Ainda Há Algo do Amor
5 Capítulo 5
Notas iniciais
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You will always be inside my heart (Você sempre vai estar no meu coração)
Itsumo anata dakeno basho ga arukara (Sempre haverá um lugar só seu)
I hope that I have a place in your heart too (Eu espero ter um lugar no seu coração também)
Now and forever you are still the one (Agora e para sempre você será único)
Ima wa mada kanashii love song (Agora, ainda é uma triste canção de amor)
Atarashii uta utaerumade (Até que eu cante uma nova canção)
You will always gonna be my love (Você sempre será meu amor)
Itsuka dareka to mato koiniochitemo (E, algum dia, mesmo que me apaixone de novo)
I'll remember to love (Eu lembrarei de amar)
You taught me how (Você me ensinou como)
You will always gonna be the one (Você sempre será único)
Mada kanashii love song (Ainda, é uma triste canção)
Now and forever... (Agora e para sempre...) (First Love- Utada Hikaru)
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Ainda há algo do amor
_ Acho que estou sendo egoísta, mamãe. Trazendo ao mundo uma criança que nunca vai conhecer o pai, que nunca vai saber a pessoa maravilhosa que ele é...
_Eu já te disse que vamos fazer de tudo para que ele não sinta tanto essa falta. Ele vai ter a você, a mim, seu irmão, seu avô. E se você quiser pode contar a ele sua aventuras na outra era, como se toda a história fosse um conto de fadas, pode contar a ele sobre Inuyasha, só acho que você não deve dizer que é tudo verdade e que o herói das histórias é o pai dele, ou então, quem sabe algum dia você até consiga encontrar alguém que possa ser um pai pra ele?
_Não sei mamãe. Mesmo que eu encontrasse, nunca seria como o Inuyasha.
Inuyasha moveu as orelhas para poder ouvir melhor o que as duas mulheres conversavam dentro da cabana. Se Kikyou ou a velha Kaede o pegassem ali, ouvindo a conversa das duas ele estaria perdido. Ainda bem que Kikyou não podia sentá-lo com um colar, como Kagome. Sorriu ao se lembrar da colegial. Sentia tanta falta dela. Não conseguia deixar de pensar no que ela estava fazendo. Outro dia havia sonhado com ela. Uma criança estava com ela. Quem era aquela criança? Ele não conseguia ver se era um menino ou uma menina. Mas o que ele estava fazendo? Pensando em Kagome de novo? Ele devia se concentrar em descobrir o que Kikyou estava escondendo dele, já que ela andava meio estranha de uns tempos pra cá. Voltou a prestar atenção na conversa dela com a irmã mais nova, ou seria mais velha?
_Eu não vou contar a ele Kaede.
_Mas ele tem o direito de saber.
_Se ele souber não vai querer ir embora.
_Ainda está com essa idéia minha irmã? Vai mesmo mandá-lo embora, pra ir atrás dela?
_Fiz errado em mantê-lo aqui comigo. Ele não está feliz. O que sente por ela é muito maior do que o que sente por mim. Vou conversar com ele, dizer que está livre para ir buscá-la ou para ir morar com ela.
_E vai criar essa criança sozinha.
_Por favor, Kaede, não conte a ele que eu estou grávida. Se ele souber disso vai se sentir obrigado a ficar comigo.
_ Com toda razão. É responsabilidade de um homem assumir os filhos que faz. Como acha que vai conseguir cuidar dessa criança sem o pai dela? Todos vão apontá-la Kikyou. Kagome pode até amar Inuyasha, ele pode realmente sentir algo mais forte por ela, mas ela não está esperando um filho dele. Você precisa mais dele.
Inuyasha estava estarrecido. Kikyou estava pensando em deixá-lo para ele poder ficar com Kagome. Era o que ele mais queria, mas não podia aceitar isso. Ela tinha razão, ele não poderia deixá-la sozinha esperando um filho dele! Que tipo de homem ele era? Não iria ficar com Kikyou por obrigação, mas porque sabia o quanto era difícil para uma mulher desta época criar um filho sozinha. Tinha visto as dificuldades quando era criança com a sua mãe. Ele não deixaria nem Kikyou, nem o filho deles passar pelo que ele e sua mãe tinham passado. Além do mais, ela estava esperando um filho dele. Nunca na vida tinha pensado que seria um dia pai. Sorriu consigo mesmo ao pensar que ele não tinha a menor idéia de como é ser um pai, já que ele nem ao menos se lembrava do seu, que morreu quando ele nasceu. Será que a criança iria se parecer com ele? Será que nasceria humana? Definitivamente ele não poderia abandonar aquele lugar, abandonar Kikyou. Por mais que amasse Kagome... “Um filho muda tudo. Quando ela vier falar comigo, vou fingir que não sei que está esperando um filho meu e vou dizer que quero ficar aqui com ela. Me perdoe Kagome, mas Kaede está certa, Kikyou precisa muito mais de mim”. E foi o que ele fez.
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Alguns meses depois Kagome deu à luz num parto muito difícil a gêmeos. Um casal. Apesar de serem pequenininhos estavam bem e eram muito parecidos com o pai, principalmente o garoto, que tinha os cabelos prateados e os olhos dourados. Kagome deu a ele o nome de Yukito, (resquícios da sua época de menina quando assistia Sakura Card Captors) logo apelidado de Yuki. A menina tinha herdado os olhos humanos de Inuyasha, o cabelo era igual ao de Kagome, mas conforme o tempo foi passando o cabelo foi ficando mais volumoso e liso como os cabelos de Inuyasha quando ficava humano. A ela Kagome deu o nome de Yume. Depois do nascimento dos gêmeos Kagome parecia ter superado a depressão em que estava desde que tinha deixado a outra era. Sua família a ajudava com as crianças e a escola flexibilizou os seus horários para que ela pudesse amamentar os dois. Suas amigas também a ajudavam. Depois que as crianças estavam um pouco maiores ela começou a sair com as amigas e começou a namorar Houjo no aniversário de um ano dos gêmeos. Ela finalmente tinha resolvido dar uma chance a insistência de Houjo, ele tinha ficado do lado dela durante toda a gravidez, gostava das crianças. Ela não o amava, não tinha conseguido esquecer Inuyasha, apenas o achava interessante e as crianças gostavam dele e ele delas. Resolveu que não queria compromisso sério por enquanto. Ela queria estudar, ir para a faculdade. Queria cursar História. Com um pouco de sorte e de estudo ela se tornaria especialista na Sengoku Jidai, a época de Inuyasha. Houjo a apoiava.
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Quando ela estava no último ano da faculdade eles alugaram um apartamento no centro da cidade, perto do emprego dele e da faculdade, já que ela ia começar o mestrado. As crianças foram com eles. Viviam juntos, como marido e mulher, mas não o eram legalmente, porque achavam, cada um por um motivo, que não precisavam disso. Houjo nunca deixou que as crianças o chamassem de pai, dizia que as adorava como se fosse realmente pai deles, mas não podia substituir no coração deles o lugar do pai, que ele acreditava um dia ia acabar voltando, já que Kagome tinha dito pra ele que Inuyasha tinha ido estudar nos EUA depois dos dois terem terminado, e não sabia sobre as crianças, já que Kagome dizia que havia perdido o contato com ele. Uma vez Kagome contou aos filhos sobre o poço, sobre a jóia e sobre Inuyasha e todas as aventuras que tinham vivido juntos. Ela chegou a mencionar que o herói da história que ela lhes contava era o pai deles, contrariando o conselho da mãe. Yume havia acreditado, mas Yukito, que era muito inteligente para idade, disse que a história da mãe era apenas mais um conto de fadas. Eles se davam muito bem com Houjo, mas por várias vezes ela tinha se pegado pensando que tipo de pai Inuyasha seria. Será que seus filhos iriam gostar dele? Quando Yukito precisou fazer uma cirurgia nos olhos foi Houjo quem a ajudou a agüentar a barra. Daquela vez ela tinha ficado com tanto medo de que o filho ficasse cego. Houjo estava do lado dela. Sempre estava. Depois de um tempo ela chegou a acreditar que finalmente tinha encontrado alguém que a amava de verdade, que nunca a trocaria por outra. Para ele Kagome sempre seria a primeira. Ele não precisava saber que o coração dela ainda pertencia a Inuyasha. Depois de um tempo Inuyasha era uma lembrança boa e ela estava começando a pensar que, realmente, talvez ela pudesse começar a tentar amar Houjo, afinal ele era o seu melhor amigo, já estava na hora dela retribuir o amor dele. De amá-lo. Mas Kagome tomou essa decisão muito tarde.
Num belo dia Houjo chegou para ela e lhe disse que havia outra mulher, que estava apaixonado por ela. Não queria que ela guardasse mágoa dele, pediu a ela para deixá-lo ver as crianças, que eram como filhos dele. Nesse dia ela se sentiu arrasada e, depois de ter ficado um longo tempo sem pensar em Inuyasha ela tinha se pegado pensando nele. Imaginando o que ele estava fazendo. Imaginando se ele estava feliz com Kikyou. Ela se pegou pensando nos amigos, Shippou, Kaede, Sango e Mirok. Será que ele era um bom marido para a amiga? Era um mulherengo, mas provavelmente estava sendo fiel a Sango. E enquanto ao senhor Houjo Perfeito? Tinha a trocado por outra. Nesse dia ela sentiu vontade de atravessar o poço novamente. Estava na casa da mãe para onde tinha ido com os filhos depois do fora de Houjo. Ela precisava do colo da mãe. Nunca tinha se sentido tão criança, e já tinha 24 anos. Saiu para passear pelo templo e de repente os seus pés a levaram até ao hokora do poço. Entrou lá dentro e ficou observando a escuridão. Já estava subindo na borda para descer quando ouvir a voz da filha chamando-a. Desistiu. Voltou para dentro da casa acompanhada da filha. Alguns meses depois recebeu o convite do casamento dele. Com Kagome ele não tinha sentido necessidade de se casar, mas com essa mulher sim. E ainda por cima tinha chamado os filhos dela para levarem as alianças. Yume ficou toda animada. Romântica como a mãe, adorava casamentos. Yukito não aceitou o convite. Mais maduro e de gênio difícil, que tinha herdado do pai, Yukito disse na cara de Houjou que não ia pactuar com a traição que ele estava fazendo a sua mãe. (O garoto disse “pactuar” mesmo, é que ele é meio super dotado) Mas acabou indo ao casamento, pois Kagome praticamente o obrigou. Mas ele não entrou junto com os noivos. Já a irmã estava se sentindo a noiva, só por causa do vestido.
Fazia um ano que Kagome e Houjo tinham rompido e ela estava ali, assistindo ao casamento do seu ex. Tudo parecia estar se repetindo, dez anos depois ela estava sendo deixada de lado. Estava sendo trocada por outra. Novamente ia ficar sozinha. Mais uma vez ela tinha se tornado a segunda opção. Agora ela tinha certeza de que sempre seria a número dois. A festa estava linda, muita gente, muita comida, muitos homens interessantes. Mas será que ela deveria arriscar um flerte com alguns deles. Nenhum deles fazia o seu tipo. Nenhum deles era Inuyasha. Cansou-se de pedir para os filhos pararem de correr pela festa. Sentou se numa mesa e pegou uma taça de champanhe. Horas depois ela já estava na sétima taça. Tinha se dado conta de que a festa também tinha muita bebida. Os noivos pareciam estar tão felizes. Será que o casamento de Inuyasha e Kikyou tinha sido assim? Eles tinham estado tão felizes como Houjo e sua noiva? Ele teria se lembrado dela? Como será que tinha sido a primeira noite dos dois? Inuyasha já era experiente. Será que tinha sido tão cuidadoso com Kikyou assim como tinha sido com ela? Será que o desempenho dele tinha sido melhor? Afinal de contas, ela o tinha achado tão bom na noite em que tinham passado juntos. Se com a experiência a tendência era que o desempenho melhorasse, então Kikyou era uma mulher de muita sorte. Houjo, com toda a sua experiência não conseguia chegar nem perto do que Inuyasha tinha sido naquela noite. De repente os filhos chegaram perto dela. Yukito estava com uma cara muito brava. Parecia que o filho no momento era ela e ele era o pai.
_Mamãe, o que pensa que está fazendo?
_Bebendo a saúde dos noivos.
_Mas você não é disso, mãezinha. – Yume também parecia estar preocupada com a mãe.
_Querida, adultos bebem em momentos de comemoração. E hoje é uma ocasião muito especial. Você já provou o bolo? Está uma delícia.
_Não mude de assunto dona Kagome Higurashi. – Yukito sempre chamava a mãe assim quando estava bravo com ela – Acho que já está na hora da gente ir embora. Yume, vai buscar o tio Souta, acho que ele não bebeu e vai poder levar a gente pra casa. Dê-me essa taça aqui Kagome.
_Falando desse jeito, me dando ordens, você está mais parecido com o seu pai. Vocês são tão parecidos e ao mesmo tempo tão diferentes. Você sente falta dele, não é mesmo Yuki?
Kagome abraçou o filho e começou a chorar. Yukito não sabia o que fazer. Sua mãe não era de fazer isso. Procurou com o olhar a irmã ou o tio. Kagome se separou dele e levantou da mesa. Seguiu em direção ao pequeno palco onde a banda estava tocando. Pediu o microfone com a desculpa de que ia fazer a sua homenagem ao casal. Muitas pessoas tinham feito isso durante a festa. O músico entregou-lhe o microfone sem perceber que ela havia bebido algumas taças de champanhe a mais. Ao invés de começar a falar Kagome começou uma canção e logo foi acompanhada pela banda. Souta, que estava nos jardins do lugar com a namorada, ouviu a voz da irmã e correu para dentro. Não conseguia acreditar que ela estava fazendo aquilo. Yukito e Yume se esconderam atrás de uma coluna. Sua mãe nunca tinha feito eles passarem tanta vergonha.
_Por que ela está fazendo isso Yuki?
_Acho que nossa mãe ficou louca. O choque de ver o idiota do Houjo se casando não fez bem para ela.
_Pelo menos ela está cantando bem.
_Garotos, o que houve com a mãe de vocês.?
_Onde estava titio?
_Eu estava com a Mino. Como a mãe de vocês acabou lá em cima?
_Eu tentei fazê-la parar de beber, mas não deu certo.
_Ela está bêbada?
_Não parou de tomar champanhe um segundo. Isto é tudo culpa do Houjo.
_Não, é e não é. Sua mãe está botando pra fora algo que tem guardado a dez anos, de antes de vocês nascerem. “Tenho certeza que ela está pensando no pai de vocês e não no Houjo.” É melhor esperar ela terminar a música para tirar ela de lá.
Extrañarte es mi necessidad
(Estranha é a minha necessidade)
Vivo em la desesperanza
(Vivo na desesperança)
Desde que tu ya no vuelves mas
(desde que você não voltou mais)
Sobrevivo por pura ansiedad
(Sobrevivo apenas por ansiedade)
Com el nudo em la garganta
(Com nós na garganta)
Y es que no te dejo de pensar.
(É que eu não deixo de pensar em você)
Poco a poco el corazón va perdiendo la fé, perdiendo la voz
(Pouco a pouco o coração vai perdendo a fé, perdendo a voz)
Sálvame del olvido
(Salva-me do esquecimento)
Salvame de la soledad
(Salva-me da solidão)
Sálvame del hastío
(Salva-me do tédio)
Estoy echa a tu voluntad
(Estou entregue a tua vontade)
Sálvame del olvido
(Salva-me do esquecimento)
Sálvame de la obscuridad
(Salva-me da escuridão)
Sálvame del hastío
(Salva-me do tédio)
No me dejes caer jamás
(Não me deixes cair jamais)
Me propongo tanto continuar
(Me proponho tanto a continuar)
Pero amor es la palabra
(Mas o amor é a palavra)
Que me gusta a veces olvidar
(Que gosto às vezes de esquecer)
Sobrevivo por pura ansiedad
(Sobrevivo apenas por ansiedade)
Com el nudo em la garganta
(Com nós na garganta)
Y es que no te dejo de pensar.
(É que eu não deixo de pensar em você)
Poco a poco el corazón va perdiendo la fé, perdiendo la voz.
(Pouco a pouco o coração vai perdendo a fé, perdendo a voz)
Sálvame del olvido
(Salva-me do esquecimento)
Salvame de la soledad
(Salva-me da solidaão)
Sálvame del hastío
(Salva-me do tédio)
Estoy echa a tu voluntad
(Estoy entregue a tua vontade)
Sálvame del olvido
(Salva-me do esquecimento)
Sálvame de la obscuridad
(Salva-me da escuridão)
Sálvame del hastío
(Salva-me do tédio)
No me dejes caer jamás
(Não me deixes cair jamais)
No final da música Kagome já estava chorando. Nem todo mundo tinha entendido a letra, já que a canção estava em espanhol. Houjo agradecia por sua noiva não conhecer a língua ou teria pensado que Kagome estava cantando para ele. O que muitas pessoas estavam pensando, mas ele sabia que não era para ele que Kagome estava cantando. A música era para outro homem que tinha abandonado Kagome, alguém que ela não via há dez anos. O pai de Yukito e Yume. Houjo se levantou e foi buscar Kagome no palco. Ela o seguiu, Souta foi ao encontro dos dois junto com os gêmeos. Ao ver os filhos Kagome começou a chorar mais ainda.
_Estou fazendo vocês passarem vergonha. Sou a pior mãe do mundo.
_Não Kagome. Você é uma ótima mãe. Eu sou testemunha disso.
_Oh, Houjo, me desculpe por isso. A festa está tão bonita e eu tinha que atrapalhá-la. Fez bem em me deixar. Eu não sirvo para ser a primeira escolha. Desejo que seja muito feliz com sua esposa.
Houjo e Souta ajudaram Kagome a ir até o carro, as crianças entraram nele também. Souta pegou a namorada e levou todos para longe dali. No caminho Kagome vomitou no carro e foi repreendida por Yukito. Souta os levou para o templo. Não queria deixar a irmã sozinha no apartamento dela junto das crianças. Ao chegarem no templo a mãe e o avô de Kagome estavam dormindo. Souta levou a irmã até o seu velho quarto onde a deixou dormindo. Levou as crianças para o quarto dele. Sua namorada já havia sido deixada em casa.
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No meio da noite Kagome acordou, estava menos bêbada. Lembrava-se de tudo o que tinha feito. Estava morrendo de vergonha. Principalmente dos filhos. Ela desceu até a cozinha para pegar um copo d’água, mas resolveu beber um café. Enquanto estava ali sentada olhou para a geladeira. Tinha fotos penduradas ali. Fotos dela, da mãe, de seu avô, de Souta, de suas crianças. O sorriso sumiu ao ver uma foto em que Houjo estava. Kagome arrancou a foto e já estava a ponto de rasgá-la quando se lembrou de que Houjo não tinha culpa, nem a noiva dele, muito menos ela. A vida tinha resolvido brincar com todos eles, principalmente com Kagome. O destino às vezes é muito irônico. Gostava de fazer esse tipo de coisa com ela. Nesse momento tudo o que ela gostaria era de voltar a ter 15 anos, quando caçava fragmentos junto de seus amigos. Quando ainda era uma adolescente pura e inocente, que acreditava em amor verdadeiro. Queria ter Sango ali para conversar com ela. A sua única, verdadeira, melhor amiga. Será que ela estava feliz em sua vida com Mirok? Shippou ainda estaria com eles? Vovó Kaede ainda estava viva? Kikyou e Inuyasha tinham muitos filhos?
Subitamente ela foi acometida de uma vontade incontrolável de ver se o selo do poço ainda funcionava. Tinha tentado no passado, mas com o tempo havia desistido. Vivia pedindo para os filhos ficarem longe do lugar. Kagome subiu até seu quarto para pegar uma blusa, estava uma noite fria, desceu e escreveu um bilhete para a mãe, o irmão e os filhos. Para não deixá-los preocupados.
Queridos mamãe, Souta, Yukito e Yume,
De repente me deu vontade de tentar atravessar o poço de novo. Quem sabe dessa vez eu possa retirar do lacre um cara legal, bonito, charmoso e apaixonado por mim. Se ele se parecer um pouquinho com o Orlando Bloom ou o Tom Welling eu vou me sentir bem melhor. Não se preocupem comigo, eu vou voltar, nunca deixaria vocês. Se por acaso eu me encontrar com o Inuyasha por lá eu talvez conte pra ele sobre nossos filhos. Isso se Kikyou não tiver dado a ele uma “ escada de filhos”. Pra que fazê-lo se preocupar com mais duas crianças, não é mesmo? E não digam que eu estou exagerando sobre uma escada de filhos. As mulheres da Sengoku Jidai tinham um filho atrás do outro. E vocês sabem que sou especialista em Sengoku Jidai.
Mamãe, eu vou explicar a você o que aconteceu na festa depois que eu voltar.
Yuki, Yume, minhas jóias preciosas, eu sinto muito pelo que fiz. Vocês dois tem todos os motivos do mundo para ter vergonha de mim, mas, por favor, não me odeiem. Prometo que não vou mais fazer isso.
Souta, eu peguei o seu diskman que estava largado em cima da mesa da cozinha. Sabe que estou bem musical hoje, portanto vou levá-lo comigo. Acho que vou ouvir algum daqueles meus antigos CDs ou então aquele Cd da Yume. Não se preocupe, pois vou devolvê-lo. Juro que dessa vez eu não vou esquecer lá. Sei que da última vez que estive lá eu esqueci muita coisa, mas eu estava fora das minhas condições normais naquele dia. Não que eu esteja em meu juízo perfeito hoje, se não porque eu estaria tentando atravessar o poço de novo, se já tentei isso antes e não consegui? Bem, de qualquer forma eu não vou esquecer seu diskman lá, imagine se algum colega meu do museu de arqueologia da faculdade descobri-lo. Ia ser uma verdadeira “grande descoberta”.
Beijos a todos.
Kagome.
Depois de escrever o bilhete Kagome foi até o porta-cds da estante e pegou um Cd que ela havia esquecido ali. Colocou-o no diskman e rumou em direção ao poço. Ao entrar dentro do Hokora ela o iluminou com a lanterna que havia trazido junto das chaves que estavam dentro do bolso da blusa que estava vestindo. Ao colocar a mão dentro do bolso para pegar a lanterna ela notou que sua carteira de documentos estava no bolso da blusa. Ignorou-a e pegou a lanterna. Sentou-se na borda do poço, olhou lá embaixo. Respirou fundo. Apertou o Play do Cd e começou a ouvir a canção. Nos primeiros versos ela apertou o botão de repetir, queria ouvir aquela música, várias e várias vezes. Seus pensamentos começaram a seguir a letra. Antes que a música terminasse de tocar pela primeira vez ela já tinha saltado para dentro do poço.
Continua...
Obs.:A tradução da música Salvame foi eu mesma quem fiz, pois eu não consegui encontrar a tradução, eu só achava a letra da versão em portugês, portanto eu mesma traduzi com os meus poucos conhecimentos de espanhol, portanto peço desculpas se por acaso a tradução não estiver muito boa.
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