Notas iniciais
Inuyasha e Cia não me pertencem e sim a Rumiko Takahashi. Essa história não me dá nenhum lucro. A música da qual citei um trecho no início da fic é "Estranho Jeito de Amar" do novo CD de Sandy&Júnior, que por sinal é uma música linda. Desde a primeira vez que a ouvi me lembrei do Inu e da Kagome, daria uma linda songfic, mas estou sem tempo pra isso e como estava atrás de um trecho de música que traduzisse um pouco a essência desse capítulo, coloquei essa. Não sei se ficou legal. Espero que vocês comentem.

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Quanta bobagem tudo que se falou,

Me olho no espelho e já nem sei mais quem sou.

Quanto talento pra discutir em vão.

Será tão frágil nossa ligação?

Não tem que ser assim, tanto desencontro, mágoa e dor.

Pra quê que a gente tem que se arriscar?

Então volta pra mim, deixa o tempo curar

Esse estranho jeito de amar.

(Estranho Jeito de Amar- Sandy & Júnior)

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Ainda há algo do amor

Capítulo 8

_Inuyasha, o que você teria feito se eu também estivesse grávida? Se Kikyou não fosse a única esperando um filho seu?

_Eu, não sei. Mas isso...não.... Quantos anos seus filhos tem?

_Eles vão completar 10 anos. Devem ter apenas alguns meses de diferença com Hikari. Inuyasha, Yukito e Yume são seus filhos.

Inuyasha sentiu as palavras lhe fugirem. Então ele tinha mais dois filhos além de Hikari? E eles eram filhos dele com Kagome. Frutos da única noite que tinham passado juntos. Ouviu som de conversa do lado de fora da cabana e segundos depois Hikari entrou acompanhada de Mirok.

_Papai, o senhor monge veio chamar a gente pra almoçar na casa dele. Eu posso ir?

_Bom dia Inuyasha! Mas, eu não estou enganado, estou? Esta é a senhorita Kagome?

_Sim, sou eu mesma Mirok.

_Mas, a que devemos sua visita depois de tanto tempo?

_Bem, acho que foi o acaso que me trouxe para cá, tentei atravessar o poço ontem à noite apenas por, como direi, brincadeira. Eu não imaginava que ele ainda funcionasse. Acho que estava com tantas saudades de vocês que o poço se abriu para que eu passasse.

_Não imagina como sentimos sua falta senhorita Kagome, mas o que houve aqui, Inuyasha?

_...

_Por que a senhorita Kagome está vestindo o seu haorihaory?

Mirok tinha um sorriso malicioso nos lábios e Kagome ficou vermelha ao perceber que o monge estava insinuando que alguma coisa a mais teria acontecido ali. Inuyasha parecia estar com o pensamento longe. Não parecia estar ouvindo o que Mirok falava e este para despertá-lo bateu na cabeça de Inuyasha com o seu bastão. Kagome sabia que Inuyasha estava daquele jeito por causa do que ela havia acabado de lhe contar.

_Aiii! Mirok, seu bonzobonzo sem vergonha! Por que me bateu?

_ Ora, estou falando com você e parece não estar me ouvindo. — Mirok abriu um sorriso malicioso e falou em tom mais baixo, apenas para que Inuyasha escutasse — O que aconteceu aqui, entre você e a senhorita Kagome? Não posso acreditar que ela tenha vindo do mundo dela vestindo a sua veste. Por acaso vocês resolveram botar em dia o tempo perdido? Heim?

Inuyasha ficou vermelho de raiva e de vergonha e gritou com Mirok.

_Você pensa que sou como você. Ela está assim porque a roupa que ela estava vestindo estava suja de sangue e rasgada. Não está vendo que ela está ferida.

_Ah... Senhorita Kagome, o que aconteceu?

_Fui atacada por um youkai, logo que sai do poço.

_Essa idiota. Se eu não tivesse sentido o cheiro dela e aparecido para salvá-la estaria morta a essa hora. É incrível como consegue se meter em encrenca, mesmo depois de se tornar uma mulher adulta. Não tinha nada que ter voltado pra cá.

Kagome olhou para Inuyasha com uma expressão de raiva. O que significavam aquelas últimas palavras? Ele não queria que ela tivesse voltado, mas então porque pareceu a ela que ele lhe olhava com tanto desejo minutos antes. Teria sido algo que ela disse. Seria por causa dos filhos? Ele não gostava da idéia de ter filhos com ela? O olhar de raiva se transformou numa expressão triste. Uma lágrima lutava para deixar-lhe os olhos.

_Me desculpe por ter lhe dado tanto trabalho. Pensei que seria bom rever meus amigos novamente, mas acho que estava enganada. Com suas licenças eu vou voltar para a minha casa.

Kagome fez menção de se levantar, mas sentiu uma fisgada no tornozelo e na batata da perna, a expressão de dor era nítida em seu rosto. Com muito custo ela ficou de pé, mas sentiu o pé vacilar novamente e teria caído se não tivesse sido amparada por Inuyasha.

_Idiota! Onde pensa que vai desse jeito?

_Me deixe! Eu quero minhas roupas agora, pois vou voltar pra minha casa.

_Como pode ter certeza de que não vai se machucar mais ainda tentando atravessar o poço com o seu pé do jeito que está.

_Você disse que eu “não tinha nada que ter voltado pra cá”. — mais uma vez ela estava imitando a voz dele.

_Kagome...eu...

_Você, nada. Deixe-me ir, tá bom. Seu idiota. Senta.

Inuyasha tinha até se esquecido de que o colar da kotodama ainda existia. Era com ele que ela encerrava as discussões dos dois. Ele nunca deixara de usá-lo. Dez anos antes, na manhã em que Kagome tentara tirá-lo dele ele pediu para que ela deixasse com ele, afinal seria uma lembrança dela que ele sempre teria consigo. No momento ele estava quase arrependido de ter ficado com o colar. Quase porque Kagome esqueceu-se de um pequeno detalhe ao mandá-lo “sentar”: ele a estava amparando e quando ele caiu, ela caiu junto dele, na verdade ele caiu por sobre ela e por alguns segundos conseguiu sentir novamente aquele calor de que tanto sentia falta. Foram poucos segundos, porque ela deu um grito mandando o sair de cima dela e ele se lembrou de que estavam na presença do monge e da sua filha. Inuyasha ignorou o rubor que tinha em seu rosto no momento e se levantou, percebeu que Mirok olhava atônito para os dois e Kari tinha uma expressão curiosa no rosto enquanto perguntava algo para Mirok.

_O que aconteceu, senhor monge?

_Bem, como sempre a senhorita Kagome fez seu pai se sentar com o colar da Kotodama. Peça a seu pai para lhe explicar isso mais tarde.

Hikari se aproximou de Kagome a ajudando a se sentar.

_Não ligue para o que o meu pai disse. — e num tom mais baixo falou apenas para Kagome ouvir — Ontem à noite ele não saiu de perto de você e nem ao menos dormiu, nunca tinha visto meu pai tão preocupado antes...a não ser comigo.

_Verdade?

_Unhum.

Kagome olhou pensativa para Inuyasha que estava sentado em sua posição costumeira, de olhos fechados. Parecia estar bastante pensativo.

_Senhorita Kagome, acho que ainda não deveria ir embora. Precisa se recuperar e precisa nos fazer uma visita também. Acredito que Sango, Kaede e Shippou ficarão muito felizes em revê-la. Eu vim até aqui para chamar Inuyasha e Kari para almoçarem conosco, mas tenho certeza de que Sango não irá se incomodar se eu levar mais um convidado. O que me diz, senhorita Kagome? Aceita o convite?

_Bem, sinto tantas saudades de todos e, para que mais eu vim aqui, se não para rever meus amigos. É lógico que aceito o convite Mirok.

_Que legal você vai comer com a gente. – Hikari parecia estar muito feliz.

_Eu só preciso trocar de roupa. Onde está o meu vestido?

_Está lá fora, eu vou buscar.

Inuyasha saiu por alguns instantes e logo voltou com o ex-vestido de festa de Kagome. Entregou a ela, procurando não fitá-la. Ele e Mirok a deixaram sozinha na cabana com Hikari, para poder se vestir. Ao saírem da cabana Inuyasha falou com Mirok.

_Eu não vou com vocês. Peça desculpas por mim a Sango e ao Shippou. Eu preciso ficar sozinho para pensar.

_Entendo Inuyasha, mas se me permite eu não perderia a oportunidade de estar perto da pessoa que amo se voltasse a vê-la depois de tanto tempo, acho que deveria vir conosco.

_Eu preciso pensar Mirok.

_Pensar em quê? Não vê a oportunidade maravilhosa que a vida está lhe dando, a vida a trouxe de volta para você. Acho que você deveria tentar resolver as coisas com ela dessa vez. Pode ser a chance de vocês dois. Acredito que até a senhorita Kikyou aceitaria isso.

_Você não sabe de nada Mirok! Há muito que você não sabe. Tivemos nossa chance há dez anos e não deu certo. Por que daria agora, que temos muito mais do que nós dois envolvidos?

_Quem mais está envolvido nisso. Hikari? Até sua filha se beneficiaria com isso, ela precisa de uma mãe...

_Não é só de Hikari que estou falando, estou falando da família dela, dos nossos filhos...

Mirok olhou espantado para Inuyasha sem encontrar palavras. Ambos foram surpreendidos em seus pensamentos pela voz de Hikari.

_Papai! Senhor monge! Acho que Kagome vai precisar da ajuda de algum de vocês. Ela não está conseguindo andar.

Inuyasha adentrou a cabana e encontrou Kagome tentando se locomover.

_Não devia tentar se movimentar sozinha.

_Como acha que vou poder chegar até a cabana de Mirok e Sango?

_Feh! Do jeito como sempre fez para se movimentar nessa era.

_De bicicleta!?

_Está vendo alguma por aqui?

_...

_Eu mesmo vou levá-la até lá. Vamos lá, suba nas minhas costas.

Kagome o obedeceu e não pode deixar de sorrir quando eles começaram a se locomover. Era tão bom estar perto dele novamente. Sentir seu calor, sua respiração. Por todos aqueles anos ela sabia que nunca tinha deixado de amá-lo, mas naquele momento ela sabia que nunca seria feliz de verdade sem ele por perto. Os dois passaram por Mirok e Hikari, que estava dando as mãos para Mirok.

_Resolveu ir Inuyasha.

_Sango provavelmente viria até aqui para me bater com o osso voador se eu não fosse e também Kagome não conseguiria chegar lá sozinha. Vamos logo. O que estão esperando? — falou olhando para trás, pois Mirok ainda estava parado com uma expressão incrédula no rosto.

_Sabe, minha cara Hikari, seu pai é muito difícil de ser compreendido.

Inuyasha seguia devagar, aspirando o cheiro de Kagome, embriagando-se com ele, sorria, como há muito tempo não fazia. Ela estava ali, com ele novamente. Será que essa era uma nova chance que estavam recebendo? E essa história de filhos. Seria verdade? E se fosse verdade, o que iria fazer?

Continua...