Era um dia frio, como todos. E estava nevando. Escutei tiros e bombas. Gritos e risadas, correntes se arrastando, e choros. Quis chorar também. Mais um conflito... Foi quando olhei para o Hisagi-kun, que mais uma vez me pegara nos braços no meio da noite.

Já fazem 4 meses que estamos vivendo neste prédio. Eu saí para fora, ele não notou. Olhei para cima, a neve caindo em meu rosto. Junto com fuligem negra. Então um avião de guerra passou. Eu me protegi, por causa do vento forte que este criou. Me escondi atras da pilastra do prédio.

Soldados armados desceram correndo para a minha direção oposta. Eu me escondi, olhando aquela cena aterrorizante.

Senri p.o.v

Acordei depois de mais um pesadelo. Foi quando vi que Hinata não estava nos meus braços como sempre. Me levantei assustado. Corri para fora. Foi quando ouvi aqueles barulhos de antes mais claramente. E ela, atrás de uma pilastra, enquanto soldados desciam de um avião.

Ela tremia, estava com frio e assustada. Eu fui até ela, e coloquei os braços em sua volta, envolvendo-a. Ela se virou assustada para mim. Eu beijei sua testa, lembrando de meu pesadelo.

"Escuro como sempre. Essa sala, é sempre escura.

Escuto passos, e Hinata aparece andando calmamente até mim. Ela tem correntes amarradas no pescoço, nas mãos, e nas pernas. Está sem suas vestes, e seus olhos, negros.

Eu tento alcança-la, minha mão a atravessa. Seu sangue cai de seus olhos, em um tom negro e aterrorizante. Ela sorri.

- Está com medo...? Hi-sa-gi-kun? "

- Me desculpe, eu saí de novo. — Ela se desculpou, eu peguei ela no colo, e a levei para dentro do prédio. Ela ficou surpresa e corada. Cheguei no quarto, fechei a porta e as cortinas. A deixando na cama, e me sentando no chão.

- Imperdoável. — Eu disse, deixando ela surpresa. Fechei meus olhos. — Vai ter que arrumar outro jeito para me pedir desculpas. — Ela pensou um tempo, e então veio até mim, e me deu um beijo no rosto.

- Me perdoa, Hisagi-kun? — Eu dei um sorriso.

- Claro que sim. Desse jeito todos perdoam... — Eu disse, ela ficou vermelhinha e linda.

---

O fato era que a guerra estava piorando a cada minuto. Bombas estavam sendo jogadas em todos os lados. Ela estava nos meus braços, tremendo e chorando de medo. Eu a abracei forte, queria que isso não tivesse acontecido com ela.

Então uma bomba caiu ao lado de nosso prédio, nos protegemos, mas o prédio começou a desabar. Corremos para fora, e conseguimos nos salvar. Mas quando eu fui ver. O olho esquerdo de Hinata estava sangrando.

- Ah... — Gemeu. Vi que algo tinha acertado, ela perdeu o olho, não tem outro jeito. Corri para o hospital com ela, ao chegar, uma bondosa enfermeira nos atendeu.

Demorou um tempo, até que vi Hinata andando até mim, com um olho branco no lugar do outro.

- É um olho de boneca. — Ela me disse, ficando do meu lado. Eu me levantei, a enfermeira veio com um tapa olho na mão.

- Ela vai ter de usar isso, se não o olho pode sair ou qualquer outra coisa. — Ela disse, eu peguei o tapa-olho, e coloquei nela. Ela ficou vermelhinha. Então fomos embora, a enfermeira fez questão de que não pagassemos.

Fomos andando pelas ruas mais calmas da cidade, onde todas as casas estavam fechadas com suas mães e filhos. Apenas os ricos... Foi quando me lembrei que amanha eu iria fazer 19 anos... Haha. Teremos uma casa.

- Amanha, teremos uma mansão, Hinata-chan. — Eu avisei, ela me mostrou um sorriso lindo, e me abraçou.

- Feliz aniversário!