Ainda Há Algo do Amor
6 Capítulo 6
Notas iniciais
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Suteki da ne
Futari te wo tori Aruke ta Nara
Iki tai yo
Kimi no machi Ie ude no naku
(Seria maravilhoso, né?
Se nós pudéssemos caminhar de mãos dadas
Eu gostaria de ir para sua cidade, sua casa, seus braços)
Suteki da ne (Rikki)
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Ainda há algo do amor
Capítulo 6
Sentou-se na borda do poço, olhou lá embaixo. Respirou fundo. Apertou o Play do Cd e começou a ouvir a canção. Nos primeiros versos ela apertou o botão de repetir, queria ouvir aquela música, várias e várias vezes. Seus pensamentos começaram a seguir a letra. Antes que a música terminasse de tocar pela primeira vez ela já tinha saltado para dentro do poço.
Tento me levantar, acabei de acordar,
tão confusa estou sem saber onde vou
Kagome levantou-se, olhou em volta, viu os cipós que só existiam no poço do passado. Ela não conseguia acreditar que estava ali novamente. Ainda confusa ela começou a ouvir a música. “... tão confusa estou sem saber onde vou.”
_Eu também estou confusa e não sei bem pra onde vou, será que devo mesmo escalar esse poço. Será que eu vou encontrar todo mundo de novo?
E fui uma menina apaixonada por seus carinhos,
sou, sou um carro sem motor.
_ “Eu fui uma menina apaixonada pelo Inuyasha. Mas não me sinto como um carro sem motor. Acho que sou um carro sem rodas, sem bancos, sem capô, sem nada”.
Buscando sem saber alguém pra conhecer
_ “Será que vou conhecer alguém legal? Será que quando me ver ele vai resolver ficar comigo”?
Mas logo fico a pensar que com outra estás ficando
_ “Sou uma idiota mesmo, o Inuyasha deve estar feliz com a Kikyou, é noite, talvez eles até estejam...” – Kagome começou a chorar.
E vou arrumando cicatrizes no coração
Que não segue em outra direção.
Kagome começou a cantar o refrão da música que ouvia:
_E não posso entender, nem quero compreender
A razão dessa situação
Mas não posso seguir, dependente do seu amor
Se o amor acabou, a paixão terminou
E as lembranças não fazem bem
Mas se o ontem passou, hoje logo vai passar também.
Já não busco o calor, o detalhe da cor
E me nego a pensar que eu posso te esquecer
_ “E me nego a pensar que eu posso te esquecer. Eu não posso te esquecer Inuyasha. Tentei, mas não consegui”.
E vou arrumando cicatrizes no coração
Que não segue em outra direção.
_ “A única coisa que consegui durante todo esse tempo foi cicatrizes no meu coração, que se recusa a seguir amando outro”.
E não posso entender, nem quero compreender
a razão dessa situação
- “E qual é a razão dessa situação? Eu realmente não entendo, não compreendo nem quero. Não sei o que vim fazer aqui.”
Mas não posso seguir, dependente do seu amor
_ “Coloquei para mim que eu não podia continuar dependendo do amor do Inuyasha, do Houjo, de homem algum. Mas uma mulher precisa se sentir amada”.
Se o amor acabou, a paixão terminou
E as lembranças não fazem bem
_ “Mas o amor acabou, não existe mais paixão. Recordar não me faz bem. Não consegui superar o abandono do Inuyasha e agora tudo parece estar se repetindo com o Houjo, se bem que, acho que vai ser mais fácil superar o abandono dele, afinal logo tudo isso vai passar.Mas...e quanto ao Inuyasha..?”
Mas se o ontem passou, hoje logo vai passar também.
Mas não posso seguir assim, porque ainda te tenho em mim.
_ “Eu deveria é viver um dia depois do outro sem me preocupar com isso, mas não consigo. Ainda tenho o Inuyasha dentro do meu coração. Por isso eu vou subir esse poço, talvez ver meus antigos amigos vai me fazer sentir melhor. Quero ver o Inuyasha de novo, nem que seja apenas de longe”.
E não posso entender, nem quero compreender
A razão dessa situação
Mas não posso seguir, dependente do seu amor
Se o amor acabou, a paixão terminou
E as lembranças não fazem bem
Mas se o ontem passou, hoje logo vai passar também.
E não posso entender, nem quero compreender
A razão dessa situação
Mas não posso seguir, dependente do seu amor
Se o amor acabou, a paixão terminou...
A música terminou e Kagome desligou o diskman. Tirou os fones do ouvido e os guardou dentro do bolso. Escalou o poço. Teve um pouco de dificuldade em fazer isso. Os cipós eram escorregadios, principalmente porque ela estava de salto. Deveria ter trocado os sapatos. O vestido longo também não facilitava. Depois que terminou a escalada, Kagome saiu do poço, ao colocar o pé direito no chão ela não conseguiu equilibrar-se no salto e virou o pé.
_Aiiiiiii! Mas que******.....Era só o que me faltava.
Kagome tentou dar alguns passos, mas não conseguiu. Era alta noite, ela estava sozinha na floresta. Começava a se arrepender por ter atravessado o poço. Ouviu um barulho vindo da moita logo à frente. Parecia respiração. Pisadas fortes no solo. Ela daria tudo para ter um arco e algumas flechas agora. Ela praticava o esporte em um clube da faculdade, estava muito melhor agora. “Dêem um arco e uma flecha para a tricampeã Kagome Higurashi e todos vão se surpreender”. Mas agora ela estava indefesa.
De repente o ser que estava na moita pulou em direção a Kagome. Ela tentou correr, mas não conseguiu. Olhou para a ameaça e viu que diante de si estava um youkai enorme, com dentes enormes, garras. Parecia um enorme cão, ou lobo. “Não era esse cão que eu queria encontrar”. O youkai foi atrás dela, pulou em cima de Kagome e mordeu a perna esquerda dela. Kagome deu um grito. Arrancou forças de algum lugar e conseguiu se desvencilhar do youkai, seu vestido rasgou com isso. Ela tentou correr pra dentro do poço de novo, mas tropeçou e bateu a cabeça ao cair. Ficou inconsciente. Antes de desmaiar ela viu em sua mente pequenos flashes dos filhos. Eles ficariam órfãos, e era tudo culpa dela. O youkai pulou novamente com a boca aberta pronto para devorá-la, mas de repente algo o cortou ao meio, antes mesmo que ele pudesse ver o que o estava atacando. Seu agressor pousou no chão e colocou a espada de volta na bainha. Correu preocupado até Kagome e a pegou no colo.
_Estamos longe do vilarejo, é melhor eu levar você para minha cabana. Precisamos cuidar desses ferimentos. O que é que você veio fazer aqui depois de tantos anos?
Kagome acordou ouvindo pássaros cantando, sentiu um cheiro de ervas, demorou um pouco para se lembrar do que tinha acontecido. Viu que estava deitada em um futon e coberta por um cobertor igual a alguns que Kaede tinha. Ela olhou ao redor e, apesar da escuridão ela pode perceber que estava em uma cabana, viu que já era dia porque a luz entrava por uma janela. Tentou-se levantar e percebeu que havia um emplasto de ervas no seu braço e também na perna ferida. O ferimento da perna estava enfaixado.
_Onde estarão os meus sapatos?
_Meu pai tirou. Acho que a senhora deveria continuar deitada. Está doendo muito?
Kagome se assustou, olhou para o lado e viu uma menina mais ou menos da idade dos seus filhos sentada perto da entrada da cabana. Era uma menina linda. Longos cabelos negros, lisos. Lembrava muito a sua Yume. Ela estava comendo alguma coisa. Kagome sentiu o estômago revirar de fome.
_Como eu vim parar aqui?
_Meu pai trouxe você. Um youkai tinha te atacado. Nós cuidamos dos seus ferimentos. Foi estranho. O papai disse que tinha sentido um cheiro de sangue conhecido e saiu correndo em direção ao velho poço da floresta. Depois ele chegou com você, me desculpe, com a senhora.
_Não precisa me chamar de senhora, não sou tão velha assim.
_Minha tia sempre me diz pra ser educada. Papai acha besteira, mas “quem é bem educado com os outros consegue as coisas com mais facilidade.” Foi o senhor monge quem me ensinou isso.
_Senhor Monge. Por acaso ele se chama Mirok?
_Sim. Você, desculpe, a senhora conhece o Senhor monge?
_Conheço sim e pode me chamar de você ou de Kagome. Esse é o meu nome.
_Muito prazer. O meu nome é Hikari.
A menina fez uma pequena reverência para Kagome e se levantou, pegou uma tigela e trouxe até Kagome. Ela percebeu que a menina tinha uma certa dificuldade em pegar os utensílios, mas andava normalmente. Ao se sentar perto do futon, Kagome percebeu que os olhos da menina eram dourados, como os de Yukito e Inuyasha, mas havia algo estranho neles. Não tinham brilho, parecia que havia uma membrana por sobre os olhos. A menina estendeu a tigela para Kagome sorrindo.
_Deve estar com fome. Papai foi buscar água e pediu pra que eu tomasse conta de você.
Kagome não conseguia desviar os olhos da menina. Ela já tinha visto aquele sintoma antes. Em Yukito, há dois anos atrás. É claro que no caso do filho aquilo não parecia estar tão espalhado. Devido à doença do filho ela tinha até se tornado vice-presidente de uma associação que dava apoio a crianças com deficiência visual. Tinha visto um menino que estava com os olhos iguais ao dela. Ele havia quase perdido a visão. Mas tinha tido a visão recuperada. Sentiu pena da menina. “Se tivesse nascido em outra época...”.
_Você é muito bonita e me lembra a minha mãe.
_Você pode me ver?
_Muito pouco. Mas no que eu consigo ver você e a mamãe são muito parecidas. A voz principalmente.
_Sério. E onde está a sua mãe?
_ Ela morreu quando eu era pequenininha. Quem me criou foi o meu pai. Ele não quis casar de novo.
_Se sua mãe morreu quando você era pequena, como pode dizer que eu e ela nos parecemos?
_Ela vem me visitar nos meus sonhos. Pergunta do papai, sobre mim. Da última vez ela me disse que logo o papai ia arrumar uma mãe pra mim. Ela falou que alguém que o papai conhecia ia voltar. Acho que ela estava falando de você. Ontem o papai falou que te conhecia.
Kagome sentiu o coração disparar. “A menina conhece Mirok, diz que eu pareço com a mãe dela, o pai dela me conhece, me salvou do youkai ontem. Será que ele é o... Não pode ser”. Olhou para a menina. “Pode ser”.Foi nesse momento que Kagome se deu conta de que estava sem o vestido de festa. Estava vestida com o haori de Inuyasha?
_Hikari, como o seu pai se chama?
_Meu pai é o meio-youkai mais forte do mundo. Sou filha do Inuyasha.
Continua...
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