Ainda É Cedo
15 O Labirinto de Dédalo
Notas iniciais
SHIELD, EM ALGUM LUGAR DOS EUA
–Agente Romanoff poderia me explicar porque ela ainda está viva? E, principalmente, porque ela embarcou para Nova York? –perguntou Fury, bastante irritado, apontando a televisão.
Natasha seguir seu dedo e logo entendeu porque estava tão irritado. A pequena televisão mostrava imagens do aeroporto internacional de Nova York mais precisamente no hall de desembarque do avião que vinha do Rio de Janeiro. Isadora acabara de chegar.
Romanoff bufou.
–Desculpe, mas, foi o senhor mesmo que pediu que fosse uma morte discreta. –justificou — Não tive a oportunidade de ficar sozinha com ela. Isadora está sempre perto de alguém e não confia muito em mim.
Fury bufou.
– E aconteceu o que eu mais temia. –concluiu – Sabe ao menos o que ela fará aqui?
–Nada que deva se preocupar, aparentemente apenas uma visita ao amigo. – ele ia rebater, mas ela foi mais rápida, dizendo – De qualquer forma coloquei escutas no telefone e computador pessoal dela. Sugiro que faça o mesmo com o Capitão. Pelo que ouvi se hospedará na casa dele.
O diretor ergueu uma sobrancelha contente com a eficiência da ruiva.
–Não esperava outra coisa de você, Romanoff. – elogiou
Ela confirmou com a cabeça, séria.
–E qual é o plano? O que faremos para eliminá-la? –questionou com certa pressa – Se me permitir ao terminar com Isadora gostaria de voltar a Sibéria.
–Preocupada com seu amigo? – disse ele com certo sarcasmo – Se concluir sua missão pode retornar a anterior. Se bem que acho que você tinha razão...
–Sobre o que?
–Sobre ele não sobreviver sozinho, lá. – falou despreocupado- Cumpra seu dever e reze para que Barton cumpra o dele. Bom, isso não importa agora. O que importa é essa Isadora estar fora de combate.
Romanoff sentiu seu sangue ferver ou vir o chefe dizer “não importa se Clint está vivo ou não”, mas ele pareceu não perceber.
–Como farei para tirá-la do mapa?
–Por enquanto está de “folga”, mas fique atenta. Quando eu te ligar vá imediatamente à casa do Capitão e a leve para longe. Longe o suficiente para que possa acabar com ela sem deixar rastros. – instruiu-a com a mão no queixo, pensativo – Vou dar um jeito de trazer Steve a SHIELD durante sua licença. Parece-me uma boa hora para contar sobre a lei.
–Acha mesmo necessária essa lei? Com essa garota fora do jogo provavelmente o Capitão voltará a ser o que é. – precaveu
O grande espião bufou, cansado do assunto “lei em vigor ou não”.
–Natasha, uma pessoa morre facilmente, agora uma idéia... Uma idéia não morre jamais. Já lidei com grandes chefes de estado, políticos brilhantes, mafiosos terríveis e se tem uma coisa que tenho certeza é que o ideal de um homem não muda.
–Concordo, mas o ideal do Rogers é servir seu país então...
–Não, não é esse! – exclamou – O ideal dele é “mudar” o mundo, ajudar as pessoas. Foi para isso que ele entrou na SHIELD, palavras do próprio. E eu sei que se esta lei não vigorar Steve se tornará um grande problema para nós. A honra dele chega ser irritante. – reclamou – Faça o que mandei Natasha.
Nick Fury deixou-a sozinha na sala de reuniões. Natasha estava gelada e sentia-se inútil. E se Clint tivesse sido pego pela máfia? E se... E se não houvesse tempo para ajudá-lo?Ela nada podia fazer, senão, matar Isadora o mais rápido possível.
Flash Back On
Um mês antes, Sibéria.
–Quer recapitular o plano, Clint? Parece nervoso. – disse Natasha observando o Gavião limpar uma de suas flechas pela centésima vez
–Não.
–Por que está sendo tão monossilábico? Tem alguma coisa errada, algo que eu não saiba? – insistiu ela.
Clint soltou um longo suspiro deixando de lado as flechas e fitando a ruiva.
–É essa missão... Ela é complexa demais. –analisou balançando a cabeça em negativa – Nunca vi uma coisa dessas, isso chega a ser louco. Natasha pare para pensar...
–Eu não posso parar para pensar, Clint! – bradou perturbada – Se eu fosse parar para pensar já estaria morta. Você mais do que ninguém sabe que o que eu mais quero é minha liberdade de volta. Eu preciso cumprir o meu acordo com a SHIELD. Preciso seguir todas suas ordens sem pestanejar e é o que farei.
–Eu sei, eu sei! Mas, isso é muito estranho Natasha. – repetiu – Quando que uma organização de segurança pediria a seus agentes que roubassem um banco?
Natasha se levantou da cadeira com as mãos nos ouvidos. Não queria saber, não lhe importava.
–Eu não quero saber. Não me importa! Clint você salvou minha vida quando a SHIELD me pegou e foi você que sugeriu o acordo que me livrou de ir para a cadeira elétrica. E você sabe que o acordo...
Foi à vez dele de se levantar e indo ao encontro da moça em uma tentativa de acalmá-la. Delicadamente ele segurou seus braços para que ela o fita-se.
–O acordo é você servir a SHIELD e o governo americano por sete anos, não fazer com que você não pense por sete anos. – ele a cortou divertido – Eu não vou deixar nada de ruim acontecer a você, só quero que analise essa situação comigo.
Natasha respirou fundo e sorriu. Sorrir! Para muita gente é uma demonstração de alegria supercomum, mas para Natalia Romanova, alter ego da espiã dupla Natasha Romanoff, era algo que só uma pessoa poderia presenciar. E essa pessoa era Clint.
–Não quero que você me proteja novamente. –afirmou voltando a sua habitual sobriedade – Já tenho uma dívida grande demais contigo.
Clint rolou os olhos.
–Ah fala sério, Nat! –bradou enfadonho – Você já pagou essa dívida há muito tempo...
–Não, não paguei! Essa divida é impagável.
–Na verdade tem uma forma de pagar sim, mas em varias prestações. – disse ele malicioso olhando para a cama – É só você dizer sim...
Ela fez uma careta e o ignorou.
–Vamos, está na hora. – mudou o assunto, colocando uma máscara na cabeça
Clint fez o mesmo e também colocou luvas.
O arqueiro tinha razão aquela era sem dúvidas à missão mais louca que já participaram. Mais até que a batalha de Nova York.
Havia na Sibéria um homem muito poderoso chamado Aleksey Nikolaievitch. Este homem era o responsável por produzir 65% de toda a cocaína consumida no mundo e obviamente seus lucros semanais eram altíssimos. A SHIELD já sabia quem ele era, mas precisava de uma prova para prendê-lo. E esta prova era nada mais que três milhões de dólares que estavam depositados em um microscópico banco de uma cidade insignificante na Sibéria.
–Caramba toda semana eles depositam três milhões aí, é mole? – comentou Clint observando o local antes de descer do carro
–Se eu fosse uma grande traficante como Aleksey também escolheria um lugar como este. –acrescentou a outra.
Antes de invadir o local resolveram que seria melhor fazer uma visita a delegacia, para não serem surpreendidos no meio do assalto. Oymyakon era gélida e tinha pouco mais de 1500 habitantes, portanto raras eram as vezes que havia um crime ali. E em reflexo disso os sete policiais da cidade juntamente com seu delegado eram uma piada. Natasha sozinha deu conta de prender todos na única cela da delegacia.
Com os policiais presos, lá foram eles, devidamente mascarados, assaltar o local. Eficientes que são, rapidamente imobilizaram os poucos e mal-preparados seguranças e funcionários.
–Onde está? – gritou ela para Clint que amordaçava uma caixa
–Nos cofres no andar de baixo. – respondeu se aproximando dela – Vou ficar de guarda caso alguém apareça.
– E quem apareceria? –perguntou debochada – A polícia está presa.
Clint soltou uma gargalhou. “A polícia está presa” é algo que não se ouve todo dia.
–Mas, os homens de Aleksey não. E acho que eles devem estar de olho no local da grana. – comentou baixinho com ela que logo concordou
–Como vou saber que é o cofre certo?
Clint soltou uma risada.
–Natasha olha só para essa cidade, quem aqui teria dinheiro para colocar em um banco? –brincou – E Fury disse que só há três cofres com dinheiro, cada um com um milhão, e que é tudo de Nikolaievitch.
A ruiva suspirou e dirigiu-se ao andar inferior onde rapidamente encontrou os cofres.
–Aqui estão vocês! – bradou consigo mesma antes de abrir o primeiro cofre.
E encontrou dinheiro, porem mais do que esperava. Estranhou, mas abriu outro e encontrou também uma quantia maior que um milhão de dólares. Aquilo não estava certo! Abriu mais outro e outro e outro até que se afastou e percebeu que o dinheiro no chão era muito maior do que previam.
–CLINT! – gritou – CLINT VENHA AQUI!
Em poucos minutos ele apareceu, arfando.
– O que foi?
–Olha isso!
O queixo do gavião foi ao chão: Havia uma pilha imensa de dinheiro no chão.
–Tem mais de três milhões aí. –constatou o constatável
–Ah jura? Não percebi. – debochou – Ande me ajude a abrir os outros.
Ele prontamente a ajudou, e desconfiadíssimos levaram todo o dinheiro para o carro.
Já dentro do carro e longe do banco, ambos permaneciam quietos até que Barton resolveu quebrar o silencio.
–De quem é esse dinheiro? Isso não faz o menor sentido.
–Tem bem mais de cem milhões aí. – analisou ela – Enfim, isso não nos diz respeito vamos ligar para Fury e dizer o que achamos.
–Mas, e se for de algum morador da cidade?
–Aqui? Tá brincando, ninguém tem essa dinheirama. – afirmou – Isso deve ser do Nikolaievitch, mesmo. Vamos logo levar isso a base da CIA em Tobolsk como fomos instruídos.
–Mas...
–Sem, mas, Clint! – disse ela antes de arrancar com o carro para lá.
E assim fizeram. Retornaram ao hotel que estavam dois dias antes, felizes por completar a missão, mas com a pulga atrás da orelha.
–Acho que a gente bem que podia ter tirado um pouco daquele dinheiro para gente. – lamentou Clint, abrindo a porta do quarto – Até porque eles não sabiam quanto tinha lá entã...
Clint entrou no quarto e ficou inesperadamente quieto. Nat, que arrumava o cadarço do tênis no corredor e estranhou.
– Que foi? A vergonha na cara apareceu foi? – brincou e resolveu entrar no quarto
Engoliu em seco ao presenciar dez homens armados dentro do quarto e um deles com a arma apontada para a cabeça de Barton.
–Finalmente chegaram em casa! – gracejou um homem alto e bem arrumado
Os olhares de Clint e Natasha se encontraram por um segundo carregando a mensagem subliminar “ataque”.
–Nos conhecemos? – disse ela depois de um tempo
O homem sorriu.
–Não, querida, ainda não. Mas, não seja por isso: eu me apresento. – disse ele divertido – Sou Riley Gilbert e eu vim buscar o que é meu.
–E o que seria? – perguntou Clint, disfarçadamente pegando uma seringa em seu bolso e preparando para aplicá-la no brutamonte que lhe segurava.
–Como se não soubesse...
–Não sabemos. – enfatizou Natasha – Não quero matar vocês, então, por favor, saiam de nosso quarto.
E subitamente o homem que prendia Clint desabou no chão com uma jaca madura. O homem que falava com Natasha gargalhou.
Clint apontou o arco para Riley.
–Boa essa! – elogiou a Clint – Pena que estamos em maior número! Digam-me onde está meu dinheiro! – ordenou
Ninguém respondeu, o único som que foi ouvido foi da arma de Natasha quando esta disparou na cabeça do sujeito mais próximo. E começou o tiroteio que não durou mais que dez minutos. Natasha tinha levado um tiro de raspão na perna esquerda, Clint tinha levado um tiro de fuzil no braço e estava muito feio. Fora isso estavam bem ao contrario dos capangas de Riley que tinham sido brutalmente assassinados.
–Ele fugiu. – gemeu Barton não conseguindo acertar uma flecha em Gilbert por conta do ferimento no braço – Desgraçado!
–Deixa para lá, precisamos sair daqui...
E o toque do telefone de Romanoff a interrompeu. Era Fury obrigando-a a retornar para a base.
Natasha tentou de todas as formas convencê-lo a voltar junto a ela, mas Barton estava cego pela vingança. Queria matar Riley Gilbert de qualquer jeito.
–Deixe este homem para lá, volte comigo! – pediu ela pela milésima vez preocupadíssima com o braço do “amigo”
–NÃO! – gritou irritado – Ele vai pagar por ter feito isso com meu braço. Por causa dele vou ficar um bom tempo sem poder usar o arco.
–Por isso mesmo, Clint! Não seja cabeça dura, vai acabar morto. Não sabemos com quem estamos lidando.
–Exatamente. Eu vou descobrir quem é este cara e o verdadeiro dono daquele dinheiro. –retrucou determinado – Essa é minha missão particular. Agora vai, Natasha! Vai para o Brasil atrás dessa garota, tenho mais o que fazer.
A russa estava com o coração na mão, mas não havia muito que fazer.
–Se você não voltar em uma semana eu venho atrás de você.
–Não precisa.
–Eu vou voltar, não pedi sua opinião. – rosnou
Clint bufou.
–Tudo bem, uma semana.
E desta frase passara-se um mês. Ele não voltou, não deu notícias assim como a ruiva não conseguir cumprir a promessa que voltaria.
Flash Back Off
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#Steve
O avião pousou! Vibrei por dentro, mas acho que o sorriso bobo no meu rosto não deixou minha alegria tão interna assim. Mas, o que importa? O importante é que Isa estará comigo pelas próximas duas semanas e tudo voltará ao normal. Vamos discutir sobre política, ver filmes idiotas, comer porcaria, cantar (ou ouvi-la cantar, já que eu sou um desastre) enfim vou ter minha amiga querida de volta.
Comprei um buque de rosas brancas para ela. Rosas são o único “mato” (palavras da mesma) que Isadora gosta. O resto por ela pode passar a foice. Escolhi as brancas porque para mim são as que mais se parecem com ela, não só pela cor, mas também pela delicadeza e beleza. Que bobeira né? Mas, toda vez que vejo uma rosa branca automaticamente a imagem dela me vem à cabeça.
Avistei-a em meio à multidão, repleta de malas. Ela estava linda com um vestido rosa florido e com seus longos cabelos cor de chocolate caindo graciosamente sobre os ombros. Acho que suspirei quando ela sorriu para mim. Eita! Que estranho... Porque eu suspirei por ver a Isadora? Ah claro, saudades, normal.
Com o fim do meu dilema interior, voltei momentaneamente a sorrir. Momentaneamente por que ela estava vindo ao meu encontro quando, parou, olhou para trás e puxou alguém pela mão. NÃO! NÃO! NÃO! NÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!!
Mil vezes não! Brian! Eu tinha os piores sentimentos possíveis por aquele cidadão, mas não conseguia entender por que. Os brasileiros costumam dizer que quando isso acontece é porque “o seu santo não bateu com o da outra pessoa”. É estranho, todavia faz sentido. Meu santo não tinha batido com o do Brian.
–Steve! – gritou Isa grudando no meu pescoço e beijando meu rosto – Que saudade! São para mim?- apontou para as rosas
Sorri para ela e confirmei com a cabeça, entregando o buque. Eu estava muito decepcionado. O que diabos fez Isadora trazer esse Zé Ninguém para cá? Será que ela não entendeu quando eu disse que queria que nossa amizade voltasse a ser como era antes de Brian e Sharon?
–O famoso Steve! – exclamou Brian, sorrindo com todos os dentes e estendendo a mão para mim. –Prazer conhecer você, irmão.
Apertei a mão dele, com semblante mal-humorado, resistindo à vontade de torcê-la. Esse cara desperta o pior que há em mim.
Permaneci em silencio. Eu sempre fico em silencio quando o ódio em mim atinge certo ponto. Isa sabe disso.
– O Brian vai para Vancouver e o avião deve fez escala em Nova York, não é o máximo? – disse ela também sorridente abraçando o sujeito.
NÃÃÃÃÃÃO!! – pensei
–Sim. – resolvi responder – Quando seu avião vai partir?
– Em dois dias! Tenho dois dias para conhecer o cara por quem minha namorada é apaixonada. – brincou
Permaneci sério.
– Tô brincando cara. – acrescentou, acho que interpretou mal minha cara de bravo – Eu sei que você não tem chance.
O telefone de Isa tocou e ela se afastou para atender. Tive vontade de aproveitar que ela tinha se distanciado e jogá-lo dentro de um avião para Cochinchina.
–Por que tem tanta certeza que eu não tenho chance?
Ele gargalhou.
–Aí cara bem que a Isa disse que você era engraçado. – afirmou rindo. Quem disse que foi piada? – Mas, agora é serio. Você tem sua namorada e tudo, fora que ta na Friend Zone, ou seja, não é um perigo para mim.
–Friend o que?
–Friend Zone, zona do amigo. Friend Zone é igual ao labirinto de Dédalo... Você entra e não sai mais. – gracejou
Forcei um sorrisinho amarelo.
Pensei em informá-lo que muitas pessoas já saíram do Labirinto de Dédalo, mas resolvi guardar essa informação para mim. Vai que ele pensa que eu to querendo sair do Labirinto de Dédalo, quer dizer, Friend Zone? Isso não. Claro que não, certo?
– E aí fizeram amizade? – perguntou Isa ao retornar
NÃÃÃÃO!
–Sim, pô, Steve é uma figura. – disse ele antes de dar um selinho demorado nela
Que vontade de socar a cara dele. Minha cara não era a das melhores. O beijo estava se prolongando, aquilo era torturante.
–Bem, você vai ficar em um hotel? – rosnei na tentativa de acabar com aquilo
Graças a Deus eles se separaram, Isa estava um pouco envergonhada.
–Er... Vamos ficar em um hotel no Brooklin mesmo. – respondeu ela
–VAMOS? No plural? – me desesperei com a hipótese dos dois no mesmo hotel
–Isa vai ficar comigo no hotel e quando eu for embora fica na sua casa. – disse o bobalhão
–Não mesmo! – me irritei – Você pode ficar até em Marte, Brian, mas não com a Isa. Com ela nunca.
Acho que falei de forma excessivamente ameaçadora, pois ambos me olharam estupefatos.
–Brian, amor, — ela o chamou de “amor”. Ela o conheceu ontem!! – Vai fazendo o check-in enquanto eu converso com o Steve, pode ser?
Ele concordou com a cabeça e teve DE NOVO aquele beijo nojento, melado e sem sentido. Virei-me de costas para o casal 20. Eu não precisava ver uma coisa daquelas. Depois de uns cinco anos o beijo acabou e a praga foi fazer o check-in.
–Pode me explicar que surto foi aquele? – perguntou ela cruzando os braços
Soltei um longo suspiro e comecei a bagunçar meu próprio cabelo de nervoso. Ela riu.
–Isa... Vo-Vo-Vocês... – fiz uns gestos loucos com a mão – Vocês?
–Quê?
Eu devia estar igual um pimentão. Respirei fundo.
–Eu quero saber se...
–Você quer saber se a gente já transou, Steve? – ela perguntou rindo
–É.
E ela teve uma crise de risos e me abraçou.
–Claro que não, Steve! Eu conheci ele mês passado. – exclamou rindo da minha cara de preocupação – Nós vamos ficar em quartos separados. Acha mesmo que ia ter minha primeira vez com uma pessoa que mal conheço.
Respirei aliviado. Ao menos ela reconhece que mal o conhece.
–Pri – Pri -Primeira vez? – gaguejei de novo
Ela rolou os olhos.
–Sério que quer ter essa conversa no meio de um aeroporto?
Eu ri e neguei com a cabeça. A praga voltou.
– E aí? Vamos?
E sem ter alternativa lá fomos nós para minha pequena e humilde cidade. Eu, Isa e o dispensável Brian.
Pelo menos são só dois dias!
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