Ainda É Cedo
31 Consequências Vs Responsabilidades
Notas iniciais
#Isadora
Pensei que tinha chegado ao ápice das surpresas desagradáveis quando há três dias liguei a televisão e a CNN noticiava eu havia linchado e roubado um morador do estado americano da Indiana. É acho que eu estava errada. Agora além de encabeçar (junto a Natasha!) a lista das mulheres mais perigosas da Interpol, ter perdido meu pai, ter passado os últimos meses fugindo pela Europa ainda fui irresponsável ao ponto de não me prevenir e ficar grávida. Grávida em uma situação desesperadora como essa! E de trigêmeos! Eu quero morrer!
Por que isso foi acontecer comigo? Logo eu que sempre fui a chata que brigava e passava sabão quando minhas colegas engravidavam e vou e faço a mesma coisa? Que irresponsável! Não acredito que vou ser mãe. Que horror! O que eu vou fazer? Como essas crianças vão amar e respeitar alguém que os trouxe ao mundo para sofrer? Filhos devem nascer para desfrutar dos bens que os pais conseguiram e não para fugir da polícia com eles.
Não era assim que eu queria ter filhos com Steve. Sinto-me a pior pessoa do mundo e a mais burra, estúpida e irresponsável também. O que vai ser destes três bebezinhos quando nascerem? Com que dinheiro compraremos as fraldas, as roupas, os berços? O dinheiro que Coulson nos deu está se esgotando com o tratamento de Barton. Pior ainda é que se não fossem por eles eu jamais perceberia que não usamos camisinha. Vida cruel.
O silencio angustiante na sala continuava. Dominika subitamente empalideceu-se, assim como Clint. Sam gargalhava alta e escandalosamente de nervoso enquanto Natasha lançava-me um olhar apavorante.
–Trigêmeos? Vocês estão brincando né? Não por que... – Sam parou de falar e sorrir ao perceber que nossos semblantes não eram de quem brincava — Trigêmeos? Puta que paril!
Romanoff começou a respirar profundamente como se estivesse prestes a vomitar.
–Ainda não inventaram palavra para traduzir o ódio que eu estou sentindo de vocês, seus merdas. – grunhiu ela esfregando o cenho – Qual é a porra do problema de vocês em? Grávida? Ah vai tomar no cú!Já chega! Cansei de vocês dois, cansei dessa porra de sítio, cansei de tu...
–Ah ótimo você está cansada? – Steve a cortou de forma agressiva – Eu também estou cansado, todos nós estamos cansados. Eu não aguento mais ter que ficar me escondendo...
–Tá se escondendo porque é um fraco! – bradou a russa apontando o dedo para cara dele e depois para mim. É muita audácia! – E você é outra, Isadora! Dois humanistas de merda que só me arrumam problemas. Se não fosse a babaquice de vocês eu já teria fudido com a porra da SHIELD toda, mas nãããããão... Vocês tem que fazer tudo certinho e sem ferir ninguém. Acorda seus imbecis, isso é guerra!
Agora eu me irritei. Ruiva boca suja e ingrata! Nós arrumamos problemas? E quem foi que trouxe essa vaquinha pra cá? E quem foi que está ajudando o amiguinho feio dela?
– Ah vai lamber sabão, Natasha! – grunhi enfezada – Tem vergonha nessa cara não? Se não fosse a gente a SHIELD já teria acabado com vocês a muito tempo...
–Ah vai jogar na cara agora?
–Jogar na cara? – repeti perplexa – Quem está jogando na cara é você, mundiça. E tem mais se não está satisfeita conosco saiba que a porta da rua é a serventia da casa.
Steve bufou irritado ao meu lado. Dominika ainda se abanava no sofá incapaz de emitir algum som.
– Quer saber? É isso que eu vou fazer assim que o Clint estiver curado dessa maldita pneumonia.
–Ótimo! – agradeceu Steve erguendo as mãos para o céu – Ótimo assim meus filhos não vão ter que nascer e se deparar com essa aura negativa que você tem – “aura”. Ele disse “aura”! É muito hippie, gente. – E Barton você se quiser também pode ir embora. Todos vocês. Não estou obrigando ninguém a ficar aqui.
– Não vou a lugar algum, Capitão. – respondeu Clint com a voz rouca – Posso ter muitos defeitos, mas ingratidão não é um deles.
–O QUE? – a ruiva surtou – Tá maluco? Vai ficara aqui com esses bocós e três bocózinhos?
Clint deu de ombros, absolutamente indiferente ao chilique da amiga. Ao que parece ele está acostumado com esses siricoticos.
Sam voltou a gargalhar de forma descontrolada. Sempre que ficava estressado isso ocorria: Risadas nervosas.
–Acho que é obvio que vocês não tentaram engravidar, quiçá de múltiplos e quando eu mais precisei vocês me ajudaram. Portanto, podem contar comigo para o que precisar.
–Clint! – vociferou Romanoff inconformada com a generosidade do arqueiro – Você está chapado? Nós não podemos ficar aqui e formar a família feliz entendeu? Vão nos encontrar mais dia ou menos dia.
–Seguiremos viagem com ela grávida então.
–Não posso andar de carro ou avião. – achei melhor informar – E há 90% de chance dos bebes nascerem prematuros o que vai exigir que fiquem algumas semanas na UTI neo natal. E uma gestação tripla exige alguns cuidados diferentes de uma normal, na alimentação, no repouso, no tamanho da barriga, nas dores nas costas e no risco de aborto.
–Aborto! – repetiu Natasha alegre – Isso! Sorte sua que estamos na Europa. Acho que tem combustível suficiente no jato para irmos até a Holanda.
Fiquei cabreiríssima. Steve estava a ponto de arrancar a cabeça dela e jogar basquete. Sam e Clint olharam para ela como se ela fosse um monstro (e era).
Domi continuava a se abanar.
–O que... O que você quer dizer com isso? – perguntei — Holanda?
–Os irlandeses são uns atrasados, aqui esse tipo de coisa não é permitido. Mas, facilmente conseguimos em Amsterdã.
–Que tipo de coisa, Romanoff? – questionou Rogers em um tom de voz quase patológico – Você não está querendo...
–Ah pelo amor de Deus, Capitão! – ela o cortou enraivecida – Até nisso? Gente são só embriões, não são pessoas. Acaba logo com essas coisinhas enquanto é tempo. Vai ser melhor para todos nós.
–Todos nós quem, sua vaca? – não resisti à ofensa.
–Melhor para mim, melhor para vocês e melhor para essas coisinhas ai. – ela apontou minha barriga.
Coisinhas? Coisinhas?
Não deu pra mim. Avancei contra o pescoço dessa desalmada cuspindo marimbondo. Steve me afastou dela antes que eu levasse uns sopapos da ninja russa.
–COISINHA É VOCÊ SUA FILHA DE UMA ÉGUA! – gritei tentando me desvencilhar dos braços de Steve – Eu não vou matar meus filhos! Eles são minha responsabilidade.
–ISSO SUA ANTA, FAÇA ISSO! DEIXE ESSES POBRES COITADOS VIREM AO MUNDO EM UMA SITUAÇÃO COMO ESSA. Grande prova de amor! – vomitou impropérios sendo barrada por Sam – Se você não os livrar da desgraça de vida que terão, Sharon vai fazer isso por você. Aí você vai ver o que é bom para tosse, sua idiota.
–Olha como você fala com ela, Romanoff! – repreendeu-a Steve – Isso é desumano, não vamos fazer um aborto. E os bebes não vão nos impedir de concluir nossa missão, contudo se está com tanta pressa faça você mesmo. Mas, sozinha e bem longe daqui.
A ridícula de cabelo vermelho conseguiu se soltar de Sam e Steve também me soltou.
–É exatamente o que eu farei. – afirmou convicta – Barton você deve estar grogue com esses remédios então vou reconsiderar as asneiras que disse anteriormente. Assim que se recuperar partiremos para a América.
O Gavião bufou.
–Certo, depois conversamos Natasha. Capitão pode contar comigo.
Natasha, irritada ao extremo, arrastou o amigo para conversar em particular e Sam e Steve foram à cozinha beber um pouco d’água e tentar pensar em uma nova ideia ou saída para nossa situação.
–Ei Domi, não fica assim. – pedi sentando ao lado da morena – Isso só me deixa mais arrasada.
–Só... Só estou pensando em como serão os próximos meses. – murmurou – Só sobraram sete mil dos vinte que Phil nos deu e estamos na Irlanda á tempo demais. Vão acabar nos encontrando, Isa. E quanto à chinesa e o dossiê? Vamos ter que dar uma pausa de um ano nisso tudo?
Prendi a respiração por um minuto tentando não chorar. Quem diria que aquela noite na Mongólia pudesse nos trazer tantos problemas.
–Eu não sei. Acho que, sei lá, a Natasha tem razão.
Domi se levantou do sofá para me encarar, preocupada.
–Do aborto? Não Isa, pelo amor de Deus, isso é horrível! Daremos um jeito.
–O que vai ser deles? Nós... Nós nem poderemos os registrar quando nascerem, caso contrário nos acharão. E a Carter? Natasha tem razão novamente sobre o risco que aquela doida oferece as crianças. – lamentei quase chorando – Não sei o que fazer. Só quero...
–O que?
–Só quero o melhor para eles, Dominika. Só quero que sejam felizes e que não tenham que passar por coisas ruins. Querendo ou não, esses três são fruto de muito amor e merecem uma vida digna.
Ela sorriu para mim, colocando a mão sob meu ventre.
–E eles terão. Aquela russa maldita está errada sobre tudo, não ligue para o que ela diz. – consolou-me – Acho que ela não sabe o que é o amor, o que é amar por isso sugere coisas como um aborto. Eu vou ficar com vocês até o final e o Sam também.
Abracei-a contente por saber que não estava sozinha em uma questão tão complicada assim.
–Também não quero atrasar a vida de vocês. Poxa você e Sam são tão legais, tão leais conosco que fico sem jeito por ter colocado vocês em tantos problemas...
–Problemas? Quê isso, Isadora. Eu sou uma caçadora de aventuras e quero muito ver alguma mudança no mundo. – explicou-me – E o Sam, bom, ele estava esperando por isso há muito tempo. Assim como seu pai morreu os dele também foram assassinados e ele quer justiça. Apesar dos pesares estes meses na estrada com vocês estão sendo muito legais.
–Você é uma boa amiga, Domi.
–Você também. Bom, mas vamos falar de coisas legais da gravidez, que tal?
Ergui as sobrancelhas, procurando alguma coisa legal nessa gravidez. Não que eu ache gravidez algo ruim, todavia nas atuais circunstancias não há nada de bom ou bacana nisso. Quando imaginava um filho idealizava isso para quando eu tivesse no auge dos meus trinta anos com a vida financeira estabilizada. E eu só queria ter um filho ou filha. Não três e não com quase dez anos a menos.
–Não tem nada de legal nisso.
–Claro que tem! Roupinhas, sapatinhos, o quarto... Os nomes.
–Roupa? Sapato? Quarto? Domi nós não temos dinheiro.
Ela fez uma careta voltando à realidade.
–Bom, mas podemos ver os nomes. E então mamãe? – brincou – Acha que serão dois meninos e uma menina, duas meninas e um menino, três meninos ou três meninas?
–Ah esqueci-me de te contar essa parte. São idênticos, acredita? Uma gestação extremamente rara do tipo que só acontece com uma em cada duzentos milhões de mulheres. Portanto, serão três meninos ou três meninas, mas torço por garotinhos.
Domi ficou boquiaberta.
–Nossa... Que sorte.
–Sorte? – inquiri junto a uma gargalhada de deboche – Uma única noite, um único óvulo, três bebês e acha que isso é sorte? Sorte tem minha prima do sul que é quase uma prostituta, não se previne e até hoje está aí livre, leve e solta. Isso é muito azar, Dominika.
A caribenha riu baixinho.
–Confesso que fiquei bem chocada, mas agora já passou. Acho que podemos dar um jeito nisso, pedir ajuda.
–Ajuda pra quem?
–Para o Coulson... De novo. – Steve apareceu mais calmo, respondendo minha pergunta.
Ele se sentou ao meu lado, abraçando-me.
–Como assim Steve? Nós não sabemos onde ele está e não temos mais o número do telefone.
–Não temos o telefone, mas eu sei o país e a cidade que ele estará daqui a três meses. – informou ele um tanto esperançoso – Ele comentou comigo que teria uma missão humanitária em Gaborone, Botswana.
–E o que pretende pedir a ele? Mais dinheiro?
–Não, claro que não. Imagina se eu ia ter a cara de pau de pedir uma coisa dessas! Só quero que ele saiba do que está se passando aqui em Dublin e... Não sei, me dar alguma luz sobre o que fazer. Pensei em voltar para Washington e tentar negociar com a SHIELD, porem tenho medo do que pode acontecer a vocês quatro.
Fiquei em silencio por um minuto, refletindo o quadro.
–Bom, talvez eles se comovam com a minha situação, afinal, perseguir e matar uma garota é uma coisa, outra é perseguir uma grávida. Seria covardia e o pessoal dos direitos humanos ficaria do nosso lado. – observei
–É, mas vale lembrar que os direitos humanos, a ONU e essas coisas que protegem pessoas são comandadas diretamente pela grande potencia. – acrescentou Steve
–E podem simplesmente ignorar isso. Prender você e quando os bebês nascerem os venderem ou sabe-se lá Deus o que. – adicionou Domi uma ideia medonha
Nossa vender os bebes?
–Credo Domi! – a repreendi – Também não é pra tanto, cara. Acho que eles não venderiam criancinhas inocentes.
Domi deu de ombros.
–O mercado negro oferece cerca de trezentos, quatrocentos mil dólares por um bebê branco e saudável e sabendo da saúde mental da Sharon e do ódio dela por você... Querida, eu não arriscaria. – alertou. Nossa será? – Mesmo que não vendam os bebês vocês serão presos e as crianças vão para um orfanato.
Minha vida fica cada vez mais emocionante. Natasha querendo me matar, Sharon vendendo meus filhos para o mercado negro, Fury mandando eles para o orfanato, prisão perpétua... É as opções são muito atrativas.
–Tudo bem, vamos atrás do Coulson em três meses. – decretei
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Duas semanas depois.
Sinceramente não sei se tem alguma coisa relacionado com o fato de ser uma gravidez múltipla, mas nos últimos dias tenho sofrido muito com os enjoos. Tenho vomitado horrores mais do que alguém com anorexia. Sério, gravidez é horrível!
Ontem tive minha primeira consulta do pré-natal com a doutora Nina que é uma fofa e está nos tratando superbem. Acho que isso se deve ao fato de que não é sempre que aparece uma grávida de trigêmeos monozigóticos no consultório dela. A simpática médica me instruiu a não comer muito agora no início da gestação porque os bebês ganham peso no final da gestação, mas que como são trigêmeos e a chance de nascerem prematuros são de quase 100%, a nutrição completa já deve ser desde o começo. Ou seja, tenho que comer coisas ruins e saudáveis, mas não consigo manter nada na barriga por mais de cinco minutos. Um mal estar indescritível! Tudo me enoja (até a Natasha! Sério estes dias sai do quarto olhei para ela e vomitei.), tudo me dá uma ânsia de vomito.
Meus enjoos são tão fortes que não conseguia me alimentar direito. Mesmo nos dias em que eu vomitava poucas vezes (tipo três ou quatro) o maldito enjoo incomodava o dia todo, a noite toda. Fiquei fraca e resultado: Fui parar no hospital pra tomar soro e glicose, pois mal parava em pé.
Pois é, gravidez é assim: primeiras semanas comendo igual uma drágea para nas seguintes não conseguir beber água. Se não bastasse tanto enjoo e fraqueza ainda tive que ficar ouvindo da Dominika “Mas mãe é mãe,Isadora! Você sabe que precisa comer e vai comer, é pro bem dos filhos.” Isso colocou uma pressão tão grande em mim, que comecei a entrar em desespero. Será que não estava sendo boa mãe por não comer direito?
Então voltou a fase do choro e da culpa.
Graças que tenho Steve ao meu lado. Independente das circunstancias Steve era o melhor papai possível. Estava sempre ali ao meu lado me ajudando e dando força. Amo ele demais, cada vez mais. E sabe que não é só por ele? Depois do susto inicial meu coração triplicou de tamanho – literalmente. Achei que não fosse possível, mas em apenas duas semanas essas três pessoinhas na minha barriga se tornaram a coisa mais importante da face da terra.
Converso com minha barriga o tempo todo e ela cresce a cada dia junto com o meu amor por essas coisinhas. Fico imaginando como eles vão ser. Queria que fosse três meninos iguaizinhos o pai com os olhinhos da cor do céu e de cabelos dourados. Imagina que coisa linda! Entretanto, Steve torce por três mocinhas. Bizarro, não? Todo homem quer ter um filho homem menos ele. Rogers quer três princesinhas como a mamãe (palavras dele, não estou sendo metida. Juro!) e ainda está com a ideia maluca de botar nomes da natureza, o que não vai acontecer de jeito nenhum. Até porque meu sexto sentido diz que serão príncipes e não princesas.
Sam ainda me chama de Lori e insisti em dizer que vou morrer no parto, recebendo socos e pontapés de Steve como resposta. Clint anda melhorando e com isso algo não sai da minha cabeça.
–Acho que ele vai embora com a ruiva. – comentei com Steve no jardim
Ele olhou para trás por reflexo.
–Barton disse que poderíamos contar com ele, não acho que tenha mentido.
–Pois eu acho. Ele gosta dessa monstra e duvido muito que a abandone para ficar com a gente. – repliquei desconfiada – Se parar para pensar é bem melhor mesmo que ela suma. Mulherzinha intragável.
–Se encontrarmos a Xiaoli vamos precisar do depoimento dele para compor o dossiê. –contrapôs – Natasha também é útil caso invadam o sítio ou nos cerquem quando fugirmos com as meninas para a China. Toda ajuda é valida agora que você não pode fazer esforço.
Fiquei em silencio por um minuto olhando as estrelas. Que droga, Romanoff era mesmo necessária. Atualmente sou peso morto, Domi não é lá essas coisas em combate e Sam e Steve não podem fazer tudo sozinhos. Ai me sinto tão culpada por ter atrasado os planos de todo mundo e ao mesmo tempo não consigo imaginar minha vida sem essas vidinhas. Estranho né? Agora entendo o que minha mãe quis dizer com amor de mãe.
–São meninos, amor. – resolvi mudar o assunto – E eu já tenho o nome perfeito para eles.
O soldado balançou a cabeça freneticamente em negativa.
–Não Isa, são meninas dá pra ver na sua cara.
–Na minha cara?
–É você parece mãe de menina.
Tive que rir. Essa é boa!
–Desculpe, mas não. E meus pimpolhos se chamarão James, Lucas e Benjamim três nomes fáceis e universais o que é importante porque eles terão... Tripla nacionalidade. – analisei entre risos – Olha que coisa, Steve, eles foram feitos na Mongólia, a mamãe é do Brasil, o pai dos Estados Unidos e eles nascerão na Irlanda. Que demais!
–Sabe que isso é bom? Por que pensa bem, se não estivéssemos nas atuais circunstancias com certeza haveria um problema quanto à nacionalidade delas.
–Verdade. – concordei – Mas não são elas, são eles. Entenda isso.
Steve me deu um beijo na bochecha acariciando minha barriga.
–Não é James, é Willow. A árvore mais forte e bonita do mundo e ainda é o título de uma música linda de Paul McCartney.
Rolei os olhos, cansada do papo Willow. Oh céus!
–Willow é até bonito, diferente, com uma bela história e significado só que não vai dar certo no Brasil. – tentei explicar delicadamente enquanto acariciava o rosto da criatura teimosa a minha frente – Na Irlanda vão achar o máximo, nos Estados Unidos também só que no Brasil Willow parece um nome masculino e ela vai me odiar eternamente por ter um nome tão complicado para escrever.
–Ah que bobagem! Ela é irlandesa as pessoas vão saber disso.
–Olívia. Se forem meninas, o que não vai acontecer, uma vai se chamar Olívia. Fácil, clássico, bonito e ainda significa oliveira que é uma árvore.
Ele sorriu. Ufa! Fim do salgueiro!, comemorei.
–Olívia é legal. Willow, Olivia e...
–Sem Willow Steve! – implorei – Talvez como segundo nome, no máximo.
–Não.
–Ai tá bom, se for menina uma é Willow. Pronto. – encerrei com o assunto. Vai ser menino mesmo.
Ele comemorou.
–Quando saberemos de verdade o que tem aí dentro?
–Acho que daqui a um mês.
–Então quando for atrás de Coulson já terei certeza que terei três filhas. – brincou
–Deus me livre! O que faremos para comprar as fraldas? É muita coisa e temos pouco dinheiro. Domi disse que vai fazer roupinhas de crochê para os meninos, mas berço, cadeirinha... A gente está muito ferrado, amor. E você ainda querendo menina... Tá maluco? Menina gasta duas vezes mais que menino.
O loiro mordeu os lábios um tanto pensativo. Era difícil entrar nos termos financeiros. Queríamos tanto sair por aí voltar para casa, dizer para minha mãe que ela vai ser avó (e a ouvir surtar), comprar o enxoval... Essas coisas legais de se fazer, mas que para nós eram inviáveis.
Meu maior medo é nos encontrarem antes dos meninos nascerem. Isso seria o fim.
–Estava lendo em uma revista que um bebê usa até 3.738 fraldas até completar um ano. No nosso caso seriam 11.214 fraldas. –contou ele – Cada fralda demora até 450 anos para ser absorvida pela natureza, isto é, minhas filhas não usarão fraldas descartáveis.
Eu não ouvi isso. Outro surto ecológico nãããããão!
–Você está brincando comigo, né? O que você quer que recém-nascido usem o vaso sanitário?
O sujeito da ecologia fez uma careta de irritação.
–Estou dizendo que vamos usar fraldas de pano. Eu já pesquisei tudo sobre isso. AS fraldas de pano podem ser reutilizadas centenas de vezes e até em outro bebê. É mais econômico, mais confortável e tem responsabilidade ambiental.
–QUÊ? – quase gritei tamanha incredulidade – Tá dizendo que eu vou ter que lavar a fralda toda vez que eles fizerem cocô ou xixi?
–Aham.
–Eca! Não mesmo! Que se dane o meio ambiente! Fralda descartável é o que há.
Steve se levantou cuspindo marimbondo.
–Que se dane o meio ambiente? Isso faça isso mesmo! Acrescente toneladas de lixo ao mundo e acabe com o mundo dos seus filhos. Sua irresponsável!
E lá se foi ele, bravo, casa adentro. Eu mereço! Agora além de ficar enjoada, correr o risco de estrias na barriga, dores nas costas e ainda ter que parir, vou ter que ficar lavando fralda porque o mundo vai se desgraçar na poluição. Ótimo! Pior que não posso nem fazer um chá de fraldas... É fralda pra caramba, é bebe pra caramba. E o Steve só se preocupa com a poluição pra caramba.
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Horas depois.
Duas semanas havia sido o limite de Natasha com o povo do sítio. Indubitavelmente não aguentava mais os enjoos, desejos e surtos de Isadora. Aquela atrevida teve coragem de enjoar dela! Não dava mais.
–Clint! – sussurrou tentando despertar o comparsa – Clint, acorda! Acorda, caralho!
O arqueiro se espreguiçou assustado com a presença da ruiva em seu quarto às três da manhã.
–O que houve? Invadiram o sítio?
–Shi! – ela pediu silencio – Vamos vazar daqui, agora. A coisa vai ficar preta para esse pessoal logo,logo. Vão acabar presos ou mortos, temos que sair daqui. Vamos para a França de lá damos um jeito de voltar para Nova Iorque.
Barton olhou para ela incrédulo.
–Você ficou surda, Natasha? Eu disse que não vou sair daqui, caramba. Eu vou ajudar eles.
–Deixa de ser sentimental! – se estressou — Essas crianças foderam a coisa toda e ainda nem nasceram. Sozinhos podemos falar com algum grupo radical, conseguir armas... Porra, Clint! O que está acontecendo com você?
–Vai sozinha.
–Hã?
–Eu vou ficar já disse. Quero fazer diferente. – bateu na mesma tecla, determinado.
Romanoff se levantou da cama irada e marchou para fora murmurando um “você vai se arrepender”. Caminhou para fora do sítio, ainda perplexa com a súbita mudança de caráter do amigo, porem ainda disposta a fazer suas próprias regras em sua própria vingança. Viúva negra não se importa com justiça, ela se importa com vingança e para vingança não existem princípios.
E caminhava ela para fora dos domínios do sítio quando um sussurro a alegra. Era Clint dizendo:
–Ei espera tenho algo a dizer.
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