Ainda É Cedo
5 Matilla Finefox
Notas iniciais
#Steve
Em dois dias volto para Nova York. Essa manhã, Isadora Wollscheid , minha amiga rebelde brasileira voltou para o seu lugar de origem , mas especificamente para uma cidade litorânea do Rio de Janeiro, que nunca ouvi falar chamada Angra dos Reis. Queria ter habilidades para pesquisar sobre isso na internet. Minhas férias acabam em uma semana, em breve voltarei para a SHIELD o que é bom, já que minha vida social não existe.
Também não posso culpar o fato de ter “congelado” como o fator X da minha vida social ser uma lástima. Antes de tudo acontecer já era. Mas, acho que agora com a Isa, a louquinha do Talibã eu possa melhorar este aspecto da minha vida. Já terminei de ler dois dos milhares de livros que Isa recomendou. Na verdade não dormi, madruguei lendo “A Terceira Revolução Industrial” e tive mais certeza de que realmente fomos à lua. Em seguida li “A Fraude do Século” e terminada a leitura cogitei a possibilidade de ser tudo uma grande piada. Ando pensando seriamente em ligar para Stacy e marcar um encontro antes de voltar para Nova York, mas tenho certeza que vai ser uma desgraça sem Isadora, á conselheira ,por perto. Acho que vou ligar é para ela. Isa é a única garota bonita com quem eu consigo trocar mais de uma frase sem um nó se formar em minha garganta e agir como um idiota.
Se bem que às vezes isso acontece. Porém, Isa é tão doce e prestativa que não há porque ficar inseguro perto dela. Estava eu pensando na dita cuja quando recebo um SMS.
“Boa Noite, Capitão! Só estou avisando que cheguei bem ( meu avião não caiu no ártico e eu não congelei!). E aí tudo tranquilo? Lendo muito? Ligando para Stacy? Sim, vou te perturbar com isso pra sempre. Muahahahahhaa Bjs Gringo”
Não tinha como não sorrir ao receber aquele recadinho eletrônico. Era tão reconfortante ter um amigo. A última vez que tive um amigo foi Bucky. A última vez não, meu único amigo. Bucky! Nossa, ele ia adorar ela. Iria transformá-la em seu novo objeto de desejo e provavelmente conseguiria. Bucky era ótimo com as mulheres. Se bem que pelo pouco que conheço Isadora era mais provável que ela o transformasse em um sacerdote muçulmano.
Depois de refletir sobre bobagens aleatórias, resolvi responder a mensagem. E que raiva! Que complicado! Os teclados são muito curtos, meu dedo é muito grande. Touch Screen é irritante. Levei um século para conseguir escrever “Que bom! Me liga.”É pedi para ela me ligar, tinha muito a dizer, mas nenhuma paciência para digitar naquela telinha ridícula. Fora que não tem nada mais insólito e vazio que mensagens de texto. Se ainda fossem cartas, com a letra dela...
Algum tempo depois ela ligou.
–Problemas com o teclado?
–Como você sabe?
–Imaginei. – respondeu rindo – E aí vai chamar a Stacy para sair?
– Quer parar de encher o saco com esse negócio de Stacy? – rolei os olhos
– Só vou parar quando você fizer o que eu tô mandando.
–E desde quando você manda em mim?
– Desde quando eu conheci você.
–Metida.
–Bobo.
Caímos na gargalhada.
–Mas, agora falando sério Isa, estou realmente pensando em sair com essa garota. Mas, vou precisar da sua ajuda.
– Eba! – comemorou – Vou te ajudar, mas você vai ter que dar um jeito de ligar o computador e criar uma conta no Skype. Tem ideia de como é caro ligação internacional?
– Ok, fica na linha. – eu disse enquanto ligava o computador – Pronto já liguei, o que devo fazer agora?
– Tem internet aí?
–Sim, está conectado em uma coisa chamada Wireless com o nome do meu hotel. É isso mesmo? – perguntei com o telefone pendurado na orelha. Aquilo parecia grego para mim.
Isadora gargalhou do outro lado.
– “Essa coisa” chamada Wireless, é mais conhecida com Wi-fi e é um tipo de conexão sem fio. Pelo que você está me dizendo, não tem senha. Pode comemorar! – disse ela divertida
– E agora o que faço? Onde clico? – desembestei a falar um tanto aflito – Tem uma coisinha na área de trabalho chamado “Internet Explorer”. Devo clicar nele?
–NÃÃO! – gritou – Isso é um inferno, armadinha do capeta.
–Quê?
–É ruim isso, lento pra chuchu.Você abre e ele nunca mais fecha. Tem alguma coisa chamada Mozilla Firefox ou Google Chrome aí?
Cacei, cacei e finalmente achei uma bolinha laranja.
–Steve, morreu?
–Não, ainda não. – brinquei – Estava caçando a ‘bolinha’. Achei a bolinha do Matilla Finefox
Gargalhadas estridentes do outro lado. Não entendi nada.
–Isadora? Do que você tá rindo?
– Bo-bolinha? Matilla o que? – ela dizia ainda gargalhando – MO-ZI-LLA! E Steve pelo amor de Deus, não é bolinha é um atalho. Não vai me dizer no encontro com a Stacy que você usa o Matilla Finefox, ok?
Fiquei bravo.
–Chata! – estrilei – É complicado, sabia? Eu só liguei esse computador uma vez, senhorita sabe tudo.
– Ui ele tá bravo! – zombou – AI que medo, ele vai jogar o escudo em mim!
– Quer parar?
E maaais gargalhadas.
– Desculpe colega, isso foi demais para mim. Matilla é demais para qualquer um.
–Tá bom, já chega. Dá para me dizer o que fazer agora?
Isa suspirou do outro lado, acho que tentando parar de rir. Mala sem alça! – pensei
– Clica na “bolinha”. – pediu de forma debochada.
Rolei os olhos, mas fiz.
– Pronto já fiz isso. E agora?
– Lá em cima da tela tem um espaço para escrever coisas não tem?
–Tem sim.
– É onde se digita a URL. Digite lá www.skype.com. – disse ela didaticamente
– Calma, aí! Primeiro me diga o que é uma “URL”. – pedi confuso com a expressão
– URL é o endereço do site. Agora digite o que pedi. – ordenou
Passei uma vida caçando as letrinhas no teclado e Isadora soltando gracinhas no meu ouvido. Não tinha como não rir mesmo sendo zoado, ela era engraçada.
– Acabei. Abriu uma página cheia de coisas escritas.
– Oh uma página cheia de coisas escritas! Meu Deus, não me diga. – ironizou
– Você é chatinha em? – brinquei
– Eu sei querido. Bom, voltando ao que interessa... No topo da página tem um link dizendo “criar uma conta”. Achou?
–Sim, achei.
– Clica!
– Já cliquei.
–Ótimo agora responda todas as coisas que vão te perguntar. Quando acabar de responder me liga.
– O que? Não mesmo. Você vai continuar na linha. – exigi
– Ah não, meus créditos estão acabando.
– Eu também to pagando essa ligação. NÃO DESLIGA.
–Que mandão! – reclamou
– Obedeça ao Capitão.
Ela soltou um rosnado. Eu ri.
– OK, depois vai colocar créditos infinitos no meu telefone.
– Sim, senhora.
Gastei mais meia hora até conseguir responder tudo. Só para constar eu ODEIO teclados. Para mim as letras deveriam estar em ordem alfabética: A, B, C, D, E, F... Mas, não. É tudo embaralhado, tem que apertar um monte de coisas ao mesmo tempo para sair um acento. É um inferno. Preferia mil vezes escrever uma carta. Carta é tão bom, pra quê e-mail? Ah e se não bastasse teclado ainda tem o tal do mouse. Coisinha mais chata e de vida própria. Você quer ir para o sul, a coisa vai para o norte. Você quer ir para o norte, a coisa vai para o sul. Máquinas de escrever não tinham esse problema.
– Pronto, dona Isadora. Já criei minha conta. Agora sou um cidadão cibernético. – brinquei
– Graças a Deus! – exclamou cansada – Meu ouvido está doendo. Me dá seu e-mail que vou mandar um convite.
Passei para ela. Em pouco tempo apareceu na minha tela uma “Solicitação de Amizade” de Isa Wolls.
–Chegou aqui, já aceitei. – comemorei
– Ufa! Agora clica na camerazinha em cima do meu nome.
Assim fiz. Um tempinho depois e ela apareceu na tela, com o telefone na mão.
Desliguei o celular e fitei a câmera perplexo.
– Caramba!
– Caramba o que? – quis saber
Soltei uma risada.
– Você está á anos luz de distância daqui e eu estou te vendo e falando com você. – afirmei meio que tentando me convencer de que aquilo era verdade – É muita tecnologia para minha cabeça.
Foi a vez de Isa sorrir.
– Você parece meu avô falando.
– Já tinha visto isso na SHI... – travei. Quase falei demais
Isadora cruzou os braços, desconfiadíssima.
– Mas, que diabos é essa “shi”? Já é a segunda vez que você começa a falar dessa “shi” e para. – constatou – Cara,fica tranquilo eu não falo para ninguém.
– É segredo.
– Segredo do tipo que você tem 93 anos, ficou congelado no ártico e que é o Capitão América? É eu sei disso tudo e não contei para ninguém. Nem pra Cléo que é a amiga mais próxima que tenho. Ela acha que eu estava no asilo, naquela tarde que passamos discutindo se o homem tinha ou não ido a lua.
Ergui a sobrancelha.
– Você não disse nem que estava comigo? Bem, ela me viu naquele dia.
– A Cléo não é especificamente uma amiga. Está mais para uma ótima colega... Temos nossas diferenças e conhecendo-a bem, sei que não seria uma boa ideia ela saber de você. Ela é meio vaca. – brincou
Encostei-me na cadeira.
– Eu não costumo confiar nas pessoas.
– Nem eu.
– Sério? – estranhei – Você me pareceu tão... Receptiva.
Isadora sorriu de canto.
– Até agora estou tentando entender porque fui tão legal com você. Tem algumas pessoas que eu simplesmente vejo algo diferente, algo que me faz confiar. Você é uma dessas pessoas, Steve.
– E quem são as outras?
– Uma família carente de uma região mais carente ainda da minha cidade.
– Como é sua cidade? Você sabe tanto sobre mim e eu não sei nada sobre você. Só sei que seu quarto é rosa. – falei olhando o lugar onde ela estava
Isa gargalhou.
–Adoro rosa.
Patricinha! – pensei
– Mas, vamos lá. Se quiser saber sobre a “SHI”. Conte-me sobre você. – propus louco para que ela aceitasse o acordo.
Ela fitou o chão por um minuto.
– Isadora Wollscheid não tem uma história de vida tão interessante quanto à de Steve Rogers. – alertou meiguice pura
– Quem me garante?
– Eu te garanto.
– Não vou acreditar na Miss Talibã. Quero tirar minhas próprias conclusões, portanto pode abrir o bico mocinha. – espetei
A garota do outro lado da tela se revoltou.
– Pra inicio de conversa eu não tenho nenhuma ligação com o Talibã ‘and’ não aprovei o ataque do 11 de setembro.
– Nossa, que alívio! – brinquei
Isa me mostrou a língua.
– Bom, vou começar do começo. Meu nome é Isadora Wollscheid Villani, tenho 20 anos. 20 mesmo, não 90 como uns e outros. -alfinetou- Eu sou estudante de publicidade e trabalho de babá para três crianças supermimadas que moram a 75 km de distancia da minha casa. Acordo todo dia às 5h da manhã e trabalho até às 16h da tarde. – ela ia contando e eu ia vendo que de menina mimada ela não tinha nada. Fiquei com vergonha de mim – Ás 16h 30, de segunda a sexta, eu estou no ponto de ônibus rumo a faculdade, que fica no centro do Rio. Ou seja, 150 Km de distância da minha casa. Chego todo dias á meia noite, “durmo” até as 5h e começa tuuuuuudo de novo.
Fitei-a estupefato. Como eu pude julgá-la tão mal?
– É... Você tem uma vida bem difícil. Conte-me mais. – estava muito curioso
– OK. Moro em um bairro bem pobre de Angra dos Reis. Angra dos Reis, se você não conhece é um lugar lindo. É conhecido no mundo inteiro por suas lindas praias, ilhas e pela mata atlântica exuberante. Mas, essa é a Angra dos ricos.
– Angra dos ricos?
– Literalmente essa Angra é a dos ‘’reis’’. A minha é a dos servos mesmo. – brincou – Eu moro em um bairro enorme, que é quase uma cidade, chamado Japuíba.
– Japu quê?
– Japuíba. – repetiu tranquilamente – É o nome de um pássaro muito bonito.
– Pensando bem, toda cidade tem sua área de ricos e de pobres. Nova York, por exemplo, Quinta Avenida para quem tem dinheiro e Harlem e Brooklyn, minha cidade natal, para os mal remunerados. – contei
Isa concordou com a cabeça.
–Males do capitalismo! – exclamou e fui obrigado a concordar – Mas, isso é o de menos. Apesar daqui não ser o lugar mais tranquilo que alguém possa morar, é um bom lugar. De vez em quando tem uns tiroteios, enchentes...
– Enchentes? – me preocupei
– Ah valeu, Steve. Quer dizer, que se dane se ela for baleada só não pode morrer afogada. – brincou
– Não bobinha, é que eu tenho horror a desastres naturais. Quando eu era criança...
–Puxa isso foi a muuuuuito tempo. – implicou
Olhei para ela com cara feia. Não aguentei, ri.
– Como eu ia dizendo... Quando eu era criança passei por um furacão. É horrível.
–Minha mãe tem horror à natureza por causa dos momentos de ira dela. – disse divertida
E continuamos conversando a tarde inteira. Esse negócio de poder ver a cara da pessoa é muito melhor que apertar botõezinhos com letras. E o mais legal é que agora eu sei mais sobre Isa Wolls. Sei que ela trabalha como uma condenada para pagar a faculdade. Sei que o pai dela, Seu Miguel, é muito estressado e que tem uma loja de materiais de construção junto com a mãe dela, dona Elisa. Sei que o irmão dela, que se chama Eduardo, está fazendo pós-doutorado em egiptologia e que é apaixonado pelos Estados Unidos (o que gera constantes brigas entre os irmãos!). Ah e também que ela adora rosa. Desde pequena. E que odeia futebol e carnaval, acabando com o estereótipo que eu tinha dos brasileiros.
Em sumo, Isadora é uma garota inteligente, divertida, solidária e trabalhadora. Ah e claro: muito petulante. Petulante e manipuladora, conseguiu fazer com que eu ligasse para a tal da Stacy. Marcamos de ir á um restaurante japonês amanhã ás sete.
– Espero que eu não me arrependa de sair com essa cidadã. – murmurei
– Não vai se arrepender, Steve, confie em mim. – ela insistia
– Eu confio em você. Não confio é nela. Sei lá que tipo de garota ela é.
–É do tipo decidida e tímida.
– Como sabe?
– Ela queria sair com você de qualquer jeito, mas ficou com medo de levar um não. Logo, pediu minha ajuda. Todavia, foi de uma maneira muito tosca. Tosquissima. – resmungou – Mas, foi legal. Ela foi a luta. Agora me diga o que vai vestir?
–Sei lá, acho que um terno.
Ela riu com certa superioridade.
– Terno, Steve? Seu encontro é com quem? O papa? – zoou
Revirei os olhos.
–Tudo bem, já entendi. Algo menos informal. Bermuda e camiseta? – sugeri
–Também não precisa ir vestido de surfista. Menos é mais.
– Ah agora você esclareceu minha vida. “Menos é mais”. – debochei – Esclarecedor! Devo ir de sunga então? Sunga, meia e chinelo de dedo?
Isa gargalhou.
–Pelo amor de Deus, não. – falou entre risadas – Jeans, tênis e camisa social. Esporte fino.
– ótimo. E o que devo falar?
– Seja você mesmo.
–Se for eu mesmo, vai dar zica.
– Aff. – resmungou – Então vou dizer o que você NÃO deve fazer ou falar.
– Sou todo ouvidos.
– Não mande cantadas de pedreiro.
– Quê?
– É, não mande gracinhas do tipo “Queria ser astronauta para poder navegar no céu da tua boca” e não pergunte a ela se “ela tem um colher porque você está dando sopa.”
– E alguém falaria isso? – quis saber, chocado.
Ela confirmou com a cabeça.
– Já disseram isso para você?
– Sim e eu dei uma sapatadabolsada em todos eles.
Eu ri.
– Okay, fora isso o que mais não devo fazer? O que faço para conter o nervosismo?
– Não coma como um mendigo, não ataque ela, seja...Ah seja você mesmo: Educado e respeitador. Responda as perguntas dela, sorria sempre , mas não pareça uma hiena, se ela fizer alguma piadinha ria. Não importa se não tiver graça. Pergunte sobre o que ela gosta de fazer, sobre filmes...
– Filmes? Jura?
– Livros. Esqueci que você está por fora. – corrigiu-se
– Devo levar flores?
– Melhor não. Ela pode ser chata e se você chegar com essa sua carinha “cuti cuti” e flores, vai “xonar” em você e acabou paz. – instruiu – Caso ela seja legal mesmo, no segundo encontro leve.
Concordei com a cabeça.
– Você é boa nisso. Já teve muitos encontros?
– Na verdade não. É que eu conheço bem o que as mulheres gostam. Ah e por falar em encontro...
– O que? Você também tem um? – me interessei
– Ahan. – confirmou contente – O nome dele é Zion, chique né? E ele é uma graça, lindo de morrer. Estuda comigo a um século e só agora se interessou pela minha pessoa. Por coincidência nosso encontro é amanhã também.
– Nesse caso, boa sorte para nós!
–SORTE!
Ela ia dizer alguma coisa, mas o celular tocou e ela deu um gritinho, um tchau e desligou a câmera. Do fundo do meu coração, esperei que tudo desse certo para ela e o tal ‘Zion’. Isa é uma garota linda e extrovertida, merece encontrar um cara legal.
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DIA SEGUINTE, Encontro com Stacy.
Achava que ia explodir de ansiedade enquanto espera Stacy Smith no restaurante oriental. Fico imaginando meu estado emocional caso meu encontro com Peggy tivesse acontecido,.
– OOooi! – uma voz MUITO estridente tirou-me de meus pensamentos – Tudo bem? Eu demorei? É eu sei que demorei é que eu tava escolhendo a roupa.
– Oi! – falei depois do rio de palavras que ela despejou em cima de mim
– Ai adorei sua camisa! Azul. Adoro azul. – Stacy falava muito rápido – Azul é a cor do céu. Você gosta de azul?
–É...
–Que bom eu também gosto. – ela não esperou eu falar – Você não é daqui, é?
– Bom, eu...
– Eu sabia que você não era daqui. Você é muito bonito para ser daqui, os homens de Washig... Caraca tem um papel de bala no chão. Você gosta de bala?
–Gos...
–Ai eu também gosto. Você gosta de qual?
–Das de...
–Ah eu gosto de trident. Nem é bala né? Mas, eu gosto muito. Você viu? Mudaram a embalagem. Que sacanagem, gostava da antiga.
Ela não parava de falar, eu estava ficando desesperado.
Precisava arrumar um jeito de a fazer calar a boca.
– Você já viu o novo filme do massacre da serra elétrica? A Mandy viu e...
– Quem é Mandy? – perguntei estupidamente rápido
Comemorei! Primeira frase que consegui completar.
–Mandy é a minha colega de trabalho que tem um cachorro chamado Cão. Ridículo né? Ela fez uma escova japonesa no cabelo que dura seis anos e não deu certo. O cabelo dela caiu todo.... Hey você já assistiu a última temporada de Friends? Tem um ator que parece você... Caladão. Você é tímido ? Até agora não disse nada...
“Não disse porque você não deixou, tagarela de uma figa!” – tive vontade de gritar. Mas, fui simpático.
–Sim...
– Tá cala a boca! – me cortou ansiosa – tenho que te contar esse babado. Essa Mandy transou com o Tyson e o Tyson era o irmão do John que é o irmão do pai da avó da sobrinha da Carol que já trabalhou comigo no McDonalds de Malibu. Lá em Malibu...
Preciso sair daqui!Preciso sair daqui! Socorro! Socorro! Socorro! – eu pensava em completo desespero, balançando a cabeça em positiva para tudo que aquela louca dizia.
Isadora me paga! E o pior é que a noite só estava começando.
–Você tá me ouvindo? – ela perguntou
– Est...
–Ótimo. Por que aí ela foi e disse Cereal parece um monte de pedaços de cérebro de maçado e que eu sou louca de comer. Acredita?
Não entendi nada. Mas, achei que era melhor concordar com tudo. E Stacy continuou a falar sobre coisas aleatórias e sem sentido.
E eu continuei ali, desesperado, esperando uma oportunidade para fugir e esganar a Isa.
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