Ainda Me Amarás Amanhã?
12 Decisões I
Notas iniciais
CHRISTIAN GREY
Começamos a nos arrumar para levar Jasmyn ao orfanato.
Anastásia está usando um vestido longo de Chiffon na cor branca, e seus cabelos estão soltos e ela está usando uma pequena tiaras de flores que a deixa incrivelmente linda. Eu estou usando uma camisa social azul marinha, calça social preta e sapatos também pretos sociais.
Despedimos-nos de todos e logo partimos.
Levamos cerca de três horas para chegar ao orfanato Santa Rosa, e agora estamos entrando nele. Taylor estaciona o carro e eu olho para Anastásia que está dormindo com Jasmyn no colo, as duas não se soltaram mais desde o incidente da noite anterior.
—Ana. —Sussurro acariciando seu rosto e ela acorda. —Chegamos.
—Ok. —Ela sussurra e acorda Jasmyn.
Taylor abre a porta do carro e eu desço depois pego Jasmyn e dou minha mão para Ana, ela desce e sorri agradecendo.
Chegamos a porta do orfanato e um mulher se aproxima.
—Jasmyn! —Ela exclama e a menina sorri. —Olá. Quem são vocês?
—Christian Grey. —Digo apertando sua mão. —Essa é a minha namorada, Anastásia Steele.
—Muito prazer, eu sou Matilde, mas a Jasmyn teve ter contado.
—Sim, ela falou. —Digo calmamente.
—Como vocês a encontraram?
—É uma longa história. —Ana sussurra.
—Que tal entrarmos e conversamos um pouco? Assim a menina pode ver a irmã, e quem sabe acalmá-la.
—Sassa! —Jasmyn diz sorrindo.
—Venham, por favor. —Diz Matilde.
Nós seguimos a freira pelo orfanato e quando passamos perto das escadas ouvimos gritos.
—Quem é? —Ana pergunta.
—A Safira. —Diz a mulher.
Ela sobe as escadas e nós a seguimos, paramos em frente a um quarto e ouvimos os gritos aumentarem, quando a porta é aberta vejo uma menina de pele pálida, cabelos castanhos até os ombros com algumas mexas roxas, e lindos olhos azuis. A menina está com uma escova na mão ameaçando tacar em uma das freiras que tentam acalmá-la.
—Não se aproximem! —Ela grita.
—Sassa. —Jasmyn fala descendo do meu colo.
A menina abaixa a escova e olha para Jasmyn suavizando sua expressão.
—Myn! —Ela grita e solta à escova no chão enquanto a irmã corre para abraçá-la.
Depois de soltar a irmã e fazer várias perguntas para conferir se ela está bem, a menina nos encara e logo se aproxima.
—Obrigada por ajudarem minha irmãzinha. —Ela diz abraçando Jasmyn. —Eu me chamo Safira.
—Christian Grey. —Digo apertando sua mão. —Essa é Anastásia.
—Muito prazer senhor e Sra. Grey. —Safira diz e Ana ruboriza.
—Jasmyn, você está entregue. —Ana fala e parece prender um soluço. —Christian, será que podemos ir?
—Acho que sim... —Sussurro.
—Será que podemos conversar antes? —Matilde pergunta.
—Claro. —Digo puxando Ana para meus braços.
Pedimos licença para as meninas e vamos até o escritório enquanto crianças correm de um lado para o outro. Uma menininha passa correndo por nós e cai no chão, logo atrás outra vez correndo e a ajuda a levantar e elas voltam a correr.
Descemos as escadas e entramos em um escritório, a irmã Matilde pende que nós sentemos e faz o mesmo.
—Eu não sei nem como agradecer. —Ela começa. —Vocês trouxeram a menina de volta, mas não me explicaram como.
Começo a contar toda a história e o que Jasmyn me disse, e Matilde só confirma tudo, o que nos deixa intrigado, ela fala também sobre as meninas com mais detalhes de suas histórias.
—Elas são meninas sensíveis, preferem ficar longe das pessoas, eu achei incrível a forma como a Jasmyn estava com a Anastásia, ela é a mais amorosa e carente das duas, mas só fica com a irmã. As duas não se relacionam com as outras crianças. Preferem ficar no quarto fazendo atividades, ou brincando entre elas. Sem dúvidas as duas são muito especiais.
—São mesmo. —Ana diz dando um sorriso nervoso, ela aperta minha mão e sei que não quer mais estar aqui.
—É melhor irmos. —Digo me levantando e Anastásia faz o mesmo. Tiro um cartão do bolso e entrego a Freira. —Nos ligue se as meninas precisarem de algo, ficaríamos mais que honrados em ajudar.
—Obrigada.
Saímos do escritório e subimos para nos despedir das meninas. Encontramos as duas sentadas na cama conversando baixinho.
—Olá. —Digo sorrindo. —Nós viemos dizer tchau.
—Vocês vão embora? —Jasmyn pergunta preocupada.
—Sim. —Sussurro.
—E vocês não vão mais voltar? —Ela pergunta com os olhos marejados e sinto Ana ficar tensa ao meu lado.
—Não...
—Mas...
—Jasmyn! —Safira segura o braço da irmã impedindo que ela venha até nós. —Foi um prazer conhecê-los, mas é melhor vocês irem. Seria horrível ver a Jasmyn chorando por pessoas que não se importam com ela.
—Mas nós nos importamos. —Digo.
—Por favor, Sr. Grey, você sabe que isso não é verdade, não minta, seria rude e infantil da sua parte. Sugiro que se vá. —Safira diz com muita maturidade para uma garota de oito anos.
—Não! —Jasmyn grita e se solta correndo até nós. Ela abraça Ana que fecha os olhos como se algo doesse. —Por favor, tia Ana, não me deixa. Eu não quero te perder.
—Jasmyn para! —Safira grita com a irmã que não dá ouvido. —Você está sendo patética!
—Não! Não estou, e você sabe. Você viu como ela parece com a mamãe?
—Mas ela não é nossa mãe! A mamãe morreu, e ela nunca mais vai voltar. Aceita isso de uma vez por todas e pare de implorar carinho e atenção das pessoas! Elas nunca vão se importar com você.
Safira passa correndo por nós indo para fora do quarto.
—Tia Ana, fala que não é verdade, fala que você se importa. —Jasmyn implora e algumas lágrimas rolam pelo rosto de Anastásia fazendo meu coração se partir. —Fala tia Ana, por favor. Diz que você não vai embora. Diz que você vai cuidar de mim, que não vai fazer como a mamãe. Por favor.
Anastásia se abaixa e pega Jasmyn no colo abraçando-a apertado.
—Não me deixa não. —Jasmyn implora e aquilo acaba comigo.
Eu sei o que é sentir falta do amor, sei como é doloroso ver os pais mortes e não ter ninguém que te proteja, mas eu nunca imaginei o quanto seria doloroso ver outra criança passando por isso.
Ana fica embalando a menina por algum tempo e eu resolvo ir atrás de Safira, encontro-a em frente ao orfanato sentada em um dos bancos. Aproximo-me e sento ao seu lado, ela me olha ferida e dá um sorriso amargo.
—Você não precisa vir atrás de mim Sr. Grey, eu não sou a Jasmyn. —Ela diz e eu acabo rindo. —Qual a graça?
—Você não precisa agir como adulta do meu lado, eu também no sou a Jasmyn.
—Do que você está falando?
—Sabe Safira, eu já fui criança. E sabe de uma coisa? A minha mãe não se importava comigo, eu nunca conheci meu pai, e ainda por cima, vi a mulher que eu chamava de mãe se matar na minha frente, eu fiquei três dias preso com o corpo dela dentro de um apartamento, e eu só tinha três anos. Eu sou adotado, e acredite, eu sei como a dor pode nos mudar, sei que tem momentos que parece que tudo vai desabar em cima de nós, sei que isso é doloroso e nós acabamos nos fingindo de fortes, sendo que não temos forças nem para segurar uma lágrima. Eu sei o quanto o amor faz falta, mas também sei que afastar as pessoas e mandá-las para longe, não preencherá esse vazio que existe dentro de nós.
Safira me olha e logo em seguida fecha os olhos apertando os lábios, mas deixa um soluço escapar e as lágrimas logo vêm, tomo a liberdade de me aproximar e pegá-la nos meus braços. Ela me aperta como se não recebesse um abraço assim há anos.
Ficamos assim por alguns minutos e percebo quanto essas coisas têm despertado sentimentos diferentes em mim.
—Me promete uma coisa? —Safira diz olhando nos meus olhos.
—O que?
—Que você e a sua mulher vão embora, mas nunca mais vão voltar.
—Hã? —Pergunto confuso.
—Vocês dois são muito bons, isso nota-se no olhar, mas eu sei que um casal como vocês não vai querer duas meninas para adotar, principalmente porque devem ter começado a vida de vocês agora. Eu não ligo que minhas esperanças sejam destruídas, isso acontece toda vez que um casal chega aqui. Toda vez que eles olham com amor para as crianças, e eu sei que nunca vão olhar de tal forma para nós. Eu não ligo, mas quero que prometa ir, porque a Myn se importa, ela acha vocês muito parecidos com os nossos pais, e acha que só por isso vocês vão querer ficar conosco, mas eu sei que não é verdade. Só vá, e não a magoe.
—Eu prometo não magoá-la, mas não prometo ficar longe. —Digo e vejo os olhos de Safira brilhar.
Voltamos ao quarto e encontramos Ana sentada na cama enquanto Jasmyn dorme em seus braços.
Aproximo-me e Safira fica na porta nos encarando.
—Será que podemos conversar? —Ana pede olhando com muito carinho.
—Claro.
Deixamos as meninas no quarto e ficamos no corredor sem dizer nada por alguns minutos.
—Sabe... —Dizemos ao mesmo tempo e rimos.
—Fala. —Digo e Ana ri.
—Primeiro você Sr. Grey.
—Damas primeiro.
—Eu estava pensando... Mas só se você quiser... E se nós...
—Adotássemos as duas? —Completo e ela sorri.
—Você acha uma boa? Eu sei que sou nova, e você também, mas a ideia de deixá-las aqui acaba comigo.
—Sabe Srta. Steele, eu achei essa uma ótima ideia. —Sorrio puxando-a para um beijo. —Meu maior sonho é construir uma família, ao seu lado, porque eu te amo.
—Eu também te amo Sr. Grey. —Ela diz olhando-me nos olhos e acaricia meus cabelos. —Então. Vamos falar com a irmã Matilde?
—Sem dúvidas Srta. Steele.
Vamos até o escritório e batemos na porta logo ouvimos um entre e entramos vendo a irmã Matilde nos dar um olhar curioso.
—No que posso ajudá-los?
—Nós decidimos ficar com as meninas. —Digo e a irmã sorri amplamente.
—Estão falando sério?
—Há sim, muito sério. —Anastásia fala dando um sorriso que me encanta.
—Mas que notícia ótima, mas... Tem um problema.
—Qual? —Ana pergunta.
—Vocês não são casados, não é mesmo? Vocês só poderiam adotá-las se fossem casados legalmente.
O sorriso de Ana se desfaz, mas uma ideia precipitada me vem.
—Nesse caso. —Digo puxando Anastásia. Ajoelho-me em seu frente e seguro sua mão. —Casa comigo Srta. Steele?
—Ah. —Ana grita e solto um risinho colocando a mão sobre a boca enquanto seus olhos marejam. —Isso é serio?
—Muito sério. —Sorrio e ela se ajoelha abraçando-me.
—É claro que eu caso seu bobo!
Sinto meu peito explodir e mal posso conter a alegria dentro de mim.
Solto Ana e vejo a irmã Matilde nos olhar emocionada.
—Vocês não sabem a alegria que vão proporcionar para as meninas. —Ela diz sorrindo.
—Nem conte ainda. —Peço me levantando junto com Ana. —Mas prepare os papeis hoje ainda, meu advogado Barney entrará em contato com você.
—Tudo bem Sr. Grey.
—Diga às meninas que amanhã voltaremos para vê-las.
—Tudo bem.
Despedimo-nos de Matilde e vamos para o carro onde encontramos Taylor e ele diz que Ross está no cartório da cidade fazendo alguns contratos da empresa, então seguimos para apanhá-la.
—E se nós casássemos hoje? —Ana sussurra deitada no meu colo. —Sem ninguém saber.
—O que? —Digo rindo.
—Nossa loucura de amor Sr. Grey, todos tem uma. Poderíamos casar agora. —Ela diz quando o carro para em frente ao cartório.
—Tem certeza? —Pergunto não levando a sério. —Seu pai pode não gostar.
—E seu também, mas quem se importa? Eu só quero ficar com você e as meninas.
—Anastásia, você está falando sério?
—Nunca falei tão sério.
—Ok. —Digo tirando-a dos meus braços. —Prepare-se para tornar-se a Sra. Grey.
Desço do carro e ajudo Ana a descer, nós entramos no cartório com Taylor e logo avistamos Ross, mas é com o Juiz de Paez que vamos falar. Ligo para Barney e peço para ele fazer a certidão de adoção enquanto o juiz de Paez prepara a certidão de casamento.
Ross e Taylor ainda estão estáticos com a noticia de que vou me casar, e estou começando a ficar preocupada.
O juiz pede os nossos documentos e entregamos, ele finaliza a certidão e diz que vamos precisar de duas testemunhas. Olho para Taylor e Ross – que ainda estão parados – e vão ter que ser eles.
Anastásia e a primeira a assinar e a visão faz meu coração bater tão rápido quanto asas de um beija-flor. Assino logo em seguida e depois Ross e Taylor.
—É isso. —Diz o Juiz. —Vocês estão oficialmente casados. Christian, você continua com o seu nome: Christian Trevelyan Grey, e Anastásia, a partir de agora você é Anastásia Rose Grey, e assim terá que assinar tudo e todos os seus documentos deverão ser atualizados, parabéns ao casal.
Sorrio feito uma criança e puxo Ana dando-lhe um beijo.
—Eu te amo Sra. Grey.
—E eu te amo Sr. Grey.
Depois de sairmos do cartório ligo outra vez para Barney e peço que ele resolva a questão dos documentos de Ana. Ele fica louco quando conto que casei, mas obrigo-o a não contar a ninguém. Peço a Taylor que nos leve para um hotel para passarmos a noite.
No dia seguinte amanhece um tempo frio pelo inverno que começa; então nós compramos algumas roupas e vamos para o orfanato. Assim que entramos ouvimos uma gritaria vinda do andar de cima, subimos correndo e vemos a irmã Matilde para na porta que parece estar trancada.
—Vamos meninas, abram essa porta! —Ela diz tentando manter a calma.
—Está tudo bem? —Ana pergunta quando nos aproximamos.
—Ah que bom que chegaram. Não, as coisas não estão muito boas, quando a Jasmyn acordou e não viu vocês ela fugiu, nós só conseguimos encontrá-la hoje pela manhã, ela passou a noite no frio e está doente, mas a Safira não nos deixa entrar. Elas acham que vocês não iriam voltar.
—Safira! —Digo enquanto bato na porta, tudo fica em silêncio do outro lado. —Vamos, abra.
—Sr. Grey. —Ela diz abrindo a porta e me abraça, mas logo me solta e me dá um tapa forte no braço. —Por que você voltou?
—Tia Ana! —Jasmyn grita e senta-se na cama enquanto Ana se aproxima para abraçá-la e a pega no colo.
—Eu tenho uma novidade. —Ana diz sorrindo.
—Qual?
—Nós vamos adotar vocês.
—Isso é serio? —Safira pergunta apertando a manga do meu casaco. —Vocês vão nos adotar?
—Sim. —Digo e ela dá um grito antes de me abraçar.
—Mesmo? —Jasmyn pergunta com os olhos brilhando.
—Mesmo. —Ana diz sorrindo.
—E nós vamos com vocês hoje? —Ela pergunta.
—Acho que sim. —Digo olhando a irmã Matilde.
—Sim, vocês só precisam assinar os papéis, seu advogado já me enviou tudo por fax.
—Então, vamos? —Ana pergunta.
Vamos em direção ao escritório com as duas meninas grudadas em nós, assinamos os papéis da adoção e eu ainda não tenho certeza se isso é um sonho.
Anastásia vai ajudar as meninas a fazerem as malas enquanto eu dou mais papéis para Barney organizar.
Depois de tudo resolvido, algumas despedidas, algumas roupas novas compradas, algumas bagunças por perdemos duas crianças no shopping – mas recuperamos. Claro! (depois de duas horas ¬¬) – finalmente voltamos para a casa.
Taylor estaciona o carro em frente à casa de Ana e nós nos entreolhamos.
—Preparada? —Pergunto sorrindo.
—É claro. —Ela diz nada confiante e eu dou risada.
Desço do carro e ajudo minhas mulheres a descer, depois entramos todos juntos e encontramos nossos familiares na sala. Eles nos encaram por alguns segundos sem dizer nada.
—Ok, alguns minutos que vocês ficaram sozinhos foi igual a uma criança, ai vocês ficam dois dias fora e voltam com duas crianças? —Papai fala e eu dou risada.
Lá vamos nós!
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