Ainda É Cedo
16 Conversas de Bar
Notas iniciais
#Isadora
Steve está estranho, muito estranho. Está inexplicavelmente quieto, mal-humorado e monossilábico, isto é, ele só fica assim quando algo o está afetando muito. E acho que este “algo” é o Brian. Mas, por quê? Brian é tão legal queria tanto que meu namorado e meu melhor amigo fossem amigos. Steve continua implicando com ele, dizendo que Brian não me conhece, que Brian não me merece... Argh!
Hoje é o ultimo dia de meu Bri em Nova York e depois de muito implorar, Steve concordou em um encontro duplo. Isso, encontro duplo! Eu e Brian, Steve e Sharon. Acredita que até hoje ainda não vi estes dois juntos? Pois é, mas hoje as coisas mudam.
Brian continuava brincalhão, eu continuava apaixonada e Steve continuava agressivo. Parecia até eu na TPM – uma gracinha, um tapa na cara. Mesmo com o Capitão Bandeira (como gosto de sacanear!) na TPM, lá fomos para um aconchegante restaurante em Downtown. Quando chegamos Sharon já estava lá e fofa que é, logo veio me dar um abraço.
–Isadora! – exclamou enquanto me abraçava – Quanto tempo!
–Oi! E aí tudo bem?
–Sim! Você deve ser o Brian? Muito prazer. – cumprimentou simpática que só. Não sei qual é o problema do Steve com ela. Acredita que ele disse que “enjoou” da moça? Que grosseria.
–Prazer é todo meu. – devolveu meu lorde – Steve que linda sua namorada! Tem muita sorte, irmão.
Steve virou a cabeça de lado e sorriu. Um sorriso muito falso, mas ninguém percebeu. Ninguém sabia distinguir os sorrisos de Steve tão bem quanto eu. Eu só não conseguia entender tanto mal — humor. Serão problemas na SHIELD? Ainda não tive tempo de conversar com ele sobre isso.
Sentamo-nos na mesa ainda conversando, quer dizer, eu, Sharon e Brian conversávamos. E assim ficamos por muito tempo, comendo e falando, até que Sharon fez uma simples pergunta que gerou um furacão.
–Esse mês vocês fazem um ano de amizade, né? Quando?
Steve sorriu pela primeira vez.
– Dia dez de julho. – respondeu
–Finalmente você falou alguma coisa, querido! –Sharon disse segurando a mão dele sobre a mesa
Steve a puxou violentamente. Arregalei os olhos, perplexa assim com a loira. Fizemos vista grossa.
–Pois é, um ano agüentando esta mala! – brinquei para descontrair o ambiente – Né mala?
–Aquele foi o dia mais importante desde que eu acordei, sabia? – disse
Sorri meigamente. Era tão bom saber que ele gostava de mim.
–Desde que acordou? – Brian estranhou
Silencio na mesa. Não tive escolha senão beijar o sujeito. Assim que o soltei Steve puxou Sharon. Eu ri, achei engraçado, mas ver os dois se beijarem não foi tão engraçado ou fofo como eu pensei.
Meu sorriso desapareceu completamente. Tive uma vontade louca de gritar “será que você pode largar ele, por favor?”, mas acho que ia ser estranho. Aquilo era estranho. Eu não gostei daquilo. Por que eu não gostei daquilo?
–Nossa! – exclamou Sharon depois do beijo – Fazia tempo que você não me beijava assim!
Steve nem deu ouvidos ao que ela dizia, limitou-se a beliscar as batatas-fritas. O assunto continuou de onde parou.
–Espera aí! Você disse a Isadora é a pessoa mais importante da sua vida? – recordou-se a loira
Eu e Brian sorrimos, Steve estava enrascado.
–Sim. –respondeu na cara dura
–Steve! – chamei a atenção – Acho que você esqueceu-se da Sharon, eu estou na segunda posição.
–Não, eu não esqueci. –cara de pau mandou lembranças – Você é trocentas vezes mais importante, você é minha amiga ela é... Nem sei o que somos me desculpe.
–Que isso cara, pirou? – disse Brian perplexo
Sharon parecia magoada, eu chocada pela atitude “to nem aí” dele para com a Sharon.
–Brian limite-se em beber sua Coca. – disse ele afiado – E quer saber? Desculpe mas essa é a verdade. Sharon você não é muito importante. E eu odeio você, Brian. – disse ele em tom de tranqüilidade levantando-se da mesa, colocando o dinheiro da conta nas mãos de Brian e indo embora do restaurante.
Steve bateu a porta do restaurante com tanta força que ela caiu. Todos no restaurante observavam incrédulos, a porta de METAL que tinha caído com uma batida de Steve.
Ficamos em silêncio por alguns minutos tentando entender o que tinha dado no Steve.
– O que foi que aconteceu aqui? – murmurei
Sharon estava de cabeça baixa.
– Acho que o jantar acabou para mim, tchau. – se despediu
–Não, Sharon não vai não! – insisti triste por ela – Ele está... Está passando por uns problemas, está nervoso. – inventei – Steve precisa de...
–Eu entendi o que ele quis dizer, desculpe Isadora, preciso ir. – falou e vazou de lá.
Bufei decepcionada.
–É isso? Ele me usou para terminar um namoro? – perguntei a Brian
Ele ficou sério.
–Sim e não.
–Como assim?
Brian me abraçou.
–Você não percebeu?
– Perceber o que? – me preocupei
Ele balançou a cabeça.
–Nada... É que ele já estava de saco de cheio da Shanon. –disse ele, mas acho que tinha algo mais
–Sharon! – corrigi
–Isso, Sharon. Bom, vamos comer?
Concordei com ele. Não ia adiantar ir atrás de Steve agora. Amanhã conversaríamos. Se ele pudesse ficar bêbado diria que estava quando disse o que disse. Definitivamente, grosseria e falta de sensibilidade não é do feitio de Steve.
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#Steve
Entrei no primeiro bar que encontrei. Era escuro, fétido e possivelmente um local onde bandidos e usuários de drogas estariam. Não liguei, só queria beber. Como eu queria poder ficar bêbado e esquecer-se de tudo. Sentei-me no balcão ao lado de um homem negro com capuz.
– Me dá a coisa mais forte que você tiver aí. – pedi não muito educado, socando o balcão com força.
Queria que aquele balcão fosse a cara do Brian.
O balconista prontamente colocou algo no meu copo e joguei tudo pra dentro. Não fez nem cócegas e pedi que repetisse a dose.
Já estava no terceiro copo quando o sujeito ao meu lado, o qual eu não podia ver o rosto por estar com um casaco de capuz, começou a rir.
–Tá rindo do que? Em? Muito fácil rir dos outros com o rosto encoberto. – briguei
Ele tirou a capa.
–Disse o homem que usa uma máscara. – debochou – Diz aí, Capitão América, o que te deixou com tanta raiva? Mulheres ou dinheiro?
Gelei. Depois de quase três anos alguém me reconheceu. E justo no lugar errado. Bufei.
– Quem é você?
–Ué não está me reconhecendo? – disse ele de forma brincalhona – Quanto tempo não lê os jornais, Capitão?
Fitei-o por um minuto. Aquele era o...
– Você é o Snap! – murmurei surpreso – O ladrão que ronda o Harlem e Manhattan. Como foi que me reconheceu?
Ele gargalhou.
–Te reconheci pela sua cara e também porque ainda não conheci ninguém que consiga rachar um balcão de mármore com um soco. – disse ele apontando o balcão.
Nem tinha percebido o estrago que causei. Tomei outro copo daquela bebida que não conhecia.
–Está trabalhando na SHIELD? –perguntou – Dã! Claro, até parece que iriam te deixar livre por aí. – ele mesmo respondeu
Franzi o cenho.
–Como sabe sobre a SHIELD? — estranhei
–Ah me desculpe, esqueci de me apresentar. – disse ele ficando de frente para mim – Prazer, sou o ex-agente Wilson. E você qual seu nome? Não me diga que é mesmo “Capitão América”?
–Steve. – me limitei – Por que um agente da SHIELD tornou-se um dos mais perigosos ladrões de Nova York?
–Boa pergunta, Steve. – disse ele rindo – Bem, isso é o que geralmente acontece com quem não se subordina aos poderosos chefões. Fury não comentou sobre mim? –perguntou antes de responder, novamente, a própria pergunta – Aff porque ele contaria certo?
Bebi outro copo, desconfiadíssimo do sujeito.
Permaneci em silencio.
–Mas, você não me disse. Está bebendo por quê? – disse ele depois de um tempo
–Acabei de humilhar a minha namorada enfrente a minha melhor amiga e o desgraçado do namorado dela. – lastimei
Wilson gargalhou.
– Já entendi tudo.
–Entendeu? Se entendeu me explique, Ex-Agente Wilson...
–Me chame de Sam. – pediu e concordei.
Bufei com vergonha de minhas ultimas ações.
–Sharon não merecia isso...
–Sharon? Sharon Carter lá da SHIELD? – me cortou incrédulo
–Sim, conhece?
–Argh! – rosnou – Você namorava aquele purgante? Nossa logo se vê que você é um herói.
Eu ri.
–Devemos estar falando da Sharon errada. Essa Sharon é muito simpática e agradável. Eu é que fui estúpido, sabe-se lá por que.
–Simpática? Agradável? – negou com a cabeça – É uma vaca nojenta, metida e poderosa.
–Ei! – o repreendi
Ele ergueu as mãos em rendição.
–Desculpa, foi mal. Pelo jeito você ainda não a conheceu.
Ia reclamar, mas ele estava certo em uma coisa. Eu não a conheci.
–Eu disse a ela que Isadora, minha amiga, era trocentas vezes mais importante do que ela. E disse ao namorado dessa minha amiga que eu o odiava. –continuei o meu desabafo – Eu fui um bode.
Sam soltou uma gargalhada alta.
–Com certeza, você foi um bode. – concordou – Pelo jeito isso tudo foi por causa dessa sua “amiga”. –encenou aspas
–Não entendi as aspas em amiga.
Ele me olhou mais ou menos assim:
–Ainda não percebeu?
–Percebi o que?
–Ah qual é você está apaixonado por essa Isadora, meu chapa. Simples assim. – disse ele como se eu fosse uma criança de cinco anos
Franzi o cenho, bebendo outro copo.
–Não...
–Siim! – retrucou
–Não, quê isso... Não, claro que não. Eu saberia se estivesse apaixonado. Já me apaixonei antes. – disse mais para convencer a mim mesmo
Ele deu de ombros.
–Ué vai ver é o tal do amor. – opinou – Fala aí.
–Fala o que? – questionei, meio desesperado
–Fala para mim o que você sente quando está com ela ué.
Respirei fundo e fechei os olhos tentando visualizar a Isa.
–Eu... Eu sinto como se o mundo fosse acabar a qualquer minuto e que eu tenho que desfrutar da companhia dela o máximo que conseguir. Eu a acho a coisa mais linda, meiga e delicada que já existiu na face da Terra e eu quero protegê-la, quero que ela esteja sempre ao meu lado. Que esteja segura! – eu falava com o coração, de olhos fechados – E de uns tempos para cá, vê-la sorrir me faz perder o chão e quando ela me abraça por um segundo eu paro de respirar. E. E vê-la com aquele idiota... Vê-la com aquele idiota acaba comigo. – confessei
Abri os olhos e Sam bateu palmas.
–Pronto agora você já sabe que a ama. O pior já passou. É só você dizer tudo isso pra ela e partir pro abraço.
–Ela tem namorado. E eu nem sei se... –fiquei em silêncio por um minuto olhando o papel de parede do meu celular, que nada mais era que o rosto dela — É você tem razão eu estou apaixonado pela minha melhor amiga. -lamentei
–Ah é... Boa lembrança.
– O que?
–Você ta na Friend Zone. – lamentou – Já era cara, sinto muito. Friend Zone é como o Labirinto de Dédalo: Você entra e não sai nunca mais. Quer uma dica?
De novo esse papo de Dédalo...
–Sim.
–Parte para outra.
–Quê? Você ficou uma hora tentando me convencer que eu a amo e agora manda eu desisti? – resmunguei
–Acha que ela gosta de você do jeito bom?
Eu ri.
–Não, não mesmo. Ela gosta é do Brian. – fiz uma careta no “Brian”
Sam olhou as horas e se levantou.
– Preciso ir, Steve! Essa hora a policia costuma dar uma ronda por aqui. – comentou – Mas, faz o seguinte não desiste dessa mina não. Se ela for tudo o que você disse, vale o esforço.
Sorri agradecido.
–Valeu, Snap! E boa sorte por aí.
Ele bateu continência para mim.
–Ah mais uma coisinha. – voltou
Fiz sinal para que ele continuasse.
–Não sei quem você é, mas se houver algum problema com a SHIELD e precisar fugir vá até este endereço – me entregou um papel –Não vai entregar para a polícia, em?
–Obrigado. – agradeci – Pode deixar que não entregarei a policia.
E ele foi embora. E eu estava mais confuso do que nunca. Primeiro com Isadora, Segundo com o que ele disse sobre Sharon e terceiro sobre a SHIELD. Guardei o papel comigo, afinal nunca se sabe o dia de amanha.
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