Ainda Me Amarás Amanhã?
15 Briga X Reconciliação P. I ♥
Notas iniciais
Procuro o interruptor e ascendo à luz deparando-me com uma visão de séculos passados.
Paredes vermelhas, uma cruz em forma de X, chicotes e varas penduradas por todos os lados, entre outros objetos que enfeitam o quarto de paredes vermelhas.
Tomo fôlego e entro no quarto percorrendo a mão pelas tiras de couro de alguns chicotes.
Por essa eu não esperava.
Meu celular começa a tocar no bolso da calça que estou usando e eu me assusto, mas abro um sorriso irônico ao ver que é Christian.
—Baby, como estão às coisas? —Ele pergunta assim que atendo.
—Interessantes. —Sussurro pegando um chicote de coro marrom.
—O que você está aprontando Anastásia? —Christian pergunta e eu gargalho. —É sério baby.
—Eu estava conhecendo o seu apartamento.
—Nosso!
—Que seja... Mas enfim, eu achei um quarto muito interessante.
—Anastásia... —Ele diz preocupado e eu começo a rir. —De que quarto estamos falando?
—Um com paredes vermelhas.
—Porra! Eu estou indo para casa.
—Não, eu não vou há lugar algum, continue ai, você está trabalhando... Acha que vou fugir pelo seu quarto vermelho da dor?
—Ana, não é assim que ele funciona... Eu queria ter dito sobre ele antes, mas...
—Ok, nós conversamos quando você chegar tem alguém me ligando.
—Ana...
—Beijo, te amo.
Desligo o celular e atendo a outra ligação ainda com o chicote na mão.
—Sra. Grey? —Diz uma voz feminina.
—Sim, sou eu.
—É do colégio das suas filhas. Safira e Jasmyn.
—Aconteceu algo com elas?
—Sim. Sua filha mais velha entrou em uma briga, eu estou ligando para convocar a sua presença ou do seu marido aqui.
—Ok, eu chego em vinte minutos.
—Eu aguardo.
Desligo o celular e saio do quarto fechando a porta.
Corro para me trocar e depois peço à Sawyer que me leve no colégio. Ele pega o Audi e nós seguimos para lá. Assim que chegamos, eu desço e vou à frente indo diretamente para a sala da diretora, lá encontro a mesma, Safira e uma menina sentadas juntamente com outra mulher.
—Sra. Grey? —Pergunta a diretora surpresa.
—Sim. —Aperto sua mão dando um sorriso forçado.
—Desculpe minha surpresa, eu achei que você fosse mais velha.
—Tudo bem. —Sorrio e olho para Safira que tem uma cara nada contente e a outra menina que está com o olho roxo. —O que houve?
—Hã... Como eu disse antes, sua filha se envolveu em uma briga, mas ela vai contar o que houve, não é Safira?
—Não! Você é a diretora, você que acha que eu sou errada, então você conta. —Safira fala cruzando os braços e eu lhe dou um olhar de reprovação que a faz abaixar a cabeça.
—Bom... —A diretora diz envergonhada. —Ela foi provocada na verdade... A coleguinha dela implicou com o fato dela ser adotada, então ela agrediu a menina.
Encaro e menina e depois a mãe dela que não me parece envergonhada.
—Uau, eu não sabia que ser adota era motivo para implicação agora. —Digo começando a ficar brava. —Eu também sou, e isso nunca fez com que eu me senti-se mal, pelo contrário, foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Olha. Eu sei o quanto meu marido paga para as nossas filhas estudarem nesse colégio, e você tem muita sorte de que é eu quem está aqui, porque se fosse ele, com certeza esse colégio iria a baixo. Não me importa que minha filha tenha batido em outra coleguinha, ninguém bate só porque isso dá prazer — (exceto Christian Grey)- , tenho certeza que ela deve ter se sentido mal depois, ou não, mas ai vem dela. Eu tenho tentado educá-la da melhor forma possível desde que ela está morando conosco, e acho que tenho tido sucesso nisso, pois não tive reclamações de ninguém. Eu espero que coisas assim não aconteçam, e espero que você faça o máximo para isso não acontecer, pois você é a diretora, e é responsável pela disciplina do colégio. —Digo calmamente. Viro-me para a mãe da menina que agora parece envergonhada. —E você como mãe, deveria cuidar melhor da sua filha, e explicar como as coisas funcionam, hoje foi um olho roxo por uma coleguinha, mas amanhã pode ser pior se ela continuar com essa linha medíocre de raciocínio, achando que só porque alguém é adotado precisa de implicâncias. Imagina o que ela não pensa dos outros. Agora se vocês me dão licença, eu vou levar a Safira para casa, e vou pegar minha outra filha também.
—Claro Sra. Grey... Desculpe pelo inconveniente, e tenha um bom dia. —Diz a diretora.
—Obrigada, bom dia para vocês também.
Saio da sala com Safira e ela segura minha mão fazendo-me parar. Olho para ela e sou pega de surpresa quando ela me abraça apertado.
—Eu te amo mamãe. —Ela sussurra.
—Eu também te amo bebê.
Solto Safira e nós seguimos para a sala de Jasmyn, assim que paramos na porta vejo-a fazendo lição enquanto fala com um coleguinha. Acho que ela nota meu olhar, pois logo se vira e sorri de forma ampla para mim.
—Sra. Grey, suponho. —A professora diz se aproximando. —Sou Emma, professora da Jasmyn.
—Prazer. —Digo apertando sua mão.
—Vocês são muito parecidas, nem parece que ela é adotada. —Diz Emma sorrindo. —Ela é uma menina incrível.
—É sim. —Sorrio.
—A diretora me avisou que você vai levá-la, mas ela está terminando a lição, o intervalo é daqui a pouco, por que não se juntam a ela?
—O que acha Sassa? —Pergunto.
—Tudo bem. —Safira diz sorrindo e vai para o lado de Jasmyn.
Entro na sala e fico conversando com Emma enquanto as crianças fazem lição.
Sinto uma luz forte bater no meu rosto quase me cegando, pisco algumas vezes e vejo dois fotógrafos invadirem a sala e tirarem fotos minhas e das meninas.
—mamãe! —Jasmyn grita assusta.
Sawyer e outros seguranças entram na sala correndo e arrancam as câmeras das mãos dos fotógrafos e começarem a bater neles enquanto as crianças gritam assustadas.
Emma se agiliza e começa a tirar as crianças da sala.
—Mamãe! —Safira e Jasmyn dizem enquanto correm para os meus braços.
Vejo Christian entrar na sala muito bravo, ele se aproxima e pega Jasmyn – que está chorando – no colo.
—Christian. —Sussurro.
—Vamos sair daqui! —Ele diz e vejo que está bravo. Saímos da sala e Christian nos conduz até o pátio. —Você estão bem?
—Sim, acho que sim.
—Por que não me contou que estava vindo aqui, Anastásia? Você vê o que acontece quando não me fala o que vai fazer? É por isso que quero que fique em casa, para evitar coisas assim! —Ele grita e Jasmyn chora mais.
Encolho-me assustada e pego Jasmyn de seu colo colocando-a no chão.
—Será que podemos discutir isso em casa? —Digo prendendo um soluço.
—Ana...
—Por favor, vamos embora papai. —Jasmyn fala segurando a mão de Christian.
—Claro. —Ele fala.
Christian pega Safira no colo e ela deita a cabeça na curva de seu pescoço, ele me manda pegar Jasmyn e é o que faço. Com a ajuda de Taylor, Sawyer, Ryan e os outros seguranças, chegamos ao carro.
Assim que entramos no apartamento as meninas sobem correndo para o quarto e eu vou para o meu quarto e de Christian.
—Baby... —Ele diz sentando ao meu lado.
—Não me toque! —Grito começando a tremer. —Eu sou sua mulher, sabia? Não um objeto! Como você fala comigo daquela forma? Você quer me privar até de ir ao colégio das nossas filhas?
—Baby, não foi isso, eu só fiquei preocupado.
—Então todas as vezes que você se preocupar vai gritar comigo? —Digo pela primeira vez aumentando o tom com ele.
—Me desculpe...
—Você quer me prender aqui Christian! Eu não suporto ficar aqui sozinha! Não suporto ter que depender de você para tudo. Foi horrível a forma como você falou comigo na frente das meninas. —Digo entre lágrimas.
—Me desculpe baby... —Ele diz tentando me abraçar, mas eu o empurro.
—Não me toca, por favor.
Saio do quarto e vou diretamente para a biblioteca, tranco a porta assim que entro e depois apenas o abajur ligado, deixando a luz mais baixa.
Sento-me na poltrona sentindo meu corpo todo tremer e sei o que estava fazendo-me falta.
Encosto a cabeça respirando fundo e tentando me acalmar.
Já faz tanto tempo... Eu não posso ceder agora.
Fecho meus olhos tentando me acalmar e acabo pegando no sono.
—Ana! —Ouço a voz de Christian me chamar e acordo.
Onde eu estou?
Ah, sim... Biblioteca.
—Anastásia, diga alguma coisa, você está ai? —Ele diz.
Levanto-me e caminho até a porta abrindo-a, Christian tenta me abraçar, mas eu o empurro.
Saio andando e vejo Safira e Jasmyn sentadas no sofá chorando.
—Mamãe! —Safira grita e corre para me abraçar. —Onde você estava?
—Desculpe, eu só estava na biblioteca. —Digo tranquilizando-a. Aproximo-me de Jasmyn e a pego no colo. —Tudo bem, bebê.
Encolho-me no sofá com Jasmyn e meus braços e Safira ao meu lado, as duas logo pegam no sono e só agora percebo o quão tarde é. Christian entra na sala e não diz nada, ele se aproxima e pega Safira nos braços indo em direção as escadas. Bufo frustrada e me levanto levando Jasmyn para o quarto dela.
—Nós podemos conversar agora?
—Claro... —Sussurro enquanto andamos pelo corredor em direção as escadas.
—Baby, olha para mim. —Christian diz me parando e acaricia meu rosto. —Eu te amo, e brigar com você é a pior coisa do mundo. Não vamos mais brigar por coisas tão bobas.
—Christian eu só não quero ser tratada como inferior por ser mulher, eu me senti como um animal pela forma que você falou comigo. Eu sou sua mulher, não um objeto do qual você tem que guardar em casa.
—Eu sei baby, me perdoe por isso. —Ele diz me puxando para um abraço. —Eu só tenho medo que você se machuque e eu não possa fazer nada para mudar isso.
—Eu entendo, mas todos correm o risco de cair e se machucar, e isso serve para que aprendamos a andar. Você não vai poder me proteger sempre, mas eu quero que esteja ao meu lado, como meu marido, me apoiando em cada decisão que eu tomar, assim como eu farei com você.
—É claro... Desculpe-me, eu te amo. —Christian me puxa para um beijo demorado. —Me desculpe.
—Eu te amo Christian, mais que tudo. Não vamos mais brigar, por favor.
Christian sorri e me abraça, mas logo o empurro.
—O que foi? —Ele pergunta preocupado, mas eu arqueio uma sobrancelha e sorrio.
—Eu quero que você me mostre algo... —Sorrio. —Acho que imagina o que seja.
—Ah, Sra. Grey, sim, eu imagino, e sim, eu teria um grande prazer em te mostrar.
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