Notas iniciais
Bom, eu amei escrever essa oneshot, então espero q vcs gostem ^^

Ruki chegou chorando desesperadamente naquela noite. Eu tentei chamar sua atenção, mas ele parecia nem me ver, então quando ele se sentou no chão, abraçando as próprias pernas, e escondeu o rosto sobre os joelhos eu apenas fiquei em silêncio ao seu lado, esperando que ele melhorasse. Depois de algum tempo coloquei minha mão sobre a dele e ele ergueu o rosto banhado de lágrimas, me encarando por alguns segundos antes de me abraçar com força. Nós ficamos assim por um bom tempo, mas ele não me disse o que aconteceu. Eu estranhei aquilo, pois ele sempre me contava tudo, mas entendia que talvez ele precisasse de um tempo e ele sabia que teria todo o tempo do mundo pra me falar qualquer coisa. Sempre foi assim desde o dia em que fui recebido com tanto amor e carinho em seu apartamento.

Os dias se passaram e ele continuava abatido. Eu sempre tentava animá-lo, mas já eram raras as vezes em que eu conseguia lhe arrancar um sorriso. Reita, um loiro mais alto que Ruki e que estava quase sempre na companhia do menor, já não aparecia mais em casa e isso era estranho. Eu gostava do Reita... Ele sempre fazia o Ruki feliz. O loiro praticamente morava mais ali que em seu próprio apartamento e eu não entendia seu sumiço repentino. Será que eles tinham brigado? Por que o Ruki não me disse nada? Ele sempre vinha desabafar comigo quando eles brigavam por qualquer besteira que fosse.

Sentei-me ao seu lado quando o peguei abraçado a uma foto do Reita. Um choro fraco deixou meu ser e Ruki sorriu pra mim, mas era um sorriso triste:

— Você também sente falta dele, né?

Apenas deitei a cabeça em seu colo. Não gostava de vê-lo triste assim. Eu sempre estaria ali pra ele, houvesse o que houvesse. Sempre seria aquele ao seu lado quando ele chorasse, mas naquele momento eu só queria saber um jeito de fazê-lo sorrir de novo.

Já tem algum tempo que tudo isso aconteceu e eu ainda não sei o que fazer. Me esforço todos os dias pra arrancar gargalhadas dele como sempre costumava fazer, mas ele já não sorri mais. O Reita não voltou a aparecer e eu ainda não sei o que aconteceu entre eles.

Hoje, como sempre, eu dei o melhor de mim pra ver o Ruki sorrir. Não importa quanto tempo passe, eu não vou desistir disso:

— Obrigado por sempre cuidar tão bem de mim. — ele agradeceu e beijou o topo da minha cabeça. — Você merece alguém tão melhor do que eu. — continuou, me abraçando com mais força que o habitual. — Me desculpe. Eu não aguento mais. Desculpa.

Eu não entendi o que ele quis dizer com isso. Ruki é o melhor. Nunca existirá alguém no mundo melhor que ele pra mim porque eu o amo incondicionalmente.

Ele se arrumou pra dormir e tomou um remédio antes de ir pra cama, como fazia desde aquela noite em que o Reita saiu de vez de nossas vidas. Devia ser o último comprimido, pois ele jogou o frasco vazio no chão antes de se deitar. Eu me deitei ao seu lado, como sempre fazia, e dormi.

~*~*~*~

Já está tarde e o Ruki não acorda. Eu o chamei várias vezes, mas ele nem se mexe. Tentei buscar ajuda, mas não consegui deixar o apartamento. Eu estou trancado aqui. O chamei de novo e mais uma vez não obtive resposta, então apenas me deitei com ele, aconchegando-me em seu peito. Ele não se move. Deve estar exausto, então é melhor eu não fazer barulho pra ele descansar.

Embora eu diga isso já estou me revirando na cama. Será que ele vai demorar a se levantar? Eu espero que não. Estou tão entediado. Quero que ele acorde logo pra tentar fazê-lo sorrir mais uma vez. Voltei a deitar em seu peito, meus olhos encarando o rosto adormecido. Vou estar aqui quando ele acordar porque eu o amo.

~*~*~*~

Estou com tanta fome, mas o Ruki ainda hoje continua não atendendo aos meus chamados e eu não quero sair do lado dele. Eu prometi que ficaria ao seu lado pra sempre porque eu o amo. Eu o amo tanto...

— Ruki! — era a voz do Aoi na porta. Eu gosto do Aoi, ele está sempre de bom humor e sempre sorri pra mim.

Corri até a porta pedindo por ajuda. Talvez ele conseguisse fazer o Ruki se levantar da cama. Aoi arrombou a porta, junto de Kai e eu corri pro quarto pra que eles me seguissem. Kai correu desesperado pra cima da cama assim que adentrou o cômodo. Ele estava batendo no peito do Ruki, mas por que ele fazia isso? Aoi o abraçou por trás, segurando o outro moreno:

— Kai, não adianta. — disse com os olhos cheios de lágrimas, fazendo aquele líquido salgado desabar dos olhos do outro também. — Ele já está morto.

Eu não entendo. Ele está fingindo de morto? Mas já faz muito tempo. Assim não tem graça. Passei meu nariz por seu rosto, tentando mais uma vez fazer ele se levantar, mas não adiantou. Uruha chegou pouco depois, já chorando desesperado, e abraçou os dois morenos que já estavam no quarto. Afinal o que os três estão fazendo? Eles têm que me ajudar a acordar o Ruki. Chamei a atenção deles e voltei a acariciar o rosto adormecido esperando que alguém ajudasse:

— Koron-chan, ele não vai acordar. — Foi o que Aoi disse ao me pegar no colo e me abraçar. Por que ele estava dizendo isso? Eu me esperneei até conseguir me soltar dele e deitei-me com o Ruki mais uma vez. Eu ficarei com ele pra sempre! Eu prometi!

Alguns homens estranhos chegaram e não gostei nada da forma como eles invadiram o quarto. Eles não têm a permissão do Ruki pra entrar aqui. Não podem fazer isso. Eu me levantei e rosnei quando um deles tentou encostar no meu dono. Não deixarei nenhum desconhecido se aproximar. Eles não vão machucar o Ruki, eu não vou deixar:

— Koron-chan, ta tudo bem. — Uruha falou numa voz calma, se aproximando de mim devagar. — Você tem que deixar o Ruki ir com eles.

Eu fique dividido. Confio no Uruha, mas não quero que ninguém leve o Ruki embora. Olhava de uma pessoa pra outra naquele cômodo sem saber o que fazer. Se ao menos o Ruki me dissesse o que eu deveria fazer… Outro homem tentou se aproximar e eu lati pra ele em um aviso pra manter distancia. Comecei a andar em circulos, confuso por haver tanta gente ali e acabei me deitando no peito do Ruki. Eu só quero ficar perto dele porque eu o amo e eu sei que ele me ama também. Nós sempre cuidamos um do outro:

— Koron… — Kai me chamou, sentando-se lentamente ao nosso lado, e me dedicou um carinho gostoso. — Ninguém vai machucar o Ruki, ta bem? — ele aproximou a outra mão devagar e por fim me pegou em seus braços. — Vai ficar tudo bem. — prometeu, ainda acariciando meus pêlos. E eu me deixei escorar a cabeça em seu braço enquanto via aqueles homens colocaram o Ruki em uma cama com rodinhas. Eles colocaram uma coisa preta por cima dele e eu pude apenas observar enquanto o levavam embora. Comecei a chorar assim que ele saiu da casa, mesmo o Kai continuando a me dizer que vai ficar tudo bem. Eu queria ir com ele pra onde quer que ele fosse. Quero estar sempre com ele... Espero que ele volte logo.

~*~*~*~

Já tem alguns dias que estou no apartamento do Uruha. Eu gosto dele, mas sinto falta do Ruki. Me pergunto quando ele virá me buscar:

— Koron-chan! Hora de passear.

Eu sequer me movi. Não queria passear se não fosse com o Ruki. Sinto tanta falta dele:

— Você não pode ficar assim pequeno. — Uruha resmungou me pegando em seus braços. — Se acabar ficando doente o Ruki não vai me perdoar.

Eu abanei o rabo e lambi o rosto do loiro contente por ouvir o nome do meu dono. Uruha sorriu largamente e começou a fazer carinho no topo da minha cabeça:

— Você quer ir ver o Ruki?

Pulei de seus braços, saí correndo pela casa, e logo voltei com a coleira na boca. Uruha a colocou em mim e deixamos o apartamento. Andamos algumas quadras até entrarmos em um grande gramado. Aquele lugar seria ótimo pra jogar bolinhas, apesar das pedras grandes no caminho. Será que o Ruki está me esperando ali por isso? Ele sempre brincava comigo em gramados como aquele:

— Chegamos. — o loiro anunciou sentando-se diante de uma daquelas pedras. Fiquei sem entender porque ele parou ali. Eu não vejo o Ruki, mas...

Fiquei andando em volta do loiro cheirando o chão. Era fraco, mas eu sentia o cheiro do Ruki ali. Onde ele estava? Eu procurava por todos os lados, mas não o via:

— Desculpa Koron-chan. — Uruha começou a chorar. Eu lembrava que o Ruki também tinha me pedido desculpas… Foi a última coisa que ele me disse. — É minha culpa eles estarem aqui. — falou abraçando os próprios joelhos e escondendo o rosto entre eles. — Eu estava dirigindo o carro quando aquele caminhão apareceu na contramão e não consegui desviar e o Reita… — seu choro parecia aumentar a cada palavra. — Eu só tive um arranhão e o Reita morreu.

Ele estava chorando como o Ruki naquela noite em que o Reita foi embora. Eu passei a mão por sua perna algumas vezes até que ele me olhasse e depois pulei em seu colo. Uruha sorriu e passou a mão por minha cabeça e eu coloquei as duas mãos em seu peito pra alcançar seu rosto e lambê-lo:

— Então você me perdoa? — perguntou rindo da minha reação. Eu lati duas vezes e comei a correr em volta dele. Deitei-me no chão depois de algum tempo. Era bom sentir o cheiro do Ruki ali. — Ele não vai poder voltar pra casa, mas quando quiser podemos vir visitá-lo. — ditou, arrastando-se na grama pra se agachar ao meu lado e me fazer carinho.

Seus olhos caíram sobre a pedra do lado e eu corri até lá. Podia sentir o cheiro do Reita ali e isso me deixou feliz. Se o Ruki está junto do Reita então ele com certeza está feliz e isso é tudo que eu mais quero porque eu o amo muito, incondicionalmente, pra sempre.

Notas finais
Obrigada por ler, espero q tenham gostado ^^ Ah, deixem review e façam uma autora feliz, sim? ;D Kisus
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!