Ai no Odoroki
4 Eu e minha curiosidade...
Notas iniciais
Pov. Yuki
Em meus sonhos eu não encontrei Yuri, como pensei que aconteceria. Eu encontrei quem eu menos esperava. Daisuke. O Daisuke gentil e amável que eu conheci assim que eu cheguei aqui. Não o Daisuke com a voz fria e o olhar gélido.
Sua voz era gentil e sussurrava meu nome, foi quando eu percebi que não estava mais sonhando e ao abrir os olhos eu pude confirmar isso. Ele estava ali, na minha frente se desculpando.
— Yuki – ele falou surpreso quando viu que eu acordara. Seus olhos rapidamente se desviaram dos meus e eu percebi o quanto ele estava angustiado.
— Daisuke... – sussurrei mas ele não me olhou.
— Me desculpe – falou e mais uma vez fui pega de surpresa – Eu não deveria ter falado daquela forma, eu não queria que você visse esse meu lado. Eu não quero que me odeie.
Sua voz era de pesar e meu coração apertou-se ao ver a dor em seu olhar.
—Não se preocupe. – falei – Eu não deveria ter insistido tanto quando vi que era algo importante e perigoso. Não se culpe eu realmente não deveria ser tão curiosa. – ele finalmente me olhou, mas em seus olhos, a dor ainda estava estampada. – Quanto ao seu outro lado, bom, eu quero conhecer você. Saber tudo sobre sua vida, seus problemas, suas dores, seus medos, mesmo que eu não possa ajudar eu quero saber porque eu quero que esse casamento dê certo.
Seu olhar rapidamente passou de doloroso a surpreso e quando ele repentinamente abraçou-me eu senti meu coração bater mais forte. Ele realmente era especial.
— Eu vou cumprir minha promessa. – falou quando eu estava em seus braços – Eu realmente vou faze-la feliz.
Por um momento eu fui pega de surpresa lembrando-me do dia em que ele prometera aquilo.
Por mais que Yuri ainda estasse em meu coração, pouco a pouco Daisuke estava o arrancando de lá. Não, eu provavelmente não o esqueceria facilmente, mas era Daisuke quem estava ali, para me fazer sorrir e me fazer feliz. Eram aqueles olhos azuis escuros que estavam me deixando tão confusa quanto aos meus sentimentos.
E se o que eu senti por Yuri não fosse o que eu achei que fosse? E se eu nunca o amei?
Eu não sabia se eu queria saber a resposta dessas perguntas, mesmo que Daisuke estasse me mostrando isso, dia a dia.
— Acho que eu devo prometer algo também, não é?! – pedi quando nos separamos. Ele falaria, mas eu não deixei – Eu sei que ainda não nos conhecemos direito, mas eu quero conhece-lo, quero cuida-lo, faze-lo feliz. Por isso eu também prometo que o farei feliz.
Sua expressão era de surpresa. Acho que essa expressão se repetiria com frequência durante algum tempo, somente até que nós soubéssemos tudo um sobre o outro.
Seu sorriso aqueceu meu coração. Seus olhos continham um brilho que eu nunca vira em pessoa alguma. Nem mesmo em Yuri.
-Obrigado – falou ele pondo sua cabeça em minhas pernas, me pegando de surpresa (novamente) – Obrigado, por ter tornando-se minha esposa.
Yuri.... Me desculpe, mas acho que logo você não estará mais em meu coração.
Depois de alguns minutos ele levantou-se e estendeu sua mão para mim.
—Vamos. – falou – Já está ficando tarde.
Realmente a noite já caíra e eu nem mesmo percebera. Ao pegar sua mão, um arrepio percorreu meu corpo e borboletas agitadas surgiram em meu estomago. O que era aquilo?
O caminho até nosso quarto foi silencioso. Ambos estávamos bem assim, apenas com a companhia um do outro. A lua nascia exuberante ao leste e eu não resisti parar para contemplá-la.
—É realmente belo não é?! – pediu-me ele parando ao meu lado.
Sorri. Realmente era belo. As pétalas das flores de cerejeira eram levadas pelo vento suavemente, tonando a cena mais bela ainda.
"Link "
Logo depois entramos no castelo e com passos lentos nos dirigimos ao nosso quarto. Bem, nós dormíamos juntos, mas nada nunca acontecera (com exceção da noite de lua de mel).
Quando quase pegara no sono, depois de trocar-me de roupa, ele abraçou-me, fazendo com que me sentisse bem ali.
— Boa noite Yuki – sussurrou
Eu sorri e não demorou para que eu adormecesse em seus braços. Sem pesadelos, sem sonhos. Apenas adormeci.
—Princesa... — sussurrou uma voz sombria em minha mente fazendo-me acordar rapidamente.
O que era aquilo?
— Majestade? – pediu uma das empregadas assustando-me. – Está tudo bem?
Limitei-me a assentir. Foi quando eu percebera que Daisuke não estava ali. Provavelmente a empregada adivinhara isso quando viu que eu olhava a cama, onde Daisuke estivera a algum tempo atrás, porque ela logo falou:
— O rei saiu logo cedo, disse que quando acordasse era para pedir-lhe desculpas por ele, mas ele tinha uma reunião com os membros do conselho de Majikku novamente.
Majikku...
O que tinha de tão importante nisso para que ele agisse daquela forma. Parecia que nem era ele...
— Você sabe algo sobre a Majikku? – pedi sem pensar a empregada.
—Hã? Ah, sim. O conselho de Majikku é composto por todos os representantes de cada estado de todo o reino do Norte. Eles frequentemente se reúnem aqui para conversar com o rei sobre como cada estado está e o que precisa. – falou ela.
— E você sabe de algo sobre a Majikku em si? – pedi olhando-a e logo a vi recuar.
— N-não majestade. E-eu não sei – falou rapidamente. – Se me der licença.
Mentira. Ela sabia de algo. Eu sei que eu não deveria estar tão curiosa, mas eu queria saber o porquê que eu não podia saber daquilo se até mesmo a empregada sabia. O que era a Majikku? Pela reação que Daisuke teve quando vira-me com aquele livro na mão devia ser algo muito importante e.... perigoso. Mas porque ao menos ele não me falara sobre aquilo? Pelo menos não me deixaria tão curiosa e tentada a descobrir mais sobre a Majikku.
Rapidamente pus um vestido e me arrumei. Desci calmamente as escadas para que ninguém desconfiasse de nada, assim, logo chegando a biblioteca, onde, depois de conferir se não tinha ninguém lá, fui até a mesma prateleira onde achara o livro e abri a pequena porta da parede falsa. Porém logo surpreendi-me. O livro não estava mais ali.
Eu deveria ter pensado nisso antes. Ele o escondera em outro lugar. Que droga! Tentei procurar em outros livros sobre o que realmente era a Majikku, mas não achara nada. Todos os livros a citavam, mas nenhum dizia o que realmente era.
“ A guerra durara apenas alguns meses, mas fora cruel e desesperadora. Cada um dos quatro reinos, uns contra os outros, causaram mortes incalculáveis e aterrorizantes. A Majikku realmente é algo impróprio para alcançar a paz, porém algo mais impróprio que isso são as pessoas que não a controlam e deixam que ela as controlem. ”
Eu encontrara apenas isso. Um trecho de um livro antigo, feito, provavelmente, logo após a guerra. Com isso, eu apenas consegui atiçar mais ainda minha curiosidade. Porque eu não lera o começo do livro de Majikku?!
— Estás interessada pela história monótona dos reinos, Majestade? – perguntara-me um homem atrás de mim, assustando-me.
Ao virar-me deparei-me com um homem alto, seus cabelos eram brancos como a neve e seus olhos eram claros. Sua expressão era séria e um tanto desconfiada....
— Quem é você? – pedi confusa.
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