Ainda Me Amarás Amanhã?
9 É Que Eu Não Sei Mais Viver Sem Você
Notas iniciais
CHRISTIAN GREY
Olho para Anastásia e sinto vontade de gritar com ela por fazer brincadeirinhas, mas ela me dá aquele olharzinho filho da puta que me faz repensar. Cerro os punhos e conto mentalmente de um até dez depois me viro e subo as escadas feito furacão. Assim que entro no quarto pego meu Black Barry e disco para Ross.
—Porra! —Grito assim que ela atende. —Como você deixou algo assim acontecer?
—Desculpe Sr. Grey, eu já estou resolvendo... —Ela sussurra com sua voz rouca. —Eu não sei como uma notícia assim vazou.
—Dane-se! Eu quero que você feche aquela maldita boate. Acabe com a vida daquele filho da puta e com quem publicou isso, e todo e qualquer tabloide que envolver uma menor de idade na história! Ouvi?
—Imediatamente Sr. Grey.
—Eu quero isso fora do ar ainda hoje!
—Eu vou tentar senhor, mas duvido que eles não vão investigar. —Sinto o olhar de alguém sobre mim e me viro vendo Ana entrar no quarto. Ela me olha e encolhe os ombros aproximando-se. —Eu posso conseguir tirar a matéria dos jornais, mas tenho certeza que eles vão ir atrás da garota, ou do senhor.
—Não importa Ross! Você tem que conseguir. E mande o Taylor vir me encontrar. Com mais seguranças de preferência. Eu não quero nenhum paparazzo filho da puta invadindo minha privacidade.
—Tudo bem Sr. Grey. Eu vou conversar com a Andrea, o Walch e o Barney, ainda hoje eles tirarão a matéria do ar, e com certeza o infeliz que fez isso estará na cadeia.
—Ótimo! Me ligue depois de tudo. Até logo. —Digo e desligo.
Corro as mãos, exasperado pelos cabelos e respiro fundo.
—Você ficou muito bravo? —Anastásia pergunta envolvendo os braços na minha cintura.
—Sim. —Digo ríspido.
—Em uma escala de um a dez?
—Cinquenta.
—Isso me parece muito bravo. —Ela diz enquanto encosta a cabeça no meu peito. Envolvo-a com meus braços e beijo o topo da sua cabeça. —Não fique bravo Christian.
—Não tem como não ficar. Você ouviu a forma como falaram de você?
—E era mentira? Não.
—Eu não quero que essas pessoas se aproximem de você com mentiras. Você estava em um momento debilitado.
—E você me ajudou. Porque querer esconder a verdade?
—Eu não quero esconder nada. Apenas quero mantê-los longe de você. Entenda. Você é boa, baby, essas pessoas inventariam mentiras e acabariam te oprimindo, e eu jamais me perdoaria por isso, principalmente pelo que falariam de você. Se eles descobrirem vão acabar com a reputação da sua família, e isso não seria bom para a igreja, nem para o seu pai.
—Não se preocupe tanto, eles não vão chegar até aqui. Relaxe antes que você ganhe uns cabelos brancos. —Ela diz sorrindo e eu não consigo evitar sorrir.
Ficamos abraçados por alguns minutos em total silencio.
—Ei, como você se sente sabendo que uma garota joga melhor que você? —Ana pergunta e eu gargalho.
—Você trapaceou.
—Não mesmo! Você que não joga tão bem quanto pensou.
—Ok. —Digo levantando as mãos. —Perdi.
—Ei casalzinho meloso. —Viramos para a porta e vemos Mia parada com os braços cruzados. —A vovó mandou vocês descerem para jantar. E depois ela falou que é melhor as “crianças” —Mia faz aspas no ar. —Saírem para fazer alguma coisa. E eu tenho a leve impressão que isso foi uma ameaça.
—Tenha certeza que foi. —Ana ri enquanto saímos do quarto.
Quando chegamos à sala do jantar vejo que a mesa é bem grande, e tenho a leve impressão que eles estão acostumados com muitas pessoas por aqui.
Os três casais de “adultos” sentam do lado direito, e as “crianças” – assim apelidadas pela vovó Louis – sentam ao lado direito.
—Eu sei que vocês da cidade estão acostumados com algo diferente. —Ray diz. —Mas aqui nós prezamos muito as refeições em família. Esse é uma dos momentos mais importantes, por isso quero que vocês segurem as mãos um dos outros para podermos agradecer pelo alimento que Deus nos preparou e por estarmos todos juntos.
Anastásia sorri e segura à mão de Ethan, logo em segui a minha. Ethan segura a mão de Mia e ela segura a mão de Elliot que segura à mão de Kate. No fim todos estão de mãos dadas. É meio estranho confesso. Eu nunca fui um cara muito religioso, ou fiz coisas assim. É algo diferente, mas não que seja ruim. Todos fecham os olhos e começam sua oração silenciosa, e eu repito o gesto. Sinto algo me invadir, mas não sei ao certo o que é, mas parece tão bom e pacifico.
—Amém! —Exclamamos todos juntos. —Mamãe, Carla, vocês são as anfitriãs. Façam as honras,
Carla e Louis sorriem e se levantam servindo um por um.
Isso é sem dúvidas, muito diferente e... Encantador.
Não que eu não tenha tido um lar de verdade. Eu tive. E tenho a melhor família do mundo. Mas isso aqui é como um acréscimo, e os prazeres de estar aqui são enormes, sem dúvidas.
Sinto alguém apertar minha mão com suavidade e olho vendo Anastásia sorri para mim. Levo sua mão até meus lábios e dou um beijo suave.
Começamos a jantar entre conversar e risos suaves, e tudo parece tão mágico e incrível.
—Quem vai querer bolo? —Vovó Louis pergunta levantando-se. Ela vai até a cozinha e volta alguns minutos depois trazendo um bolo de chocolate com nozes. —O primeiro pedaço vai para a minha menina por ter ganhado.
—Obrigada mamãe. —Ana diz sorrindo enquanto é servida com o bolo.
Logo todos são servidos e eu continuo achando tudo incrível.
Experimento o bolo e acho que isso é a coisa mais incrível que eu já comi.
Anastásia solta um risinho e limpa o cantinho dos meus lábios que estava sujo de bolo.
Sorri e faço a mesma coisa com ela, e quando percebo quase todos estão se lambuzando com a calda de chocolate.
Começamos a rir com a cena, mas logo voltamos ao trabalho sujo que é comer o bolo de chocolate.
Depois de jantarmos, Anastásia e Ethan se oferecem para tirar a mesa e lavar a louça, então, Kate, Elliot, Mia e eu, nos oferecemos para ajudar, mas quando começamos a lavar a louça Anastásia resolve brincar e molha Kate, e é lógico que a menina revida jogando água de volta.
Todos começam a rir das duas, mas ai elas se revoltam e nos encaram todas molhadas.
Kate lança um olhar e uma arqueada na sobrancelha para Ana, e ela sorri jogando água em nós. Quando percebo a cozinha virou um rio e nós estamos escorregando e rindo feito, crianças.
—Ah meu Deus! —Paramos todos de rir e nos viramos vendo mamãe e Carla, paradas na porta da cozinha.
—O que houve aqui? —Carla diz lançando-nos um olhar de reprovação e eu me sinto um menininho.
—Mia, Elliot e Christian Grey! —Mamãe diz brava. —Olha só a bagunça que vocês fizeram aqui.
—Elas começaram! —Mia diz apontando para Anastásia e Kate e eu gargalho.
—Vocês são o que? Crianças? —Mamãe grita. —Vão se limpar que nós damos um jeito nisso... Ou compramos uma cozinha nova.
—Vocês estão encrencados mocinhos. —Carla diz colocando as mãos na cintura. —Vão. Saiam logo daqui.
Levanto-me do chão e ajudo Mia e Anastásia a se levantaram, nós seis abaixamos a cabeça quando passamos pelas nossas mães, mas assim que saímos da cozinha começamos a rir.
—Que tal brincarmos um pouco? —Ana sugere com um sorrisinho lindo e eu me recuso a dizer não.
—De que? —Pergunto curioso.
—Já que estamos molhados, podemos encher uns balões d’água e brincar de queimada. —Kate sugere.
—Balões d’água? —Mia pergunta confusa.
—Sim. —Ethan sorri. —É muito divertido. Nós sempre brincávamos quando éramos crianças.
—Interessante. —Elliot diz.
—Parem de ser chatos e vamos logo. —Ana fala e saio correndo pela casa e nós a seguimos.
Kate é a última a sair da casa, mas vem carregando alguns saquinhos de balões infláveis e corantes. Ela sorri e com a nossa ajuda começa a encher as bexigas com água e coloca corante dentro de algumas.
—Como é a brincadeira? —Pergunto realmente interessado.
—Hã... —Ana morde o lábio e se abaixa pegando um balão. —Você pega a bexiga com água... Escolhe a vitima e... —Antes de terminar sua frase ela joga a bexiga em mim sujando-me todo de azul. —Taca.
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Trilha Sonora:
Happy – Pharrell Willians.
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Todos começam a rir e eu não consigo manter minha postura séria por muito tempo, então revido jogando uma bexiga com tinta rosa em Elliot e assim a guerra começa.
Começamos a correr pela frente da casa enquanto bexigas voam, algumas crianças que passavam pelo local se juntam a nós e aproveitamos isso para usá-las como escudo – claro -, Anastásia sorri para mim o tempo todo, e acho que estou da mesma forma, ela corre para os meus braços e me beija virando-me, o que me torna um alvo fácil e todos começam a jogar bexigas em mim.
Agarro Ana e começo a fazer cócegas nela enquanto a mesma é bombardeada. Ela grita e para se defender se joga no chão levando-me a cair sobre ela.
—Eu jurava que tínhamos mandado vocês irem se limpar! —Viramos e vemos minha mãe parada com as mãos na cintura. Ela tem um olhar divertido, mas tenta esconder isso. —O que me dizem?
—Que você poderia ser mais colorida. —Digo pegando um balão.
—Christian Trevelyan Grey! Não se atreva. —Ela diz dando alguns passos para trás, mas papai aparece e a agarra. —Carrick não. Me solta.
—Mamãe, eu te amo, nunca se esqueça. —Jogo o balão nela deixando-a roxa e todos gargalham.
—Isso vai ter volta. —Mamãe se abaixa e pega um balão, mas quando pensamos que ela vai jogar em mim, ela se vira e joga na cabeça de papai e depois corre. —Olho por olho querido.
—Claro, querida. —Papai diz pegando uma bexiga e joga em Elliot que estava se recontorcendo no chão.
—Ei! —Elliot grita e a guerra recomeça.
Ray e Carla se juntam a nós enquanto vovó e vovô assistem da varanda.
As crianças que estavam conosco começam a ir embora, mas continuamos a brincar por um longo tempo. Entre quedas, escorregões, risos, gritos, pedidos de socorro, campos de batalhas e bombardeamentos, a noite se vai.
Antes de entramos em casa Louis nos obriga a tomar um banho usando a mangueira para na sujar a casa, e obviamente isso se torna uma brincadeira também.
Quando é mais ou menos três da manhã nós já estamos limpos, vestidos, e na sala assistindo filmes.
Kate e Ethan estão deitados juntos no sofá. Mia, e nossos pais estão em outro e eu estou no chão com Ana e Ethan está ao nosso lado.
Anastásia se aconchega mais em meus braços e quando percebo ela está dormindo. Sorrio e dou um beijo em sua cabeça. Levanto-me com cuidado carregando-a em meus braços, desejo uma boa noite para todos e subo para o quarto. Repouso Anastásia sobre a cama e me aconchego ao seu lado pegando no sono em segundos.
Deus!
Como eu amo essa garota.
ANASTÁSIA STEELE
Acordo sentindo um calor, muito, muito grande. Abro meus olhos e me deparo com o homem mais lindo do mundo dormindo ao meu lado. Sorrio feito uma boba e acaricio seu rosto, logo que recebo um sorriso sei que ele acordou. Olho-o de forma profunda e acaricio seu rosto.
Christian sorri e se espreguiçando parecendo muito mais fofo, então decido provocá-lo.
—Você é tão fofinho. —Digo mudando a voz, como quando falamos com crianças.
—Não faça isso de novo. —Ele diz parecendo envergonhado.
—Por quê? —Pergunto fazendo beicinho.
—Para.
—Por quê?
—Ah Deus!
—Ah, mas você é tão fofo. Deixa eu te morder?
—Anastásia! —Exclama exasperado e passo as mãos pelos cabelos.
—Parei. —Digo rindo e o beijo. —Fofinho.
—Boba!
—Eu mesmo não!
—É sim. —Christian me puxa para os seus braços e começa a me beijar. —Minha boba.
—Anastásia, Christian. —Ouvimos a voz de Ray depois de uma batida na porta. —Está na hora do almoço.
—Almoço? —Dizemos juntos e vemos que já são duas da tarde.
—Ok papai, nós já vamos. —Grito.
Levanto-me e começo a me vestir.
Opto por uma saia longa florida e regatinha branca, Christian coloca uma regata verde água, bermuda de taquitel branca e chinelos pretos. Depois de escovarmos os dentes e darmos uma ajeitada no quarto descemos para o almoço. Todos já estão na mesa, então apenas desejamos boa tarde e sentamos, sirvo-me e depois faço o mesmo para Christian, sento-me ao seu lado e começamos a almoçar.
Todos estão com um semblante ótimo, mesmo com a cara de sono eles me parecem felizes.
Solto um suspiro e sorrio para minha mãe que está me olhando de forma amorosa. Mando um beijinho e sussurro um “eu te amo” e ela faz o mesmo.
Depois de comermos a sobremesa vamos todos nos arrumarmos para irmos ao culto.
Cocolo um vestido longo com estampa de flores, mangas até os cotovelos. Deixo meus cabelos soltos e passo um pouco de brilho labial. Christian está vestindo uma calça social preta, camisa social azul claro e sapatos pretos.
—Você está bem? —Pergunto olhando-o.
—Sim. —Ele sussurra abraçando-me. —Só estou achando esses últimos dias muito bons, você está mudando a minha vida Srta. Steele.
—E você a minha Christian. Muito obrigada.
—Posso confessar?
—Claro. —Sorrio.
—Eu amo você.
Minhas pernas bambeiam e eu sinto meu mundo girar devagar, muito devagar.
Ele disse que me ama?
Ah Deus!
—Eu sei que pode ser repentino, mas você é uma garota incrível, e cada dia ao seu lado eu descubro o meu melhor. Eu te amo e eu não sei mais viver sem você.
Seguro seu rosto entre minhas mãos e puxo seus lábios de encontro aos meus.
—É que eu te amo e não sei mais viver sem você. —Sussurro contra seus lábios e ele sorri.
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