Ainda É Cedo
26 Deus Escreve Certo Por Linhas da Mongólia
Notas iniciais
#Isadora
Dirigi por horas seguidas. Vi o sol se por e o mesmo nascer no dia seguinte. O sono era nada perto a determinação de chegar a Munique e falar com alguém da minha família. Mas, aparecia que eu andava em círculos. As placas pouco me ajudavam por estarem em russo, rara às vezes que encontrei uma em inglês. Pensei em parar e tentar me comunicar com alguém, pedir referências, mas logo me lembrei que a essa altura o vídeo já estava na internet. Facilmente me reconheceriam. E como eu me comunicaria com os russos?
O combustível estava no vermelho e, para variar, eu estava no meio da neve. Não estava mais em Oymyakon, mas ainda era território siberiano. E para piorar (porque sempre pode piorar!) aquela ali era uma parte do território pouco habitada.
A gasolina acabou. O aquecedor parou.
–DROOOOOOGA! – praguejei alto socando o volante – Liga, por favor! Liga!
Gritar e chutar o carro não adiantou de nada. O Blazer tinha morrido, não ia funcionar sem gasolina. Ai eu te pergunto: Onde tem posto de gasolina? E como eu compro gasolina sem nenhum centavo? Reiniciei o chororô em parte por estar no meio de um país que não conheço, em parte por sentir culpa pela morte de meu pai, em parte por estar sozinha. A sensação de estar sozinha em meio á um mundo congelado era apavorante.
Resumindo eu chorava por ser eu.
Aos poucos o interior do automóvel foi ficando mais e mais gelado. Gelado ao ponto da minha lágrima congelar ao cair sobre o volante. Em meia hora o carro já havia igualado sua temperatura á exterior.
Precisava sair dali antes que o carro fosse soterrado pela brancura fria que descia do céu.
Ainda nevava, mas isso não impediu que seguisse a pé a procura de um posto de gasolina. Uns sons estranhos vinham de trás das árvores desfolhadas ao redor da estrada. Parei por um minuto, com as mãos no bolso do casaco, tentando identificar o que era aquilo. Olhei em volta e não vi nada. Ainda estava muito escuro e não tinham postes de luz.
Continuei afundando meu pé naquela neve espessa, batendo os dentes de frio. Andei cerca de dois quilômetros e o som de galhos se quebrando parecia se aproximar da estrada. Franzi o cenho, espavorida.
–Ai meu Deus! – exclamei sozinha – Quem está aí?
E foi aí que eu ouvi... Rosnados. Rosnados caninos.
Parei no meio da estrada mais aterrorizada do que nunca. Fala sério! Fala sério! Lobos? É esse o meu destino? Protagonizar “Pânico na Neve 2”? Lembrar do tal filme só me deixou mais desesperada do que nunca; logo imaginei meu sangue vermelho em contraste com o branco da neve. Sharon ficaria superfeliz se encontrasse daqui a dois ou três dias a minha carcaça próxima a uma matilha.
Olhei ao redor em busca de um carro e tudo que vi foi a maldita neve. Continuei andando, afinal, se ficar parada no meio do nada a chance de algo ou alguém me alcançar é bem maior. Quanto mais eu andava mais o pânico me possuía. Minha cabeça estava a mil... Meu pai morto, minha mãe sozinha, lobos, vítimas de lobos, comida de lobo, eu na neve com carro sem gasolina... Steve! Steve! Onde ele estaria agora? Será que conseguiram chegar a Yakutsk? Será que eu deveria ter seguido viagem junto a ele? Quer dizer, junto a eles?
Eu queria que ele estivesse aqui. Mesmo negando e dizendo que é machismo, o fato é que estar ao seu lado me dá uma sensação de conforto, de segurança.
Subitamente um singelo sorriso se fez presente em meu rosto.
Meus pensamentos foram quebrados quando, por um rápido momento, penso ter visto um vulto pelo canto do olho. Calma, Isadora, calma! Pode ter sido apenas fruto da minha imaginação, fruto do meu medo.
Um rosnado muito, muito próximo e forte fez-se ouvido atrás de mim. Virei na hora. Gelei, isto é, meu coração congelou. Um enorme, peludo e dentuço lobo branco expunha seus dentes para mim. Minha respiração começou a ficar cortada. O bicho continuava me encarando com seus poderosos caninos.
Dei três passos para trás por instintos. Tudo bem, correr não adianta... Ficar parada também não. O animal rosnou mais forte e se aproximou mais de mim.
Fechei os olhos esperando pelo pior.
Escutei o estrondo de algo se partindo, um ganido animalesco e em seguida cai no chão. Abri os olhos e vi que minhas mãos e meu rosto estavam sujos de sangue. Eu estava com a cabeça enterrada na neve e ao redor muito, muito sangue. Será que o ataque foi tão avassalador que nem senti dor? Será que eu morri e ainda não sei?
Uma mão grande e vigorosa me puxou pelo capuz do casaco, levantando-me da neve de maneira que eu não conseguia ver quem era. Me desesperei.
–ISA? VOCÊ ESTÁ BEM? –uma conhecida voz me tranqüilizou antes que eu pudesse ver a cara do mesmo.
–STEVE! – gritei super, hiper, mega aliviada, o abraçando com vontade, como se minha vida dependesse daquele abraço – Graças a Deus! Graças a Deus!
Steve segurou meu rosto com ambas às mãos, a expressão do rosto de pura tormenta, antes de dar um beijo de carinho em minha testa. O abracei novamente e voltei a gotejar lágrimas só que dessa vez de alivio. Alivio por não estar sozinha.
De rabo de olho observei o que havia restado do lobo após Steve o atropelar.
–A gente precisa sair daqui, querida. – analisou ele – Esses desgraçados andam em grupo... Em breve estarão aqui.
Confirmei com a cabeça e entrei no carro. Ele acelerou no momento em que a porta bateu. Minutos depois resolvi perguntar o óbvio:
–Por que veio atrás de mim?
Gnomo lançou-me um olhar gentil.
–Você faria o mesmo.
Confirmei a veracidade da resposta com um tímido sorriso.
–Obrigada. – sussurrei colocando minha mão sobre a dele – Obrigada por não desistir de mim.
Ele me encarou novamente com uma doçura apaixonante.
Senti vontade de beijá-lo novamente, mas freei minhas ações desviando o olhar.
–Eu não... Não ia conseguir seguir sem você. – confessou voltando a olhar para frente – Isso tudo sem você não tem sentido. Ainda preciso de uma diplomata. – brincou
Ri baixinho. Um clima estranho estava se formando naquele carro. Eu conhecia aquele clima... Era o famoso clima purpurina. Meu Deus!!!
–É... E o resto do pessoal? – mudei o assunto – Vamos encontrá-los onde?
–Natasha disse que em Yakutsk conseguiria os documentos e informações sobre a área de Aleksey e a suposta prisão em Oymyakon.
–Suposta, suposições... Já faz semanas que estamos vivendo de suposições. – resmunguei – Steve ainda preciso ir a Munique.
O capitão soltou um suspiro nervoso enquanto tamborilava o painel do carro.
–Você não vai voltar para o Brasil, vai? Olha... Eu... – ele estava ficando bastante nervoso. Sempre que está assim começa a gaguejar – Sabe Isa, nós estamos vivendo tipo... Tipo The Walking Dead.
Não resisti a uma risada frente a uma comparação dessas.
–Quê? Como assim? Não me diga que encontrou um zumbi no caminho de Yakutsk. – brinquei
Ele riu junto.
–Não... Estou falando sobre luto. Sobre não poder entrar em luto. – comparou
Fiz sinal para que ele continuasse.
–Sabe quando a Lori morreu e o Rick pirou? – disse ele
–Sei.
–Então... No caso a Lori é o seu pai e o Rick é você.
–Que papo de doido Steve! – exclamei
–Estou querendo dizer que quando nós estamos em guerra, seja zumbis pelo mundo ou os Estados Unidos na sua cola, o tempo que você passa sofrendo pela morte de alguém é outro. – a comparação era bizarra, mas ele tinha razão – Quando o Rick ficou maluco o grupo todo ficou mais frágil. Quando você surtou ontem à noite e simplesmente disse que se entregaria a policia eu fiquei mais frágil. E se eu fico mais frágil o resto do grupo fica mais frágil.
Fiquei pensativa por um tempo. Será que eu surtei tanto quanto o Rick?
–A essa altura já perdi o enterro. – lamentei segurando para não chorar – Mas... Preciso falar com Eduardo. Mesmo que ele tenha ido ao enterro, com certeza deixou algo em seu apartamento para mim. Uma carta talvez. Eu sei que ele sabe que vou atrás dele.
–Eu sei que foi uma grande perda para você, Isadora, só estou dizendo que nas atuais circunstâncias você não pode ter as reações que teria se estivesse tudo bem. – informou ele delicadamente
–Mas, e a minha mãe? – me afligi – E se eles voltarem até ela?
Steve não respondeu.
–Steve?
–Não se preocupe com a sua mãe. – afirmou depois de um bom tempo – Isso vai protegê-la.
O cidadão me entregou um papel amassado com o número de tal Phil Coulson.
–Phil Coulson? – estranhei fazendo uma careta de dúvida – Quem é Phil Coulson?
–Lembra do cara que eu disse que era para estar morto? – perguntou de forma divertida
– O que te ajudou a fugir da SHIELD. – me recordei – Lembro sim.
– Ele me deu esse papel e disse para ligar em caso de vida ou morte. – contou o loiro lançando-me um olhar maroto – Pelos meus cálculos esse é um caso de vida ou morte.
Fiquei cabreira.
–E ele é confiável, Steve? O que você pediria a ele nessa ligação?
Deu de ombros.
–Creio que sim. Afinal, me ajudou a sair da SHIELD, arriscou o próprio emprego... Se quisesse me matar já teria feito há tempos. –comentou e acabei por concordar – Vou pedir para que ele proteja sua mãe, mande alguns de seus homens...
–Espera! – o cortei arredia – Seus homens? Mas, ele não trabalha para a SHIELD?
–A SHIELD tem várias subdivisões, Isa, e elas são meio que independentes. Se Coulson não for um traidor, Fury nunca saberá desse “serviço de segurança”.
Mordi os lábios olhando fixamente para ele.
–Só quero que nada de ruim aconteça com ela.
Steve concordou entrelaçando nossas mãos. Sorri com o gesto. Sorrir! Parecia algo tão difícil de ocorrer a tão pouco tempo!
–Vou dar um jeito de manter todo mundo seguro. – prometeu ele
–Ui herói! – debochei fazendo-o rolar os olhos.
–Iiiiih já vi que voltou ao normal. – resmungou
–Você está certo... O Rick doido era muito irritante. Vou sofrer em silencio. – afiancei fazendo uma promessa a mim mesma.
O “herói” riu baixinho voltando sua atenção á estrada.
–Se eu pudesse tirava toda sua tristeza.
–Idem. – retruquei. E era verdade.
Dirigimos por mais meia hora e olhando para janela (ótimo lugar para pensar na vida!) parei para meditar nas sábias palavras de Steve: “Quando se está em guerra não se pode agir da forma que agiria se estivesse tudo bem.” Demorou, mas percebi que nós estávamos em guerra.
Uma guerra diferente com conceitos de evolução; uma guerra onde o sangue era inevitável. Meu pai sempre foi meu herói. Clichê, fato, porem realidade. Ele foi à pessoa que mais me fez bem, me amou me ensinou... Meu pai era ótimo! Até mesmo quando me levava obrigada para o Maracanã torcer pelo Fluminense, quando sabia que eu odiava futebol. Ou quando me levava para sítios e fazendas forçando-me a ser uma pessoa mais “rural”. Ou ainda quando me levava para lugares toscos como oficinas, oficinas e oficinas. Nossa como ele me levava para oficinas de carro! E o pior é que no fundo eu gostava.
Não das oficinas, claro, mas sim de estar com ele.
Saber que nunca mais nenhum destes eventos vai acontecer é tão ruim. É como se tivessem aberto meu peito sem anestesia,tirado um pedaço enorme do meu coração e no lugar posto um pedaço de pedra. Dura, fria e que batia constantemente na ferida. Sempre soube que perder um ente querido doía, mas nunca imaginei que fosse tanto. Indescritível!
Mas, precisava seguir em frente. Por ele. Para ele. Mais uma vez Steve tem razão: eu não posso me entregar agora. E a memória dele? Como fica? Ele morre, eu me entrego e aquela loira desalmada segue sua vida? Nãããããããão, nããão mesmo. Está resolvido. Irei transformar toda minha dor em força de vontade para matar aquela filha de uma égua.
–Steve você tem uma arma aí? – perguntei de supetão
–Tenho sim, porque o interesse?-inquiriu esquivo
–Quero aprender a atirar. – respondi determinada – Como disse você nós estamos vivendo like a The Walking Dead. – brinquei com um sorriso sinistro nos lábios – Tem alguns “zumbis” que precisam urgentemente de um tiro na cabeça.
Steve arregalou os olhos.
–Epa! Vai com calma Isa! – ajuizou-me – Não vou te ensinar a atirar para você explodir a cabeça da Sharon.
Senti a bomba atômica da raiva explodir dentro de mim. Como é que é? Ele está defendendo aquela mocréia assassina? Espera de novo! Quer dizer que ele ainda gosta dela? Vou matar ela duas vezes. E ele também para deixar de ser burro.
–Você tá defendendo aquela maldita? – quase gritei. A voz mega, blaster alterada dando um murro nos ombros dele – Vai ficar com peninha dela agora? Ah nãão... Isso é amor! Não acredito que você ainda possa gostar daquela... Daquela... Daquela drágea!
Rogers me olhava abismado. Se não bastasse o folgado ainda caiu na gargalhada.
–TÁ RINDO DE QUÊ? VAI RIR COM ELA VAI... PALHAÇO! – berrei enquanto ele ainda ria – “Não vai explodir a cabeça da Sharon” – o imitei de forma artificial – Imbecil! Argh! Homens!
–Posso falar? – perguntou ele ainda rindo com as sobrancelhas levantadas
–Não quero ouvir sua voz! – grunhi virando para a janela
O malédico continuou rindo montes.
–Tudo bem eu só ia dizer que não acho certo você explodir a cabeça dela, pelo simples motivo de que você é diferente daquela mulher. – disse ele de forma sorrateira – Matar não é do feitio de pessoas boas como você. E – deu ênfase na conjunção de adição – Eu não gosto mais dela, já te disse, gosto de... Outra pessoa. Uma pessoa bastante ciumenta.
Meu queixo caiu de indignação com o “ciumenta”.
–Eu não sou ciumenta. – o estapeei irritadíssima
–E quem foi que disse que essa outra pessoa é você? – jogou olhando para mim de forma divertida
Rolei os olhos.
–Olha para o volante estadunidense. – resmunguei entre dentes
Seguimos mais um tempo em silêncio, mas aquela pergunta imbecil e idiota não saia da minha cabeça. “E quem foi que disse que essa outra pessoa é você?” COMO ASSIM “quem foi que disse”? ELE me disse há uns três dias, caramba! Três dias e ele já se apaixonou por outra? Fala sério, que cafajeste! E quem é essa outra? Alguém que conheceu em Oymyakon nos minutos em que eu estava desacordada?
Sério eu desmaio e ele se apaixona por outra? AAAAAAAAAAARGH! Que vontade de quebrar esse escudo inquebrável na cabeça dessa maldita!
Ah quer saber... Do que me importa isso? Tô nem aí pra ele. Por mim pode se casar até com a Xuxa e ir morar no quinto dos infernos. Idiota! Cretino! E vem pagar de “eu estou apaixonado por você” e ser incrivelmente fofo? Dá um tempo! São todos iguais esses homens. Criaturas carnais imbecis, falsos! Odeio tooodos! E eu ainda estava pensando em escutar o que a Dominika disse sobre deixar de ser sistemática e “me permitir”. Permitir o que? Permitir ser burra, tosca e corna?
Estou com vontade de socar a cara dele até esse carro cair na ribanceira.
–Quem é ela? – não resisti a essa pergunta.
O falso fez uma cara de confuso.
–Ela quem? – que cara de pau. Que cara de pau! Ele fez essa pergunta – Estamos chegando à Mongólia dá para acreditar? Vou parar na cidade de Ulan Bator para colocar gasolina e ligamos para Coulson de um telefone público, tudo bem querida?
–Aham. – concordei sem nem prestar atenção no que ele dizia – Não me chama de querida, pode ser? E quem é ela? Não muda de assunto.
Alguém aí, por favor, indica o Steve para o Oscar? Ator do ano esse falso sem coração e sem escrúpulos! Fitando-me com essa carinha de cachorro que caiu da mudança sem entender nada... Miserável! Quase cai nessa historinha de bom samaritano.
–Por que eu não posso te chamar de querida, meu amor? – perguntou rindo – E quem é ela, quem?
–Não me chama de meu amor também não, seu falso! – acusei sem conseguir controlar a raiva – Não sou seu amor coisa nenhuma. E é isso que eu quero saber... Quem é a maldita?
Steve gargalhou alto no momento em que entramos no posto de gasolina.
–Você... – outra gargalhada irritante – Você está com ciúmes de você mesma?
Fiquei séria por um minuto.
–Como assim?
–Isadora eu não sei se você se lembra, mas eu sou apaixonado por você – recordou-me voltando a ser fofo. – Eu só estava brincando.
Senti-me uma completa idiota. Idiota ao quadrado por ter ficado tão histérica desse jeito. E se ele arrumasse outra? Qual o problema? Acho que muitos.
–Isso nunca aconteceu, tá bom? – pedi envergonhadíssima
Steve me deu um beijinho na bochecha. Pra quê, foi fazer isso e aquela vontade demoníaca de beijá-lo voltou. Que horror! Que papelão! Meu pai brutalmente assassinado há dois dias e eu aqui querendo beijar bobocas americanos.
E o que teria a ver o fiofó com as calças, né?
Talvez eu seja mesmo muito sistemática e Dominika tenha razão...
Por via das duvidas resolvi dar um perdido em Steve enquanto ele colocava gasolina. Fui ao banheiro tirar alguns casacos, já que ali na Mongólia (gente estou dando a volta ao mundo!) não era tão frio assim. Em Ulan Bator devia estar uns 10ºC.
Aproveitei que estava ali para dar uma geral na aparência.
–Que horrível você está Isadora! – maltratei a mim mesma ao deparar-me com a visão do inferno que aquele espelho me mostrava.
Cabelo todo desgrenhado de tanto ficar debaixo de boinas, cara inchada como resultado de mais de quarenta e oito horas chorando, roupas sujas de sangue de lobo, maquiagem inexistente. Graças ao bom Deus, alguns itens de higiene como escova e pasta de dente, pente, batom, rímel e base estavam em minha inseparável. Em pouco menos de dez minutos voltei a estar apresentável.
–Demorou em? – reclamou Capitão Floresta encostado no carro
–Eu estava parecendo um gambá atropelado na Dutra. Tinha que dar um “up” na cara, né? – expliquei
–Gambás atropelados não costumam ser tão graciosos como você! – Awn! Ele não era um lorde? Até quando eu pareço gambá ele me acha bonita. Paixão é cega mesmo.
–Tenho boas notícias. – disse ele sorridente ao entrar no carro
Sorri também.
–Sério? O que? Já sabe como voltaremos para a Sibéria ou para Munique, sei lá?
Ele suspirou.
–Liguei para o Coulson enquanto você se arrumava — comunicou – E ele já mandou três homens cuidarem da segurança da sua mãe.
Respirei aliviada. Piano de caldas acaba de sair dos meus ombros.
–Ufa!
–E não para por aí; — continuou – Ele ainda vai buscar seu irmão na Alemanha para conversar com você e trazê-lo aqui.
–Sério? – eita que esse Phil era um homem gente fina – Não brinca.
–Não estou brincando! – comemorou – Mas, ele disse que só chega amanhã depois do meio dia.
Olhei no relógio e ainda era 10h da manhã.
–Que droga! Vamos perder muito tempo aqui até amanhã. – lastimei – E os outros em Oymyakon?
Steve sorriu.
–Coulson vai nos levar de avião até Oymyakon e em seguida retornar com Eduardo para Munique. – completou com chave de ouro. Beleza! – Temos um dia de folga e cento e cinqüenta dólares. O que quer fazer?
–Dormir! – respondi instantaneamente – Não dormir essa noite! Podemos conseguir um hotel e dormir um pouco, o que acha? Passar uma noite relativamente normal depois de tanto tempo?
–Ótimo! Tudo que eu queria! –exclamou contente, ligando o carro.
Ulan Bator era uma cidade grande com 850 mil habitantes. Prédios, carros, pessoas tudo que não víamos desde que chegamos a Sibéria semana passada! Infelizmente, com tanta gente, fomos obrigados a nos disfarçar com óculos e chapéus. E tinha também outro problema: Ausência total de hotéis para gente pobre como nós.
Passamos em cinco e tudo com preços á hora da morte. Após queimar muito combustível chegamos a uma simpática pensão no subúrbio. Nada de muito chique, mas não era um pulgueiro.
–Dois quartos de solteiro, por favor. – pediu Steve olhando para baixo e pressionando os óculos. Tudo para não ser reconhecido.
Aquele disfarce todo estava me dando muita vontade de rir. A recepcionista digitou o pedido no computador antigo.
–Só tem um disponível senhor... E de casal. – bomba! Pânico! Terror! Ui!
Mordi minha própria língua na tensão do momento.
–Sério? E... Onde tem outro hotel por aqui? – questionei a senhora
–Só na cidade vizinha a uns duzentos quilômetros daqui. – respondeu ela – São de fora?
–Canadá! – improvisei – Bom, nesse caso vamos ficar com esse mesmo.
–QUÊ? – se desesperou Steve falando em português comigo
–Vai querer andar mais duzentos quilômetros? Além do mais o Coulson vai vir para Ulan Botar não para a cidade vizinha. Ah gente dá um jeito! – o tranqüilizei, embora não estivesse tranqüila.
Sem escolha, subimos para o quarto.
Sabe quando você está tão nervosa, mas tão nervosa que te dá uma louca vontade de rir? Pois é, essa foi minha reação ao entrar no quarto e me deparar com apenas uma cama. E ainda uma cama estreita.
Em outros tempos eu não esquentaria nem um pouco de dormir com Steve na mesma cama. Mas agora... Os tempos são outros. Os sentimentos são outros. As vontades são outras. Muito tenso.
–É só temos uma cama. – lamentei – Sinistro.
–Sem problemas, eu durmo no chão. – disse o príncipe
–Não quê isso já atrasei demais sua vida hoje. – repliquei – Jamais permitiria que você dormisse no chão.
–Não...
–Sem neuras, Steve! – o interrompi sentando em uma cadeira próxima – Somos amigos, certo? Não há nada demais nisso.
Sem graça acabou concordando. Ficamos um olhando para a cara do outro e rindo da bizarrice de nossa situação até a hora do almoço. Descemos para o refeitório, comemos, conversamos bobeiras, zombamos dos mongóis e de mim por chamá-los de mongolóides, conversamos coisas sérias e eu estava começando a me sentir melhor. Menos angustiada e culpada e até um pouco mais alegre. Alegria é um pouco forte, todavia estava mais determinada.
Nosso dia seguiu bem. Conseguimos nos distrair e até estávamos os bons e velhos amigos de outrora. Porem, todo nosso bem estar veio átona na hora de dormir.
Cama estreita do cacete! , xinguei mentalmente. Deitamos um de costas para o outro e assim mesmo o contato era inevitável. Eu ria baixinho de nervoso. Uma hora depois e eu ainda ali, sem conseguir dormir. Minha cabeça a mil por hora.
Tique taque.
Tique taque.
Relógio chato do cacete!, Xinguei o relógio mentalmente também.
Proximidade do cacete! Desejo do cacete! Falta de vergonha na cara do cacete!
Continuei imóvel fingindo que dormia até que...
–Isadora? Está acordada?
Pensei em ficar em silencio. O certo era, mas quando vi já respondia um sonoro:
–Sim.
–Sabe quando você disse que nós tínhamos “cagado com nossa intimidade”? – perguntou ele olhando para o teto assim como eu.
–Sei sim. – respondi rindo
–Concordo plenamente.
Gargalhamos alto. Incrível como até quando estamos sem graça nós rimos de nós mesmos. Que situação! Deus do céu!
Mais alguns minutos de silencio onde só o “tique taque” do relógio era ouvido.
–Mongólia é um lugar legal! – quebrei o silencio virando para ele
Pombas! Ele também virou para mim. Pombas de novo ele é muito bonito de perto. Transferi o olhar para o teto.
–Talvez quando tudo isso acabar nós possamos voltar aqui... Quer dizer, não voltar aqui nessa cama, mas aqui na Mongólia. – se enrolou e aposto que ficou vermelho, mas não posso garantir porque a única luz que havia no quarto era a da lua que atravessava a janela. Ri do nervosismo dele.
–é tão bom ouvir sua risada. – suspirou ele aposto um período de silencio.
–Você acha? – perguntei só para manter a conversa
–Acho. – ele concordou.
Me sentei na cama encostando a cabeça na cabeceira.
–Está tudo tão estranho não está? – perguntei
Ele se sentou também pegando minha mão e alisando uma antiga cicatriz. A cicatriz do dia que fui atacada lá em Angra... Nossa parece que ocorreu á anos!
–Marcas da vida! – comentei
–Também tenho as minhas. – disse Steve sorrindo aquele sorriso gentil que só ele tinha. – Mas dizem que “elas mostram que você é”, certo?
Olhei nos fundos dos olhos dele e concorde.
–Steve...
Comecei a falar mais o medo me freou. Medo, programação, certo, errado, opinião publica... Eu sou bem chatinha. Por que viver a vida dessa forma tão “certinha”?
–Agora que sei o que sinto. – completei sem saber direito de onde tinha vindo à coragem para dizer tais palavras
Ele ergueu uma sobrancelha, surpreso, e continuou me encarando em busca de uma continuação.
Deslizei minha mão para o seu pescoço e percebi que se arrepiou com a atitude, um tanto ousada. Como já estamos muito perto um do outro, precisei apenas quebrar uma distância de pouco mais de cinco centímetros para alcançar sua boca. Pressionei meus lábios contra os seus, como se não houvesse amanhã, como se aquela situação – nós dois aos beijos em uma cama de hotel – fosse perfeitamente normal. Mas isso não importa. Não importava o que iriam achar ou como agiríamos no dia seguinte. Tudo o que importava naquele instante é que Steve percorreu minhas costas com sua mão livre e me puxa ainda mais para si — se é que isso é possível — deixando sua língua se encontrar com a minha da forma calma como só ele consegue fazer.
Ah os beijos de Steve! Inigualáveis, incomparáveis! Não resisti a um sorriso em meio a eles ao perceber que o que fazia aquilo tão bom e tão inexplicável era o sentimento. O Sentimento que passei a vida inteira procurando e que estava ao meu lado desde sempre. Que boba eu fui! Que boba por me ligar tanto na questão “tempo” e ignorar a questão “intensidade”.
Deitamos na cama. Eu por baixo e ele por cima. Esqueço-me de qualquer analise interna quando Steve arrasta suas mãos para a parte mais inferior do meu corpo, percorrendo meu quadril e parando na minha coxa. Isso é mais do que um dia já alcançamos, e perco o que resta do meu fôlego no instante em que ele aperta a minha carne.
–Steve! — suspiro quando ele afasta sua boca da minha e a comprime contra o meu pescoço
Seus lábios são quentes e úmidos ali, o que faz com que um arrepio estranho atravesse as minhas costas. Eu nunca senti nada parecido, aquilo era diferente de qualquer sensação que eu já senti. Os beijos de Steve deixavam-me com uma sensação de gula. Eu precisava de mais.
Ultrapassando todas as silenciosas barreiras impostas durante todos os meses de fingimentos e negações, adentro minha mão na camisa de meu amado Gnomo e traço pequenos desenhos abstratos ali com as pontas de meus dedos enquanto ele brinca com seus lábios no meu pescoço e no meu maxilar. Quando a cobiça por mais alcança um nível insuportável, eu deixo minhas unhas arranharem suas costas. Eu estou silenciosa, apesar de tudo, então posso ouvir claramente o ruído que saiu dele.
Um gemido.
Era algo como... excitação. Aquela informação me agitou, mas não de uma forma ruim. De forma tentadora. Steve está excitado. Por mim. Para mim.
E eu não iria fugir daquilo. Dessa vez eu não iria agir como se fosse algo errado, simplesmente porque não era.
Agarro seus cabelos outra vez e faço com que sua cabeça fique na mesma altura que a minha, até poder olhar em seus olhos azuis.
–Eu... Eu te amo! – eu disse a frase mais comum de todos os tempos. Já havia dirigido ela a Steve algumas vezes, mas naquela ocasião esta tinha um sentido diferente. Eu acabara de revelar (quase que a mim mesma!) que o amor que sentia por ele, jamais foi fraterno.
Como resposta recebi um lindo e singular sorriso.
–Esperei mais de quinhentos dias para ouvir esta frase. – sussurrou ele momentos antes de atacar minha boca com a sua, nossos dentes batendo antes de um encaixe preciso e incandescente. Não era como os beijos que eu já havia ganhado, nem mesmo com os que eu já havia roubado. Aquele ali era um novo Steve, um Steve tomado por desejos que nós — porque já não posso mais negar e me tirar dessa — tentamos por tanto tempo frear. Mas agora não havia motivos para parar. Por que eu pararia?
Eu não saberia dizer como exatamente aconteceu, mas quando eu posso respirar um pouco no momento em que Rogers volta a mordiscar o meu pescoço, eu noto que ele está quase que completamente por cima de mim. Aquilo não é estranho como eu pensei que fosse. Em outras épocas, eu me sentiria agoniada e submissa por ter alguém me imprensando contra algo. Contudo, eu confio em Steve. Confio tanto que gosto da situação.
Arranho suas costas outra vez, mostrando que estou bem com o domínio que ele tem sobre mim. Ganho mais um gemido seu em troca, e não posso evitar quando o mesmo som que ele emitiu sai pelos meus lábios também. Ao contrário do que pensei a vergonha não me toma. Não há lugar para constrangimento ali. Não há lugar para mais nada além de seu corpo quente colado ao meu.
De forma quase inconsciente, agarro a barra de sua camiseta e a puxo alguns centímetros para cima, ilustrando o que eu quero. Steve se senta sobre sua perna e tira ele mesmo sua blusa. Fito seu abdômen nu, com o semblante quase extasiado. Ele era absolutamente lindo. Por dentro e por fora.
Sento também, sem tirar os olhos de seu tórax, e deixo minhas mãos terem vida própria. Ele estremece sob o meu toque, e eu sinto através dos meus dedos tudo o que não posso ver. Desvio, por fim, meu olhar para os seus olhos, tentando entender o que está ali.
Não há um traço sequer de desprezo ou de repulsa. Apenas algo que eu não sei identificar, porque nunca vi em ninguém. Mas eu posso apostar que é... desejo. Então tenho a certeza de que seu olhar deve ser o mesmo que o meu.
Steve se aproxima um pouco mais de mim e toca a minha blusa, brincando com a barra dela. Entendo o que ele quer e levanto os braços. Ele desliza minha camiseta pelos meus membros, o tecido fino fazendo cócegas na minha pele. Assisto quando ele se ajeita a minha frente e, surpresa, permito que ele me puxe para si, até estar em seu colo. Sei que rocei sem intenção aquela parte dele quando outro gemido escapa por seus lábios, dessa vez mais longo. Isso me agrada imensamente, e não consigo não sorrir. Ele morde seu lábio inferior — algo que nunca o vi fazendo —, parecendo constrangido. Deixo meus lábios caírem sobre os seus, mostrando que aquilo me deleita, e ele parece relaxar outra vez.
Nosso beijo é calmo, mas começamos um embate agressivo e abrasador quando resolvo aprofundar o beijo ao sentir novamente suas mãos apertando as minhas coxas. Então, sinto que aquilo não é mais suficiente para ele quando suas mãos sobem pelas minhas costas até achar o fecho do meu sutiã. Pra variar (porque ele” nunca” se enrola) Steve atrapalha com ele, mostrando o quanto é inexperiente. Deixo uma risada baixa sair pela minha garganta e tiro eu mesma a peça de roupa.
— Eu já estava quase o rasgando — ele diz e eu continuo rindo, mas ele não parece se importar.
–Ah claro! — ironizei
Dou-me conta da minha nudez a sua frente quando noto o porquê dele não se importar com o fato de eu estar rindo dele. Steve está concentrado em olhar para os meus seios nus, o que me faz ter vontade de cruzar os braços para tapá-los. Todavia, ao invés de fazer isso eu pego uma de suas mãos e a coloco em cima do meu seio esquerdo. Ele a ajeita em forma de concha e deixa seu polegar fazer pequenos círculos na parte lateral dele, como se estivesse testando o que é possível ou não.
É a minha vez de morder o lábio assim que seu polegar desiste da lateral do meu seio e roça meu mamilo de forma suave.
É apenas Steve. E eu estou entregue a ele como jamais estive a ninguém.
Ele repete o roçar de dedos, mas dessa vez pratica o ato em ambos os lados. Eu achava que já estive perto de enlouquecer muitas vezes, mas nada como agora. Naquele momento, eu estava perdendo todo o resto de sanidade que me restou. Sim, porque aquele era um momento insano.
Mexo meu quadril de forma quase ponderada contra o dele até encontrar um ritmo lento que parece o deixar tão extasiado quanto eu estou. Ele volta para o meu pescoço e finalmente entendo que ele deve ter achado sua parte preferida do meu corpo. Sinto pela primeira vez sua língua na pontinha da minha orelha, fazendo uma trilha quente pelo meu maxilar.
Steve começa a brincar com o cós da minha calça de pijama, ameaçando tirá-la, mas parecendo receoso. Sinto vontade de gritar: "Anda logo!", mas me limito a levantar um pouco e tirar eu mesma as últimas peças de roupa que o impedem de me ver completamente nua. Ele volta a acariciar as minhas coxas, dessa vez sem nenhum empecilho para a minha pele sentir seus dedos macios. Sinto cócegas, mas diferentemente do que é comum, não sinto vontade alguma de rir. Suspiro quando seus dedos fazem uma trajetória uniforme de circular as minhas coxas e, quando ele alcança a parte interna dela, um novo arrepio percorre as minhas costas. Acho que ele percebeu e entende exatamente o que deveria entender: continue. Ele alcança uma parte íntima demais e que, ao primeiro toque, eu reteso. É... estranho ter alguém me tocando ali.
Ele puxa o ar com força pela boca e diz:
– Ainda podemos parar.
Mas eu não quero parar.
–Jura? Nessa altura do campeonato? – perguntei acariciando seus rostos
–Se você quiser...
– Você quer? – o cortei. Sua resposta é bem clara para mim. Ele me beijou avassaladoramente.
Volto a sentir seus dedos em mim, calmos, embora seu olhar esteja feroz. Steve me toca com suavidade, mas então acelera um pouquinho seu ritmo, o que me faz pensar que ele está tentando testar as minhas reações. Quando ele toca um ponto em particular de forma impetuosa, outro gemido escapa de mim. Não há mais como me conter, então apenas o beijo mais uma vez. Há tantas coisas refletidas naquele beijo que eu mesma me sinto confusa, mas sei que Steve entende.
Ele sempre entende. Até mesmo quando eu não entendo.
Acho que fico tão anestesiada com o toque de sua língua na minha e com seus dedos ágeis que não noto quando acontece, mas a próxima coisa que sei é que Rogers está outra vez em cima de mim. Nu. Evito olhar, porque, embora estejamos em atual situação, sinto-me estranhamente nervosa com esse fato novo. Contudo, eu ainda posso senti-lo contra a minha coxa.
Decidida a devolver um pouco do que ele está me fazendo sentir, empurro-o para longe e volto a ficar por cima dele. O loiro sorri para mim, e seu sorriso parece tão puro e inocente que é impossível não retribuir. Passo minhas mãos por seu peito e o arranho de leve, já tendo aprendido que aquilo o agradava. Ele se ergue, sentando, comigo ainda em seu colo e rodeia a minha cintura com seus braços.
Há um entendimento mútuo do que está por vir, um pedido, um desejo. Levanto um pouco o meu quadril, meus braços circundando o pescoço de Steve para ter algum apoio, e ele me ajuda a fazer o que pretendo. Pouco a pouco o sinto ganhando espaço dentro de mim, uma nova forma de ficarmos unidos. Há uma ardência no ponto em que estamos nos conectando, uma dor leve, mas que, depois de tudo o que já passei, é fácil de ignorar.
A sensação é inigualável e sei que ele está sentindo o mesmo naquele instante. É fácil encontrar um novo ritmo para aquela nova situação. Em pouco tempo, o rosto de Steve fica afogueado, o suor brota de sua pele, assim como brota da minha. O constante galopeio já não é mais suficiente, e sinto a necessidade de aumentar o ritmo. Uma nova ânsia brota em meu peito, novamente aquele sentimento de mais.
Mais.
Olho para ele e vejo que seus olhos azuis atingem uma profundidade que eu nunca havia visto até esse momento, suas bochechas estão coradas, seus membros escorregadios devido ao suor que seu corpo extasiado produz. Não desvio meus olhos dos dele enquanto sinto a dormência atingir cada parte de mim e sei que ele sente o mesmo no instante em que suas unhas curtas arranham a carne das minhas costas, marcando-me como dele.
–Definitivamente, eu te amo!- disse eu antes de selar meus lábios aos seus.
Posso ouvir apenas um sussurro abafado sendo emitido por ele antes de sentir todo o meu corpo contrair-se junto ao seu:
— Não mais que eu, Isa. Não mais que eu.
E eu sei que tudo o que estou sentindo é porque é Steve comigo neste momento, e não outro. Não existe espaço para outro, então eu sei que fiz a escolha certa. Apenas com ele posso sentir a plena felicidade que me acomete nesse instante, porque ele é o idiota da bandeira americana. O idiota que eu amo incondicionalmente.
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