega nos meus braços e solta um suspiro baixinho.
—Obrigada. —Ela sussurra.
—Pelo que?
—Por tornar esse momento tão mágico. —Anastásia me encara e seus olhos brilham. E ela já não treme mais. —Eu sempre pensei que seria com um daqueles cafajestes que frequentavam a boate, ou que alguém acabaria se aproveitando quando me visse sozinha ou dormindo pelas ruas, mas você fez isso ser muito mais do que especial. Obrigada.
—Eu quem agradeço baby. —Sussurro apertando-a em meus braços.
—Por que você resolveu me ajudar Christian?
Solto um longo suspiro e aperto-a.
—Eu tinha três anos, quando a minha mãe se matou. Ela era viciada em crack e prostituta. Seu maldito cafetão sempre me batia e me torturava de todas as formas possíveis. E ela drogada demais para me proteger. Certo dia ela resolveu se matar. Levaram três dias para nos encontrar. Eu fiquei alguns dias em um lar adotivo, depois eu conheci a Grace. Ela foi a médica quem cuidou de mim. E hoje ela é minha mãe. Eu a admiro muito. Porque eu me sentia um nada. Um lixo. Fiquei anos sem falar, e mesmo assim ela não desistiu de mim, ela apenas lutou por mim e me deu motivos para lutar também. A minha mãe é a mulher mais incrível que eu já conheci. Eu não sei o que seria de mim sem ela. Foi por isso que eu quis te ajudar. Eu sei o que é se sentir um nada. Ver todas as pessoas ao seu redor e não sentir-se parte daquilo. Eu sei o que é pensar que todos desistiram, mas eu sei ainda mais como é a sensação quando alguém se importa. E eu me importo baby. Eu vou te ajudar.
—Ah Christian. —Anastásia diz chorando e eu abraço-a mais apertada. —Muito obrigada.
—Não agradeça. —Digo sorrindo. —Pelo menos não assim.
Ela me olha boquiaberta e vejo um lindo sorriso tomar seu rosto.
—É assim que eu quero te ver daqui em diante. Sorrindo.
—Se você ficar ao meu lado é assim que eu pretendo estar.
Anastásia pega no sono novamente e eu fico observando-a dormir por horas, e quando vejo o dia já está nascendo. Levanto-me e deixo minha garota dormindo, vou para a sala e encontro Gail na cozinha fazendo o café.
—Bom dia Gail. —Digo sorrindo e acho que ela estranha isso, mas apenas sorri em troca.
—Café da manhã Sr. Grey?
—Para dois Gail. —Pego de surpresa, mas ela sorri.
—Então realmente é um bom dia Sr. Grey?
—Sim Gail. —Sorri.
Caminho até o sofá e vejo meu celular caído, pego-o e vejo algumas ligações perdidas de Elliot.
Disco seu numero e aperto chamar.
—Filho da puta! —Elliot diz parecendo bravo.
—O que Elliot? —Ouço o grito de mamãe no fundo e não me contenho.
—Desculpe mamãe. —Ela fala. —Christian, você sabe o quanto eu te liguei?
—É, eu vi aqui.
—Nós íamos sair com nossos pais para tomar café. Eu ia apresentar a Kate para eles.
—Merda. Desculpe Lelliot, eu esqueci.
—É eu percebi.
—Olha. Vamos fazer assim. Converse com sua namorada e marque um jantar para hoje a noite aqui no meu apartamento.
—No seu apartamento? —Ele diz surpreso.
—Sim.
—Tem certeza?
Sinto o olhar de alguém sobre mim e me viro vendo Anastásia parada na porta apenas com a minha blusa.
—Sim. —Sorrio. —Eu tenho certeza.
—Ok.
—Agora passe para a nossa mãe. —Faz um gesto com a mão e Anastásia se aproxima.
—Christian, meu filho. —Mamãe fala com sua voz doce.
—Oi mamãe. Como está?
—Bem. Aconteceu algo?
—Não. Está tudo bem, mas será que você pode vir me ver? Alguém precisa de ajuda, e você é a pessoa mais indicada.
—Ok. —Mamãe diz surpresa. —Ok... Então. Está bem. Ta.
—Mamãe. —Digo rindo. —Eu vou te esperar.
—Está bem meu filho. Tá. Eu vou... Ok. Te vejo mais tarde.
—Ok. Até logo.
—Até.
Desligo o celular e puxo Anastásia para os meus braços fazendo-a soltar uma pequena gargalhada.
Deus!
Isso é ótimo para se ouvir pela manhã.
—Como dormiu? —Pergunto arrumando seus cabelos.
—Bem. Obrigada.
—E como se sente?
—Bem. —Ela diz com as mãos tremendo.
—Então. —Solto-a, mas seguro suas mãos. —Que tal um café da manhã?
—Ok. —Anastásia sorri.
—Vem.
Conduzo-a até o balcão e Gail olha-nos com certo brilho.
—Anastásia essa é a Sra. Jones, Gail, essa é a Anastásia, nossa mais nova companheira.
—Muito prazer senhorita. —Gail diz sorrindo.
—O prazer é meu, e pode me chamar de Ana, Sra. Jones.
—E você me chame de Gail.
Olha para as duas e sinto uma pontada de ciúmes, mas acho isso um absurdo e fico quieto.
Puxo o banco e Anastásia se senta depois me sento ao seu lado. Gail nos serve com o café e nós vamos comendo. Na verdade eu não como muito, mas Anastásia sim, e não por vontade própria, eu tenho que obrigá-la a comer.
—Menina teimosa! —Exclamo já sem paciência. —Você pode apenas comer?
—Christian se eu comer mais eu vou explodir! —Ela diz sem paciência. —Eu já comi muito.
—Não! Você não comeu.
—Para de ser chato. —Anastásia diz passando as mãos pelo rosto.
—Eu não estou sendo chato.
—Está sim! E mandão.
—Ele é assim mesmo, querida. —Viramos juntos e vemos mamãe se aproximar.
—Mamãe. —Levanto-me e vou cumprimentá-la. —Eu não te ouvi chegar.
—Você estava ocupado demais brigando com a menina. —Ela sorri para Anastásia. —Qual o seu nome querida?
—Anastásia.
—Eu sou Grace. Mão do Christian, muito prazer.
—O prazer é meu Sra. Grey.
—Grace, por favor. Sra. Grey é a minha sogra, no hospital me chamam de Dra. Trevelyan, mas você pode me chamar de Grace.
—Ok. Obrigada. —Anastásia sorri. —Me chame de Ana.
Por que ela manda tudo mundo chamá-la de Ana enquanto eu fico chamando-a de Anastásia?
—Sobre o que você queria falar? —Mamãe pergunta tirando-me de meus devaneios.
—Hã... Ana, você fica bem com a Gail? Eu preciso de um momento com a minha mãe.
—Está bem. —Anastásia diz sorrindo.
Dou um beijo suave em sua testa e sigo para o escritório com mamãe, assim que entramos começo a contar tudo sobre Anastásia para. Tudo que eu sei.
—Uau. —Mamãe diz boquiaberta. —Então você vai ajudá-la?
—Sim. Você acha que eu errei?
—Ah meu filho. —Ela diz com os olhos marejados. —Mas é claro que não. Eu estou muito orgulhosa de você.
—Obrigada mamãe. —Digo puxando-a para um abraço e ela se surpreende. —Eu vou precisar muito da sua ajuda. Assim como você fez comigo eu quero fazer com ela. Eu não quero deixá-la sozinha.
—E ela não vai estar, porque agora ela tem você. E com certeza a nossa família também vai estar junta nessa.
—Obrigada mãe.
Mamãe sorri e me abraça mais uma vez.
Vou ter que confessar: seus abraços são muito bons.
Solto-a e nós saímos do escritório para ver Anastásia.
—Baby. —Digo assim que vejo Anastásia sentada em frente ao balcão. Aproximo-me e abraçando-a pela cintura. Enquanto mamãe nos olha toda emotiva. —Ela vai te ajudar também.
—Ana. —Mamãe se aproxima e segura às mãos dela. —Eu quero que saiba que a partir desse momento você ganhou uma amiga, eu vou estar aqui, assim como Christian, para te ajuda no que for preciso.
—Obrigada. —Anastásia sorri e sai dos meus braços indo abraçar minha mãe. —Muito obrigada Grace. Você não sabe como é bom ouvir isso.
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