Ainda É Cedo

29 Antigos Inimigos, Novos Problemas


Notas iniciais
Oooi meninas!!êêêh cheguei no dia certo! Uhuuuuu!! Agradecer as fofas que comentaram e avisar que se comentarem bonitinho outra vez , amanhã tem mais!! Eita que o capítulo tá que tá!! Espero que gostem!! Beijosssss

BASE MÓVEL DA SHIELD – SIBÉRIA

Após a armadilha de matar o pai de Isadora para atraí-la para o Brasil ter falhado, Sharon Carter estava sendo pressionada por seus superiores a criar um novo plano para prendê-los. Com o vídeo feito pelos delinquentes na internet, o número de manifestações em prol dos mesmos subiu em grande escala ao redor no mundo (com certa ênfase no Brasil e nos Estados Unidos) e a opinião pública estava ferrando com os governos envolvidos. Era hora de dar a volta por cima.

Agente 13 já estava perdendo as esperanças de localizá-los quando recebeu um telefonema vindo da Rússia. Tratava-se do dono de uma frota de aviões que alegava ter sido roubado pelos famosos terroristas ocidentais.

–Você tem certeza que foram essas pessoas? – demandou a loira ao homem siberiano

Ele confirmou.

–Absoluta certeza, senhora. Roubaram um jato grande ontem à noite, só percebi isso essa manhã e os reconheci pelas imagens da câmera.

Sharon sorriu vitoriosa. Era o trunfo perfeito! A população não ficaria feliz se soubesse que seus heróis eram na verdade cruéis assaltantes que assolavam a Sibéria.

Contente com a notícia ela voltou aos Estados Unidos com a gravação e o desejo de incrementar aquela notícia.

–Fury tenho uma excelente notícia! – bradou contente, entrando sem cerimônias na sala do chefe – Acredite se quiser, mas o Capitão, a vadia caribenha, a piranha brasileira e o abestado do Harlem assaltaram um avião na noite passada.

Fury riu baixinho.

–O avião me surpreendeu, mas já sabia que eles estavam assaltando.

–Sabia? Como assim sabia? – se surpreendeu

–Hill encontrou um carro atolado em uma fazenda próxima a Indiana que havia sido roubado na Pensilvânia por um homem negro e uma ruiva.

Carter soltou uma risada alegre batendo palmas, um tanto quanto surpresa com as atitudes dos puritanos.

–Quer dizer que aqueles filhos da puta querem falar de nós, mas estão roubando? –zombou ela – Esses merdas que estão pela rua os defendendo precisam saber disso.

–Não vai se animando não, Sharon. Esse povo aí adora um herói, um coitadinho. Só roubar um carro ainda mais um carro de luxo de uma pessoa rica, como foi o caso, não vai abalar essa gente. É preciso mais.

A loira bufou, tempestuosa.

–E como andam os nossos infiltrados nas manifestações?

–Queimando coisas, destruindo patrimônios históricos... Botando a culpa nos otários. – retrucou venenoso, arrancando uma gargalhada da comparsa – O problema é que eles estão por toda a parte agora. No Brasil temos o apoio da polícia, mas na América fica um pouco mais complicado forjar flagrantes. Então você tem imagens deles roubando esse avião?

Ela concordou entregando um DVD a ele.

– Já que eles roubaram um automóvel dentro dos Estados Unidos, nós podemos fazer um flagrante diferente. Insinuar uma agressão.

– Como assim?

Sharon deu de ombros.

–E se para roubar um veículo eles tenham... Não sei... Espancado o condutor? – sugeriu maquiavélica.

Nick bateu palmas.

–Sharon, Sharon! Sempre me surpreendendo! Que assim seja. Contrate o ator e chame a imprensa.

A outra ergueu uma sobrancelha, orgulhosa de sua ideia.

– Excelente. Com a mídia encharcando o mundo com a ideia de que agora são assassinos, rapidamente alguém os reconhecerá. E se não reconhecer nós os acharemos nem que para isso eu tenha que destruir meio mundo. – determinou o ataque com um sorriso cínico nos lábios.

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#Isadora

Três horas e ninguém saia daquele maldito quarto com uma notícia.

Bom seria se as grandes e sérias mudanças em nossas vidas ocorressem lentamente, com o passar do tempo. Mas, não é verdade agora eu sei disso. As coisas grandes acontecem num instante. Se tornar adulto, se tornar famoso, se tornar um criminoso. Em um minuto você não é, e no outro você é. Foi assim que aconteceu comigo.

Semanas atrás eu era uma garota normal, com um emprego, um namorado e uma ficha na polícia. Ter uma ficha na polícia não é muito normal, certo? Mas, eu era normal, era livre. Hoje já não sou mais. Segundo a mídia eu fui a responsável pela morte de dois homens no Brooklyn e também a responsável por ter feito uma “lavagem cerebral” no Capitão América. É... Sou “perigosa”.

Em um mês levei um tiro, perdi meu pai, meu namorado, minha casa e minha autonomia. Em contraponto ganhei experiência de vida, maturidade, alguns amigos e o amor da minha vida. Nada disso vale a vida do meu pai, porem não me arrependo de ter embarcado nessa louca aventura.

Se isso não acontecesse provavelmente eu ainda estaria me enganando quanto a Steve e Steve continuaria servindo a missões erradas. Foram só trinta dias que mudaram toda a minha vida. E só três horas decidiram a vida de Clint.

Após uma eternidade Steve saiu mais branco que um papel, de dentro do quarto segurando um pote de vidro. Me levantei do sofá em um salto.

–E aí? Como foi a operação?

Steve concordou com a cabeça, sentando-se no sofá ao meu lado visivelmente exausto.

–Nunca mais na minha vida eu entro em uma sala de cirurgia. Nunca mais! –determinou colocando uma toalhinha sobre os olhos – Aquilo é horrível!

Fiz uma careta de nojo só por imaginar os joelhos abertos. Eca!

–O que são esses negócios prateados dentro do vidro? – investiguei enquanto sacudia o recipiente

–São as quatro balas que estavam nos joelhos do Clint. Natasha mandou guardar.

Suspirei aliviada com a resposta recebida e o abracei.

–Então quer dizer que deu tudo certo?

Ele beijou o alto de minha testa.

–Isso só vamos saber quando o Barton acordar, mas ao menos as balas saíram. –transmitiu a notícia – Dominika está com medo de ter cortado algum nervo importante e que isso resulte uma sequela grave.

–Quanto tempo você acha que vai levar para que ele fique bom?

–Bom “bom” ou bom o suficiente para nos dar informações?

–Os dois.

–Se tudo der certo daqui a dois dias ele vai apresentar uma melhora. Agora para poder andar e encarar as duras viagens que cursamos só daqui a seis meses.

–SEIS MESES? – me desesperancei

Steve respirou fundo erguendo o olhar como quem diz “pois é, seis meses.”

–Mas, isso não quer dizer que vamos ter que ficar parados até ele se recuperar. Somos seis, ora. – alegrou-me me puxando pela cintura para ficar mais próxima – Tenha fé, amor. Tenha fé! Vamos dar a volta por cima, acreditem!

–Espero que você esteja certo. – afirmei antes de dar um selinho nele.

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#Steve

Três dias depois.

Depois de passar setenta e duas horas nutrindo-se através de sondas e fazendo suas necessidades fisiológicas por intermédio de fraldas geriátricas, Clint demonstrou uma pequena melhora em seu quadro clínico. Natasha passava o dia e a noite ao lado do amigo na esperança que no nascer do sol o homem falasse algo ou apenas passasse mais de um minuto acordado.

Desde a cirurgia, Clint não fica acordado por muito tempo. Dominika acha que exagerou na quantidade de anestesia ou na quantidade de morfina aplicada. Natasha ficou furiosa com a explicação da caribenha o que me deixou muito irritado. Poxa, será que ela não entende que a menina não é medica ou quiçá anestesista? O egoísmo e a arrogância da mulher russa estavam transformando nossa estadia nas terras irlandesas em um verdadeiro inferno. Só não estava pior porque eu tinha minha linda e amada Isadora.

Ah Isadora! Já comentei que sou apaixonado por ela? Acho que já, mas é sempre bom repetir. Ontem à noite enquanto Domi e Sam jantava na sala e Natasha velada o sono de Barton, nós dois fomos fazer um piquenique noturno no pomar do sítio. Foi tão bom estar junto a ela deitado na grama, observando as estrelas e sentindo o doce aroma que saia do grande e vistoso jasmineiro ao nosso lado.

–Eu poderia ficar aqui com você pelo resto da vida se não fossem os mosquitos. – disse ela abraçada a mim em determinado momento.

–Eu te amo muito, sabia? Quando eu era mais novo e pensava em ter uma namorada jamais consegui idealizar algo tão perfeito quanto você.

Ela se inclinou sobre mim roubando um beijo doce que fiz questão de fazer durar. Parei o beijo para poder apreciar a imagem linda que era o rosto dela sobre o luar. Isa sorriu para mim e devagar pus gentilmente, uma das mãos no rosto dela, que fechos os olhos ao sentir o leve toque. Como eu estava deitado e ela sentado ao meu lado, levei a outra mão a cintura dela fazendo com que ela caísse sobre mim, aproximando nossos rostos de maneira que os narizes se tocam, e ambos sentimos a respiração quente e ofegante do outro.

Ela sorria para mim da maneira doce que só ela é capaz de fazer. Ninguém mais. Foi aí que entendi que todo aquele tempo que passamos refreando nossos sentimentos, valeu a pena. Amadureceu-nos e amadureceu nossos sentimentos. Isadora não era uma simples garota bonita por quem eu tinha me apaixonado. Ela era o amor da minha vida e agora eu sabia que também era o dela. Com ela até ser caçado pela polícia era legal. Ela era minha força, meu porto seguro, minha razão de viver.

Passei suavemente meus lábios sob os lábios dela. Senti um arrepio e um frio na espinha, e logo a seguir pressionamos nossos lábios devagar um no outro, iniciando assim, um beijo carinhoso, onde no começo as bocas se tocam e se conhecem. Isa agora já levava uma das mãos a minha nuca enquanto a outra acariciava meus cabelos, entreabrindo levemente os lábios dando passagem minha língua. Nosso beijo seguia sem pressa aumentando gradativamente a urgência e o desejo. Com Isa a cada beijo eu tinha a sensação de ser o primeiro e de ser o último.

–Eu estive pensando sobre a ideia de nos casarmos... – disse ela após o beijo, voltando a ficar sentada ao meu lado- Você esperaria todo esse transtorno, sobre Deus e o mundo atrás de nós acabar, para me fazer essa pergunta novamente?

–Vou esperar ansioso. – respondi colocando minhas mãos em suas bochechas e a puxando para outro beijo.

E estava eu sentado no sofá da sala ouvindo Little Willow de Paul McCartney (musica da minha futura filha!*-*) quando a futura mãe da Willow envolve seus braços por trás de minha nuca, depositando um beijo em minha bochecha.

Sorri bobamente.

–Oi! – falei sorrindo

–Ouvindo Paul McCartney, Capitão? – perguntou ela me abraçando mais forte.

–Ah música de nossa filha.

Isa gargalhou.

–Ah claro! – concordou sarcasticamente – Enfim, vim te avisar que Clint acordou e já está falando.

–Jura? – me surpreendi – Ufa! Vamos logo entrevistá-lo.

Dei as mãos para ela e fomos até o quarto de Clint. Felizmente o homem não cheirava mais como um defunto e sua pele não parecia tão morta quanto antes. Digamos que estava com cara de gente viva. Gente viva com AIDS ou câncer terminal, mas gente viva.

–Agente Barton como se sente? – perguntei ao me aproximar

–Si-Sinto como se... – ele começou a tossir com um tuberculoso – Co-Como se tivesse sido torturado durante dois meses.

Mordi os lábios com pena dele.

–Certo. – concordei – Bem é...

–Desculpe a indelicadeza eu sei que você está muito mal, mas será que pode responder algumas perguntinhas? – disparou Isa.

–Não ele está fraco e...

–Tudo bem, Natasha. Eu estou bem... Quer dizer, melhor. – corrigiu-se Clint – Antes de fazer as perguntas me responda uma. Quem você é, garota? Você e essa...

–Dominika! – agilizou a da Guatemala

–Isso... Essa Dominika já me disse que é enfermeira, ladra e procurada pela polícia. E você? Caribe também?

Antes que Isa pudesse se pronunciar, Romanoff soltou a pérola:

–Não essa aí é a garota que eu tinha que ter matado no Brasil. Lembra?

–Ah! E porque não matou?

–Por que ela é minha namorada. – eu respondi – E por que...

–Porque queriam me matar porque eu falo demais. – completou a brasileira – Quando a sua colega aí foi me matar eu fiz a seguinte proposta: Não me mate e te ajudo a achar o Clint e se vingar da SHIELD. Bom, cumpri minha promessa.

–Você ainda não me ajudou a foder com a SHIELD. – ressaltou a ruiva – E na verdade não foi bem “vingança” que você prometeu. Você me disse que tinha amigos do Talibã... Mas, não sei por que acho que é mentira.

Ferrou!, pensei. Sam e Domi arregalaram os olhos aflitos, todavia Isadora pareceu não se abalar já que lançou a seguinte frase:

–Que bom que sabe que é mentira.

Olhamos chocados para ela.

–Enfim, isso não importa. O que importa é que Barton está vivo. – mudei o assunto – Pode responder nossas perguntas?

Ele confirmou.

–Você descobriu de quem era aquele dinheiro no banco em Oymyakon? –apurou Isa – Suponha que Romanoff tenha te deixado a par de nossa situação, certo?

–Já expliquei a ele. – confirmou Natasha.

–Aquele dinheiro era do Aleksey mesmo. – respondeu ele — A SHIELD cobrava do Nikolaievitch 30% do lucro obtido com o trafico para não apreender a mercadoria... Enfim, para não ferrar com o esquema siberiano das drogas.

–COMO ASSIM? – se ultrajou Isa – Está me dizendo que a maior companhia de segurança do mundo recebe suborno do maior narcotraficante do mundo? O Fury sabe disso? Ele sabe que esse Aleksey, assim como qualquer traficante, mata pessoas?

–Claro que sabe Isadora. – Natasha respondeu de forma áspera.

–Não é um suborno, lindinha. É troca de favores.

–Co-como assim? – a vergonha estava estampada no tom da minha voz. Eu não quero acreditar que o governo do meu país se preste a um papel desses.

– Aleksey paga 30% da grana todo mês para Fury, e este faz, hum, “vista grossa” quanto às atividades do forte de Aleksey alem de fornecer aviões, armas para o uso deles. Não sei se vocês perceberam, mas as armas que os soldados de Nikolaievitch usam são as mesmas usadas pelo exercito americano. Suspeito, né? – ironizou Barton, narrando todo o esquema- Ah e não para por aí. Há casos em que agentes da SHIELD auxiliam na busca de novos mercados consumidores. Como os Estados Unidos tem bases militares em todo o mundo fica bem mais fácil entrar com drogas em qualquer lugar.

Isa estava com a mão na boca, estupefata e irritada. Particularmente eu não sabia nem o que sentir.

–Então... É tudo um grande negócio. – concluiu Sam – Uma grande teia.

–Exatamente, uma teia. – concluiu Clint – Um jogo de corrupção que envolve sangue e dinheiro. Muito, muito dinheiro. Isso já vem ocorrendo a muito tempo até Hill descobrir que o russo estava passando a perna neles.

– Passando a perna? – Isadora se interessou.

O semimorto confirmou com a cabeça antes de curvar-se para frente com uma grande saraivada de tosses ritmadas típicas dos asmáticos. Natasha virou o rosto para não ver a cena.

–Por que ele está tossindo tanto? — sussurrou Sam a namorada, usando um tom de voz mais alto para que fosse ouvido em meio às tosses.

–Ele ficou nu em um chão frio, durante meses, na cidade mais fria do mundo. O que esperava? Ele está com pneumonia. Graças a Deus que o encontramos a tempo caso contrario a pneumonia se transformaria em tuberculose e aí... Bem, vocês já sabem o que aconteceria.

O surto de tosse passa e agora o sujeito começa a respirar de forma ofegante, como se tivesse prendido a respiração por muito tempo.

–E-E-ele estava dando apenas 15% dos lucros aos americanos. –continuou o pobre Gavião com o rosto magro vermelho e molhado de suor – Hill descobriu e contou para Fury. Indignado ele resolveu espionar o Aleksey para descobrir onde estava todo o dinheiro, como não descobriu, sequestrou e torturou um de seus homens de confiança até que este entregasse a localização do banco. – ele riu de forma estranha e frágil – Banco! Dá pra acreditar? Se pensar bem é o esconderijo perfeito. Ninguém jamais imaginaria que um traficante depositaria o dinheiro em um banco.

Romanoff comprimiu os lábios, visivelmente zangada.

–Então a nossa missão foi essa? Roubar o dinheiro roubado de Fury. – constatou a ruiva – Filhos da puta! E quando foi que te pegaram? Por que te pegaram? E aquele homem que invadiu nosso hotel, onde ele está?

–O Gilbert? O matei com uma flecha no olho esquerdo naquele dia mesmo. Era apenas um capanga do Aleksey.

–Este Aleksey... Não o encontramos quando fomos te resgatar em Oymyakon. – mencionei

–E jamais encontraria. Nikolaievitch é o rei desse jogo de xadrez, Capitão. Antes de encontrá-lo vai ter que acabar com todos estes peões, bispos, torres, cavalos... Em suma, tem muito chão pela frente. Fui pego uma semana depois de Natasha ir embora, no dia em que ela disse que voltaria certo? – a outra rolou os olhos, um tanto aflita – E eles me levaram para o lugar onde vocês me encontraram.

–Mas, você chegou a ver esse desgraçado? – investigou Isa, pasmem, anotando todas as informações em um papel.

–Sim, ele foi me receber no dia em que cheguei e instruir os outros sobre o que deveriam me falar. Depois disso, voltou para São Petersburgo.

Encostei-me sobre a janela, ainda zangado com as informações recebidas. Gente! Espera aí! Isso tudo por dinheiro? Matar e roubar inocentes por uma mísera folha de papel verde? Em tempo algum entenderei isso.

–E... E pelo quê você passou? – Isadora continuou a investigação.

–CHEGA ISADORA! – grunhiu Natasha – Isso já é demais, não acha? Olha o estado dele! Precisa mesmo de detalhes?

–Detalhes são provas, Natasha!

–Provas são coisas concretas não as palavras de um homem. Precisamos de documentos, vídeos, fotos... Coisas assim. – replicou nervosa

–Tudo bem, eu conto o que passei. Faz tanto tempo que não falo com ninguém que é até bom desabafar. Aleksey queria saber onde estava Boyardo Lenova,o homem que Nick sequestrou para descobrir a localização do banco. – explicou – E obvio também queria saber onde estava o dinheiro que roubamos do banco.

–Por que não disse que levamos a base da CIA em Tobolsk? Acabava logo com isso e o Fury que se fodesse.

Ele riu para a colega de crimes.

–Eu disse isso. Acontece que quando os levei até Tobolsk, a porra da base tinha desaparecido.

–Desaparecido? Como desaparecido, Barton? – estranhei

–Simplesmente foi demolida e todo mundo na porra de Tobolsk dizia que “nunca existiu uma base da CIA em Tobolsk”. – resmungou o torturado – Resumindo, me fodi. Começaram a acreditar que eu e você tínhamos roubado o dinheiro para nós e não para Fury...

–Espera! – interrompeu Natasha – Então o... Quer me dizer que NESSE TEMPO TODO o Fury sabia onde você estava? É isso?

Para a nossa loucura, Clint confirmou o fato. Nick sabia de tudo e adorou a ideia da culpa do assalto cair sobre os espiões. Afinal, dessa forma não precisaria interromper seus negócios com o narcotráfico siberiano. Mal acredito que passei dois anos trabalhando para uma pessoa dessas.

–Só não me mataram antes, porque eu disse que você viria atrás de mim e você também precisava ser morta. – continuou a narração dirigindo-se a Natasha – Como você demorou a voltar e percebendo que, bem, que eu era um bom agente, os siberianos mudaram o tipo de tortura.

–Mudaram? — desconfiei – Mudar como?

–Quando cheguei a Oymyakon a tortura usada foi para me matar aos poucos... Foi aí que levei os tiros nos joelhos e os pregos nos ouvidos. – desvendou-nos o mistério dos joelhos – Como estava difícil de me matar decidiram que eu seria importante do lado deles. Para isso começou o processo de...

–Lavagem cerebral. – completou Romanoff com a respiração exaltada pela ira – Sei bem como é isso. O primeiro passo é a manipulação psicológica, a humilhação, a privação sensorial e as posturas forçadas causam tanto dano, estresse e angústias como a tortura física, com o benefício de não deixar manchas ou cicatrizes. Isto é, não deixa vestígio na pele, mas na mente... Em longo prazo deixa a pessoa insana. Em seguida vem à humilhação extrema. Se você se demonstrar introvertido ou envergonhado pode ser mantido nu e ser sexualmente humilhado, por exemplo. Se você se rebelar eles te colocam no quarto do pânico.

A ruiva dizia isso com o semblante e a voz tão distante e sinistra que tinha o poder de transportar todos nós para dentro das situações descritas.

Isa e Domi exibiam um semblante de pavor enquanto eu e Sam permanecíamos estarrecidos.

–Após a segunda ou terceira semana, não sei direito, começaram a me deixar sem comer. A única alimentação que recebia era um copo de água e trinta gramas de arroz azedo. Outras vezes eram comidas com bicho. – Clint estendeu o assunto com a mesma voz canha da outra – E então começaram a usar animais para nos submeter aos sentimentos de medo e impotência. Enquanto estávamos amarrados os cães urinavam em mim e nos outros presos, defecavam sobre nossas faces. Foi horrível. Na quinta semana resolveram matar o outro preso na minha frente. O nome dele era Ty e era dele aquele corpo putrefeito que encontraram. Nas semanas seguintes essas coisas se repetiram e repetiram... Isso acabava com a minha cabeça. Se eu ficasse por mais um tempo, provavelmente me entregaria.

Quando o relato acabou ninguém sabia o que dizer. Aquilo era perturbador! As situações que ele havia passado... Fury sabia onde ele estava e não fez nada. Era pra ser Fury no lugar de Barton. E saber que todos meus colegas de trabalho estão envolvidos... Maria, Sharon...

Meu Deus!

–Nós... Nós vamos fazer justiça, Clint. Por você e por todo mundo que foi torturado ou teve sua vida tirada por causa da corrupção. Você tem que ir a polícia e dar seu depoimento, com certeza vão caçar esse monstro da Rússia e consequentemente vão encontrar uma ligação entre o Aleksey e a SHIELD. – Isa tentou ser esperançosa – Tudo bem que o presidente dos Estados Unidos não é um exemplo de honestidade, mas aposto que vai tirar Nick do cargo.

Clint gargalhou enquanto Romanoff rolava os olhos.

–Lindinha... Obama? – perguntou ele com certo sarcasmo – Não acontece uma coisa grande dessas em um país sem que o presidente saiba. Não tenho provas, porem aposto a minha vida que ele sabe e participa. A SHIELD é grande e poderosa demais, causa muito estardalhaço. O presidente certamente sabe. O narcotráfico é apenas um pedaço da pizza que é dividida entre os grandes e poderosos de todo o mundo, não apenas da América. Por mais que eu esteja neste estado ninguém nos daria crédito.

Isa murchou.

–Então é isso? Fudeu de vez. – gracejou Sam – Atravessamos os Estados Unidos até o Texas para pegar um avião, ir até a puta que pariu pra salvar esse cabra, salvamos o cabra, viemos para Dublin e concluímos que não adiantou porra nenhuma. É isso mesmo? Bacana, vida bacana! Vida da hora!

–Se esperavam que eu tivesse uma prova, então sim, estão fudidos. – concordou Clint – Mesmo assim obrigado por terem vindo até aqui e me tirado daquele inferno. Principalmente vocês, garotas.

–Não tem do que agradecer. Fizemos o que qualquer um faria. – eu disse sério.

–Nem todo mundo faria isso Capitão. EU não faria e acho que Nat também não. É preciso ser uma pessoa muito grande para arriscar a própria vida pelo próximo. Infelizmente eu só tenho provas orais e nada oral funciona perante a justiça. Contudo, conheço alguém que está montando um dossiê contra a América.

O rosto de todo mundo ali se iluminou de esperança.

–Quem? – se adiantou Isadora quase pulando no sujeito – Um dossiê com provas? Vamos atrás dela agora... Quer dizer, assim que você ficar bom.

–É uma chinesa amiga do Dr. Banner inclusive está entocado com ele e a doutora Ross em algum canto da China.

Que ótimo! Outra informação insólita do tipo “em algum canto da China”. A China é enoooooooorme!!

Uma lembrança correu minha mente.

–Por acaso essa mulher se chama Xiaoli Chan?

–Sim! –concordou Barton surpreso – Você a conhece?

Balancei a cabeça para o lado, em dúvida.

–Antes de tudo acontecer a SHIELD me chamou para uma reunião onde tentaram inserir em minha cabeça a ideia de que Isadora e essa tal Xiaoli eram manipuladoras perversas. Disseram também que ela estava em Xangai com Banner. Então já sabemos em que parte da China procurar: Xangai.

Isa sorriu largamente com a ideia de voltar pra rua.

Todavia Barton logo cortou nossa euforia dizendo a triste frase seguinte:

–Não estão em Xangai há quase um mês. A SHIELD os localizou e fugiram as pressas. Encontrei Xiaoli na Rússia vinte quatro horas antes de minha prisão, ela estava lá em busca de provas e estava com a doutora Ross.

–Quem é doutora Ross? – quis saber Isa

–A namorada do Banner, querida.

–Ah sim. OK, gente não desanimem. Pelo menos sabemos que em algum lugar da Ásia há uma mulher com um dossiê em construção. Apenas precisamos encontrá-la.

–Seu otimismo me irrita, Wollscheid – rosnou a intragável ruiva – “Só precisamos encontrá-la” – imitou-a de forma fajuta – Ô coisa a China tem um território de 9.596.961 km² com 1.345.750.973 habitantes. Não é fácil assim não, sabia? Se a SHIELD que é a SHIELD ainda não a encontrou, oxalá a gente.

–Não seja grossa com ela, Romanoff. – a defendia antes que a brasileira tivesse um surto e a enfrentasse – Isa tem razão, não podemos desanimar. Vamos esperar Clint voltar a andar e a se alimentar solidamente para irmos para a China. Não é tão impossível assim. Temos um avião, documentos falsos e dinheiro. E sem mais. Aproveitem nossa estadia aqui para treinar e descansar. Provavelmente não terão tempo de fazer isso quando sairmos, entendido?

Ninguém se manifestou, afinal de contas eu estava certo.

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Uma semana depois, Clint ainda não conseguia colocar os pés no chão. Quando tentava desfalecia como uma boneca. Ainda não sabíamos ao certo se aquilo se devia ao fato do mesmo ter operado sete dias antes ou por algum erro na “cirurgia”. Segundo Dominika, isso era algo que só saberíamos nas próximas semanas. Fora o problema dos joelhos, Barton ainda precisou ser tratado quanto aos ouvidos feridos com pregos e as insistentes tosses que nunca cessavam.

Na semana seguinte Domi tirou os pontos do joelho de Clint e este já pode tirar as fraldas (acredite, ele chegou a este ponto!) e se alimentar sozinho. Entretanto a pneumonia pareceu piorar.

E assim o tempo foi passando. Uma, duas, três, quatro semanas, um mês. Um mês se passou e ainda estávamos ali, cabisbaixos, cuidando do arqueiro e tentando não ligar a televisão que exibia matérias sensacionalistas e mentirosas a nosso respeito. Agora nem as pessoas acreditavam mais em nós. Conforme a reportagem da CNN, nós fomos os responsáveis por cinco assaltos a carros e a um avião (o que era verdade) e também pelo linchamento de um motorista em Indiana.

Nossa imagem nunca esteve tão ruim perante a população quanto naquele momento. Todos achavam que éramos covardes por fugir e covardes por espancar e roubar o sujeito. Nem Isadora que é otimista por natureza estava sendo naquela semana.

Isa... Ela anda me preocupando. Anda muito nervosa, nervosa demais, nervosa ao extremo. Domi disse que era TPM, mas que TPM é essa que nunca termina? Tudo bem que estamos passando por uma situação horrível, mas precisa tanto? Reclama de tu-do, briga por tudo (nem preciso dizer que nossas discussões sobre política voltaram com tudo, certo?) , chora por tudo... Ontem a noite ela ficou tão histérica com o Sam (só porque ele não lavou o prato do jantar!!) que arremessou metade da louça na parede. Depois chorou até dormir.

Fiquei com medo dela.

Ela anda dormindo muito também, o que despertou em todos nós a suspeita de que ela tenha pegado o vírus de Clint. Dominika disse que cansaço é sinal de pneumonia e que como é sempre ela que leva os remédios para ele à chance de contaminação é maior.

Estou realmente preocupado com Isadora. Sono absurdo, estresse desesperador, fome avassaladora... Isa não está bem. Esses dias fui dizer para ela comer mais devagar e tive um sanduiche arremessado em minha cara.

Fico pensando... Será que a culpa é minha? Fiz algo errado? Ela enjoou de mim? Ou será que está me culpando pelo que a TV está noticiando. Pior que nem posso conversar com ela, pois tudo que é diferente do que ela pensa está causando...

–STEVE! STEVE! – uma voz veio carregada pelo vento até á árvore em que eu estava sentado encerrando meus pensamentos — STEVEEEEEEEE? CADÊ VOCÊ?

Desci da árvore a tempo de ver um Sam em pânico correr até mim.

–Que foi?

–A Isa...

–O que foi? – repeti o questionamento agora em pânico

–Estávamos arrumando a área de serviço, tirando aqueles sacos de cimento de lá, e ela começou a ter aquelas crises de dor de cabeça que o Clint teve.

Meu coração parecia que ia sair pela boca.

–O que houve com ela? – perguntei já andando pra dentro da casa

–Ela apagou. Apagou mesmo! Não acorda de jeito nenhum e a Domi quer levar ela no médico.

Corri em velocidade assombrosa para dentro da cabana de madeira.

–Cadê os documentos? – gritei pegando-a desfalecida no colo – Anda pega essa droga!

–Calma Steve, você tem que se disfarçar primeiro. – barrou-me Natasha

Domi colocou uma peruca loira e uns óculos de grau em Isa enquanto eu colocava um chapéu e uma barba negra.

Sam felizmente já tinha tirado o velho carro de Eduardo da garagem. Coloquei Isa no banco de trás.

Sam resolveu ficar com Natasha e Clint e Domi veio conosco.

Pisei no acelerador, suando frio, rezando em silencio para que ela não tivesse pegado essa maldita doença.

Notas finais
OMG!! Será que Isadora pegou alguma das zilhões de doenças de Clint, gente?? Ai meu Deus!! O cara passou por todo tipo de tortura (tadinho!!) pode ter pegado alguma infecção que passou pra ela... Ai ai! Tadinho do Steve foi agredido kkkkkkkkkkkk e o Sam não lavou a louça e ela surtou. tá estranho isso aí! Algo afetou a cabeça da Isa, mas vamos combinar que a situação dela é pra qualquer um surtar não é nao?? Bom, chega de papo! Vejo vocês nos comentários!!