Se eu tivesse que escolher uma palavra no dicionário que acompanha minha existência desde o princípio, essa palavra seria recomeçar.

Recomeçar. Pois não há nada mais belo que um arco-íris após a tempestade.

Em meio a tantas turbulências, furacões, tsunamis e incêndios internos, tudo era calmaria nos primeiros 5 segundos depois de abrir os olhos.

A paisagem nunca mudava. Um cômodo de madeira numa parede branca.

Sem gotejos, ruínas, rachaduras ou entrelinhas.

Mas ai eu fechava os olhos e podia ouvir as marés batendo forte contra o meu pequeno cais.

A onda era tão violenta que me derrubava, me afogava, me matava.

E no dia seguinte, tava tudo bem.

Eu levantava, calçava as pantufas, tomava banho, trocava de roupa, comia waffles, bebia suco e ali estava eu. Morrendo lentamente a cada piscar de olhos, a cada mísero segundo com meu inconsciente.

Eu sentia meu ar sendo puxado, meu corpo jogado pra trás. Meu estômago embrulhava e eu só conseguia ouvir: "Você não é capaz."

Logo o mar se formava, várias lágrimas encontravam as areias no chão — areias estas que em outra era eram cacos do meu coração — e iam formando; pingos, lagos, mares, ondas, tsunamis de dor.

Me invadia, me batia, me quebrava, me apagava.

Bem, no dia seguinte após essa tormenta interior, eu tinha uma certeza que ninguém tirava de mim. Isso era a semente cotidiana pro meu mundo renascer.

Recomeçar. Pois não há nada mais belo que um arco-íris após a tempestade.

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