Aidentiti no kōkan

3 Surpresas Surpresas!


Notas iniciais
Estou andando relativamente rápido com esses capítulos, mas estou gostando de escrever isso. Tipo, as ideias não param de fluir e espero que realmente espero que fiquem de uma forma legal. Desculpe se não estou focando muito nos personagens "reais" de Haikyuu, mas não se preocupem, logo vou dar foco total a eles. Esse cap ficou uma merda, mas espero que gostem ^^

Ninguém conseguiria prever aquilo, pensavam que Hinata fosse o único a impressionar daquela maneira, todavia existiam outros que poderiam fazer a mesma coisa. E lá estava a prova, o pequeno novato saltava sobre a rede, a mão erguida para pegar a bola. Mesmo que a ponta mais alta da rede estivesse a 2,43m do chão... Aquele garoto pulou com tanta facilidade, como se a gravidade simplesmente não existisse. E seus movimentos tinham uma leveza, um ar de experiência que chegavam a dar inveja, era simplesmente como se estivesse voando.

Sua mão então acertou a bola e ela foi de encontro ao chão, próximo a rede, não de um jeito em que pudesse encostar nela. A bola acertou o chão e voltou a subir com força indo direto para fora da quadra e acertando a parede. O garoto voltou ao chão, os joelhos dobrando-se para evitar um impacto desnecessário nos mesmos.

O som da bola quicando foi o único que se pode escutar durante um tempo, todo o ginásio tinha permanecido em silêncio enquanto o pequeno garoto simplesmente suspirava, como se tivesse tirado um peso de suas costas. Talvez se não fosse pelo novato ruivo ninguém teria voltado a falar.

Shinji Kawamura era um garoto energético, não apenas sua personalidade chamava a atenção como também sua aparência, seus cabelos ruivos e olhos felinos se destacavam entre outras pessoas. Jogou vôlei desde que tinha memória e a posição que sempre gostou mais foi líbero, talvez por sempre saber que não cresceria muito. Era um jogo que facilmente esgotava suas baterias e o divertia. Pouco a pouco sua agilidade se tornou tal e como a de um gato, movimentos precisos e ardilosos. Não existia outra posição no vôlei que o agradasse mais do que aquela no qual o responsável deveria pegar as bolas vindas de ataques e bloqueios. Quanto maior era o desafio, mais animado ficava.

Ousou ir para aquela escola exatamente por saber que seu líbero era tão energético e bom no que fazia quanto ele. Nekoma foi outra de suas opções, mas pensou que não se destacaria tanto se todos ali conseguissem pegar a bola tão bem quanto ele. Ali pelo menos poderia tanto se destacar quanto aprender com Nishinoya-senpai como ser bom. Tinha uma incrível admiração por ele desde o fundamental, quando o pequeno ganhou o premio de melhor líbero.

Quando anunciaram que passariam para os cortes seu ânimo abaixou um pouco, com custo passava a rede, não tinha tanta potencia em salto quanto tinha em sua velocidade, seria muito mais difícil para ele do que para os outros três grandes novatos. Claro, confortou-se apenas com o fato de ter um garoto menor do que ele e que com certeza não conseguiria chegar ao topo da rede para cortar. Teve até um pouco de pena do garoto, talvez o ajudasse a receber para que ele tivesse uma chance de jogar.

– O quanto você aposta por essa afirmação?

Aquela simples frase tinha atiçado a tensão no lugar, sabia que não daria em muita confusão, e realmente passou a torcer para que aquele pequeno garoto desse uma lição no loiro. Os comentários dele já estavam enchendo o saco e por algum estranho motivo tinham se focado no baixinho. A aposta simplesmente pareceu um jeito do pequeno se vingar, todavia não via como ele passaria da rede.

Talvez tivesse sido um dos únicos que viu o pequeno retirar algo dos tornozelos quando foi se preparar para cortar. Foi um movimento tão suave que parecia que simplesmente amarrava o sapato ou ajeitava a barra da calça. Estava curioso, entretanto, e se aproximou para ver melhor o que era, mesmo que parecessem simples tornozeleiras deveria ter algum motivo para o garoto retirá-las para saltar. Assim que o pequeno correu para se impulsionar para executar o ataque aproveitou a chance para pegar as tornozeleiras, e mesmo assim não teve tempo de avaliar o que tinha em mãos.

O garoto saltou, de um jeito tão estupidamente alto para seu tamanho que deixou todos de queixo caído. Oh! E o que poderia dizer de sua cortada?! A bola simplesmente foi parar no chão, com uma força que aqueles braços magros deveriam ser proibidos de ter, quase não conseguiu acompanhar. O que aquele garoto faltava em recepções tinha em ataques! Puta merda, aquilo deveria ser um gorila na aparência de um garoto pequeno e franzino, não tinha outra explicação!

Foi só então que realmente se deu conta do que segurava. O garoto já havia voltado ao chão de seu "voo" alucinante, todos tinham ficado em silêncio, e sua atenção tinha voltado para aquele objeto de peso tão questionável. Agora compreendia porque aquele garoto saltava tão alto, ele deveria treinar todos os dias com aquela coisa pregada no tornozelo, saltando e saltando diversas vezes. Até conseguir alcançar a altura certa para a rede. Sua exclamação chamou a atenção para si e sabia que agora teria que se pronunciar, não antes de saltar na frente do pequeno novato.

– Minha nossa, você usa pesos! É por isso que salta tão desgraçadamente alto! — o rosto do garoto enrubesceu enquanto exclamava, desviando o olhar com um sorriso sem graça. Não poderia evitar elogiar, cara não era sempre que via isso. — E essa força! Você realmente não está escondendo músculos nesses bracinhos magros?! Cara você é incrível!

– Sakurano-chan, você é muito bom! Tem certeza que treinou sozinho esse tempo todo?! — agora era Hinata que se aproximava, tão empolgado quanto o ruivo novato.

– E nós pensando que você era um caso perdido! Isso calou a boca de todo mundo! — dessa vez era Nishinoya-senpai que se aproximava elogiando, apesar do pequeno não saber exatamente o que pensar daquele comentário um pouco maldoso.

Pouco a pouco mais iam se aproximando, o tímido novato também tomou coragem e foi, Tanaka não perdeu tempo e chegou mais perto para elogiar, Ennoshita também, o pequeno se sentia completamente encabulado. Poderia ter pulado um pouco mais alto, mas a bola não foi tão alta e precisou ajeitar o pulo para acertar, todavia não diria isso, já estava constrangido de mais com toda aquela atenção.

Kintaro Matsumoto era um rapaz que gostava de chamar mais atenção do que qualquer outra pessoa. Pintou seus cabelos de loiro exatamente por isso, agradeceu também seu tamanho, assim se destacava mais entre a multidão, 180cm não eram pouca coisa. Talvez por isso foi para o esporte, diferente de estudos aquilo sim chamava a atenção, se você fosse realmente talentoso com certeza todos os olhares se voltariam para você, e como já era alto, procurou aqueles que seriam melhores para isso, basquete não lhe caiu bem todavia, mas vôlei sim. Era menos contato físico com outros homens e também dava destaque individual, apesar de ser um jogo em grupo.

Depois que passou a jogar vôlei a atenção sempre ia para ele, seu tamanho era bom para bloqueios, não precisava se esforçar muito e já conseguia cortar de maneira descente, suas recepções não eram tão boas, mas para isso servia o líbero! Com certeza em vôlei se destacaria, e qual a melhor maneira disso se não indo para um time que começou a atrair olhares no Japão? Karasuno era sua melhor escolha e lá estava ele, pronto a conseguir toda a atenção que desejava. Mas aquele pirralho baixinho tinha que estragar!

Convenhamos, Kintaro não era um pessoa com um gênio agradável, e pior do que ele, apenas podia entrar sua fúria. E aquele pequeno garoto havia trazido o pior dela. Definitivamente não estava nada contente, e, com todas as suas armas, tiraria aquele pequeno da jogada.

– Desculpe o atraso! — Yachi chegou apressada, em suas mãos conseguiam ver uma grande caixa a qual tinha certa dificuldade em carregar. Tanaka e Nishinoya logo se apressaram a ajudar, enormes sorrisos empolgados estampados em seus rostos enquanto saltitavam na direção da pobre garota loira. Yachi, nervosa, não recusou a ajuda, todavia se sentiu um pouco perdida com a empolgação dos garotos. — As blusas chegaram!

– Ah! Bem na hora, isso vai aumentar os ânimos dessa galera. — Ukai se aproximou, um enorme sorriso surgindo em seu rosto enquanto via a pequena loira abrir a caixa, retirando os cinco novos casacos que tinham dentro, entregando cada um para as respectivas pessoas. — Bem vindos ao time de vôlei de Karasuno! Espero que deem seu melhor para nos levar a vitória!

Sem perder tempo os novatos locaram suas jaquetas, o coração saltitando no peito de cada um, cada um por seu motivo. O pequeno, em especial, nunca poderia ter um sorriso maior em seu rosto. Era seu sonho usar aquela blusa, pensou que não seria possível até o momento em que seus pais disseram que viriam para o Japão. Apertou com força o casaco e sorriu ainda mais, o rosto ficando vermelho pela excitação. Não tinha sensação melhor do que um objetivo conquistado.

– Agora vamos voltar para o treino bando de preguiçoso! Antes de tudo terminar quero fazer uma disputa de três contra três para ver do que são capazes! O time que perder duas vezes fica para limpar o ginásio! — e assim seguiu o treino, sem mais grandes demonstrações surpreendentes.

Nos jogos, como Ukai quis ver mais a força do primeiro ano juntos, colocou eles em duplas junto a mais um do segundo ou terceiro ano, e como não estavam em números pares, o que sobresse, por meio de sorteio, teria a sorte de fazer grupo com dois senpais, levando em consideração que os senpais não o ajudariam muito. Deveriam se concentrar nas recepções, toques e levantamentos. Até o momento os únicos levantadores que tinham no time era Kageyama e Nishinoya, sendo que esse ultimo não tinha a precisão do primeiro e nem muita habilidade, apenas servia para ataques surpresas, fato que até então só dava certo com Asahi, que saiu junto aos outros dois do antigo terceiro ano.

As duplas ficaram como Shinji junto ao novato tímido, acompanhados por Tanaka que com sua incrível mania de animar o time empolgou-se de imediato com o pequeno ruivo que o incentivava de forma muito parecida a Nishinoya, talvez até um pouco mais animado. O pobre novato tímido não sabia onde se encaixava naquele grupo, mas acabou tendo a sorte de ficar no time vencedor. O loiro, Kintaro, ficou sozinho tendo como companhia Kageyama e Nishinoya, fato que não o desagradou nem um pouco. Com um levantador e um líbero em seu time não foi difícil conseguir o segundo lugar. O ultimo grupo ficou com Shinra, o enorme novato e o pobre e pequeno Hinata. Foi até um jogo relativamente divertido para Shinra, ele percebeu que Hinata-senpai ainda não tinha pego o jeito nas recepções, ficando tanto ele quanto seu senpai perdidos na recepção. Talvez o melhor dentre eles foi o enorme novato, que tinha um talento razoável em qualquer uma das posições, apesar de ser calado e assustador não chegava a atrapalhar completamente o jogo. Eles ficaram em ultimo.

Acabou que a dupla perdedora, junto ao pobre Hinata, ficaram para limpar o ginásio e trancá-lo. Matsumoto Kintaro sorriu enquanto saia, pensando que aquela luta ele tinha vencido. Mesmo que aquele baixinho tivesse tanta força de ataque não seria o suficiente para ganhar dele. No final o único a se tornar oficialmente um titular e ganhar aquela guerra seria ele.

Shinra, por sua parte, resmungou cansado. Todos já haviam saído, seus braços doíam por tentar tantas vezes receber a bola, junto com sua cara e peito... Nunca conseguia ajeitar o corpo da maneira certa para que a bola simplesmente batesse em seu antebraço e fosse para o lugar certo, sempre acabava acertando outro lugar ou simplesmente acertando de maneira errada o antebraço. Resmungou novamente, dessa vez por ter que ficar para trás. A noite já havia avançado, seria uma longa caminhada até em casa depois disso, queria apenas um descanso mais rápido.

– Sakurano-san... — a voz de Hinata o trouxe de volta ao que estava fazendo, queixando-se novamente, dessa vez por um motivo diferente.

– Hinata-senpai, já disse que pode me chamar de Shinra. Não tenho problemas que me chamem pelo meu primeiro nome. — protestou, o rosto contorcido em um muxoxo desconcertado voltando-se para o mais velho. Hinata riu sem graça, assentindo.

– Isso por você ter morado tanto tempo fora? — questionou o ruivo.

– Não tínhamos o costume de chamar os outros por seus sobrenomes, é um pouco difícil se acostumar com toda essa formalidade.

– Mas você me chama de Hinata-senpai.

– Treinei muito com meu irmão esse tipo de coisa, mas de vez em quando ainda dou uns escorregões.

– Bem... você joga muito bem. Tem certeza que nunca jogou de verdade?

– Tirando a partida de vôlei de rua, nunca. Mas sempre tem um grande espaço em nossa casa, então treino por lá mesmo. Se bem que sozinho não da pra treinar as recepções. — o pequeno sorriu um pouco sem graça, logo se recordou do que estava pensando. — Ne, Hinata-senpai, eu estava pensando em um ataque que queria treinar depois. Tipo, os dois ponteiros saltando ao mesmo tempo, ambos com a intenção de cortar e no ultimo segundo a bola ser lançada para um deles, bem quando estão executando a chutada. Como a que você faz com o Kageyama-senpai.

– A chutada estranha? Bem, não ia dar certo por que só eu e o Kageyama conseguimos algo assim.

– Sério?! Que pena, seria tão legal! — lamuriou.

Shinra deveria admitir que a limpeza não era assim tão demorada, ainda mais com a ajuda de mais duas pessoas, entretanto, levou mais tempo do que se todos tivessem cooperado e isso acabou por incomodá-lo um pouco. Estava ansioso em voltar para casa, o horário tão tardio era irritante e já imaginava qual desculpa daria quando chegasse em casa, teria que trabalhar seu cérebro o caminho inteiro para achar alguma coisa que pudesse usar para escapar da chuvarada de perguntas que seguiria assim que gritasse as simples palavras "estou em casa".

Suspirou, agradecido por pelo menos ter a companhia de seus dois colegas por boa parte do caminho. Estava adorando conversar com Hinata-senpai, ele era animado e não tinha problema algum exceder nas conversas sobre vôlei, a experiência do ruivo acabava por lhe valer diversas histórias interessantes e situações até mesmo engraçadas, como o alerta sobre banheiros em épocas de campeonato. Aquela sim foi uma história engraçada de ouvir, nunca imaginaria que uma simples ida ao banheiro pudesse gerar tantos problemas e encontros inusitados.

Foi em uma pequena encruzilhada que, com tristeza, se despediu de seu senpai, garantindo estar no horário certo para o treino de manhã. Sete horas como bem se lembrava. Agora estava sozinho com o enorme novato tão promissor. Se bem se recordava eram da mesma sala, todavia o garoto tinha tão poucas palavras que era bem difícil notá-lo ou se lembrar dele. Talvez se não fosse por sua altura e características tão peculiares como o cabelo nunca alguém chegaria a reparar em sua presença.

Não sabia até onde ele iria pelo mesmo caminho, mas tinha certeza que não poderiam passar todo o percurso sem dizer nem uma palavra um ao outro. Sem falar que eram, não apenas da mesma turma, como também companheiros de time, deveriam ter uma boa relação, por mais que não fosse tão bom em ter algo assim. Respirou fundo, precisava começar a fazer amigos, Hinata-senpai não contava, ele era, apesar de tudo, um rapaz que admirava, poderiam até ter amizade, mas não chegaria ser um grande logro. Era agora ou nunca para começar a se enturmar.

– Ano... Você está na minha sala, não é? Hun... Akane Tomoshi, certo? — o alto rapaz o encarou por alguns segundos, seus olhos sérios e imparciais passaram-lhe calafrios de insegurança até o momento em que assentiu. Sorriu sem jeito e procurou rapidamente em sua cabeça um assunto que pudessem conversar. — E... O que achou do treino de hoje? Sabe? Com essa empolgação toda de primeiro dia.

– Bom... — um garoto de poucas palavras hein... aquilo seria mais difícil do que imaginava. Bem, pelo estilo do garoto já era de se esperar que não fosse fácil, mas não desistiria ali, uma coisa que era grande em seu caráter com certeza era a teimosia.

– E o que te levou a escolher o vôlei? — levou as mãos até as costas, entrelaçando os dedos como podia enquanto caminhava com o corpo inclinado um pouco para trás. Procurou encarar apenas o caminho a sua frente, de maneira que deixasse o assunto o mais corriqueiro possível.

– Eu gosto de vôlei. — foi uma resposta tão simples, tão... Sem explicação que não conseguiu evitar a ligeira risada que escapou de sua boca.

– "Eu gosto de vôlei", só por isso? Ah bem, não é como se realmente fosse precisar de uma resposta enorme e cheia de emoção. — comentou, sem se importar mais se o rapaz prestava ou não atenção em seus devaneios sobre a curta frase. Talvez um monologo fosse melhor do que ficar andando em silencio. — Hum... Acho que pra mim seria o mesmo, tirando o fato de que não seria apenas gostar. Eu amo vôlei! Dediquei toda minha vida a ele, sabe. Apesar de que meus pais não gostam muito dessa minha teimosia.

– Eles não gostam que você pratique? — a pergunta o surpreendeu, não esperava que o rapaz fosse se pronunciar, mas não se incomodou e tratou de responder. A presença dele não era ruim, na verdade podia dizer que gostava dele. Era calmo, quieto, tranquilo, completamente seu oposto e aquilo era bom para acalmar um pouco seus nervos.

– Não exatamente. É que já me machuquei uma vez por causa disso, eles não querem que isso aconteça de novo. — sorriu para o rapaz, ele parecia estar andando bem devagar para poder lhe acompanhar. Já que as pernas dele deveriam ter quase seu tamanho, não era fácil caminhar junto com ele. — Mas sabe... Não importa o que aconteça, eu quero continuar praticando, quero continuar melhorando. É como se tudo em mim pedisse apenas por isso. — ergueu uma das mãos para o céu, encarando-a enquanto sorria de forma sonhadora. Seu coração tamborilando em seu peito, sem a menor compaixão, deixando uma sensação esquisita em seu corpo, boa e ruim ao mesmo tempo. — Quando eu acerto a bola, com essa mão, é... é... "Wow", entende? Quando pulo, sinto que nada pode me parar e a paisagem a minha frente se abre, mostrando o "outro lado". Tão... Tão... "Guaaa".

O silencio tomou conta do espaço entre os dois assim que o pequeno terminou sua declaração. Ele ainda estava concentrado de mais em seus próprios devaneios para perceber que o maior o encarava, de forma atenta, os olhos azuis escuros finalmente demonstrando algum sentimento além de neutralidade. Ele parecia... Admirado. Aquele pequeno sim que sabia surpreender.

– Ah! Desculpe, acabei falando de mais sobre essa minha ideia idiota. — se apressou a se desculpar o pequeno, o rosto completamente corado por ter exagerado tanto na descrição de seus devaneios. O rapaz não deve ter entendido nada do que falou.

– Não é idiota. — a resposta do rapaz foi uma outra surpresa. Ele não o encarava, seus olhos estavam baixos enquanto caminhava, mas Shinra perdeu o sorriso constrangido, esperando a continuação daquela simples frase. — Não é idiota, porque... É o que descreve o que você ama tanto fazer. Então não é idiota!

– É... Acho que tem razão... Não é idiota. — murmurou sorrindo um pouco, detendo seus passos em uma das esquinas. Seus olhos se perderam naquele caminho, percebendo que seu companheiro também havia parado. — Bem, minha casa é logo ali. — apontou a terceira casa da rua, não mais que alguns passos e estaria lá. — Até amanhã, Tomoshi-san.

– Akane.

– Hun?

– Você disse ao senpai que tinha dificuldade em manter a formalidade, então pode me chamar de Akane, eu não ligo. — Shinra sorriu, aquele garoto, por mais que não parecesse, também era cheio de surpresas.

– Tudo bem. Até amanhã, Akane! — e disparou para sua casa, acenando levemente para o companheiro, que desaparecia caminho acima.

Assim que se viu no portão de casa respirou fundo, empurrando a pequena porta que separava a rua do jardim e avançou até a porta que desprendia luz por debaixo de suas frestas. Retirou do bolso a chave e destrancou a porta, entrando e pronunciando ao mesmo tempo um "estou em casa", alto o suficiente para quem estivesse ali poder ouvir.

– Por que demorou tanto, minha filha? — a voz de sua mãe vinha da cozinha, conseguiu ouvi-la perfeitamente enquanto retirava os sapatos e se apressava em subir as escadas para o segundo andar, onde tomaria um bom banho e iria ao quarto de seu irmão para que começassem a conversar sobre como foi o primeiro dia na escola nova.

– Decidi fazer uma caminhada depois da escola, acabei por perder a noção do tempo. — respondeu de forma calma, tranquila de tal maneira que sua mãe não podia mais questionar nada.

– E como foi a escola?

– Legal, apesar de não conseguir entender ainda muito bem o que os professores estão escrevendo no quadro.

– Logo vai se acostumar, se não, pede ajuda ao seu irmão.

– Tudo bem! — subiu as escadas de dois em dois degraus, disparando para o chuveiro. As peças de roupa caiam no chão tão depressa quanto guiava-se para debaixo do chuveiro, deixando seu corpo relaxar na água quente. Todavia, tratou de não demorar mais de dez minutos. Estava ansioso para conversar com seu irmão sobre aquele dia.

– Hina? — a voz veio assim que saiu do banheiro, já trajando um largo e confortável pijama composto não mais que uma camiseta e uma larga bermuda. — Quando foi que chegou?

– Agora mesmo. Já estava indo para o seu quarto para conversarmos. — sorriu alegremente para seu irmão, tão idêntico a sua pessoa. Como gêmeos, apesar de sexos diferentes, não tinha como negar que eram bastante parecidos. Todavia, seu irmão era mais sério, introvertido, não se abria com muitas pessoas que não fossem ela.

– Alguém suspeitou?

– E acha que suspeitariam?

– Ainda não estou muito confiante com tudo isso.

– Vamos Shinra! Não desanime agora! Vamos, eu tenho um monte de coisas legais para te contar!

Não era nada mais do que um plano louco...

Notas finais
¹postando isso as três horas da manhã, vê se pode¹ meu horário ta meio bagunçado, mas beleza, estou pensando em já começar a esquentar no próximo cap, mas veremos até onde minhas ideias vão. Ah e quem estiver lendo, ficar sem review é ruim, mas espero que estejam gostando ^^ ByeBye