Aigo
1 único
Eu achei que ia morrer.
Eu estava... Jurando... Que minha vida havia acabado ali, e agora. A Hana Hana no Mi me proporciona um poder muito forte, mas eu não sou de borracha. E eu estava presa com kairouseki, afinal. Os tiros passariam direto por mim e eu cairia morta no chão. Toda minha resistência e bravura a fugir do maldito Spandam seriam em vão porque eu morreria metralhada. Todo o esforço do nagahana-kun em acertar aqueles marinheiros tão precisamente a uma distância tão grande... Seria em vão.
Eu quis correr para me livrar dos tiros.
Me encolhi quando ouvi aquelas balas disparando direto na minha direção.
Mas... Nada aconteceu. Nada. Eu continuava viva, sem qualquer arranhão. Bem, pelo menos sem um arranhão feito por aquelas armas.
Quando olhei para trás... Havia uma figura conhecida atrás de mim.
Era o cyborg-san, Cutty Flam, ou se preferir... O Franky.
– Você... – Sussurrei. Achei que meu coração havia se partido em mil pedaços, mas de repente, estava firme novamente. Minhas esperanças de continuar vivendo eram tão fortes... Que havia alguém lá para me ajudar. Como se tivesse me ouvido implorar por ajuda.
– Sou duro como ferro. – Ele disse com convicção enquanto as balas quicavam no chão. – Não tem mais minas por aí, tem, Spanda?! – Gritou então, irritado, e Spandam ficou obviamente apavorado.
Então meu corpo relaxou. De uma maneira que eu não sabia que poderia. Porque toda minha vida eu fui perseguida, repugnada, todos me odiaram, desejaram minha morte e me queriam ver enterrada a sete palmos do chão. Ou no pior dos casos, enforcada no centro de uma praça.
Mas não. Aquelas pessoas me amavam. Acreditavam em mim.
Senchou-san, kenshi-san, cook-san, doctor-san, nagahana-kun, koukaishi-san...
Eu não sabia se o cyborg-san se sentia da mesma maneira. Ele não tinha motivos, afinal. Mas ele estava ali para me salvar. É claro que ele sabia que nada aconteceria a seu corpo de ferro por causa de algumas balas, mas... Eu me pergunto...
Ele faria o mesmo caso não fosse um cyborg?
Então eu estava... Livre.
Franky me libertou daquelas algemas.
Eu agradeci ao nagahana-kun e ele me disse a maior verdade da minha vida. “Você realmente é nakama do Luffy-kun e dos outros”.
Sou sua nakama também, seu bobo. Mas vou respeitar seus sentimentos.
Agora eu poderia espancar Spandam o quanto eu quisesse. Aquele verme...
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Ele não queria vir.
Mas eu ajudei. Digamos que, de alguma forma, eu ajudei... Eu sabia que aquelas lágrimas não eram só pela dor que eu havia causado a ele. E mesmo que seu choro não fosse somente por isso... Eu sabia que havia colaborado com ele.
Oras, ele estava teimando que não queria se juntar a nós. Mas nós obviamente precisávamos dele.
Eu precisava dele. Eu não queria partir sem levá-lo conosco, por mais que ele fosse um grande cabeça-dura.
Até que o kenshi-san e o cook-san correram para avisar que precisávamos partir agora, porque o vice-almirante Monkey D. Garp, avô do Luffy, estava vindo em nossa direção. Então teríamos que partir. A sunga do cyborg-san foi devolvida.
Mas ele não pôs. Era tão engraçado.
– Rápido, Franky! – Gritou Luffy. – Entre no meu navio!
– Huhu, olhe vocês... Sem um carpinteiro, esse belo navio vai sofrer para um bando de idiotas que só fazem consertos amadores. Isso não pode acontecer!
Não, não pode.
Por favor, venha conosco.
– Oh, bem! Não dá pra evitar! Então me deixe cuidar dele! – Eu não pude conter um sorriso. – Eu, Franky, aceito seu convite para ser o carpinteiro!
Senchou-san e os outros exclamaram sua alegria em voz alta para a aderência do novo membro do bando do Chapéu de Palha.
Eu não conseguia me expressar daquela maneira tão enérgica e barulhenta, mas eu estava sorrindo. Não consegui evitar, de verdade. Eu estava tão contente... Ele ia ficar conosco.
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Nagahana-kun voltou para o bando.
O Thousand Sunny era lindo. Não era o maior navio do mundo, mas certamente seria tão amado por todos nós quanto foi o Going Merry. E era muito forte. Eu me sentia muito bem sentada ao sol, tomando café enquanto lia algum livro e ouvia os outros fazerem barulhos e mais barulhos, como de costume.
Acho que eu não conseguiria ser feliz se não estivesse com eles.
Saulo tinha razão. Eu encontraria meus nakamas no mar. O oceano era tão grande. Haveria de existir alguém como eles para me aceitar independente do meu passado.
Naquele exato instante, eu estava sentada numa espreguiçadeira na proa do Sunny Go, concentrada nas páginas de um livro.
Há dias estávamos no mar e há dias eu me perguntava se deveria falar com o cyborg-san, alguma coisa que explicasse como eu estava me sentindo em relação a ele. Eu queria saber o porquê de, mesmo sem ter qualquer motivo aparente, ele me salvar daquela maneira, sem sequer pensar duas vezes.
Claro que, sendo novo no bando, era natural que ele estivesse se naturalizando ao ambiente e compreendendo como o kenshi-san e o cook-san vivem brigando por besteiras, ou como o senchou-san não para de comer e fazer bagunça.
Não havia muito que ele compreender sobre mim. Eu sempre fui a mais quieta e calma do navio, não há o que negar sobre isso.
Ou talvez eu estivesse enganada. Quem sabe havia muito mais sobre mim para ele entender do que eu jamais havia imaginado.
Senti uma presença perto de mim e olhei para o lado, reconhecendo-o imediatamente. Nada disse, apenas voltei meus olhos para o livro e instantes depois, ele pigarreou.
– Nico Robin.
– Sim? – Indaguei tranquilamente, fechei o livro e olhei para ele.
Franky agachou-se ao lado da minha cadeira e de frente para mim. Ele tinha uma aparência tão engraçada. Fazia-me sorrir. E eu gostava quando isso acontecia. Desde sempre eu tive dificuldades para me sentir bem como me sentia perto dos mugiwara e agora havia outra pessoa que poderia me fazer sorrir apenas por existir.
– Você deve ser muito especial – ele disse. – Para o mugiwara e os outros declararem guerra ao Governo Mundial, invadirem Enies Lobby e enfrentar tudo e todos para te salvar.
Havia um olhar curioso no rosto dele. Meus lábios sorriam inconscientemente e eu bebi um gole de café antes de responder.
– Não é que eu seja especial. O Luffy faria isso por qualquer um de nós, caso algo acontecesse. Pode ter certeza que, se alguém um dia te capturar... Todos nós declararíamos guerra até ao inferno para te ter de volta, agora que é um de nós.
Eu não estava sendo humilde, estava sendo sincera. Não acho que eu seja especial, nunca achei. Eu estava decidida a morrer instantes antes do senchou-san me convencer do contrário. Porque a vida deles sem minha presença certamente seria muito mais fácil. Mas eles fizeram de tudo por mim. E agora a cabeça do nosso capitão valia meros 300 milhões de berries.
Era por minha causa.
Talvez eu não seja exatamente mais especial que qualquer um deles... Mas é. Eu era especial.
E eles eram especiais para mim. Eram minha família.
Meus nakama.
– Eu acho que é especial – cyborg-san me tirou de meus pensamentos ao sorrir constrangido para mim, coçando as têmporas com uma de suas enormes mãos. – Quando eu era mais jovem, tiraram de mim a pessoa que me abrigou como uma família. E eu sabia que poderia fazer o inferno para tê-lo de volta, mas... Eu não consegui. Porque ele não lutou para continuar vivendo, ele queria que eu e meu... Hm, amigo, continuássemos vivos. E se sacrificou por nós.
Assenti de leve com a cabeça.
– Mas você acreditou neles, e lutou por sua vida. Eu te admiro muito, Nico Robin.
– Eu acreditei em você também, cyborg-san. Você também salvou minha vida.
Ele me olhou um pouco surpreso e acabou por sorrir. Parecia constrangido novamente.
– Se você não tivesse me protegido aquela hora, tudo o que eles fizeram, e no que eu acreditei, tudo seria em vão. Eu achei que estava a segundos da morte. Obrigada.
Hesitei, mas ergui a mão e toquei-lhe o rosto. Ele não era tão quente quanto qualquer ser humano comum, mas ora, ele não era um homem comum. Sorri para ele e ele sorriu de volta para mim.
– Eu estou realmente feliz por ter entrado no bando.
– Eu estou feliz por isso também.
Virei-me um pouco na espreguiçadeira e pus os pés para fora, ficando de frente para ele, com as pernas entre as dele.
Então, fechei os meus braços ao redor do pescoço dele num abraço de gratidão.
Verdade, eu deveria fazer isso com cada um deles. Em algum momento eu faria.
Mas havia algo no cyborg-san... Ele me salvou sem ter qualquer motivo aparente para fazê-lo. Talvez agora eu estivesse compreendendo um pouco de como ele se sentia e o porquê de me ter salvado sem sequer hesitar... Ou talvez estivesse sendo precipitada.
Quem sabe havia alguma espécie de mistura de sensações impossível de explicar.
Ele me abraçou depois de alguns instantes, talvez tenha ficado confuso... Mas me apertou contra seu corpo. E eu me senti completamente protegida.
Então eu apenas senti uma vontade incontrolável de beijar o rosto dele e sorrir sem parar. Como há anos eu não sorria.
Encolhi os ombros e o apertei com mais força – e ele retribuiu meu calor imediatamente.
Franky acarinhou minhas costas e beijou meu ombro.
– Tudo bem, eu vou continuar a te proteger sempre.
Eu sei. Eu sei que vai. Eu estou sentindo agora mesmo. Há vinte anos eu não me sentia tão protegida nos braços de alguém como naquele exato momento.
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